01 março 2012

Os Efeitos da Diáspora na Globo


Demorou, mas já é possível notar os efeitos da dispensa de profissionais importantes dos quadros da emissora, a partir de 2006, ano do recrudescimento, quando a cobertura jornalística passou a ser excessivamente centralizada, perigosamente tendenciosa e, em alguns casos, como o da bolinha de papel, em 2010, criminosamente manipuladora.

Os talentos que ficaram se dispersaram por vários outros departamentos e novos programas, esvaziando o jornalismo diário, ou hard news. Desde então, o que se viu foi uma queda de qualidade assustadora, que se refletiu nos índices de audiência e na escalada de reações hostis de manifestantes nas ruas, contra equipes de reportagem da emissora.

Agora, o esforço para recuperar o espaço perdido, a credibilidade e o prestígio tem, mais uma vez, espalhado terror na redação. Fala-se em acabar com os nichos e guetos. Programas jornalísticos que têm dinâmica própria e equipes distintas terão que compartilhar profissionais. O que equivale a dizer que um editor de programa semanal, por exemplo, terá que ficar à disposição do jornalismo diário e vive-versa.

Desta forma também é possível enxugar custos, uma vez que as escalas de plantões seriam melhor assistidas, ainda que mais apáticas e sem personalidade, a exemplo do que acontece hoje. É o neoliberalismo teatcheriano típico dos que estão no poder, se segurando como podem, como o grão-vizir Ali Kamel. Vai errar de novo. Gestão temerária, decisão equivocada. No primeiro momento a plebe pode até adorar ver a elite carregando pedra. Só que a vingança virá, quem sabe na forma de golpe?

E o chefe dele, o Schroder? Esse é um gênio! Passa por todas incólume. Esse sim merecia um assento na Academia Brasileira de Letras, mesmo sem ter escrito livro nenhum. Afinal, quem disse que para ter direito ao chá das cinco é preciso ter obra publicada?

Vamos assistir de camarote os próximos capítulos, aplaudir ou vaiar. Plim-plim.

14 doladodecá:

Thomaz Magalhães disse...

Ô tristeza que não passa, ter perdido o emprego na Globo.

Apenas, Marcia disse...

Concordo com cada letra do que o Marco escreveu! Só assisto ao jornalismo da Globo quando, compulsoriamente, estou em algum local onde a TV está ligada neste canal. Programação deprimente. Perde até para o Amaral Neto Reporter! Quem aí se lembra?!

Apenas, Marcia disse...

Concordo com cada letra que o Marco escreveu! Só assisto a Globo compulsoriamente, quando estou em algum estabelecimento cuja TV está ligada neste canal. Está pior que Amaral Neto Reporter... Quem se lembra?!

Jbmartins-Contra o Golpe disse...

Você acha, as vezes a maior felicidade é descobrir que o passado foi um erro, que o presente é de acerto, quem fica feliz sendo marionete.

Paulinho disse...

Ó cara-de-pau de comentaristas que defendem organização criminosas...

Paulinho disse...

Ô cara-de-pau de comentarista em defender organização criminosa....

Emília disse...

Coincidência, hoje mesmo, assistindo o Jornal Hoje, comentei que a Globo há tempos vem colocando adolescente pra fazer reportagem, talvez pra poder manipular melhor os recem formados ou pagar pouco. Talvez os dois. E, como você disse, a qualidade jornalística caiu assustadoramente, por isso mesmo assisto mais a Record News que, mesmo não sendo muito repetitiva, tem ótimas reportagens.

romério rômulo disse...

é isso, Marco Aurélio. essa turma global já queimou.
romério

Remindo disse...

Desculpe, Marco. Mas o jornalismo da Globo sempre foi muito ruim. O acesso a informação correta via internet nos últimos anos é que dá esta impressão. E não é só a Globo, Record, SBT, Rede TV, tudo é jornalismo de baixa e com deformações políticas. E são assim os jornais e as rádios.

Luís CPPrudente disse...

Quanto ao que diz o primeiro comentarista (primeiro de março, 14:35)devemos relevar, pois o dito-cujo deve ser um amante incondicional da famiglia Marinho.

Provavelmente este sujeito infeliz também concorda que os militares tem o direito de questionar as ações sociais e políticas do Governo Federal.

O infeliz também deve ser adepto fervoroso do Cerra.

