19 junho 2012

A Campanha só Começa quando Muda o Horário da Novela


Lembrei-me da frase acima, proferida à exaustão por Geraldo Alckmin na campanha à presidência de 2006, depois de ler o texto que reproduzo abaixo. Naquela ocasião, por pouco Alckmin não virou o jogo. Portanto, o texto do Zé Roberto retrata bem qual é o sentido das alianças, aparenetemente absurdas, mas que, lá na frente, farão toda diferença, em se tratando de uma sociedade ainda muito influenciada pela propaganda eleitoral nos meios eletrônicos:
A metáfora da corrida de cavalos para representar a campanha eleitoral é mais apropriada do que a sua vulgarização pode sugerir. Como no turfe, os candidatos precisam dosar suas forças e traçar suas estratégias com precisão para não arrancar antes da hora nem se deixar "encaixotar" no pelotão intermediário. Tanto um erro quanto o outro pode impedir o maior favorito de cruzar o disco em primeiro lugar.
Na eleição paulistana, José Serra (PSDB) surgiu nas primeiras pesquisas como barbada, tão à frente dos demais que só caberia prognóstico para o segundo colocado da dupla vencedora. Mas o apostador experiente sabe que cânter não ganha páreo. Galopar garboso na apresentação ao público não é garantia de bom desempenho quando o chicote começa a vibrar. E a semana não foi nada boa para o haras tucano.
A um custo ainda difícil de contabilizar, o stud petista tirou um grande peso da sela de Fernando Haddad. Na última hora, cooptou o PP de Paulo Maluf, formalizou a aliança com o PSB de Luiza Erundina e ultrapassou todos os rivais em tempo de propaganda no rádio e na televisão. O apoio malufista se deu em troca da Secretaria de Saneamento do Ministério das Cidades - responsável por programas de esgoto e lixo. Sem comentários.

Nas contas dos repórteres Daniel Bramatti e Julia Duailibi, o candidato a prefeito do PT deve aparecer em 107 inserções de 30 segundos por semana a partir de agosto. Ou seja, 15% a mais do que Serra e quase 50% a mais do que Gabriel Chalita (PMDB). Isso significa só uma coisa: Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva fizeram a parte deles. Cabe a Haddad mostrar se tem força para atropelar na reta final ou se é o matungo que os adversários tentam pintar.
A chapa petista-malufista-socialista (e, talvez, comunista, se o PC do B também aderir) é o melhor exemplo da grande zona cinzenta que é a política brasileira. Enxergar branco e preto num cenário desses é miragem. Vale lembrar que Maluf estava mais perto da cocheira tucana até ser seduzido pelo churrasco de verbas petista. E que o impoluto PR de Valdemar Costa Neto segue firme no bridão do PSDB paulista.
Esse é o jogo político-eleitoral brasileiro. Joga quem quer, ganha quem pode. E quem não pode denuncia - pelo menos até passar a poder.
A perda da aliança com o PP não custou apenas algumas inserções comerciais a Serra. Produziu um desconforto no campo tucano. Segundo o noticiário, Geraldo Alckmin não quis dar os cargos estaduais reivindicados por Maluf, o que teria empurrado o ex-prefeito para o colo adversário. Administrativamente defensável, a atitude do governador ressuscita velhos murmúrios sobre lealdades e traições que remontam à eleição de 2008, quando ele estava no papel de Serra, e o correligionário apoiou veladamente Gilberto Kassab, então no DEM.
Nada indica que sejam mais do que fofoca, mas tais intrigas bastam para dar a impressão de que uma campanha perde confiança, enquanto a do adversário ganha ritmo. É um jogo psicológico restrito a candidatos, articuladores e assessores - que, por enquanto, a grande maioria dos paulistanos não está nem aí para a eleição. Mas é o que alimenta o blá-blá-blá político até a corrida começar para valer.
Pela lei, a campanha eleitoral só começa em julho. Para o eleitor desengajado, a largada é em agosto, com a entrada no ar do horário eleitoral obrigatório. O calendário já condicionou o eleitorado. Raras vezes uma campanha mobiliza corações e mentes antes de o palanque eletrônico entrar no ar. Uma dessas exceções ocorreu na sucessão de Lula.
A eleição de 2010 começou a tomar corpo muito antes da propaganda formal. O principal motivo foi a campanha desabrida que o ex-presidente fez por sua candidata desde muito antes da votação. A frequência com que Lula repetiu o nome de Dilma em palanques, inaugurações, discursos e festas de aniversário é inédita na história moderna do Brasil. A oposição reagiu indignada, esquentou o debate e, sem querer, ajudou Lula a promover a desconhecida Dilma.
Tudo muito diferente do que nesta morna eleição paulistana. Fora da Presidência, Lula não teve palanque nem saúde para repetir o nome do desconhecido Haddad como fez com Dilma. A campanha não empolgou ninguém. Vai sobrar tudo para a TV. Por isso, os minutos de propaganda ganhos por Haddad via PP e PSB valem muito mais do que os 8% a que ele chegou no Datafolha esta semana.
A corrida eleitoral paulistana será curta, sem curvas. Ganha quem alcançar momentum no final.

