09 maio 2012

Trata-se de Genocídio

Quem faz o alerta, sem gaguejar, é o ator Colin Firth de O Discurso do Rei:
(A sugestão foi do jornalista Gustavo Costa)


Os awá-guajá são um dos povos mais inacessíveis do mundo, de acordo com a Survival. As áreas onde vivem, as terras indígenas Caru, Araribóia, Awá e Alto Turiaçu, sofrem constantes invasões de madereiros e narcotraficantes. Acredita-se que haja cerca de 180 serrarias ilegais em torno da área indígena. “Quando os madereiros os vêem, eles os matam”, diz Colin Firth no vídeo da campanha. A International Survival e o Conselho Indígena Missionário (CIMI) afirmam que há falta de policiamento nas terras dos Awá. 
(...) Há quase seis anos, o Ministério Público Federal no Maranhão moveu uma ação civil pública contra a Fundação Nacional do Índio (Funai) exigindo a instalação de um posto de fiscalização na Terra Indígena Araribóia, até hoje inexistente, já que a Funai alegou falta de pessoal quando recorreu de decisão da Justiça Federal no Maranhão. No Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF), em Brasília , o processo não tem prazo para ser julgado. A Survival afirma que há poucas equipes da Funai no local e pede maior presença da fundação.


Procurada, a presidente da Funai, Martha Azevedo, que assumiu o cargo no final de abril, não quis dar entrevistas. A fundação, contudo, divulgou uma nota há duas semanas, admitindo que a situação dos Awá é crítica e que eles são ameaçados por madeireiros e por narcotraficantes. Seus agentes, segundo a nota, como também os agentes do Ibama e da Polícia Federal, são ameaçados pelo narcotráfico na região.
Os Awá vivem na região desde o século passado. Eles se locomoveram aos vales dos rios Turiaçú, Pindaré, Gurupi, por causa das pressão imposta pela expansão colonizadora à época. Segundo a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), o contato com os sociedade moderna foi desastroso para o povo Awá, muito vulnerável à violência. Foi nas décadas de 1970 e 1980 que o contato com o povo Awá-Guajá foi retomado. Em 1970, iniciou-se o processo de regularização fundiária de suas terras. Entretanto, só em 2005 a terra indígena Awá foi homologada, e, em 2009, ela foi registrada na Secretaria do Patrimônio da União.
A Survival International começou a se envolver com os Awá nos anos 1980, quando o Programa Grande Carajás foi iniciado. Trata-se de um projeto de exploração mineral pela Vale S.A., então Vale do Rio Doce, financiado pelo Banco Mundial e pela Comunidade Européia. Na época, a Survival, segundo Fiona, fez um lobby contra o financiamento. De acordo com ela, desde esse período os Awá passaram a ser atingidos pelo contato com a sociedade moderna.



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