31/08/2012

A Verdade que a Mídia não se Importa em Desvendar


por Emir Sader

O mais importante processo da história brasileira está sendo levado adiante pela Comissão da Verdade, independente de que seja apenas uma condenação moral e política da ditadura e de todos e tudo que esteve vinculado a ela.

Foi um momento crucial na história do país, em que se escolhia entre a democracia e a ditadura. Triunfou a ditadura, pela força das armas, incitada pelo governo dos EUA, pela direita brasileira, pelo grande empresariado do país, praticamente pela totalidade da mídia da época (exceção da Última Hora), pela Igreja católica.

O país agora, finalmente, passa a limpo aquele período brutal da história brasileira, com a Comissão da Verdade. A mídia, os partidos da direita, militares, se sentem incômodos com a ação da Comissão, porque pretendiam enterrar da memória nacional aquele período e sua participação vergonhosa nele.

Onde está o Povo?


por Saul Leblon

Há certo gosto de decepção no ar. O conservadorismo que durante meses, anos, cultivou o julgamento do chamado mensalão como uma espécie de terceiro turno sanitário, capaz de redimir revezes acumulados desde 2002 no ambiente hostil do voto, de repente percebe-se algo solitário na festa feita para arrebanhar multidões. 

Como assim se os melhores buffets da praça foram contratados; a orquestra ensaiou cinco anos a fio e o repertório foi escolhido a dedo? 

Por que então a pista está vazia? 

Pouca dúvida pode haver, estamos diante de um evento de coordenação profissional.

O timming político coincide exatamente com o calendário eleitoral de 2012; a similitude e a precedência comprovadas do PSDB na mesma e disseminada prática de caixa 2 de campanha --nem por isso virtuosa--, e que ora distingue e demoniza o PT nas manchetes e sentenças, foi enterrada no silêncio obsequioso da mídia. 

O Grande Irmão já Existe e "Olha por Nós"


O jornalista e fundador do Wikileaks, Julian Assange, concedeu a primeira entrevista desde que fugiu de sua prisão domiciliar e pediu asilo político à Embaixada do Equador em Londres. Na conversa com o jornalista Jorge Gestoso, transmitida na noite desta quinta-feira (30) pelo Canal Multiestatal TeleSur e pela equatoriana Gama TV, Assange qualificou a decisão do Equador de conceder-lhe asilo como "correta", porque é uma pessoa "perseguida política pelos Estados Unidos e seus aliados". O jornalista australiano afirmou que se uma pessoa fizer algo que "vai de encontro à vontade dos Estados Unidos, algo de mal vai acontecer com ela".
A entrevista aconteceu nas dependências da embaixada do Equador no Reino Unido, onde Assange está alojado desde 19 de junho, data na qual deixou a prisão domiciliar e pediu ao governo de Rafael Correa a concessão de um asilo político. A resposta positiva para o pedido veio no dia 16 de agosto, momentos após o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, alegar que o governo britânico pretendia invadir a representação diplomática para prender o jornalista. O governo britânico nega-se a conceder um salvo-conduto para o jornalista deslocar-se até o aeroporto e seguir para Quito. "Eles (EUA) já disseram em documentos oficiais que não se trata somente de acusar Julian Assange por espionagem, mas de parar as atividades do Wikileaks", relatou Assange.

30/08/2012

A TV vista por quem entende de TV



Logo depois de conhecer os números do DataFolha e do Vox Populi (primeiras pesquisas após o início do horário gratuito), parei pra ver os programas de TV dos candidatos em São Paulo. Com som baixo, mais interessado no encadeamento de imagens, passei meia hora observando.

Relato o que vi. A propaganda de Serra não é ruim. Ao contrário de 2010, quando os tucanos levaram ao ar uma inacreditável “favela cenográfica” (matáfora, talvez, da dificuldade do PSDB de falar com o povão), dessa vez o programa pareceu-me correto. Serra não aparece muito, até porque o público já o conhece. O eleitor precisa ser poupado da imagem do candidato… Na abertura do programa, os marqueteiros mostraram favelas reurbanizadas na gestão Serra/Kassab, mas o nome do prefeito (pessimamente avaliado nas pesquisas) foi citado de passagem, na boca de uma eleitora. A tentativa, sutil, é de reduzir a rejeição a Kassab, mostrando que nem tudo é tão ruim na Prefeitura.

Resumo da ópera. Se Serra seguir caindo nas pesquisas, a culpa não será do programa de TV. Há uma fadiga geral com o candidato. Imagem desgastada. Parece que Serra quer disputar eleição sem saber direito por que. Foi o que me perguntou dia desses meu filho de 15 anos, ao ver o cartaz de Serra na rua: “pai, ele não cansa de ser candidato?”. Ele, talvez não. Mas o eleitor está cansado de Serra.

Curió e Maciel vão responder criminalmente pela Guerrilha do Araguaia


A juíza federal Nair Cristina Corado Pimenta de Castro, do Tribunal Regional da 1.ª Região, Subseção de Marabá, aceitou ontem a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o major da reserva Lício Augusto Maciel, acusado de sequestro de militante político durante o período do regime militar. A juíza também acatou ação contra o coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como Major Curió, pelo mesmo tipo de crime. Os dois serão processados de acordo com o artigo 148 do Código Penal.
Trata-se de uma decisão inédita na Justiça do Brasil. Até agora haviam sido rechaçadas todas as tentativas de responsabilização penal de agentes de Estado acusados de violações de direitos humanos. Os juízes sempre alegaram, ao recusar as denúncias, que crimes estão prescritos ou foram abrangidos pela Lei da Anistia de 1979.

