por Luis Nassif
Pelas primeiras avaliações dos parlamentares que compõem a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) funcionava assim a associação criminosa entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e a construtora Delta.
1. A Delta se habilitava a uma licitação na qual houvesse garantia de aditamento do contrato (isto é, de reajuste posterior do contrato).
2. Tendo essa garantia, apresentava um preço imbatível, muitas vezes inexequível. No caso do aeroporto de São Paulo, por exemplo, o maior lance foi de R$ 280 milhões. A Delta apresentou uma proposta de apenas R$ 80 milhões.
3. Ganhava a licitação e depois aguardava o aditivo. Enquanto isto, a empresa ficava sem caixa para bancar seus fornecedores - de peões de obra a vendedores de refeições e cimentos. Aí entrava Cachoeira garantindo o capital de giro da empresa com dinheiro clandestino, do jogo. Ou com o fornecimento de insumos, através de empresas laranjas. Estima-se que o desembolso diário do bicheiro fosse de R$ 7 milhões, mais de R$ 240 milhões por mês.
4. Quando vinha o aditivo, a Delta utilizava o recurso - legal - para quitar as dívidas com Cachoeira, através das empresas laranja. Era dessa maneira que Cachoeira conseguia legalizar o dinheiro do jogo.
Quando algum setor relutava em fazer o aditivo, Cachoeira recorria ao seu arsenal de escândalos e chantagens, valendo-se da revista Veja.
Foi assim no episódio do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte). Aparentemente houve um conflito entre Cachoeira e o diretor Luiz Antonio Pagot. Providenciou-se a denúncia, destinada apenas a derrubar as resistências de Pagot. Como dizia um bom observador das cenas brasilienses, Cachoeira pretendeu assar o porquinho e acabou colocando fogo na choupana.
O que era para ser um alerta para Pagot coincidiu com a ação do governo de demitir a diretoria do DNIT.
O rastreamento das ações de Cachoeira pela CPMI se concentrará nos aditivos contratuais. E também nos pagamentos efetuados pela Delta a fornecedores. A partir daí será possível identificar o enorme laranjal que constituía o esquema Cachoeira, assim como os esquemas de corrupção nos órgãos contratantes.
Outro trabalho será identificar as reportagens da revista que serviram aos propósitos de Cachoeira. No caso da propina dos Correios, por exemplo, sabe-se que o grampo foi armado entre Cachoeira e o diretor da revista, com vistas a expulsar um esquema rival dos Correios. Detonado o esquema, o próprio Cachoeira assumiu o novo esquema, até ser desmantelado pela Polícia Federal.
Em todo esse processo, foi crucial a ligação do bicheiro com a revista. Foi graças a ela que Cachoeira conseguiu transformar seu principal operador político - senador Demóstenes Torres - em figura influente, capaz de pressionar a máquina pública em favor do bicheiro. E foi graças a ela que intimidava recalcitrantes na máquina pública.
Ontem O Globo saiu em defesa da Veja, com um editorial em que afirma que "Civita não é Murdoch". Referia-se ao magnata australiano Rupert Murdoch, cujo principal jornal, na Inglaterra, foi flagrado cometendo escutas ilegais para gerar reportagens sensacionalistas.
Em uma coisa O Globo está certo: Murdoch negociava os grampos com setores da polícia; já Roberto Civita negociou com o crime organizado.

3 doladodecá:
Muito esclarecedor o seu post, Marco Aurélio. Parabéns.
A Veja não pode ficar fora do foco da CPMI, é imprescindível a obtenção dos esclarecimentos de Poli e do nosso Murdoch, o sr. Rupert Civita. (viu, Globo?)
Valeu.
Que fique claro, sei que o post é do Nassif. Parabenizo o Marco Aurélio pela difusão do mesmo.
ANTES QUE A VACA TUSSA!
... Na fila de um supermercado, deparei-me com uma assombração atiçada em uma gôndola! Explico: avistei um exemplar do folhetim 'fascisto-golpista' que responde pela [famigerada e indecorosa] alcunha de 'Veja' [de 'Robert(o) Pior do Que Murdoch Civita'(!)]... Bom, aí, eu lembrei que a cadelinha da minha filha está precisando de um tapete... Considerei, a princípio, a possibilidade de retirar da gôndola o períodico misturado a bananas, desifetantes, verniz... Garrafas de água mineral... Pronto, desisti! Leio a manchete de capa: 'Nas águas do Cachoeira' - e uma nota de rodapé: 'Como Demóstenes Torres conseguiu enganar a tantos por tanto tempo?' UAI! A 'Veja' foi enganada pelo DEMotucano DEMÓstenes, aquele ex-senador autor da tese de que as escravas negras, no Brasil, foram estupradas de forma consentida?!...
MORAL DA 'ESTÓRIA CARECA DO DEMÓstenes [e do Robert(o) Civita!]': considerando os grampos legais - e com áudio, diga-se de passagem(!) - produzidos pela Polícia Federal, desde antanho o diretor da sucursal de 'Veja' em Brasília, o tal de Policarpo Junior, já conhecia o DEMÓstenes 'como a própria palma da mão' - a mesma mão [direita, óbvio!] que transformava em matérias jornalísticas as munições cedidas pelo ilibado (Vixe Maria! Cruz-credo! 'Arrenego'!) Carlinhos Cachoeira, o empresário, segundo o PIG!...
LÁ VEM PREOCUPAÇÃO PARA O MATUTO!: Será que Robert(o) Civita irá demitir PJ por justa causa?! Quem nadar verá!
Que país é esse, sô? República Destes Bananas da DIREITONA OPOSIÇÃO AO BRASIL, fascistas eternos, golpistas..., responde, "na lata", o matuto 'bananiense'
Em tempo I - (re)convoquemos o egrégio e brioso Franklin Martins: Ley de Medios Já... Ppassou da hora! BRASIL
EM TEMPO II: a descoberta da penicilina e a invenção da internet: as duas maiores revoluções da humanidade!]
Bahia, Feira de Santana
Messias Franca de Macedo
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