30 abril 2012

Eu já disse isto inúmeras vezes: Boicote!


O boicote de consumidores ainda não é comum no Brasil, mas já é fato corriqueiro em países europeus e nos Estados Unidos, onde a nossa elite branca se inspira diga-se de passagem. Lembro-me das donas de casa da Suiça, que nos anos 80 inspiravam consumidores do mundo todo controlando preços com a boa e velha Lei da oferta e da procura. Bastavam os preços subirem para elas imediatamente deixarem de comprar determinado produto. Na semana seguinte tudo voltava ao normal. Nos anos 90, com a crise da indústria automobilística americana, muitos deixaram de comprar veículos japoneses e coreanos para não exportar empregos e lucros o que, de alguma forma, ainda que mais modestamente, também funcionou. Portanto, considerei importante, não só o título da postagem, mas o comentário que segue abaixo, ambos do João Barbosa, que encontrei no Blog da Cidadania, do Parceiro Edu Guimarães. Ele fez um levantamento completo de todos os anunciantes da Veja desta semana e sugere:
"Somente boicotando os anunciantes estes caras do PIG vão diminuir (nunca acabar) o assédio golpista. Poderíamos eleger uns 10 anunciantes e durante um mês/ano, boicotar esses camaradas. Exemplos, no mês de maio o boicote seria a empresa: Nivea. Em, junho a empresa: Ponto Frio. Em julho, seria a vez de boicotarmos a empresa: Cacaushow e assim por diante….
Seria interessante de se ver….pois a grande pergunta é: Porque estas empresas se associaram ao crime organizado???
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Extra: Azenha é o novo contratado do PSDB!

Este blogueiro sujo teve acesso ao novo logotipo do Viomundo que está sendo preparado para a campanha eleitoral de 2012. Um contrato de valor não revelado acaba de ser fechado com o PSDB, a exemplo do que José Serra fez com a Abril, quando era governador do Estado e encheu a editora de dinheiro para livros "didáticos". Surpreso, acabo de fazer uma entrevista com o Azenha, que não confirma, mas também não nega as informações apuradas pelo DoLaDoDeLá. Veja o logotipo abaixo (clique na imagem para ir ao Novo Viomundo) e leia a íntegra da entrevista em seguida.


- Por que a mudança no Viomundo? 
- Porque vai ser interessante juntar mais pessoas para que eles possam fazer melhor. Temos a coluna falatório, em que o leitor manda e-mail, "twita", faz título, tudo. A coluna divã, onde ele pode escrever o que quiser...

- Explica melhor essa coisa da participação do leitor, como vai funcionar?
- Ele vai decidir o que vamos fazer. Agora tem lá os botões do Facebook, do Twitter. Mas para frente vamos explicar como vai ser. A idéia é fazer o orçamento e o internauta vai escolher. Uma reportagem, a gente vai mandar a Conceição Lemes, para onde? Levantamos os custos e apresentamos aos leitores e dizemos: qual é a pauta que vamos fazer? O Viomundo pode arcar com tanto, e o restante os internautas ajudam a custear. Vamos fazer um trabalho interativo, colaborativo.

- Qual é na sua opinião a importância da blogosfera e dos blogueiros ditos sujos, hoje?
- É essencial. É só ver os ataques que a blogosfera tem sofrido das grandes corporações de mídia. É uma demonstração clara de que eles se preocupam com a gente, por isso tentam desmoralizar a blogosfera. O grandes meios de comunicação hoje precisam vigiar e atacar a blogosfera. Esse é o sinal mais claro da nossa importância. Nós fazemos uma comunicação horizontal. Nós representamos os internautas, ou melhor, eles são tão importantes quanto qualquer outra fonte. Aliás, em muitos casos, eles são as fontes. São eles que nos pautam com seus comentários. É um choque não só ideológico, mas de modelos. Enquanto eles fazem uma comunicação de cima para baixo, nós a fazemos horizontalmente.

28 abril 2012

Anonimous decidem bombardear Servidor da Veja


Sob Pressão da Nova Opinião Pública


A editora Abril e sua principal publicação, a Revista Veja, estão sob intenso bombardeio das redes sociais. No Twitter, ativistas se mobilizam para levantar às seis da tarde a tag #vejagolpista, em decorrência das escutas envolvendo Carlinhos Cachoeira, o editor Policarpo Jr. e o famoso grampo no Hotel Naoum, em Brasília, onde José Dirceu foi flagrado em reuniões políticas.

Às 16h30, uma hora e meia antes já se tinha uma prévia:


Coincidentemente hoje, a Revista Veja é citada como exemplo pela jornalista Elaine Tavares, em entrevista ao Brasil de Fato. Elaine acaba de publicar o livro: Em busca da Utopia – os caminhos da reportagem no Brasil, dos anos 50 aos anos 90 (Florianópolis: Edição pelo Instituto de Estudos Latino-americano-Americanos, 2012). Leia o que Elaine diz:


"A Veja é um caso de autofagia (de uma empresa) em nome de um modelo de mundo. Explico. Ela nasce nos anos 1970 dentro da mesma editora que fazia a Realidade, que era uma beleza de revista, com reportagens incríveis. E ela vem para implantar no Brasil um estilo de jornalismo que assomava nos Estados Unidos. Essa coisa insossa de informação sem contexto, e que não é uma ação sem sentido. Ela é parte de um modo de ser e estar no mundo. Escrever como se estivesse informando, mas sem na verdade informar. A Veja entrou no mercado e matou a Realidade, que era o jornalismo de profundidade, que levava ao pensamento, ao questionamento. A mesma empresa mata uma revista boa para que a revista ruim pudesse começar a atuar como a usina ideológica de um modelo que se queria para o Brasil. Foi um projeto utópico (distópico) da classe dominante. Trazer a “modernidade“ e emburrecer as pessoas. Encurtam os textos, tiram o contexto, passam a doutrinar. Já não era mais jornalismo. Basta ver o que é a Veja hoje: uma máquina de propaganda da distopia da direita brasileira. Jornalismo ali é coisa rara. Quando aparece é obra solitária de algum jornalista."




