31 março 2012

Como calar a boca da Globo? Com dinheiro, oras!

                             Carta aberta à Rede Globo de Televisão


O Movimento Organizado pela Moralidade Pública e Cidadania – Moral, vem manifestar seu apoio à campanha da Rede Globo com denúncias sobre corrupção apresentadas no programa Fantástico.


A importância desse tipo de denúncia vem compensar a falta de atividade legislativa no país, onde em todos os níveis não existe fiscalização dos atos do executivo. Assim, as propinas azeitam as milionárias campanhas políticas e as trocas de favores por cargos são tão comuns que o povo vive desesperançado.


No estado de Mato Grosso a grande mídia faz um silêncio pavoroso quando o assunto são as denúncias de quem ordena despesas para campanhas publicitárias que são um escândalo. Só a Assembléia legislativa em 2010 usou de 18 milhões do erário para comprar o silêncio da maioria dos veículos.


Por isso vimos pedir que a Rede Globo esclareça ao povo de Mato Grosso e do Brasil, porque em dezembro de 2010 deixou de levar ao ar uma reportagem feita pelo “repórter sem rosto” Eduardo Faustini sobre os processos que envolvem o presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Riva, acusado pelo Ministério Público de desviar, em valores atualizados, cerca de meio bilhão de reais dos cofres públicos.


O repórter da Globo, acompanhado de um militante da Ong Moral, com veículo locado pela entidade, foi a Campo Verde onde entrevistou os contadores que montaram as empresas fantasmas. No cemitério em Várzea Grande filmou o túmulo do homem que depois de morto assinou cheques recebidos da Assembléia. O repórter conversou com promotores que promoveram as ações e reuniu-se também com um grupo de dirigentes do Moral, quando as informações foram complementadas.


Porém, na noite do domingo quando todos sentaram à frente da televisão para assistir a reportagem do Fantástico, o que se viu foram quatro inserções de propaganda da Assembléia Legislativa e nada sobre as acusações ao deputado. A reportagem nunca foi ao ar.


O repórter Faustini passou a não atender as ligações em seus telefones, não dando nenhuma explicação para o silêncio da Rede Globo ante as graves denúncias. Enquanto os boatos nos meios jornalísticos e políticos davam conta que a negociação do silêncio envolveu a soma de 10 milhões de reais.

Nassif desmonta a Veja. De novo!

Veja se antecipou aos críticos e divulgou um dos grampos da Policia Federal em que o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o araponga Jairo falam sobre Policarpo. Pinça uma frase – “o Policarpo nunca vai ser nosso” – para mostrar a suposta isenção do diretor da Veja em relação ao grupo.
É uma obviedade que em nada refresca a situação da Veja. Policarpo realmente não era de Carlinhos Cachoeira. Ele respondia ao comando de Roberto Civita. E, nessa condição, estabeleceu o elo de uma associação criminosa entre Cachoeira e a Veja.
Não haverá como fugir da imputação de associação criminosa. E nem se tente crucificar Policarpo ou o araponga Jairo ou esse tal de Dadá. O pacto se dá entre chefias – no caso, Roberto Civita, pela Abril, Cachoeira, por seu grupo.
Como diz Cachoeira, “quando eu falo pra você é porque tem que trabalhar em grupo. Tudo o que for, se ele pedir alguma informação, você tem que passar pra mim as informações, uai”.
O dialogo abaixo mostra apenas arrufos entre subordinados – Jairo e Policarpo.
Os seguintes elementos comprovam a associação criminosa:

30 março 2012

Sobre Sonho e Precipitação


Com mais de 20 anos no ar eu já devia ter aprendido que só dá para confirmar a exibição de um vt depois do deadline. Fui imprudente e considerei que o programa que fiz com o jornalista e amigo Gustavo Costa estava confirmado para o próximo domingo. De fato ele chegou a ser previsto. Chegamos até a preparar chamada para o Paulo Henrique Amorim gravar na quinta-feira. Mas ontem ficou decidido que o programa só será exibido no domingo de Páscoa.