E pensar que quando meus pais eram jovens o mundo era assim...

por DocVerdade


Momentos em que a barbárie aplicada a uma parcela da sociedade é considerada normal e quando qualquer manifestação contra ela é considerada ilegal podem parecer coisa de séculos atrás ou de pequenos países sob ditadura declarada. Mas não, nos anos 60, nos Estados Unidos da América, havia lugares onde negros não podiam comer, sentar, não tinham direito a voto e muito menos a se manifestar. 
Era comum nos Estados sulistas, negros serem alvejados, mutilados, queimados, surrados, sem que os seus agressores sofressem alguma punição. Neste contexto começa o movimento social mais forte que já aconteceu no país sob a liderança de uma das figuras mais emblemáticas da história ocidental, Martin Luther King. 
Imagens emocionantes, mostram toda a cronologia desse movimento, com depoimentos atuais dos integrantes. Músicas que eram cantadas como hinos, são exibidas com grande produção moderna.
Um grande exemplo de desobediência civil e resistência pacífica.






Senhoras e senhores, prometo que não voltarei mais ao assunto.
A exibição da reportagem foi adiada mais uma vez.
Lamento.

Nossos Sonhos não Cabem no Capitalismo



Para Meirelles, a reconstrução da política exige superar lógicas que associam felicidade e sucesso a consumo e acumulação sem fim
Avançou de modo notável, nos últimos anos, a sensação de que o peso do poder econômico está desfigurando a democracia, a ponto de levá-la ao colapso. Um número crescente de pensadores, ativistas, cidadãos comuns dá-se conta de fenômenos como a mercantilização das eleições e a institucionalização do tráfico de influência. Envolvidos em disputas eleitorais cada vez mais caras, partidos e governantes comprometem-se profundamente com os interesses de grupos empresariais que nutrem suas campanhas políticas.

29/08/2012

Ocupar, resistir, morar, conquistar...

Foto: Daia Oliver
Fomos recebidos com desconfiança no local onde se reúnem os líderes dos principais movimentos de luta por moradia da cidade de São Paulo. A razão para o cuidado extremo conosco era porque os apresentadores dos telejornais policiais da tarde teimam em criminalizar qualquer tipo de mobilização social. 

"Quando houve a reintegração da Ipiranga com a São João", lembra uma coordenadora, "o apresentador chamou todo mundo de bandido, vagabundo, desocupado, enquanto as imagens mostravam trabalhadores e mães com suas crianças no colo, deixando o prédio pacificamente. Um absurdo!" 

Ironicamente, em tese, esses telejornais da tarde, de forte apelo popular, são feitos justamente para pessoas como as que o apresentador insultou. Portanto, nosso primeiro passo foi adotar uma "política de redução de danos". Mostrar para eles que nosso propósito não era tratá-los como animais, mas como seres humanos, que lutam por um direito fundamental.

Precedente

Para quem tem acompanhado nossa luta profissional, o primeiro desafio começou em novembro do ano passado: tentar produzir e exibir um documentário jornalístico na Luz, em São Paulo, região conhecida popularmente de Cracolândia. 

O trabalho, aprovado no início de janeiro, e apresentado três meses depois, foi exibido em Abril deste ano, no Domingo Espetacular, e mostrou a saga do jovem médico Marcelo Clemente no acolhimento dos usuários de crack (aqui).

O objetivo foi ampliar a discussão sobre os métodos de atendimento a dependentes químicos adotados pelo serviço público. Para nossa alegria, o programa foi sucesso de público e crítica e permitiu que seguíssemos adiante.

O convescote de Gilmar Mendes, Ali Kamel e Heraldo Pereira


O juiz Valter André de Lima Bueno Araújo da 5ª Vara Criminal de Justiça do Distrito Federal, cuja sentença deve ser lida por todos, abortou uma temerária tentativa de criminalizar opiniões e ideias no Brasil, a partir de um processo absolutamente sem sentido aberto contra Paulo Henrique Amorim.
Quando foi noticiado que o jornalista Heraldo Pereira, da tevê Globo, iria processar Paulo Henrique por racismo por ter sido chamado de “negro de alma branca”, escrevi um artigo com uma argumentação central que repito agora: PHA errou ao insultar Heraldo, e agiu certo ao se desculpar e fechar um acordo na área cível. Mas, ao ser chamado de racista e processado por isso, revelou-se uma ação de má fé explícita, uma óbvia tentativa de vingança do jornalista da Globo que nada tinha a ver com racismo. Heraldo irritou-se, na verdade, porque Paulo Henrique o havia ligado ao mal falado Instituto Brasiliense de Direito Público, o IDP, de propriedade do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.
Construído com dinheiro do Banco do Brasil destinado a produtores de alimentos e assentado sobre um terreno praticamente doado a Mendes (80% de desconto!) pelo ex-governador Joaquim Roriz, de péssima reputação e memória, o IDP está, ainda por cima, numa situação financeira difícil. Para calar um ex-sócio que o acusou de desfalque e sonegação fiscal, Mendes foi obrigado a pagar-lhe 8 milhões de reais, no ano passado.

28/08/2012

Agora vai!

É o destaque da Revista Rap Nacional
Ndee Naldinho narra documentário que será exibido na Rede Record
Postado por Mandrake em 24 de agosto de 2012 ás 10:28
naldinho

Domingo, 2 de setembro, a Rede Record de televisão vai mostrar para você uma realidade desumana de mais de 35 milhões de pessoas que sofrem com a moradia no Brasil e na América Latina.
O Documentário será exibido durante o programa “Domingo Espetacular” e será apresentado e narrado pelo rapper Ndee Naldinho.
Ocupação e despejo, a luta por um lar: Um documentário jamais visto em horário nobre na televisão brasileira.
Assista, dia 2 de setembro no “Domingo Espetacular” na Rede Record.