A Entrevista do Arruda que a Veja sentou em cima


Veja como Nassif tratou os bastidores do caso no ano passado:
O repórter Diego Escosteguy foi o autor das reportagens sobre Erenice Guerra. Mas já vinha em processo de ruptura com a revista Veja, devido a conflitos pesados com o diretor de redação de Brasília, Policarpo Jr.
Na época, entrevistou José Roberto Arruda. Por razões variadas – dentre as quais a principal era o período eleitoral – a revista deixou a entrevista na gaveta.
Um episódio precipitou a ruptura, a tal matéria de capa sobre o suposto maço de dinheiro na gaveta do Planalto, a tal capa "Caraca! Que dinheiro é esse?".

Seu nome foi incluído na matéria, ao lado do repórter Otávio Cabral. Segundo comentou com amigos, a matéria foi inventada, ele não teve nenhuma participação e o episódio o constrangeu muitíssimo, pois colocava em risco sua reputação jornalística. A partir dali, o clima ficou insuportável para ele. Queria sair da revista antes que liquidassem com seu nome.
Logo depois, passou a ser sondado pela revista Época. Aceitou o convite para ser editor de Brasil. Pediu autorização da revista para publicar a entrevista na Época. A autorização foi dada mas, no meio da semana, o portal da Veja publicou a entrevista sem dar o crédito. Foi a maneira de detonar a matéria – isto é, matar sua divulgação sem dar o devido destaque. 

Sarney, Demóstenes, Renan, PMDB e o Supremo

A campanha do senador Demóstenes Torres para ir para o STF passava pela filiação ao PMDB.


27 abril 2012

Os 4 milhões do Demóstenes...

Do Brasil 247

Tese da Defesa de Demóstenes cai por Terra

Do Brasil 247

O PIG tentou acesso, mas o Ministro não autorizou


Do Brasil 247

Uma página, três bombas

José Dirceu, Hotel Naoum e o Repórter da Veja...

por Márcia Cunha:
Do Brasil 247

Bye bye Civita

Aqui temos o Policarpo perguntando para o "chefe" Cachoeira onde tem que publicar a nota. No Radar? Na Veja Online...

Do Brasil 247

Por que elas ganham menos?

Começou com o voto, em 1932.
Depois veio1964, 1975...
Mas ainda falta muito.
Mulheres mal amadas, mulheres que não eram bem mulheres...
Que história é essa?

Preto no Branco, a lógica da blogosfera



Tinha a obrigação de reproduzir aqui no blog os textos do Azenha, de ontem, e o texto do Rodrigo Vianna, de hoje, mas não vou fazê-lo porque não quero parecer cabotino.

Mas faço questão de reproduzir o comentário que deixei no Escrevinhador, porque tenho consciência de que não só nós, que viemos da Globo, mas toda esta blogosfera progressista, que não para de crescer, fazemos parte de um processo revolucionário, que está mudando as comunicações no Brasil.

E quanto a isso não me considero presunçoso. Quem enfrenta o gigante sistema Globo de Comunicação e manipulação, não tem porque se esconder atrás de modéstia. Somos uma legião de guerreiros da palavra, e estamos sim ajudando a construir um país melhor mais justo!

Fiquem com a minha mensagem ao Rodrigão:

26 abril 2012

Negros num país Colonial



No momento em que o STF julga a legitimidade ou não na adoção de políticas afirmativas para negros, entre elas, a legalidade das costas nas universidades, acho oportuno lembrar um episódio recente na TV brasileira.


Às vésperas do lançamento de um livro, cuja a tese central era a de que a sociedade brasileira não é racista, fomos obrigados às pressas a colocar entrevistados negros nos telejornais da maior emissora de TV do país, e constatamos que era praticamente impossível, que a grande maioria dos "falantes" era branca. Já contei esta história aqui.


Os números são implacáveis: segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea), em 2006, 55,2% da nossa população masculina se reconheceu negra e 49,7% das mulheres brasileiras também. 


Mas, ironicamente, poucos ainda são os que se destacam na maioria dos campos. Por que será? São menos capazes? Não acho. Vamos lá, sete de uma tacada só: Grande Otelo, Ruth de Souza, Milton Gonçalves, Isaura Bruno, Chica Xavier, Neuza Borges, Jacira Silva...

25 abril 2012

O Repórter Computador



Falando no último sábado a um grupo de colegas de profissão no 13° Simpósio Internacional de Jornalismo Online, que ocorreu em Austin, no Texas, o repórter do Los Angeles Times Ben Welsh causou uma boa dose de desconforto. Faz três anos que ele vem automatizando a escrita de matérias. O leitor que piscar e reler terá feito o mesmo que muitos editores e repórteres fizeram no auditório do Museu Blanton de Arte. O LA Times publica matérias escritas pelo computador. (E não é o único.) 


O Brasil não tem uma boa legislação que regulamente a disponibilidade pública de dados que deveriam ser públicos. Nos EUA, os vários órgãos de governo são pressionados a fazê-lo digitalmente. É o caso da LAPD, a Polícia da cidade de Welsh. Todo fim de madrugada, jornais e cidadãos interessados recebem uma tabela com a lista das prisões feitas no dia e na noite anteriores. Nada complexo: uma planilha de Excel.