A versão original tem 37 minutos e a versão compacta, que será exibida domingo ficou com 28 minutos. Para quem cuidou do "bebê" desde o início, cortar 9 minutos dói, mas foram cortes que não comprometeram o conteúdo. Afinal, 28 minutos é bastante tempo para a TV. Não quando se trata de um documentário jornalístico, é verdade. Portanto, a versão maior está preservada e deverá seguir carreira na Record News e em programas que tenham maior flexibilidade, como os vespertinos e os tarde da noite, por exemplo.

Neste tempo todo de carreira pelo menos uma coisa eu aprendi. Matéria boa é a que vai para o ar. Por isso, sinto-me vitorioso em acreditar no projeto, investir o melhor de mim, mesmo tendo que renunciar a algumas noites de sono, a meu maior hobby, que é o blog, e a sacrificar a rotina em família. Valeu a pena. É uma história belíssima que, se preciso fosse, me faria repetir a dose de dedicação e sacrifício.

28 março 2012

Um voto de confiança


Preciso da ajuda de todos. Não sou de fazer isso, mas a importância do trabalho é tão grande que decidi apelar. No próximo domingo vai ao ar durante o Domingo Espetacular, na Rede Record, um documentário que produzi ao lado do premiadíssimo jornalista e amigo Gustavo Costa.

Falei sobre este trabalho aqui, dias atrás. Trata-se de uma história incrível, que dificilmente aparecerá de novo na vida de um jornalista para contar. É sobre a saga do médico Marcelo dos Santos, de 27 anos, que trabalhou durante sete meses na Cracolândia, em São Paulo, e que morreu subitamente.

Um menino pobre, que estudou em escola pública e que, com a ajuda da tia, decidiu fazer medicina na faculdade mais concorrida do país, a USP. Admirado pelos colegas, que o consideram genial e empurrado pela jovem esposa, Marcelo conseguiu terminar o curso.

Estava entediado, porque trabalhava em um hospital público na periferia e passava boa parte do tempo fazendo atestados médicos para as pessoas justificarem suas faltas no trabalho até que, um dia, recebeu um convite inusitado: trabalhar numa zona de guerra.

O jovem médico mergulhou de cabeça naquela realidade cruel e desumana. Em várias situações arriscou a vida, mas aos poucos conquistou a confiança de usuários e traficantes. Passou a ser chamado para ver doentes nos buracos, cubículos onde viviam os doentes dentro das ruínas, um cenário desolador.

13 Vezes Millôr

1. A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.

2. As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades.

3. Chato... Indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele.

4. Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.

5. Não devemos resisitir às tentações: elas podem não voltar.

6. Esta é a verdade: a vida começa quando a gente compreende que ela não dura muito.

7. Certas coisas só são amargas se a gente as engole.


8. Jamais diga uma mentira que não possa provar.

9. O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde.

10. Quem mata o tempo não é assassino mas sim um suicida.

11.Quando todo mundo quer saber é porque ninguém tem nada com isso.

12. De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência.

13. Anatomia é uma coisa que os homens também têm, mas que, nas mulheres, fica muito melhor.

5 MESES DE LUTA DE LULA E MARISA

27 março 2012

Cracolândia, Cachoeirinha e Rap


Domingão à tarde. Acabamos de almoçar e descansar no flat de um amigo nas imediações do baixo Augusta. Sigo com a família para fazer um roteiro turístico nada convencional: conhecer a Luz. Quero mostrar para o Pedro, meu filho mais velho, onde funcionou a Cracolândia. A região já não tem mais aquele aglomerado humano em um único quarteirão da rua Helvétia. Agora os dependentes químicos estão espalhados pelo centro velho de São Paulo. A propósito, que ironia... rua Helvétia = Suíça.