27/08/2012

Bomba! Globo transforma música de novela em jingle de Serra

A dica foi do Luiz Canário, ex-globo e amigo de longa data.

por Daniel Castro

Música-chiclete de Avenida Brasil, o hit Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha foi vendido pela própria Globo para a campanha de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo.
A canção, do compositor paraibano Shylton Fernandes e que foi gravada pela dupla João Lucas & Marcelo, continua tocando na novela, apesar de ter gerado jingle com o refrão "Eu Quero Serra, Eu Quero Já". No capítulo de sábado, tocou duas vezes.
O fato de uma música estar em uma novela e em uma campanha política pode gerar uma associação, fortalecendo o candidato.
Nessa lógica, toda vez que o telespectador ouve Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha na novela ele pode pensar em José Serra.

26/08/2012

O retrato de uma infância feliz. Será?

25/08/2012

Dois Fora da Nova Ordem Mundial


Descobri porque o Paulo Moreira Leite e o Luiz Fernando Veríssimo ainda não perderam seus empregos:

"Os jornais independentes sempre foram minoria e, na chamada grande imprensa, as vozes autônomas são escassas, relegadas aos espaços de debates: espécie de reserva indígena-intelectual, que visa demonstrar o pluralismo de um jornal, enquanto a informação transmitida em todas as outras páginas defende pura e simplesmente a ordem existente." (Claudio Bernabucci)

24/08/2012

Sobre Formação de Quadrilha

Os quatro abaixo, a saber: Augusto Nunes, colunista (sic), Marco Antonio Villa, historiador (sic), Carlos Graeib, editor-executivo do site de Veja, e Reinaldo Azevedo, apresentado como campeão da internet, discutem o voto do ministro do STF, Ricardo Lewandowski. Estes senhores gostariam muito de passar o país a limpo... O que acham? Faltaram apenas o Caio Blinder e o Diogo Mainardi. Para qual deles você daria um cheque em branco?


Serra transformou o São Vito em estacionamento. Irregular.

do Brasil de Fato

O Tribunal de Justiça de São Paulo analisará, na segunda-feira (27), às 10h, uma ação sobre o direito à moradia definitiva dos antigos moradores do Edifício São Vito, demolido em 2011. A ação, proposta pela Defensoria Pública do Estado e pelo Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, pede uma solução para as famílias que, há oito anos, aguardam uma resposta da Prefeitura.

Construído durante os anos 1950, o São Vito era um dos prédios mais conhecidos e degradados do centro da capital paulista. Inicialmente, contava com 624 apartamentos, de 28 a 30m², divididos em 26 andares. O local chegou a abrigar mais de três mil pessoas e foi considerado “o maior cortiço verticalizado da cidade”. Devido às suas péssimas condições, ganhou os apelidos de “Balança-mas-não-cai” e “Treme-treme”. 

Em 2004, o prédio foi desocupado durante a gestão de Marta Suplicy, com o compromisso da Prefeitura de que seria reformado para oferecer melhores condições aos moradores. O objetivo era desapropriá-lo e vendê-lo à Caixa Econômica Federal, que financiaria a reforma e a compra dos apartamentos por parte dos antigos moradores. 


Pense no Haiti, reze pelo Haiti


Em São Paulo, tempos ásperos. Leio: uma residência particular é assaltada a cada hora, o roubo de carros multiplica-se nos estacionamentos dos shopping centers. Entre parênteses, recantos deslumbrantes, alguns são os mais imponentes e ricos do mundo. Que se curva. Um jornalão, na prática samaritana do serviço aos leitores, fornece um receituário destinado a abrandar o risco. Reforce as fechaduras, instale um sistema de alarme etc. etc.
Em vão esperemos por algo mais, a reflexão séria de algum órgão midiático, ou de um solitário editorialista, colunista, articulista, a respeito das enésimas provas da inexorável progressão da criminalidade. Diga-se que uma análise honesta não exige esforço desumano, muito pelo contrário.
Enquanto as metrópoles nacionais figuram entre as mais violentas do mundo, acima de 50 mil brasileiros são assassinados anualmente, e um relatório divulgado esta semana pelas Nações Unidas coloca o Brasil em quarto lugar na classificação dos mais desiguais da América Latina, precedido por Guatemala, Honduras e Colômbia. O documento informa que 28% da população brasileira mora em favelas, sem contar quem vive nos inúmeros grotões do País.

23/08/2012

"Eles querem guerra, vamos para a guerra."

por Gustavo Costa



A entrevista acima de pouco mais de um minuto é estarrecedora!

Há muitos anos a Anistia Internacional documenta e combate violações dos direitos dos povos indígenas do Brasil. Os anos passam, os governos passam e o direito indígena à própria terra continua indefinido.

A mais recente atrocidade foi contra etnia Guarani Kaiowá, no Estado do Mato Grosso do Sul. Lá, a população é de 45 mil índios. E, nos últimos anos, 245 foram mortos em conflitos com fazendeiros, ou vítimas da polícia e do tráfico.

A taxa de homicídios é elevada, de 100 para cada 100 mil, quatro vezes mais que a média nacional. Índice similar ao do Iraque, segundo o Ministério Público Federal. A desnutrição atinge 60% das crianças indígenas. Seus pais não tem terra para plantar, água potável para beber e comida para se alimentar.

Os Guarani Kaiowá estão sufocados e vivem acampados às margens das rodovias. São 31 acampamentos só no Mato Grosso do Sul. Eles querem o reconhecimento da Terra Ancestral. Sua trágica condição social levou centenas deles a praticarem o suicídio nos últimos anos.

Por que as autoridades suecas recusam-se a interrogar Assange em Londres?