Lá está o nome de quem foi preso, profissão, local em que ocorreu, crime do qual o sujeito é acusado. Ben Welsh escreveu um programinha simples que lê diariamente esta planilha, distribui num banco de dados e faz algumas análises. 


Como se trata de Los Angeles, terra máxima das celebridades, a primeira coisa que o software pinça é se há um ator ou músico entre os presos da noite. Ele compara também a natureza dos crimes. Há nas últimas semanas, por exemplo, uma incidência maior de furtos nalgum canto específico da cidade? O crime cometido é um crime muito raro de ocorrer? O indivíduo preso é acusado de uma série particularmente longa de crimes? É tudo coisa que um repórter policial experiente buscaria. O programa faz isso em poucos segundos.

24 abril 2012

ACM Neto, o grampinho


Lembrei-me do episódio que narro abaixo depois de ver a notícia de que o deputado vai se candidatar à prefeitura de Salvador. E, segundo o presidente do DEM, senador Agripino Maia, ACM Neto é o fato novo do partido, com potencial para se projetar nacionalmente e reerguer a combalida legenda. Pois bem, vamos aos fatos.

Minha chefe me convoca para ir a Brasília. Pergunto se sou obrigado e ela responde que sim, que todos os editores do Jornal Nacional em São Paulo (são quatro ao todo, um por semana, sendo três mulheres e eu). Quero saber se preciso ser o primeiro da fila. Ela responde que não, que conversará com as outras editoras e decidirá quem vai primeiro. Peço para, se possível, ficar por último. Estamos em setembro de 2005.

A primeira colega foi, passou uma semana e voltou, desamparada. A segunda também seguiu para lá e voltou desmilinguida. A terceira editora entrou em licença médica. Assim, sobrou para mim. Comprei uma caixa de Passiflora (calmante natural de Maracujá) e segui viagem. Era para ser uma semana, mas fiquei duas. Entrava ao meio-dia e saia depois que o Jornal da Globo terminava, não raro depois da uma.

Fátima Bernardes e as Olimpíadas



O programa de Fátima Bernardes nas manhãs da TV Globo começou a ganhar forma, diz Keila Jimenez, depois de problemas iniciais, quando foi necessário encontrar profissionais dispostos a falarem a mesma língua.

Agora, a dois meses da estréia, a escalação está completa e as discussões sobre o formato engrenaram. O ator Gregório Duvivier, a jornalista Lília Teles, o humorista Marcos Veras e o músico Branco Mello serão colabores permanentes.

O fato de estar sob o núcleo Guel Arraes (Armação Ilimitada, TV Pirata, A Comédia da Vida Privada...) empresta um quê de originalidade e experimentalismo ao projeto, tão necessário à TV aberta nos dias de hoje, monótona e melancólica.

O formato é explicitamente inspirado no sucesso do programa Hoje em Dia, da TV Record, combinado a uma espécie de releitura do extinto TV Mulher, de Nilton Travesso, sucesso de público e crítica nos anos 80, com Marília Gabriela, Clodovil, Marta Suplicy, Ney Gonçalves Dias, Leiloca, Xenia e outros...

A estréia está prevista para Julho, provavelmente antes das Olimpíadas, para tentar esvaziar, com marketing e bombardeiro publicitário, o maior evento esportivo do planeta, sobre o qual a Globo desta vez não tem os direitos de transmissão.

Apesar das finais da maioria dos jogos serem à tarde, muitas eliminatórias, que também costumam dar boa audiência, serão de manhã, no mesmo horário da nova atração da TV Globo.

A Crônica do Quase-Golpe II


O primeiro quase-golpe, como todos devem ter fresco na memória foi a crise política causada pelo Escândalo do Mensalão...
No dia 1o de setembro de 2008, os Ministros Gilmar Mendes, Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto saíram da sede do STF (Supremo Tribunal Federal) atravessaram a Esplanada dos Ministérios e entraram no Palácio do Planalto para uma reunião com o presidente da República, Luiz Ignácio Lula da Silva.
Foi uma reunião tensa, a respeito da suposta conversa grampeada entre Gilmar e o senador Demóstenes Torres. Os três Ministros chegaram sem nenhuma prova concreta sobre a autoria ou mesmo a existência do tal grampo. Mas atribuíam-no irresponsavelmente à ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e exigiam de Lula providências concretas.
No auge da reunião, Gilmar blasonou: “Não queremos apenas apuração, mas punição”.

Eric Hobsbawn: Ninguém fez tanto pelos pobres...

...quanto Lula.

por Martin Granovsky (*)


Em junho ele completa 92 anos. Lúcido e ativo, o historiador que escreveu "Rebeldes Primitivos", "A Era da Revolução" e a "História do Século XX", entre outros livros, aceitou falar de sua própria vida, da crise de 30, do fascismo e do antifascismo e da crise atual. Segundo ele, uma crise da economia do fundamentalismo de mercado é o que a queda do Muro de Berlim foi para a lógica soviética do socialismo.