Percorremos as principais vias da região e encontramos muitos usuários fumando crack livremente. "São quase todos pretos." Muitos jogados nas calçadas dormindo, exaustos, provavelmente depois de uma noite inteira perambulando atrás da droga. Uma não, talvez muitas noites. O Gabriel, com seus quatro para cinco anos, não entende direito o que está acontecendo, mas sabe que aquilo tudo é bem diferente do que está acostumado.

Para a Alexandra, que começou a carreira de psicóloga acompanhando crianças de rua no coreto da praça da República, foi como rever a história de abandono e privação daquelas pessoas, vinte anos depois. Penso que essa realidade é parte de um Brasil que precisa ser resgatado com urgência, mas que estamos varrendo para baixo do tapete.

Depois seguimos para a Vila Nova Cachoeirinha. Quando saímos da Marginal do Rio Tietê e começamos a nos embrenhar por uma longa avenida Pedro pergunta: - Aqui é a periferia, pai? Respondo afirmativamente. O contraste é gritante. A qualidade do asfalto cai. A sinalização diminui, o número de postos de gasolina, lanchonetes, padarias, lojas, tudo. O que se vê é um amontoado de casinhas de blocos cerâmicos à vista com uma caixa d'água azul e uma antena parabólica na laje.

A Castanheira Majestade

no blog DOCVERDADE
O restante você encontra aqui

Sobre Denuncismo e Espetáculo


(Nessa história toda da denúncia do Faustini no Fantástico, alertado pelo leitor José Feitosa, algo no mínimo curioso chama a atenção: a Toesa Service, empresa de aluguel de veículos, acusada de corrupção em licitações num hospital público do Rio de Janeiro, presta serviço à Rede Globo. As ambulâncias do Projac têm o logotipo da empresa e os funcionários andam uniformizados. Conhecendo o histórico dos Marinho, não duvidaria se a ação contra sua própria prestadora de serviços não fosse apenas um dos tantos sortilégios a que políticos e outros são vítimas frequentes.)


por Sylvia Debossan Moretzsohn
A reportagem do Fantástico de 18 de março, que expôs cenas de corrupção e fraude em licitações emergenciais num hospital da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve repercussão compatível com a gravidade da denúncia, que entretanto está longe de ser inédita.
O caso escolhido foi o de um hospital público, mas poderia ser constatado em qualquer outro setor. A situação é conhecida: o gestor convida empresas, elas se apresentam e negociam o percentual de propina, o serviço superfaturado é contratado e a vida segue, com os danos de sempre aos cofres públicos.
Se todo mundo sabe disso, por que tamanho alvoroço? Porque o impacto das cenas gravadas por câmeras ocultas é sempre muito forte. E produz um efeito de ineditismo que apaga da memória dos espectadores tudo o que já foi dito, publicado ou exibido sobre situações semelhantes.
Por isso a emissora se permite declarar, em anúncio de meia página na edição do Globo do domingo (25/3), que tal reportagem “revelou uma realidade que alertou o Brasil”. O título reitera o suposto ineditismo, além do protagonismo – e do autoatribuído poder – da rede de TV: “Corrupção na saúde: revogamos a lei do silêncio”.