Passamos nossas carreiras de cineastas sustentando que a mídia norte-americana é frequentemente incapaz de informar os cidadãos sobre as piores ações de nosso governo. Portanto, ficamos profundamente gratos pelas realizações do WikiLeaks, e aplaudimos a decisão do Equador de garantir asilo diplomático a seu fundador, Julian Assange – que agora vive na embaixada equatoriana em Londres.
O Equador agiu de acordo com importantes princípios dos direitos humanos internacionais. E nada poderia demonstrar quão apropriada foi sua ação quanto a ameaça do governo britânico, de violar um princípio sagrado das relações diplomáticas e invadir a embaixada para prender Assange.
Desde sua fundação, o WikiLeaks revelou documentos como o filme “Assassinato Colateral”, que mostra a matança aparentemente indiscriminada de civis de Bagdá por um helicóptero Apache, dos Estados Unidos; além de detalhes minuciosos sobre a face verdadeira das guerras contra o Iraque e Afeganistão; a conspiração entre os Estados Unidos e a ditadura do Yemen, para esconder nossa responsabilidade sobre os bombardeios no país; a pressão do governo Obama para que outras nações não processem, por tortura, oficiais da era-Bush; e muito mais.

22/08/2012

Nosso Próximo Projeto

Se tudo correr dentro do planejado estará no ar no próximo Domingo Espetacular.

Atualização às 23h17 do dia 23/08: Recebemos esta tarde a notícia de que nosso documentário sobre moradia só será exibido no Domingo Espetacular da outra semana.
 
É ruim porque criamos em todos uma falsa expectativa, mas é muito bom porque temos tempo para sonorizar com mais capricho e deixar o acabamento ainda mais primoroso.
 
Lamento e peço que todos tenham um pouquinho mais de paciência...

21/08/2012

Nossos inimigos estão no poder. Por enquanto.

"Esperamos que com a informação consigamos deter alguma armas convencionais."



Por sugestão do Heberval Dias, no Facebook.

Quando o horário da novela mudar


Assim que saiu a pesquisa que apontava empate técnico entre Serra e Russomano na corrida à prefeitura de São Paulo, na semana passada, recebi um torpedo de um colega jornalista afirmando que o jogo se decidiria entre três candidatos: os dois primeiros e Fernando Haddad. Fiquei assustado.

Respondi que era impossível ter um cenário daqueles com aquela antecedência. Lembrei-me do Alckmin, quando candidato à presidência que, antes do início da propaganda de rádio e TV, insistia em dizer: "A pesquisa é um retrato do momento. A corrida eleitoral só começa depois que muda o horário da novela." Ele fazia alusão à exposição dos candidatos no horário nobre.

Por esta razão, escrevi ao colega que, na minha opinião, ainda não havia nada definido. E inclui na minha análise o candidato do PMDB, Gabriel Chalita. Ele ironizou. Hoje, depois da nova pesquisa que mostra Russomano agora à frente de Serra, e diante do texto de Luis Nassif em seu blog (aqui) perguntei: e o Chalita? Será que só eu o considero viável?

Tenho minhas razões. A campanha no rádio e na televisão começa hoje. Serra e Haddad têm mais de 7 minutos cada para apresentarem suas propostas (favoritos, sem dúvida). Russomano, o azarão, tem pouco mais de 2 minutos e Chalita tem 4. Sem contar que o PMDB ainda é um partido orgânico e um dos maiores do país, mesmo depois de ter perdido espaço em São Paulo, com o PSDB ocupando o mesmo espectro político no estado.

Eu apoio


por Adnews

Em apoio ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, o grupo de hacktivistas “Anonymous” tirou do ar alguns sites do governo britânico. A operação "Free Assange" teve início na segunda-feira, 20, com a queda do site do Departamento de Justiça do Reino Unido, que admitiu estar passando por "alguns problemas técnicos".

Assange encontra-se refugiado na embaixada do Equador, em Londres. Em sua primeira aparição pública desde junho, o fundador pediu aos governos, em especial ao dos EUA, o fim da caçada aos denunciantes políticos. "Enquanto o WikiLeaks estiver sob ameaça, a liberdade de expressão e a saúde de todas as nossas sociedades também estarão", declarou Assange, da varanda da embaixada. Ele teve o seu pedido de asilo político aceito pelo Equador, no entanto, encontra-se atualmente preso e cercado pela polícia britânica que visa cumprir um pedido de extradição ordenado pela Suécia, onde é acusado de violência sexual por duas mulheres.

Correndo e Cantando e Seguindo a Canção


O grupo de jovens corria pelas ruas do bairro carioca da Tijuca, em marcha sincronizada, cantando: “Bate, espanca/ Quebra os ossos/ Bate até morrer”. O chefe do bando perguntava: “E a cabeça?”.
A resposta vinha em coro: “Arranca a cabeça e joga no mar!”. O chefe, de novo: “E quem faz isso?”. A resposta afinada não deixava dúvidas: “É o Esquadrão Caveira!”.
A história foi revelada, em julho, pelo colunista Ilimar Franco, de O Globo. Não era um bando de marginais descendo o morro. Era um animado pelotão do I Batalhão da Polícia do Exército berrando a plenos pulmões o ideário truculento que devem ter contraído em seu local de trabalho.

19/08/2012

Nossa Sede de Justiça e Liberdade vai Mudar o Mundo


por Julian Assange

Estou aqui porque não possso estar mais perto de vocês.