Hobsbawm aparece na porta da embaixada da Alemanha, em Londres. São pouco mais de três da tarde na bela Belgrave Square e se enxergam as bandeiras das embaixadas por trás das copas das árvores. De óculos, chapéu na cabeça e um casaco muito pesado, cumprimenta. Tem mãos grandes e ossudas, mas não parecem as mãos de um velho. Nenhuma deformação de artrite as atacou. Rapidamente uma pequena prova demonstra que as pernas de Hobsbawm também estão em boa forma. Com agilidade desce três degraus que levam do corrimão a calçada. Parece enxergar bem. Tem uma bengala na mão direita. Não se apóia nela, mas talvez a use como segurança, em caso de tropeçar, ou como um sensor de alerta rápido que detecta degraus, poças e, de imediato, o meio-fio da calçada. Hobsbawm é alto e magro. Uns oitenta e bicos. Não pede ajuda. O motorista do Foreign Office lhe abre a porta esquerda do jaguar preto. Entra no carro com facilidade. O carro é grande, por sorte, e cabe, mas a viagem é curta.

22 abril 2012

O Velho Hábito de Distorcer a Notícia


por Paulo Moreira Leite


O aspecto mais curioso na divulgação dos últimos números do Datafolha sobre a popularidade de Dilma é o mesmo desde o início do novo governo. Trata-se do esforço para esconder o lugar de Lula na aprovação de Dilma.


Diz-se que a popularidade de Dilma é “recorde” pela comparação com o tempo de casa. Só ela, após um ano e quatro meses de governo, conseguiu um índice ótimo e bom para 64% dos brasileiros. Já Lula obtinha 38% no mesmo período. Quanto a Fernando Henrique, estava em 30%.


Os números de Dilma são importantes em si. Desmentem os supostos sábios que passaram o ano de 2010 anunciando um desastre. Diziam que, sem o carisma de Lula, a presidente seria incapaz de governar e oferecer respostas de próprio punho às dificuldades que iriam surgir no caminho de seu governo. A aprovação de 64% mostra o contrário.

21 abril 2012

Mello: De Olhos bem Abertos


por Antonio Mello


Enquanto o país inteiro se alegra com a redução nas taxas de juros, o Jornal Nacional toma as dores dos únicos que lamentam essa queda, bancos e seus acionistas, especialmente o Bradesco, principal anunciante do telejornal da Globo.


Na reportagem que abriu a edição de ontem, o JN buscou aterrorizar a população com uma ameaça sinistra. Segundo a reportagem, a queda dos juros vai levar o governo a mexer na caderneta de poupança, o que seria, na opinião editorializada da reportagem, a única forma de manter atrativos os rendimentos da renda fixa.


Para isso procurou opinião de dois especialistas favoráveis à tese, um economista da FGV e o indefectível ex-ministro Maílson da Nóbrega.

20 abril 2012

Com o Tempo a Nosso Favor


Existe uma enorme diferença entre ter idade e ser velho.
Parece o mesmo, ou uma idiotice destas de falar em “melhor idade”. Baboseira
Melhor idade uma pinóia, bom mesmo é ser jovem e ter mais energia do que a cabeça sabe organizar, certinho.
E da cabeça desorganizada que sai o novo, o belo, a arte, a criação, porque nela cada coisa não tem um rótulo ou uma daquelas plaquinhas de alumínio numeradas, que correspondem qualquer coisa ao seu inventário.
Quando amadurecemos demais estamos a um passo da putrefação.
Velho é bolorento, calicento, não tem sabor nem paixão.
Velho é prático, não é apaixonado.

Lula, dê o exemplo, recuse seu memorial na Nova Luz!


A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta quarta-feira (18), em primeira votação, a concessão de dois terrenos na região da Nova Luz para o Instituto Lula. Proposto pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), o Projeto de Lei (PL) 29/2012 foi aprovado com 37 votos a favor, 10 contra e 1 abstenção.
De acordo com o PL, a área de 4.400 m² - o equivalente a meio campo de futebol -, localizada na rua dos Protestantes, será utilizada para a construção do Memorial da Democracia, que abrigará o acervo documental do ex-presidente  Luiz Inácio Lula da Silva. A concessão terá validade de 99 anos.


Ao propor o projeto, Kassab justificou a doação afirmando que a instalação do memorial se adequa ao objetivo do projeto Nova Luz - que prevê a reforma de 45 quarteirões e duas praças do centro da cidade, na área conhecida como "Cracolândia".

Kassab, não vem que não tem!


Lojistas da região da Santa Ifigênia, conhecida pela venda de produtos eletroeletrônicos, ameaçaram hoje (19) fechar seus negócios por tempo indeterminado se a prefeitura de São Paulo der continuidade ao projeto Nova Luz, que prevê a revitalização de 45 quadras da região central de São Paulo por meio de desapropriação de 50% dos imóveis da área e terceirização do bairro para particulares que poderão explorá-lo por 20 anos. Lideranças do movimento sem-teto também denunciaram o apoio da prefeitura a reintegrações de posse de prédios abandonados para evitar que a população mais carente seja cadastrada e posteriormente tenha acesso a moradias no Nova Luz.
“Nossa via é o diálogo, mas como não houve, temos 50 mil trabalhadores que vão defender a região como soldados, com unhas e dentes”, disse o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da região de Santa Ifigênia, Joseph Riachi. “Se fecharmos nossas lojas por um mês ninguém vai quebrar, mas o país vai saber o que está acontecendo em São Paulo.” Segundo os comerciantes, o poder público municipal tem até junho para publicar o edital de licitação que vai pautar a escolha da empresa ou grupo empresarial que vai administrar as 45 quadras do projeto Nova Luz.
Riachi criticou a falta de respostas sobre o futuro da região e o veto da prefeitura à participação de empresários e moradores na revitalização. “Nós dissemos diversas vezes pessoalmente ao prefeito (Gilberto Kassab): 'queremos revitalizar o bairro, nós podemos fazer porque a região é investidora'”, contou. “Se pudéssemos fazer a revitalização, teríamos feito, porque em 2002 nós pedimos isso à prefeitura e apresentamos um projeto, que desapareceu.”