26 março 2012

Mensagem Útil a Ali Kamel

por Navi Pillay (Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos)
A relação entre racismo e conflito é uma relação profundamente enraizada e bem estabelecida. Certo número de estudos mostrou que um dos primeiros indicadores de violência potencial é o desprezo pelos direitos das minorias. Uma pesquisa promovida por uma organização não-governamental indicou que mais de 55% dos conflitos violentos de intensidade significativa entre 2007 e 2009 tinham as violações dos direitos das minorias ou tensões entre comunidades no centro da violência.
Apenas no último ano, vimos vários exemplos terríveis de violência étnica no meio de conflitos em muitos países do mundo. Na última semana, em uma visita a Guatemala presenciei as consequências trágicas e duradouras de práticas históricas de racismo contra povos indígenas e afrodescendentes. A Guatemala ainda está lidando com o legado de 36 anos de conflito armado.
Prevenir tal conflito é claramente mais desejável do que as tentativas posteriores de apagar as chamas e começar os difíceis processos de reconstrução, reconciliação e justiça – isso sem mencionar os custos humanos e sociais. Entretanto, o problema é que os avisos prévios em relação ao preconceito e à discórdia são frequentemente ignorados, e só quando os mais sinistros e tardios sinais começam a emergir é que o Estado e a comunidade internacional começam a reagir.
Vinte anos atrás, a Declaração sobre os Direitos de Pessoas pertencentes a Minorias Nacionais, Étnicas, Religiosas e Linguísticas reconheceu claramente a ligação entre estabilidade política e social e a promoção e a proteção dos direitos das minorias nacionais, étnicas, religiosas e linguísticas. Os Estados também reconheceram através da Declaração e do Programa de Ação estabelecidos em Durban, em 2001, que o racismo e a discriminação estão entre as causas primárias de muitos conflitos nacionais e internacionais. Uma olhada através dos primeiros arquivos e relatórios de alerta do Comitê sobre Eliminação da Discriminação Racial se torna uma trágica leitura dos tipos de conflitos que poderiam ter sido evitados se essas advertências iniciais tivessem sido atendidas.

A Serenidade na Manipulação

Não há grandes mistérios na entrevista da presidente Dilma Rousseff à revista Veja, publicada na edição desta semana. Para dar um tom direto às observações que se seguem, é útil fazer a análise semiótica e semiológica da capa da revista: o que chama primeiro a atenção do leitor é a fotografia da presidente, com expressão confiante e serena, os reflexos nos cabelos destacando a altura da fronte, a cor e textura da pele trabalhadas com precisão para deixar as rugas discretamente sob a sombra, o sorriso destacado naturalmente pelo brilho do batom.
Os textos escolhidos para apresentar a entrevista não poderiam ser mais expressivos: são frases nas quais ela descarta adotar ou ampliar o protecionismo na economia para proteger a indústria nacional, reconhece que é alta a carga de impostos e promete baixá-la, reafirma que não vai transigir com a corrupção e assegura que o Brasil vai fazer a melhor de todas as Copas do Mundo.
Vista a alguma distância, a capa da revista lembra antigos cartazes da imprensa soviética e o estilo pictórico do “realismo socialista”. De certa maneira, combina com o estilo adotado pela revista nos últimos anos – embora posicionada no extremo oposto do painel ideológico, sua linguagem dogmática explicita, nos textos e imagens escolhidos pelos editores, a intenção de delimitar a interpretação da mensagem àquilo que configura as crenças e valores da própria revista.

24 março 2012

Edu: E se Demóstenes falar o que sabe?

Há anos que Demóstenes “30%” Torres vem sendo cultuado pela mídia, apesar de as suas relações perigosas com o crime organizado de Goiás serem do conhecimento até da Procuradoria-Geral da República e de toda a grande imprensa desde 2009.
Sempre foi enorme o prestígio de Demóstenes entre os mais bravios pit-bulls da imprensa golpista, que, depois de a porta ter sido arrombada, assumem ares de isenção ao divulgarem o que já não haveria mais como esconder.
O simbolismo que as relações escandalosas do senador do DEM de Goiás com o crime organizado encerram, é arrasador. Não houve dia, na última década, em que ele não aparecesse em destaque na Globo, na Veja, na Folha ou no Estadão acusando adversários ou sendo incensado.
Figurinha fácil nos blogs de Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes ou Ricardo Noblat, entre outros, era sempre usado para atacar “a corrupção do PT” ou as cotas étnicas nas universidades, das quais, ao lado do sociólogo Demétrio Magnoli, é considerado o maior carrasco.
Agora, todo mundo acordou. Sabendo que a bomba estava para estourar, Globos, Folhas, Vejas, Estadões e seus blogueiros amestrados tiveram que expor o seu ex-darling  em seus noticiários.
Até o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sempre pronto a abrir investigações contra membros do governo do PT, só agora anuncia que pedirá abertura de inquérito ao STF. Por que não fez isso em 2009? Diz que aguardava o “resultado de outra investigação”…
Desde 2009?!! Não é muito tempo, senhor procurador-geral da República?
Por que só agora Veja, Folha, Estadão, Globo e seus blogueiros amestrados decidiram noticiar as “aventuras” de Demóstenes? Porque só agora a bomba estourou, ora.