Muito obrigado por estarem aqui.
Obrigado pela sua decisão, e toda a sua generosidade de espírito.
Na noite de quarta, após uma ameça ter sido enviada a esta embaixada, e a polícia ter descido no prédio, vocês vieram no meio na noite para vigiar, e vocês trouxeram os olhares do mundo com vocês.
Dentro da embaixada, na escuridão, eu podia ouvir equipes de policiais entrando no predio pela saída de incêndio interna.
Mas eu sabia que haveria testemunhas.
E tudo graças a vocês.
Se o governo britanico não jogou fora o Tratado de Viena na outra noite, isto foi porque o mundo estava olhando.
E o mundo estava olhando porque vocês estavam olhando.
A próxima vez que alguém disser para vocês que é sem sentido defender os direitos que nos preza, lembre-os da sua vigília na escuridão diante da embaixada de Equador, e como, na manhã, o sol saiu em um mundo diferente, e uma corajosa nação latinoamericana tomou uma postura pela justiça.
E, então, para essas bravas pessoas.
Agradeço o Presidente Correa pela coragem que ele mostrou considerando e garantindo o meu asilo político.
E assim devo agradecer o governo, e o chanceler, Ricardo Patiño, que mantiveram a Constituição equatoriana e seus termos sobre direitos universais em consideração ao meu caso.
E a toda a população equatoriana por me apoiar e defender sua constituição.
E tenho uma dívida de gratidão à equipe desta embaixada, que suas familias moram em Londres e mostraram hospitalidade e carinho, ignorando as ameaças que receberam.
Esta sexta-feira haverá uma reunião de emergência dos chanceleres de America Latina em Washington para discutir esta situação.
E estou muito agradecido às pessoas e aos governos de Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Colombia, El Salvador, Honduras, México, Nicaragua, Argentina, Peru, Venezuela, e a todos os outros paises Latinoamericanos que vieram a defender o direito de asilo.
As pessoas dos Estados Unidos, o Reino Unido, Suécia e Austrália, que me apoiaram em massa, mesmo quando seus governos não o fizeram. E aos mais sábios que estão no poder e que ainda estão lutando pela justiça. 
Seu dia virá.
À equipe, apoiadores e fontes de Wikileaks cuja coragem, comprometimento e lealdade não tem igual.
À minha familia e filhos à que foram negados a presença do pai. Me desculpem. Nos reuniremos em breve.
Enquanto Wikileaks estiver sob ameaça, assim estará a liberade de expressão e a saúde de nossas sociedades.
Nós devemos usar este momento para articular a escolha que foi do governo dos Estados Unidos de América.
Eles voltaram atrás e reafirmarão os valores sob os quais foram fundandos?
Ou eles balançarão no precipício, nos puxando para um mundo perigoso e opressivo, onde jornalistas se calam diante do medo de perseguição e cidadãos devem susurrar na escuridão?
Eu digo que devem voltar atrás.
Eu peço ao presidente Obama que faça a coisa certa.
Os Estados Unidos devem fazer a coisa certa.
Os Estados Unidos devem renunciar à caça às bruxas contra Wikileaks.
Os Estados Unidos devem dissolver a investigação do FBI.
Os Estados Unidos devem prometer que não procurarão processar nossa equipe ou nossos apoiadores.
Os Estados Unidos devem prometer ao mundo que não caçarão jornalistas por acender uma luz nos crimes secretos dos poderosos.
Não deve mais existir esse papo tolo de processar uma organização de mídia, seja essa o Wikileaks ou o The New York Times.
A guerra da administração dos EUA contra os denunciantes deve acabar.
Thomas Drake e William Binney e John Kirakoo e os outros heróicos denunciantes devem ser perdoados e compensados pelas dificuldades que eles enfrentaram como servidores do registro público.
E o soldado do exército que continua em uma prisão militar em Fort Leavenworth, Kansas, que foi imputado pela ONU para passar meses de detenção torturosa em Quantico, Virginia, e ainda espera um julgamento - após dois anos na prisão. Ele deve ser liberado.
E se Bradley Manning realmente fez o que ele está sendo acusado, ele é um herói, um exemplo para todos nós e um dos mais importantes prisioneiros politicos.
Bradley Manning deve ser libertado.
Na quarta, Bradley Manning passou seu 815° dia na prisão sem julgamento. 
O máximo permitido pela lei é 120 dias.
Na quinta, meu amigo, Nabeel Bajab foi sentençado a 3 dias por um tweet.
Na sexta, uma banda russa foi sentenciada por 2 anos por uma perfomance política.

17/08/2012

Ok, vocês venceram!

Estava certo de que aos 46 anos de idade dificilmente veria algo realmente surpreendente. Afinal, com mais de 20 de televisão, decupando fitas brutas de imagens, dá para se imaginar o que já não passou diante dessas retinas tão cansadas.

Mas hoje entreguei os pontos. Depois de ver (para crer) a garota que decidiu fazer uma tatuagem no ânus. Isso mesmo, no furico, no fiofó, no orifício anal. Estou entre o pasmo e o choque. Desculpem-me meus maus modos, ao trazer para cá minha indignação, vista por mais de 3 milhões de pessoas na internet.

Para nossa felicidade, a imagem em que ela mostra em plano fechado o que se deu está com efeito, assim não passamos do limite do pudor, digo, do mau gosto. Divirtam-se com mais essa bizarrice, isto é, se forem capazes!

16/08/2012

Privatização versus Concessão, a empulhação da vez




Será que é tão difícil assim entender a diferença entre privatizar e conceder/partilhar?

Por que será que a grande imprensa insiste em fazer essa confusão? 

Alguém tem uma boa explicação para isso? 

Eu tenho uma. Para o povão desinformado, a confusão serviria para nivelar os governos do PSDB e do PT. E é tudo o que os pessedebistas precisam mais uma vez, para tentar induzir o eleitor a acreditar que seus candidatos são iguais aos canditados "deles", mesmo estando o povão cansado de saber que um governa para o capital e para os americanos e o outro nem tanto. 

Quanta inocência (ou seria má fé mesmo?) dessa gente... 

Veja abaixo os significados extraídos do dicionário Aulete: 

(pri.va.ti.zar)

v.
1. Pôr (empresa ou serviço público) sob controle ou posse do setor privado . [ antôn.: Antôn.: estatizar. ]

[F.: Do lat. privatus, part. pass. do v. lat. privare (v. privar), + -izar.]


(con.ces.são)
sf.

1. Ação ou resultado de conceder, permitir, consentir; AUTORIZAÇÃO; PERMISSÃO [+ para : Obteve concessão para abrir uma franquia.]

2. Permissão oficial para exploração de bens naturais ou serviços públicos ou de usufruir de certo privilégio [+ de : concessão de um canal de televisão]

15/08/2012

Quer dizer que quando é o Serra pode?