O que diferencia o bandido do Estado?


por Mauro Santayana

Talvez nos conviesse, ao tratar da corrupção política, substituir o vocábulo “ética” por substantivos mais singelos, como retidão e correção. Ética é conceito filosófico profundo, de definição difícil, e que se desgastou no abuso de seu emprego. É uma idéia que está acima do exame dos escândalos atuais, que não merecem nem mesmo serem qualificados como aéticos.

Apelar para a ética, nesses casos, é como usar uma balança de ouro para pesar cascalho sujo. Em lugar de recorrer à ética, tratemos apenas do Código Penal.

Em todos os tempos humanos – esta é a âncora recorrente – houve peculatários. E em todos os tempos humanos eles foram combatidos, mesmo quando os larápios se encontravam à frente dos estados. As sublevações populares, quaisquer fossem suas bandeiras, sempre se fizeram contra os usurpadores do bem público.

19 abril 2012

Quem não tem cão...

por Marcos Coimbra


A primeira reação dos setores conservadores às denúncias contra Demóstenes Torres foi de silêncio estupefato. Demoraram a perceber o que estava acontecendo: um de seus heróis tinha sido apanhado com a boca na botija.

À medida que os detalhes de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira foram sendo revelados, viram que seria impossível defendê-lo. Tiveram de reconhecer que alguém em quem haviam apostado nada mais era que o cúmplice – para dizer o mínimo – de um suspeito – continuando a dizer o mínimo – de nebulosas transações.

A segunda reação foi apressar-se na condenação. Talvez por raiva do senador, que os fez de bobos. Devem tê-lo imaginado rindo dos aplausos, enquanto brindava com os amigos.

Mas a razão principal estava na necessidade de controlar os prejuízos colaterais. O apodrecimento do senador Demóstenes poderia contaminar um pedaço grande da política brasileira. Que fosse rapidamente extirpado.

A terceira foi uma clássica manobra de luta ideológica: passar para o ataque. Se a defesa é insustentável e se não interessa protelar, o jogo tem de ser mudado.

Troca o Chip


Quando o Governo acenou com taxas de juros civilizadas nos bancos públicos, na semana passada, foi uma chiadeira geral nos jornais. As ações do Banco do Brasil desvalorizaram, gritaram uns, os bancos vão quebrar, gritaram outros, é artificial e insustentável, replicaram os oráculos de turno...

Ora, veja, ninguém morreu! E mais, depois de alguns dias de "vacilo", não é que tá todo mundo dançando o minueto do Governo? Melhor do que buscar boi no pasto, ou segurar o câmbio na marra com vistas à reeleição, não é mesmo?

Agora, o Governo decidiu atacar mais uma vez. Estuda reservadamente a adoção da portabilidade. Sabe aquele chip que vem incrustrado no seu cartão? Pois bem, funcionaria como no celular. Ele viria encaixado numa base plástica. Cansou, troca a base, ou seja, troca de bandeira do banco.

18 abril 2012

Isso não é bom para eles...

Foi o comentário que fiz para o Luiz Carlos Azenha na redação, depois de ver que a Revista Veja está no Trend Topics do tweeter às 20:40 desta quarta-feira.  E, convenhamos, em uma situação nada confortável. Mas a vida é assim: um dia caçador, outro....


Virgílio, bem-vindo à blogosfera!



Reproduzo abaixo texto da mais alta qualidade do jornalista Virgílio de Abranches Quintão, que passa a ter link (Palácio Confuso) na coluna ao lado. 


"Gestor", "competente", "sério", "o homem dos genéricos", "o criador do seguro-desemprego", "o melhor ministro da saúde que o brasil já teve", "já foi deputado, senador, prefeito, governador", "filho de feirante", "nasceu de uma família pobre na mooca". responda rápido: em quem você pensou?

e, apesar de quase tudo ser mentira, você sabe por que pensou nele? porque desde 2002 você já ouviu isso em quatro das últimas cinco campanhas eleitorais. e vai ouvir neste ano de novo. é um inferno. aquela voz melosa. aquele apresentador que era magro, jovem e tinha os cabelos negros em 2002, hoje esta velho, barrigudo e grisalho. mas vai estar lá. "e ainda tem o dominguinhos!", lembra uma química editora-chefe.

e a repetição vai ser pior neste ano. porque desde a última campanha não há absolutamente nada novo a acrescentar nesse currículo. vejamos: 2002 foi a primeira (nessa linha), tudo bem. e tinha o medo da regina duarte que, vá lá, foi um charme, vai? em 2004, foi discurso repetido, mas ainda não tinha cansado. em 2006 ele já tinha sido (mais ou menos) prefeito. ok. em 2010 ele pôde acrescentar que havia sido governador. beleza. e agora? o que acrescentar nesse currículo?

Dilma Venceu!




Quando comentei com a milha mulher a notícia, ela disse: O Itaú também ligou ontem dizendo que terá uma política de juros diferenciada para seus clientes, hehehe.


Você viu aqui o blá-bla-bla?


por Guilherme Barros

O Bradesco acaba de anunciar redução dos juros para pessoas físicas e jurídicas e a ampliação de suas linhas de crédito. O banco foi a primeira instituição privada nacional a tomar essa atitude.
O Bradesco ampliou o limite de crédito em mais R$ 15 bilhões, sendo R$ 9 bilhões para pessoas físicas e R$ 5 bilhões para pessoas jurídicas.