8 doladodecá:

disse...

Me desculpa MAM, mas a ars política é real, é o próprio cotidiano vivo, e não tem nada disso de ficar chutando-se prognósticos ou de comparar uma eleição com corridas de cavalo...

Luís CPPrudente disse...

Luiza Erundina é uma grande deputada e uma pessoa honrada.

Mas eu achava que ela tinha que sair como vice de Fernando Haddad e esculhambar o tempo todo o cara que deveria estar na cadeia (Paulo Maluf) durante a campanha eleitoral.

O PT não errou ao negociar com o PP o seu tempo. Se este tempo não fosse para o PT, ele iria para o candidato tão ruim para São Paulo quanto foi Paulo Maluf uns quinze a vinte anos atrás, este candidato é conhecido por muitos de nós como Nosferatu Cerra.

A Luiza Erundina poderia ter ficado ao lado de Haddad e ter derrotado duas pessoas que deveriam estar na cadeia (Paulo Maluf e Nosferatu Cerra).

Cia Imaginária de Teatro disse...

A foto, que deve dar um prêmio do PIG para o fotógrafo, na verdade serviu para mostrar para o paulistano, que não conhecia Haddad, que ele existe e é o candidato de Lula.
Esta polêmica tem muito mais ângulos do que os que foram explorados até agora.

Anônimo disse...

Há uma frase do grande filósofo alemão Ernst Bloch que diz assim: "a novidade socialista acontece com poder e não com tagarelice, com o trabalho árduo da comprovação e não com lábia desleal". É horrível ver a foto de Lula, Haddad e Maluf. Mas se perder a eleição por conta desse purismo não é pior? Que poder essas forças terão para mudar o que está destruindo Sampa? Nas grandes enchentes, córrego, ribeirões, rios de todos os portes arrastam paus, terras,folhas e todo tipo de sujeira que encontra pela frente. Quando chega ao mar, este aproveita água e descarta a sujeira jogando-a na areia e continua limpo e soberano.

Pedro Migão disse...

Marco, eu confesso que ainda não tenho opinião formada sobre esta aliança em SP - tanto que não quis escrever ainda sobre o tema para o Ouro de Tolo.

Mas que algo tem de ser feito para barrar Serra, tem.

abs

Anônimo disse...

[HORA DO RECREIO NO ‘CIRCUS BRASILIAS’!]

PARA DESANUVIAR, AGORA, “ESCUTA ESSA!”

O Alexandre Garcia “da Globo”(!) exerce, também, a função de, digamos, capilarizar o PIG! Traduzindo, comentários do jornalista são reproduzidos por rádios do interior do Brasil, “e tome sarrafo no governo”, ontem, o do presidente Lula, hoje, o da presidente Dilma Rousseff. Talvez empolgado “por estar arrumando as malas”, o Garcia [“da Globo”!] se empolgou deveras em seu último comentário! Atente(m), abre aspas para o colega da Mônica Valdvogel, da Eliane Cantanhêde, do Merval Pereira, da Mirian Leitão, da Cristiane Lobo, do Ali Kamel & Cia.: “... O ex-presidente Lula impôs a instalação da CPMI do Cachoeira objetivando atingir o governador de Goiás, Marconi Perillo! Se deu muito mal! Atingiu o governador petista do Distrito Federal, Agnelo Queiroz! Atingiu a Delta, portanto, atingiu a presidente Dilma Rousseff!...” “Pode ‘to be’?!” Aproveitou “a deixa”, para falar na temperatura... Da CPMI do Cachoeira? Que nada! O jornalista “da Globo”, “pelas ondas potentes dos rádios do interior desse Brasilzão”, informou que estava procurando informações acerca do tempo, da temperatura... Em Londres! Segundo ele, em seu comentário matinal, nos próximos dias entrará em férias, e o primeiro país a ser visitado será a Inglaterra. “Esperto” e Pernóstico, não?!...