Para chegar à essas conclusões basta ler os comentários do neo-liberal Thomaz Magalhães.

Thomaz Magalhães e Famiglia Globo: tudo a ver!!!

Anônimo disse...

Marco, a globo já atrapalhou demais o país, prefiro que ela perca cada vez mais audiência ( como tem perdido) e torço pela subida visível e consistente da Record ( principalmente) e demais emissoras também. Se acontecerem as mudanças que vc comenta, talvez a globo diminua seu partidarismo político explícito e pode voltar a ter credibilidade mas não acredito nisso.

alex disse...

ALBERTO DINES DEFENDE A REGULAÇÃO DA MÍDIA

O jornalista, com 50 anos de carreira, também reafirmou que os jornalões brasileiros (tais como Globo, Estadão e Folha) apoiaram o golpe de 1964. A exceção foi o extinto jornal Última Hora.

Criador do Observatório da Imprensa, Alberto Dines concedeu entrevista de duas páginas ao jornal "O Dia" na segunda-feira. Um dos pontos altos da entrevista foi a defesa da regulação da imprensa. Eis alguns trechos:

O DIA: O que você acha da criação de um conselho de comunicação?

DINES: - O conselho não vai fazer nada, até porque se tentar fazer será censório. Existe sim a necessidade de regulação da mídia, eu sou a favor do que o presidente Franklin Roosevelt, em 1934, criou no Estados Unidos, o Federal Communications Commission, um órgão controlador da mídia. Eu acredito nisso, a mídia eletrônica é uma concessão e não pode fazer o que quer. Vamos tentar fazer aquele mínimo que fizeram no Estados Unidos. Na Inglaterra, na Câmara dos Comuns, tramita a possibilidade de criação de um sistema de autorregulação, com poder de convocar jornalistas para depor. Seria um comitê formado não por jornalistas, mas pela sociedade.

O DIA: Esse controle seria em que sentido?

DINES - Pra evitar o que foi feito pelo Murdoch (Rupert Murdoch, dono de jornais que utilizaram meios ilegais para obter informações). O ‘The Economist’, que é super conservador, reconheceu que é preciso haver um órgão regulamentador. O Brasil começou a pisar na bola em matéria de imprensa ao criar um organismo supraempresarial que estabeleceu uma disparidade sócio-político-cultural, a ANJ (Associação Nacional de Jornais). A idéia é legítima, que as empresas tivessem uma entidade onde se encontrassem e discutissem seus problemas. Mas a entidade não poderia fazer lobby, atuando fora de seus veículos, teria que permitir o direito de discordância. A imprensa brasileira não se discute. Não precisa xingar a mãe como se fazia antes, mas tem que haver discordância entre os jornais. É isso que faz com que os aloprados digam que é preciso criar um polo contrário, acaba funcionando como pretexto. Se existe esse polo (a ANJ), eles decidem criar outro polo. A ANJ atua de forma deletéria, tem posições que anulam as posições dos jornais.

MATÉRIA COMPLETA: blog AmigosdoPresidenteLula

William disse...

Meu caro blogueiro, ética não é seu forte mesmo. Que bom que a Globo mandou-o embora, junto com seus amigos. Motivos vemos que há,e há muito tempo. Você e os seus sempre criticam os jornalistas da Globo por fazerem o que o patrão manda. Penso se não é o mesmo na Record. Recente reportagem de Heloísa Vilela sobre o MMA deixa claro o uso que a emissora faz do seu jornalismo na sua guerra comercial com a Globo. Record tentou comprar os direitos do MMA ano passado e perdeu para a Globo. Agora, lança aquela reportagem lacrimosa, como um bebê chorão. Fico aqui pensando se seu patrão fica satisfeito com um post como este. No momento sim, pois vc é um instrumento (pau mandado?) na luta da emissora contra a Globo, mas fico aqui imaginando a preocupação dele quanto a sua saída da emissora: Sera que Marco Aurelio Mello, quando sair da Record, começará a revelar meu podres. Se foi anti-ético com a Globo, por que não seria com a REcord. Cuidado, suas portas estão se fechando, faça o que patrão da Record manda pois saindo de lá,sei não...

Cristiana Castro disse...

Willian, imagino que o compromisso de um jornalista deva ser com o seu leitor e não com o seu patrão. Ética é mesmo uma questão complexa, né? O que para uns soa anti-ético para outros é demonstração de caráter.

 
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