Para as micros e pequenas empresas, o Bradesco criou uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para Capital de Giro e CDC para aquisição de máquinas e equipamentos. A taxa para essa linha será de 2,90% ao mês, comparada à taxa anterior de 5,56%.

O Bradesco também ampliou em mais R$ 6 bilhões de limite de crédito à disposição dos bancos ligados às montadoras de veículos. A medida visa a incrementar a produção e comercialização de automóveis, um setor de grande importância na cadeia de produção do País.

Só rindo mesmo...


A Justiça do Rio concedeu indulto e extinguiu a pena do ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, que estava em livramento condicional desde 23 de agosto do ano passado. Cacciola foi condenado a 13 anos de reclusão por crimes contra o sistema financeiro.
A decisão de extinguir a pena é da juíza Roberta Barrouin Carvalho de Souza, da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio. Ela argumenta, na decisão, “que o apenado tem mais de 60 anos, completou um terço da pena e não cometeu falta grave nos últimos 12 meses anteriores à concessão do benefício, atendendo, assim, a todos os requisitos dispostos no decreto [que prevê o benefício]”.
Dono do Banco Marka, Salvatore Cacciola foi preso pela primeira vez em 2000, um ano após o escândalo da ajuda do Banco Central ao banqueiro após a maxidesvalorização do real. Uma operação que causou prejuízo de R$ 1,5 bilhão à autoridade monetária. Em janeiro de 1999, quando o Banco Central elevou o teto da cotação do dólar de R$ 1,22 para R$ 1,32, o então presidente da instituição, Francisco Lopes, disse ter emprestado o dinheiro aos bancos Marka e FonteCindam, que estavam expostos no mercado futuro de câmbio, para evitar uma crise sistêmica (generalizada) do sistema financeiro nacional.

17 abril 2012

Protógenes: "Ja até me aposentaram."

16 abril 2012

Testando Mais Algumas Hipóteses (Lógica Kameliana)

Abaixo temos mais um fragmento da Operação Monte Carlo da Polícia Federal. Cachoeira pede para Lenine buscá-lo no aeroporto de Brasília. Ele está chegando de viagem com o Cláudio (Abreu, diretor da Delta). Ambos vão almoçar com Policarpo. Veja a imagem:

O curioso aqui é que estamos no dia 11 de agosto. Duas semanas depois de Cachoeira parabenizar o jornalista, como o Nassif já mostrou (aqui).

Seguindo a lógica Kameliana de jornalismo, de testar hipóteses, vamos supor que no almoço eles tenham conversado, entre outras coisas, sobre o recente "furo" noticiando o lobista Júlio Fróes, que foi apelidado pela Veja de "homem da mala".

O escândalo culminou na demissão do então ministro da Agricultura Wagner Rossi, cota do PMDB, desencadeando nova crise no governo Dilma Rousseff e sua base aliada.

Rossi foi o quarto ocupante do primeiro escalão do governo a deixar o cargo sob intenso bombardeio da mídia. Não boto minha mão no fogo por ele.

Mas a denúncia contra Rossi partiu de um ex-chefe da comissão de licitação do ministério, Israel Leonardo Batista. Só não se sabe porque Leonardo virou ex. Será que a revista lembrou de perguntar?

Abaixo segue a ligação de Lenine a Dadá confirmando o almoço:

O pé do texto traz mais uma saborosa revelação. Segundo Lenine, "o pessoal da FN (leia-se Força Nacional de Segurança, em ação no entorno) não vai mexer mais com máquinas (caça níqueis). Vai passar tudo para a PF." Polícia Federal que, até aqui, eles julgavam ter em suas mãos.

15 abril 2012

O Diário do Inferno (versão DE)


  Aqui tem o princípio de tudo

Bora lá!


Todos nós temos o hábito de criticar o telejornalismo. Costumamos dizer que é apelativo, mal feito, superficial e rasteiro. Mas quando um produto de qualidade vai ao ar nem sempre prestigiamos.

O fato é que, na TV aberta, o retorno é medido pela audiência. Não adianta a produção ser maravilhosa e o conteúdo excepcional, se o telespectador não corresponde.

Por isso, gostaria de pedir a todos que prestigiassem o Domingo Espetacular desta noite. É um trabalho de fôlego, bem produzido, bem captado, bem contado e bem acabado. Eu garanto.

É uma prova de que nós jornalistas de TV sabemos fazer bom jornalismo. Os recursos existem, tanto humanos, quanto materiais. No entanto, nossos chefes, para garantir que podemos gastar mais, em tempo e dinheiro, têm que mostrar para o patrão que o investimento dá resultado.

É uma lógica simples. Mas que depende da participação de todos. Se conseguirmos mobilizar bastante gente em frente à TV esta noite, podemos garantir que trabalhos assim possam ser feitos mais vezes.

Bora lá!

14 abril 2012

Teria a Globo (Ali Kamel) se Banhado nas Águas Lindas de Cachoeira?

Assim o Fantástico de 15 de maio de 2011 vendia seu peixe:

A máfia dos caça-níqueis conta agora com mais uma arma: a internet. Para mostrar como é fácil adquirir peças e até mesmo máquinas inteiras, o Fantástico encomendou e recebeu um desses caça-níqueis. O resultado de dois meses de investigação você vê na reportagem especial de Guilherme Portanova e Diego Moraes.

"O Fantástico encontrou este vendedor na internet. Para mostrar como o esquema é simples, nós conseguimos comprar em São Paulo uma das máquinas dele. (...) Na divisa de Goiás com o do Distrito Federal, é como se a lei não existisse. Fica até difícil acreditar que uma estrutura de um bingo funcione sem o conhecimento das autoridades."