República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

Anônimo disse...

Erratas: 1- [HORA DO RECREIO...] no caso específico ‘Circus Brasilis’;
2- ... Traduzindo: comentários...;
3- ... para falar da temperatura... ;
4- ... “pelas ondas potentes das rádios do interior desse Brasilzão”...;
5- ... “Esperto” e pernóstico, não?!…

Respeitosas saudações,

República de ‘Nois’ Bananas
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo

José da Mota disse...

Um capítulo de novela poderia ser o quanto foi interessante a coincidência das fotos e das manchetes da matéria de Luíza Erundina ao lado ou acima da de Delfim Neto na Carta Capital. E quem acompanhou a política brasileira na época em que Delfim Neto foi ministro da direita e hoje é um dos aliados do PT não compreende essa repulsa de Erudina, tardia por sinal, porque veio mais de vinte e quatro horas depois, repelir Paulo Maluf. Prova ela que retroage, retrógrada é, a concretização da "Esquerda Burra". E a configuração de uma pessoa tresloucada e traidora.
Parte 2: Que na comissão da verdade age cheia de ódio e rancor, vingativa. Invertesse o caso e lhe dessem poder absoluto sabe-se lá qual seria o tamanho da maldade de sua vingança sob o ardor do fogo de seu ódio.
Toda a concentração de energia que pulsa em explosão nas suas decisões entre um sim e um não são as mesmas, volátil alguém definiria. Um perigo para a sociedade analisariam, pois aparentemente o que se menos levou em conta em sua decisão foi a melhoria para o povo.
Parte 3: Uma faísca que por um tempo riscou o céu com luz e se apagou, para sempre. Com petulância de desesperada defesa a Estrela Guia com seus argumentos apagou. Lula-lá passou dos limites, disse, pelo povo. Luíza Erundina melhor do que ele moralmente se achou. Seria o mesmo que dizer.
Parte 5: Quem és tu Lula Estrela Guia diante de apagado risco no céu que um dia pouca luz lançou? Ainda obrigado, Lula, a ouvir o que não é nada em qualquer espaço, além de escuridão. Ousar dizer que quem passou dos limites foi tú, Lula-lá, ainda estrela guia brilhante no céu do coração do povo brasileiro.
Parte 6: E quem és tu Erundina para para falar o que quer que seja do Lula e criar-lhe problemas para a eleição de São Paulo. Dizendo inclusive que ele foi longe de mais?
E você para onde foi? Onde esta? E se foi e chegou a algum lugar, foi por quem? Por mérito político seu? E se, o que fez para merece-lo? Quem é você como liderança para o nosso país?
Parte 7:Foi prefeita de São Paulo nas costas de quem? De sua liderança política de nada e de ninguém como é até hoje, ou por Zé Dirceu, Lula, Suplicys e PT?
Que arrogância é essa para se achar com o direito de desistir dizendo que foi porque o Lula foi longe nessa ao coligar-se como o partido de Paulo Maluf? E ainda querer atrapalhar Lula e PT, isso tem nome, é covardia e traição! Típico de um tresloucada.
Parte 8: Mas estranhamente só se decidir depois de mais de 24hrs?
Pergunte-se a si mesma, quem sou eu? O que represento para o meu país como pessoa e política? Que falta eu faço para o Brasil? Antes de arrogar-se ao que quer que seja. Por que senão a pergunta quantos Malufs valem uma Erundina que fizeram na Carta Capital pode ser respondida por você mesma, e você com toda a certeza já se deu mal.
José da Mota.

 
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