23 março 2012

Como Ter Profissionais Criativos?


Nossos chefes são pagos para nos obrigar a fazer nosso trabalho no menor tempo possível e com a máxima qualidade. Só que os criativos precisam de tempo. É isso o que o vídeo mostra de maneira bem simples. A sugestão foi da Tetê Cartaxo, no Facebook.

21 março 2012

A Hipocrisia de Estar na "Oposição"

O que se espera de quem não gosta do governo e o vê fazendo algo de que discorda?
Que se manifeste, que diga com clareza que é contra. Afinal, não é esse o papel da oposição?
Isso vale para a oposição partidária e para os veículos de comunicação que antipatizam com o governo. A existência de ambos é natural nas sociedades democráticas e não há nada de errado em que tenham opiniões e as externem.
p>Mas é possível que as oposições concordem, circunstancialmente, com uma ação do governo. Que estejam, naquela oportunidade, de acordo com ele. Que entendam que, por pior que seja, esteja fazendo, a seus olhos, a coisa certa.
Nesses casos, o mais comum é que não digam nada. Tudo normal, pois lhes seria estranho aplaudi-lo, mesmo quando o que faz é algo que, provavelmente, fariam se estivessem no poder.  
Existem, no entanto, situações mais complexas no plano da ética política. Pode acontecer de o governo tentar fazer a coisa certa, a oposição - ou parte dela – estar de acordo com a iniciativa, mas ser difícil viabilizá-la. A concretização das boas intenções de um, admitidas pelo outro, pode ser complicada.
Agora, por exemplo. O governo Dilma vive uma “crise política”, em grande medida causada pela indisposição de aceitar as pressões dos partidos que formam sua base no Congresso – em particular do PMDB e outras legendas menores – por mais “espaço” na administração.
Até as pedras da rua sabem o que isso significa. Que esses partidos querem aumentar a influência sobre o destino das verbas federais e indicar os titulares de órgãos governamentais, para que sejam geridos de forma “política”.
A raiz da crise é o baixo clero. Com a aproximação das eleições municipais, parlamentares cuja votação é localmente determinada ficam nervosos quando não conseguem irrigar seus redutos com obras e nomeações. Temem que a reeleição em 2014 fique comprometida e que aventureiros venham tomar “seus” municípios.  
O risco preocupa as lideranças. A ameaça de diminuição de tamanho no Congresso assusta, pois é disso que deriva o “espaço” que ocuparão no futuro governo – e mesmo na segunda metade do atual, pois o mau desempenho na eleição municipal costuma trazer consequências imediatas.

18 março 2012

O Telefonema de Cachoeira


Lembrei-me do episódio que narro em seguida depois de ver o nome de Carlinhos Cachoeira de volta ao noticiário, no caso envolvendo o senador Demóstenes Torres.

Partindo de onde partiu, resolvi por as "barbas de molho". Por quê? Explico.

Era 2004. Trabalhava na TV Globo, em São Paulo.

Um deputado estadual do Rio, não me lembro mais quem, havia passado para o Fantástico a gravação que incriminava Waldomiro Diniz, então assessor da Casa Civil do primeiro governo Lula.

O "furo" da Revista Época (leia-se Editora Globo), em fevereiro daquele ano, abriu caminho para a CPI dos Bingos, na Câmara Federal e excitou a mídia, que festejava a descoberta do caixa dois da campanha do PT à presidência.

De quebra, enfraquecia o principal artífice do projeto político ora no poder: José Dirceu.

Luiz Carlos Azenha e eu fomos incumbidos, em São Paulo, de produzir uma reportagem especial esmiuçando a gravação entre Cachoeira e Diniz a procura de desdobramentos.