Permitam-me testar hipóteses, a exemplo do que faz o jornalismo da maior emissora do país.

Assim reagiram os comparsas de Cachoeira:


Até se certificarem de que o assunto morreria:
O que podemos depreender da conversa é que havia interesse em retaliar um concorrente, mas a repressão ao jogo não podia fugir ao controle dos "donos do negócio". Tem mais grampos a caminho, vamos aguardar...

Para Quem não Conhece a História

A quem interessava aquela notícia?

No dia 07 de agosto de 2011 o O repórter Renato Alves dá um furo no Correio Braziliense. Revela que os contraventores encontraram uma forma de driblar a polícia: criaram um bingo virtual com sorteios em tempo real. A jogatina partia de Curação, no Caribe, e as apostas eram feitas ao vivo pela internet.


Veja agora a reação desinteressada de Carlinhos Cachoeira e seus comparsas:


Aguardem porque há muito mais a caminho...

13 abril 2012

Faço um apelo à...

Comissão Interamericana de Direitos Humanos,
Human Rights Watch,
Anistia Internacional,

Presidência da República,
Ministério da Justiça,
Secretaria Nacional Antidrogas,
Ministério da Saúde,

Procuradoria Geral da República,
Senado Federal,
Câmara dos Deputados,

Governo do Estado de São Paulo,
Prefeitura Municipal de São Paulo,

Grupo Tortura Nunca Mais
Comissão Brasileira de Justiça e Paz,
Comissão de Direitos Humanos da OAB de São Paulo

Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo,
Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana,

Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo,
Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo,
Corregedoria Geral da Guarda Civil Metropolitana,

Frente de Luta por Moradia,
Grito dos Excluídos,

Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo,
Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito do Largo S. Francisco,
Centro Acadêmico 22 de Agosto da PUC de São Paulo,

A denúncia que fazemos é grave e precisa ser investigada.
De agosto de 2010 a abril de 2011, o médico Marcelo dos Santos Clemente produziu um diário relatando as atrocidades cometidas por policiais militares, civis e guardas metropolitanos na região da Luz, mais conhecida por Cracolândia. Também retratou a situação desumana dos dependentes químicos que vivem precariamente no centro da cidade mais rica da América Latina. Infelizmente, o médico não viveu a tempo de levar suas queixas ao conhecimento das autoridades em Brasília. A vida do dr. Marcelo e o diário que ele produziu estão numa reportagem especial produzida pela TV Record que vai ao ar no Domingo Espetacular. Só o que queremos é que as denúncias sejam investigadas e seus responsáveis punidos.

12 abril 2012

Agora Vai


Pobre PIG


Comecei a ler jornal aos sábados, quando ainda era criança. Foi um caminho natural para quem era filho e neto de leitores vorazes, diria até compulsivos de jornais. Aos domingos, pela manhã, meu avô tinha o hábito de ler os editoriais em voz alta e tecer longos e conservadores comentários, para alegria e tristeza dos presentes. Diria até mais tristeza do que alegria.

Meu pai, corintiano fanático, não se contentava enquanto não tivesse devorado o Jornal da Tarde, a Gazeta Esportiva e o Popular da Tarde. Nos fins de semana acrescia a estes o Estadão, a Folha de S. Paulo, o Diário Popular, o Diário Comércio e Indústria... além de uma ou outra revista semanal. As crianças se contentavam com gibis, almanaques, revista Recreio, Aquarela e que tais.

Na adolescência descobri que os jornais eram a janela do mundo. Neles víamos a notícia interpretada por diversos prismas. Havia pluralidade, mesmo diante da censura externa e, depois, "da linha editorial", que passou a funcionar como uma censura interna. Ainda assim, colunistas tinham liberdade intelectual. E colaboradores podiam dizer livremente o que pensavam. Basta lembrar o caso recente da Maria Rita Kehl.

11 abril 2012

A ética dos Marinho só funciona para os outros

por Fernando Porfírio



A Rede Globo de Televisão foi condenada pela justiça do Acre a indenizar, por danos materiais, a família do sindicalista Chico Mendes. Os herdeiros do seringueiro, assassinado em 1988 após ser perseguido por sua luta em favor da preservação da Amazônia, serão indenizados em 1% dos lucros que a emissora teve com a minissérie “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes”. A decisão é do último dia 4.
A Globo foi condenada por usar, sem autorização, a imagem do ativista ambiental na minissérie Amazônia – de Galvez a Chico Mendes. Pelo mesmo motivo, a empresa de comunicação já havia sido punida a indenizar à família do sindicalista Wilson Pinheiro, também pelo uso indevido de imagem na mesma minissérie.

Maconha vence mais uma vez



A mídia televisiva, ontem, esteve em peso na Catalunha (Espanha). Mais especificamente em Rasquera, a primeira cidade espanhola a se declarar irremediavelmente quebrada financeiramente.
Além de jornalistas de países da União Europeia em dificuldades econômico-financeiras, e com as bolsas de valores em queda (a Bolsa de Milão ontem foi a que mais caiu e a mídia italiana se agitou), estavam presentes em Rasquera, para surpresa geral, enviados da  Coreia do Sul e do mundo árabe —  a erva canábica é muito difundida no Líbano. Vale lembrar que o Marrocos (não o Afeganistão como procuram sustentar por interesse geopolítico os 007 da CIA) é o maior produtor mundial. Para se ter ideia, o Produto Interno Bruto do Marrocos (PIB) é dependente da maconha, do haxixe e do óleo canábico. Levantamentos mostram que 96 mil famílias marroquinas dedicam-se e dependem economicamente do cultivo da erva. No Vale do Rif, principal região de produção, são cultivados 120.500 hectares de maconha. Para a Europa, o Marrocos envia 2.700 toneladas de maconha e derivados.
Com a cidade de Rasquera quebrada, os moradores pressionaram os seus representantes e saiu, ontem, um referendo vinculante sobre se admitir o plantio, em grande escala. Isso para venda destinada ao consumo lúdico-recreativo.