Na semana passada, Lúcia Espagolla, diretora regional da Secretaria Estadual de Educação, utilizou uma circular oficial e o site do órgão para convocar servidores de escolas públicas de São Paulo a participar de uma reunião em apoio à campanha de José Serra. Alguns diretores denunciaram que, após disparar os convites, a tucaninha ainda ligou ameaçando os que não comparecessem com a perda do cargo. O encontro ocorreu num centro cultural na zona norte e teve a presença de Alexandre Schneider, o vice de Serra.

A grave denúncia foi publicada pela Folha, mas não mereceu destaque na capa ou qualquer repercussão no restante da mídia serrista. Nos dias seguintes, a coação com uso da máquina pública simplesmente caiu no esquecimento. O jornal apenas noticiou que a diretora foi afastada do cargo e abriu espaço para o PSDB apresentar sua desculpa esfarrapada. Será que a mídia tucana teria a mesma atitude complacente se circular oficial fosse usada pelo governo federal para convocar uma reunião com o petista Fernando Haddad?

14/08/2012

E tem gente que ainda sonha com a Ditabranda...


(Ele emocionou a plateia que lotou o auditório da OAB ao lembrar que foi torturado diante da mulher e da filha, então com 12 anos. Depois, contou que elas foram torturadas e abusadas sexualmente diante dele: "Esses monstros fizeram isso com uma criança de 12 anos. Eu disse 12 anos. Ela até hoje não consegue falar sobre isso".)


Integrante da Comissão Nacional da Verdade, Paulo Sérgio Pinheiro, que foi secretário nacional de Direitos Humanos no governo FHC, afirmou que as torturas ocorridas no país de 1964 a 1985 foram "políticas de Estado".

"Não foi abuso, não foi excesso: foi uma política de Estado. As dezenas de jovens assassinados no Araguaia foram mortos por uma política pública que dizia que eles não poderiam sair vivos de lá. As casas de tortura também operavam por ordem dos ministérios militares", disse.
"Se não conseguirmos comprovar que todas as práticas de agentes contra militantes foram políticas de Estado, falharemos em nosso papel", afirmou Pinheiro.

As declarações de Pinheiro foram feitas durante audiência pública da comissão na seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio, que reuniu ontem parentes de presos políticos e mortos durante a ditadura militar.

13/08/2012

O jogo da Globo, da Veja, do PT e do Protógenes...


por JV
A Globo, ontem, fez o jogo dela. Sabe que a revista Veja corre o perigo de ir para a fogueira e tratou de sair na frente, dando uma matéria no Fantástico a respeito de Carlinhos Cachoeira. Nem uma palavra sobre Policarpo Jr., é claro. Faz sentido. Afinal, a emissora foi parceira da Veja esse tempo todo. Repercutiu uma a uma as matérias criminosas feitas pela revista, como o grampo sem áudio. Se disser que Veja estava o tempo todo vinculada a um criminoso irá admitir inderetamente que ela também estava. Nojento, portanto. Mas compreensível.
Mais nojenta e menos compreensível é a atitude dos parlamentares da base aliada na CPMI, que vêm atuando como verdadeiros guardiões da revista, sabotando sistematicamente todas as tentativas de convocar Policarpo Jr. para depor. O Partido dos Trabalhadores não é uma pobre vítima do PMDB de Temer, como dizem alguns. É CÚMPLICE de Temer. Ambos atuam em conjunto para proteger a revista. Hà vozes isoladas (não só nem principalmente do PT) pedindo a convocação. O PT enquanto partido tem sido CONTRA. 
Ao que tudo indica, existe um acordo de "cavalheiros" entre o governo Dilma Rousseff e a editora Abril. A revista Veja faria apenas críticas pontuais ao governo, sem lançar nenhum tipo de campanha sistemática de desestabilização. Em troca, o governo cerraria fileiras contra o envolvimento da revista na CPMI. Agora, com o surgimento de novas evidências, o preço parece ter aumentado. Já não basta mais "pegar leve". Tem que aderir. Tem que apoiar. Anunciando na capa seu apoio ao governo Dilma Rousseff, a revista (para usar a metáfora popular que vem tão a propósito neste caso) ficou de quatro. Não se trata exatamente, como se vê, de uma posição política.
Meu palpite é que o assunto ganhou dinâmica própria. Cada vez menos deputados estarão dispostos a encobrir as falcatruas da revista. Temos que ficar atentos. Minhas atenções, por exemplo, recaem sobre o deputado Protógenes Queiroz, em quem infelizmente votei nas últimas eleições. No momento em que mais precisávamos dele, sumiu. Fez tanto barulho, e na hora H não dá as caras. O delegado deve explicações, sim, e não apenas a respeito da revista Veja. Vemos agora quem era o Dadá que ele chamou para auxiliá-lo durante a operação Satiagraha. Um capanga de Carlos Cachoeira. Um torturador a mando de um bicheiro, pelo que mostram os áudios divulgados ontem pela Rede Globo. Não duvido que o silêncio do delegado seja o produto de algum tipo de chantagem. Envolveu-se até o pescoço com essa gente, que agora tem munição de sobra para usar contra ele, caso não se comporte direitinho. 

O preço de uma medalha




Ficou difícil entender o que querem certos cronistas esportivos, além de reclamar a qualquer pretexto.

Quando pareceu que a delegação brasileira não igualaria seus resultados de Pequim, a soma das medalhas ganhou suma importância. Menos de quinze era um fracasso. Agora que a marca histórica foi superada, esse critério ficou irrelevante.

Quer dizer, nem tanto. Os pódios continuam significativos, mas apenas para corroborar a frustração de expectativas. Dezessete é pouco para o investimento. Vigésimo segundo lugar, atrás do Irã e da Jamaica! Mas se alguém responder “Junto com Espanha e na frente de Canadá, Noruega e Índia!”, será chamado de ufanista.