Produzimos um vt de quase 8 minutos. A princípio seria para o JN (duvidávamos, por causa da longa duração), depois passaram para o Fantástico e, por fim, reeditamos para o Jornal da Globo, depois de cortes e mais cortes.

A certa altura da edição, toca o telefone na minha mesa. Pasmo, atendo, do outro lado da linha, Carlos Augusto Ramos, Carlinhos Cachoeira, o próprio. Pergunto aos meus botões: como foi que ele descobriu a produção da nossa reportagem? E mais, quem teria dado o meu ramal a ele?

Eu apoio a Marcha da Maconha

Juiz manda derrubar casa dos Marinho em Paraty


Essa notícia não sairá no Jornal Nacional, nem no Globo Ecologia e nem merecerá comentários do André Trigueiro no Jornal da Globo: 

A família Marinho, dona da TV Globo, assim como outros milionários brasileiros, foram alvos de reportagem da Bloomberg, dizendo que "Ricos brasileiros não têm vergonha de construírem suas casas em áreas de preservação ambiental". (Quer entender a história vá aqui.)

Um trecho diz que os Marinho violaram leis ambientais para construir, sem permissão, uma mansão de 1300 metros quadrados em Paraty (RJ), além de anexarem uma área pública na praia e desmatarem floresta protegida para construir um heliporto (local para pouso de helicópteros).

Graziela Moraes Barros, inspetora do ICMBio (Instituto Chico Mendes), que participou de uma autuação na propriedade movida pelo Ministério Público, foi ouvida na reportagem. Ela disse:

"Essa casa é um exemplo de um dos mais sérios crimes ambientais que nós vimos na região...

... muitas pessoas dizem que os Marinhos mandam no Brasil. A casa de praia mostra que a família certamente pensa que está acima da lei...

... Dois seguranças armados com pistolas patrulham a área, espantando qualquer um que tenta usar a praia pública", diz ela.

Nassif: A Farsa do Grampo sem Áudio do Gilmar

À medida em que vão sendo reveladas as influências políticas múltiplas do bicheiro Carlinhos Cachoeira, é hora de tirar outros fantasmas do armário. Especialmente enquanto vai se desnudando a imagem pública do senador Demóstenes Torres.
Um deles talvez seja a mais grave suspeita a pairar sobre a política brasileira: a de que foi engendrada uma falsificação envolvendo o próprio presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a maior revista do país, dando munição para uma CPI, servindo de instrumento de ameaça ao próprio presidente da República. Uma armação que, na história do país, tem o mesmo nível do Plano Cohen e das Cartas Brandi.
Trata-se do grampo sem áudio da conversa de Demóstenes Torres com Gilmar Mendes divulgado pela revista Veja.

A suspeita mais forte é a de que houve uma ligação de Demóstenes para Gilmar, acompanhada presencialmente por um repórter da Veja. O repórter teria anotado em detalhes as falas de Demóstenes; mas de Gilmar captou apenas frases curtas e soltas, conforme pode-se perceber na reconstituição do diálogo. Além disso, quem liga é Demóstenes, é ele quem dá o mote para a conversa. O que reforça a suspeita de que a transcrição só tinha acesso à fala de Demóstenes - por estar assistindo e anotando a conversa - e reconstituiu posteriormente a de Gilmar.
Aparentemente, Gilmar foi o incauto nessa história e acabou endossando a farsa, inebriado que estava pela catarse montada em torno da Satiagraha, que o colocou no centro de todos os holofotes.
É uma suspeita que não pode ser varrida para baixo do tapete. A CPI do Grampo foi prorrogada devido a esse episódio. Nem parlamentares, nem Ministério Público Federal nem Polícia Federal têm o direito de ignorar essa farsa.