10 abril 2012

Juros podem cair muito mais


Será possível esperar uma redução abrupta destas taxas, verdadeiramente extorsivas? Um estudo produzido em 2006, pelos economistas Carlos Eduardo Carvalho e Giuliano Oliveira, da PUC-SP, demonstra que sim.
Publicado na revista Economia e Sociedade (da Unicamp), o trabalho tem 33 páginas, e naturalmente recorre a linguagem e fórmulas econométricas. Em resumo, seus autores afirmam que ao remunerar, por muitos anos, o sistema financeiro com as taxas de juros mais altas do mundo, o Estado brasileiro dispensou os bancos de oferecer crédito em condições favoráveis a empresas e pessoas. Não era necessário. Para que correr riscos, emprestando dinheiro a quem está sujeito a quebrar, quando é possível ganhar muito com o Estado, que nunca se torno inadimplente?
Numa de suas tabelas (reproduzida abaixo), Carvalho e Oliveira demonstram que, entre 2002 e 2005, a rentabilidade (retorno sobre o capital líquido) dos bancos brasileiros esteve em torno de 20% — duas a quatro vezes maior que nos países do G7, bastante superior à das maiores economias latino-americanas, w comparável apenas às do Paraguai e Peru… Estes ganhos foram alcançados, basicamente, com compra de papéis públicos; os empréstimos a pessoas e empresas tiveram sempre papel secundário.

Regime de Exceção no Centro de São Paulo


A Operação Saturação combinou ações pirotécnicas cujo caráter bélico se fazia notório, como o ingresso da Rota, Tropa de Choque, Corpo de Bombeiros, nos territórios “inimigos”, movimento em geral alardeado pela utilização de helicópteros portando armamentos pesados e ações de constrangimento permanente, entre as quais a abordagem maciça da população local.
do Le Monde Diplomatique

Nos primeiros dias de 2012, os meios de comunicação divulgaram cenas de indisfarçável truculência promovidas pela força militar do estado, a título de ação repressiva ao tráfico de drogas numa região central da cidade de São Paulo. As vítimas foram centenas de farrapos humanos que há anos consomem crack nas ruas e prédios desse território.

O comando da Polícia Militar alega, oficialmente, que a ação, cujo nome é Operação Centro Legal e integra estado e município, tem o intuito de “resgatar as pessoas em estado de vulnerabilidade, combater o tráfico e criar um ambiente propício para as ações sociais”.1

A mais recente fase da Operação Centro Legal na chamada Cracolândia, ainda que não traga novidades com relação às políticas repressivas ou intervencionistas adotadas nos últimos anos, reuniu elementos que lhe atribuem certa exemplaridade, a partir da qual podemos situar algumas questões.

Essa ação pôde traduzir as mais contemporâneas formas de atuação das forças policiais e dos aparatos repressivos, que extrapolam suas competências legais e tradições históricas de gestão e repressão ao crime, para voltar-se a formas muito específicas de gerir territórios e populações consideradas de risco. Após um mês de operação, foram feitas 13.647 abordagens policiais, 296 prisões, 5.915 encaminhamentos e 195 internações.2

Ganha relevância a gramática bélica das operações, manifesta em táticas de ocupação de territórios, presença ostensiva e intimidadora dos destacamentos militares, práticas arbitrárias como buscas pessoais. Para além de mobilizar a ideia de urgência, alimentada sobretudo por uma imagem difusa da criminalidade violenta, ameaça permanente que demanda repressão e prevenção – nessa ordem –, constrói-se também a noção de vulnerabilidade das populações dos territórios sobre os quais a lógica intervencionista opera, permitindo que ela se instale no lugar da política na busca de restaurar a ordem ameaçada, autorizando, portanto, medidas de exceção.

Quem honra o verdadeiro Brasil?




Aqueles que hoje desafiam a mudez do esquecimento e dizem, em voz alta, onde moram os que entraram pelos escaninhos da ditadura brasileira para torturar, estuprar, assassinar, sequestrar e ocultar cadáveres honram o país.

Quando a ditadura extorquiu uma anistia votada em um Congresso submisso e prenhe de senadores biônicos, ela logo afirmou que se tratava do resultado de um "amplo debate nacional". Tentava, com isto, esconder que o resultado da votação da Lei da Anistia fora só 206 votos favoráveis (todos da Arena) e 201 contrários (do MDB). Ou seja, os números demonstravam uma peculiar concepção de "debate" no qual o vencedor não negocia, mas simplesmente impõe.

Depois desse engodo, os torturadores acreditaram poder dormir em paz, sem o risco de acordar com os gritos indignados da execração pública e da vergonha. Eles criaram um "vocabulário da desmobilização", que sempre era pronunciado quando exigências de justiça voltavam a se fazer ouvir.

"Revanchismo", "luta contra a ameaça comunista", "guerra contra terroristas" foram palavras repetidas por 30 anos na esperança de que a geração pós-ditadura matasse mais uma vez aqueles que morreram lutando contra o totalitarismo. Matasse com as mãos pesadas do esquecimento.

 
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