Há quem diga que foi, além de pouco, esperado. Mas quem realmente adivinhou qualquer dos resultados obtidos? Na verdade, tanto as conquistas quanto as derrotas foram surpreendentes e contrariaram todas as previsões. E que números separam o “pouco” do “razoável” e este do “bom”? Existe uma verba “justa” por medalha alcançada? Devemos financiar apenas vencedores? E o que caracteriza uma legítima vitória?

Por que não confiar na grande imprensa?

por (*)Celso Antonio Bandeira de Mello

"A imprensa escolhe o que noticia e usa uma merda de argumento que diz o seguinte: “Nós não somos responsáveis por essas coisas, isso existe, são os outros que fazem isso. Só estamos contando, nada mais.” Se fosse por isso, a humanidade não teria dado um passo, porque a humanidade adorava ver os cristãos sendo devorados pelos animais ou os gladiadores se matando. A humanidade adorava ver as supostas feiticeiras sendo queimadas. A humanidade sempre gostou de coisas de baixo nível e vis. Dizer que tem gente que gosta de assistir esses programas ordinários não é argumento válido. Você diz esse mesmo argumento para passar e acabou. A imprensa poderia dar notícias de coisas maravilhosas. Existe muita gente boa, que fazem coisas excelentes. Não. Ela noticia só o que há de pior, e você fica intoxicado por aquilo no último grau."

(*) o professor foi Ministro do Supremo Tribunal Federal

A entrevista completa está na capa do site Consultor Jurídico e foi sugerida pelo Stanley Burburinho.

12/08/2012

Quem mudou, Dilma ou Abril? Ou ambos?


 

Do 247
Dois meses atrás, por meio da revista Exame, a Editora Abril, de Roberto Civita, assumiu sua oposição à política econômica da presidente Dilma Rousseff. Condenava-se, ali, a “mão pesada” da presidente e sua tentativa de baixar na marra juros bancários, preços de energia e até de automóveis. Seria a demonstração de um capitalismo de Estado, à chinesa, marcado pelo intervencionismo na economia.
Neste fim de semana, a revista Veja assume outro extremo. Diz que, com o pacote de concessões de portos, estradas, aeroportos e ferrovias, que será anunciado na quarta-feira, com projetos de mais de R$ 50 bilhões, Dilma estará promovendo um “choque de capitalismo” no País, que atacará de frente o chamado Custo Brasil. Embora lamente que Dilma receie utilizar a palavra privatização, a revista hipotecou apoio público à presidente, por meio do editorial escrito pelo Eurípedes Alcântara.
O fato incontestável é que, em apenas dois meses, a Editora Abril “dilmou”, migrando da rejeição à adesão. Como a imprensa sempre tem razão, talvez Dilma tenha promovido o “choque de capitalismo” porque ouviu os alertas da revista Exame sobre o excesso de intervencionismo. Mas, talvez, a mudança tenha partido do próprio Roberto Civita. Em meio a um escândalo relacionado ao contraventor Carlos Cachoeira, o publisher da Abril, que está acossado e pode vir a ser convocado pela CPI da Operação Monte Carlo, assim como o jornalista Policarpo Júnior, emitiu um sinal importante ao Palácio do Planalto. Algo como: “estamos juntos, somos parceiros”.

Chegou minha vez


Nunca liguei muito para dia das mães, dos pais, das crianças, do nascimento de Jesus...

Já o Ano Novo sim, sempre foi diferente: uma virada de página, quando no dito popular "a gente passa a régua."

Agora chegou minha vez. Meu filho Pedro, com 15 anos, ainda não pode escolher sozinho, mas pode questionar, e como...

Perguntou-me se eu me importaria, caso ele não estivesse presente no almoço de dia dos pais deste domingo.

Respondi sem pestanejar que, absolutamente. Foi quando ele emendou: então vou para São Paulo com a Bruna (namorada) e os pais dela.

11/08/2012

Vozes da Seca, porque hoje é Sábado


por Luíz Gonzaga, o Rei do Baião

Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
É por isso que pidimo proteção a vosmicê
Home pur nóis escuído para as rédias do pudê
Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê
Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê
Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage
Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage
Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage
Se o doutô fizer assim salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação!
Nunca mais nóis pensa em seca, vai dá tudo nesse chão
Como vê nosso distino mercê tem nas vossa mãos

O Pulo do Gato e a Literatura



por Jorge Valente (*)

Charles Bukowski, Ernest Hemingway, Jean-Paul Sartre, Julio Cortazar, Trumam Capote, Stephen King, Aldous Huxley, Lygia Fagundes Telles. Sabe o que toda essa gente tinha em comum, além da literatura? Um gato. 

Muitos deles o levaram também para as páginas de seus livros.

(...) "Ronronando enquanto dorme, Fletch estica as patinhas pretas para tocar as minhas mãos, as garras encolhidas, um toque bem suave para assegurá-lo de que estou ali ao seu lado enquanto ele dorme."
Fletch é personagem de "O gato por dentro", obra de William S. Burroughs, ícone da geração beatnik, que balançou a cultura e a contracultura americana dos anos 50 e 60.

Ninguém chegou tão perto da vida errante dos gatos quanto esses poetas que adoravam viajar, nas várias acepções da palavra. De tão duros, dependiam do caroneiro para colocar gasolina no carro e rodar pelas estradas americanas.

Segundo o próprio Burroughs, os gatos foram domesticados pela primeira vez no Egito. "Os egípcios armazenavam grãos, que atraíam roedores, que atraíam gatos."

Certo é que, desde que os gatos começaram a acompanhar o homem, também passaram a circular pela literatura que ele produz. "Se quiser escrever, arranje um gato", disse o inglês Aldous Huxley, autor de "Admirável Mundo Novo". Quer dizer, por sua aura de mistério, os bigodudos rendem bons personagens nas letras. Mas também são bons companheiros de carne e osso para uma madrugada em claro.