16 março 2012

Mais de 30 minutos só para entrar na estação

por sugestão do Alex

15 março 2012

A Ecologia dos Marinho e seus pares

Eles são multimilionários e querem exclusividade nas praias de conhecidos paraísos tropicais no litoral do estado do Rio Janeiro. Para isso, violam leis ambientais e constroem mansões em áreas ecologicamente sensíveis de mata atlântica, protegidas por lei. O perfil dos megaempreendimentos destes brasileiros é o tema de uma reportagem da revista americana Bloomberg. 
A reportagem cita a propriedade de Antonio Claudio Resende, fundador de uma grande empresa de aluguel de automóveis, que desde 2006 derruba vegetação nativa na Ilha da Cavala, em Angra dos Reis, para abrir espaço a uma mansão de 1,7 mil metros quadrados.
A casa está parcialmente abaixo do nível das árvores para se disfarçar em meio à mata, podendo ser identificada apenas de avião, segundo o Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro.  O empresário luta na Justiça há quatro anos para não derrubar a construção.

A Língua Culta e a Pobreza Mental

De vez em quando, cito fatos que mostram que nossa língua é diferente da descrita pelos manuais de redação e mesmo pelas gramáticas tradicionais. Manual de Redação é questão de política interna. Uma editora ou um jornal podem evidentemente decidir pela adoção de um para regular a escrita dessa "empresa". Nenhum problema quanto a isso. É mais ou menos como a decisão do exército ou de um time de futebol de usar uniforme: tem alguma relação com a moda e o vestuário, mas trata-se de opções basicamente internas (torcedores e fãs podem usar as mesmas cores nas ruas). Importantíssimo, o efeito das decisões é passageiro: fora do quartel, os soldados estarão de roupa civil e, depois do jogo, os atletas abandonam o uniforme.
Depois do expediente na redação, os jornalistas também voltam ao português das ruas. Para ter certeza disso, bastaria ouvi-los nos bares e nas casas. E nas entrevistas que conduzem, claro. Mas não só. Vejam-se os casos abaixo.

14 março 2012

Depois de julgar, juiz parte para cima do réu

Frente às críticas que vem sofrendo no Pará e em todo o país pela maneira como condenou o jornalista Lúcio Flávio Pinto a pagar indenização por danos morais ao latifundiário Cecílio do Rego Almeida, o juiz Amilcar Guimarães, titular da 1ª Vara Cível de Belém, passou a fazer ataques pessoais públicos pela internet. Em sua página na rede social Facebook, o magistrado tem ofendido repetidamente o réu que julgou. 
Em uma das mensagens que escreveu, o juiz o chamou de "pateta", "canalha" e lembrou que, em ocasião anterior, ele recebeu "bons e merecidos sopapos no meio da fuça". Nesta quinta-feira, 8 de março, voltou à carga chamando de "carpideira" quem se ofendeu com seus posts das últimas semanas.
Procurado pela Repórter Brasil, Lúcio Flávio descartou entrar com uma ação por danos morais contra o magistrado por não acreditar na isenção dos tribunais do Estado. Ele defende que a condenação que sofreu foi política e diz que não tem esperança de obter qualquer sentença favorável na Justiça local, qualquer que seja o contexto.

13 março 2012

Renúncia de Teixeira: A vitória de Pirro


E eis que ontem, após 23 anos, Ricardo Teixeira renunciou ao cargo de presidente da Confederação Brasileira de Futebol, que ocupava desde 1989. Curiosamente, ao invés do esperado alívio fica aquela sensação de um travo amargo na boca. Explico.

O ex-mandatário renunciou alegando "problemas de saúde" - que realmente existem - mas está claro para todo mundo que acompanha minimamente o futebol que a razão principal é o desdobramento do escândalo das propinas da ISL, que já escrevi aqui por ocasião da resenha do livro "Jogo Sujo" e que está em vias de ser totalmente revelado ao público. Além disso os desentendimentos com o governo federal e com a própria Fifa por ocasião da organização da Copa de 2014 e a revelação de outras suspeitas de corrupção também parecem ter pesado na decisão - que, aliás, me foi antecipada há mais de um mês por uma fonte otimamente informada.

11 março 2012

Quer dizer então que...