Há razões para que um escritor escolha um gato no lugar, por exemplo, de um cão: seres independentes, encimesmados e silenciosos, não ficam tentando agradar o dono, pulando em cima dele ou disputando sua atenção com o texto.

10/08/2012

Mário Sabino, o homem-bomba de Veja



Há fortes rumores no mercado editorial de que o ex-todo-poderoso redator-chefe da Revista Veja, Mario Sabino, está voltando para a editora Abril. Por enquanto o cargo que irá ocupar é desconhecido. Sabino, para os que têm memória curta, foi um dos pivôs do Dossiê Veja, um dos mais importantes relatos jornalísticos sobre a política editorial daquela que já foi a maior e mais importante revista semanal do país, mas que se entregou à oposição rasteira, e partiu para o assassinato de reputações, depois de 2003. Grampos, escutas e invasões são todos obra da "nova política" editorial da revista.
Na ocasião de sua saída, em novembro de dois mil e onze, o diretor de Redação de Veja, Eurípedes Alcântara, escreveu: "Perco o convívio de um amigo, mas não a sua amizade. Fica conosco sua lição de profissionalismo intenso e de apego exacerbado à busca da verdade, para ele mais do que uma simples virtude, uma razão de vida." A nota, publicada em primeira mão, salvo engano, pelo jornalista Ricardo Noblat, dO Globo, dizia também que Sabino estava "...determinado a deixar a profissão." Ao que parece, agora, ter mudado de ideia.
Logo depois de deixar a Veja, o jornalista tentou carreira numa agência de notícias, a CDN, mas não deu certo. Conseguiu ficar apenas 17 dias no novo emprego de vice-presidente associado. A Companhia de Notícias é considerada uma das mais importantes agências de notícias do país. Sabino, Mainardi e Reinaldo Azevedo fazem parte do trio que ficou conhecido os "pitbulls" do jornalismo brasileiro. São militantes convictos do neo-conservadorismo brasileiro. São anti-petitas declarados e praticam uma crítica truculenta e rasteira.




A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações - Vegas, em 2009, e Monte Carlo, em 2012 - demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada "grande" imprensa brasileira, notadamente as Organizações Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e alguns substratos regionais de menor monta. Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.

Quer mais? Aqui, ou na Carta Capital. Não perca seu tempo com as outras.

09/08/2012

As grosserias de Galvão Bueno e seus frutos

por Maurício Stycer e Flávio Rico

A informação que vem de lá (Londres) é que o Renato (Maurício Prado) foi afastado. Depois da briga no ar, ele teria se recusado a conversar com a direção e com o próprio Galvão. Queria um pedido de desculpas. Foi dito a ele que era para voltar ao programa como se nada tivesse acontecido e esquecer o episódio. Era assim ou estava fora.
 
Como o Renato, ainda segundo o que chega de Londres, não teria concordado com as condições colocadas e sem receber o que considerava os devidos pedidos de desculpa, foi afastado do programa. Não se sabe como ficará a sua condição no “Bem, Amigos”, programa das segundas-feiras, que também é do Galvão, aqui no Brasil.


A briga (aqui) de Galvão Bueno com Renato Mauricio Prado, ao vivo, durante a apresentação do “Conexão SporTV” na última quarta-feira (01), ainda  rende. O jornalista se recusou a participar das duas edições seguintes do programa, no sábado (04) e na segunda-feira (06).

08/08/2012

A Criminalização do Blogueiros

Não esmoreçam! Assim é a luta. Até que consigamos todos construir uma sociedade brasileira livre dessa corja da classe dominante que só pensa em enriquecer e explorar o povo brasileiro. A dica foi do Donizete.

Eu Existo!


Os estudantes de direito, advogados, MP, Magistratura, eles não podem fechar os olhos para esta triste 
realidade.

Fico satisfeito em saber que o projeto nasceu num diretório acadêmico de uma faculdade de direito. 

Aliás, não é qualquer diretório, é o saudoso XI de Agosto:

De volta à Inquisição


Quando o órgão de imprensa assume claramente sua posição, pode participar, mesmo que às vezes de forma agressiva, na formação desta opinião pública.
Mas quando a esconde nas entrelinhas, nas mensagens subliminares ou nos títulos provocativos, busca simplesmente fazer da sua, a opinião do público. É a versão se travestindo em verdade.
Essa falsa neutralidade agride não apenas quando mascara a posição, mas, sobretudo, quando se distingue daqueles que a assumem.
Arroga-se uma credibilidade ancorada justamente na linha divisória de quem não tem preferências, e por isso mesmo, não carregaria suspeições.
A “conduta enviesada”, assim, não é apenas omissa, mas ensimesmada e excludente.

07/08/2012

O Fantasma que ronda o Fantástico

por Flávio Ricco

O “Fantástico” sempre se apresentou como a revista eletrônica mais importante da televisão brasileira e efetivamente soube se impor como tal, graças ao trabalho competente das várias gerações que ocuparam o posto de comando, a partir da sua criação, em agosto de 1973, pelo Boni e Armando Nogueira. 

Ficaram famosas, desde o começo, as calorosas reuniões das segundas-feiras, quando um grupo de notáveis da TV Globo – Vanucci, Boscoli, Miele, José-Itamar de Freitas, o próprio Armando, Alice Maria, Magaldi, Carlito Maia, Borjalo, Travesso, além de outros, analisava criteriosamente o seu conteúdo - o resultado do que foi ao ar no dia anterior e discutia – e bota discussão nisso, entre tantas sugestões, o que seria escolhido para o próximo. 

Uma pena que o tempo não volta nem ao menos para tirar certas dúvidas. Seria interessante hoje ouvir dessas pessoas o que acharam da matéria dos fantasmas e do tempo dedicado a ela na última edição. Ou de um quadro de culinária insistentemente apresentado já há algumas semanas no programa.

 
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