...se o sujeito se joga de um precipício você se joga também? É mais ou menos isso que você vai encontrar no vídeo abaixo. Para quem tem medo de altura, como eu, é um prato cheio. Repare também na qualidade das imagens em HD que essa "camerinha" é capaz de fazer.


Pode ficar pior:

09 março 2012

Jatobá diz chega para a Globo


Rosana Jatobá durante edição do 'Jornal Hoje'. 
(Imagem: Reprodução)


do Comunique-se


A jornalista Rosana Jatobá não é mais jornalista da TV Globo. A saída da profissional, responsável pela apresentação da previsão do tempo no ‘Jornal Nacional’, foi informada pela emissora na noite desta quinta-feira, 8. Ela estava no veículo desde 2000.


De acordo com a mensagem enviada à imprensa, a Central Globo de Comunicação afirma que “em comum acordo” o contrato de Rosana com o canal não será renovado.  A jornalista publicou a mesma informação no blog que mantém no G1 – que será encerrado com a sua saída da emissora de TV.

Rosana também sugeriu, no texto divulgado na internet, que sai da Globo por causa de outra proposta de trabalho. “Parto para novos desafios. Até lá. Abraços”, afirmou. Ela, entretanto, não confirmou para onde irá.

04 março 2012

Uma prece para Lula



Todo paciente de câncer fica muito frágil a outras doenças e infecções. Por isso, peço a todos esta noite uma prece pelo nosso eterno presidente Luis Inácio Lula da Silva.


Ele foi internado neste domingo no hospital Sírio Libânes, em São Paulo. 


Estava com febre baixa decorrente de infecção pulmonar de leve intensidade. 


Em fevereiro, Lula terminou o tratamento de radioterapia para combater um câncer na laringe. 


Este mês ainda os médicos vão realizar exames para saber se o tumor cedeu.

A Farsa da Comissão da Verdade

por Guilherme Scalzilli



Confirmando as piores expectativas, a Comissão da Verdade nasce fadada ao desapreço geral. A inadmissível abrangência histórica, a estrutura mínima e o protocolo anódino tendem a transformá-la num plenário de discursos humanistas, catarses pessoais, proselitismo ideológico e acusações infrutíferas. Mesmo a eventual descoberta de restos mortais e minúcias incógnitas ficará sujeita às veleidades obstrucionistas dos depoentes. A imprensa corporativa, ansiosa por ocultar seu apoio ao golpismo de 1964, manipulará os debates sempre que possível, desqualificando iniciativas que julgar hostis a convenientes fantasias de imparcialidade. E os papelórios resultantes das audiências serão logo sepultados sob o esquecimento conciliador que elas deveriam combater.

Todos os que sonhávamos com a punição dos assassinos e torturadores do regime militar guardamos justos motivos de revolta. Mas ao menos tenhamos a sensatez de identificar os verdadeiros responsáveis pela fatalidade.A idéia da Comissão definhou aos poucos, desde o seu lançamento, no Programa Nacional de Direitos Humanos, em 2009. O governo Lula, através de Nelson Jobim, apaziguou o oficialato e permitiu que as Forças Armadas participassem dos debates sobre a ditadura em posição similar à das entidades civis. A gestão Dilma Rousseff cometeu o equívoco de não romper com essa estratégia, que levou a uma desnecessária atitude conciliadora nas decisivas articulações do evento.

01 março 2012

Os Efeitos da Diáspora na Globo


Demorou, mas já é possível notar os efeitos da dispensa de profissionais importantes dos quadros da emissora, a partir de 2006, ano do recrudescimento, quando a cobertura jornalística passou a ser excessivamente centralizada, perigosamente tendenciosa e, em alguns casos, como o da bolinha de papel, em 2010, criminosamente manipuladora.

Os talentos que ficaram se dispersaram por vários outros departamentos e novos programas, esvaziando o jornalismo diário, ou hard news. Desde então, o que se viu foi uma queda de qualidade assustadora, que se refletiu nos índices de audiência e na escalada de reações hostis de manifestantes nas ruas, contra equipes de reportagem da emissora.

 
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