31 dezembro 2011

No ano passado...


Mario Quintana

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

30 dezembro 2011

Contagem Regressiva...

...para 2012. Mais um ano que passou. Na foto está parte da equipe do plantão.
Sucesso e felicidades a todos!

Clique na imagem para ampliam. Para deixá-la ainda maior aperte crl e +

Nosso quase presidente...

...não fez pronunciamento em rede de rádio e TV, mas deixou sua singela mensagem hoje, no tweeter.


Aproveito o ensejo para desejar o incansável Stanley Burburinho os votos de Feliz Ano Novo

Tucano ataca Petista na Colômbia

Petista, o governador da Bahia, Jacques Wagner, não fica livre dos tucanos nem nas férias de fim de ano.
Enquanto bebericava seu champanhe com a família nas confortáveis instalações do Hotel Sofitel Santa Clara, em Cartagena, na Colômbia, Jaques Wagner foi surpreendido por um tucano de verdade.
Abusada, a ave tentou se apoderar das borbulhas do governador, guardando posição no balde de gelo que resfriava a garrafa.
A cena foi presenciada (e fotografada!) por um leitor da coluna.
Um garçom foi chamado às pressas para tirar o bicudo intrometido do balde, e a garrafa foi recuperada.
Jaques Wagner passará o Ano-Novo na cidade.

Como é que o editor deixou passar isso?

Uma boa reportagem gera subprodutos que às vezes ficam pairando em torno das pautas do dia a dia e podem ser desdobrados a qualquer momento. É o caso da matéria “O dono de Angola”, de Chico Otávio e Aloy Jupiara. Mereceu duas páginas do Globo num domingo (18/12) e outra no dia seguinte. Traça o sucesso empresarial de Valdomiro Minoru Dondo, hoje um dos dez mais importantes empresários de Angola, onde tem como sócios altas autoridades.
Eis algumas – entre muitas – informações sugestivas, seguidas ou não de comentários.
1. “Minoru é também o terceiro maior acionista do BNI, banco que tem na composição societária novamente o ex-ministro José Pedro de Morais, o ex-chefe de Estado-Maior e general do Exército João de Matos e o presidente da Assembleia Nacional, Paulo Kassoma, representado pela filha, Kanda. Há oito anos, José Pedro de Morais e o ex-governador do Banco Nacional (o Banco Central daquele país) Amadeu de Jesus Castelhano Maurício (demitido em 2009) foram favorecidos com 21 remessas do Trade Link Bank (uma offshore nas Ilhas Cayman), procedentes do Brasil, no valor total de US$ 2,7 milhões. Pelos extratos bancários obtidos com a quebra do sigilo bancário da Trade Link nos Estados Unidos, durante as investigações sobre o valerioduto, a offshore fez 20 remessas no valor aproximado de US$ 2,6 milhões para contas de Morais entre 2003 e 2005. As remessas variaram de US$ 76 mil a US$ 360 mil”.
Uma investigação (valerioduto) pode tangenciar outra (Minoru e ministros angolanos).
2. Um retrato de “uma nova elite econômica da África. Gente como os Dondo, que souberam fazer fortuna ao sabor do milagre angolano alavancado pelo petróleo (salto de 0,1% do PIB nos anos 1990 para uma previsão de 10,5% em 2012)”.
Os poderosos da África descolonizada; a “maldição do petróleo”; quem mais no Brasil tem negócios em Angola?
3. “Ao descrever o que faz, Minoru Dondo disse [...] que promove anualmente o ‘Dia da Amizade’, espécie de ‘Brazilian Day’, em parceria com a Rede Globo”.
Repórteres não precisam ser mais realistas do que o rei, podem mencionar parcerias do próprio grupo onde trabalham com alvo de denúncias.

Mensagem aos meu opositores



Viajo de carro de Vinhedo para São Paulo todos os dias há onze anos. Ida e volta são cerca de 150 km. Sem música ou notícias essas duas horas funcionam como uma espécie de meditação. E foi cruzando ideias e experiências que extraí esse "papo cabeça" da caixola. Não há novidade nenhuma no que vou dizer, talvez apenas a forma, o que pode ajudar a comunhão com pessoas que encaram o mundo da mesma maneira. 


Esquerda e Direita, progressistas e conservadores, bons e maus... uns não existem sem os outros. O aparente equilíbrio está na relação inconciliável entre os antagônicos. Às vezes nos esquecemos disso e, ao nos esquecermos, deixamos de notar o quanto nossos opostos complementares são importantes para nossa afirmação como indivíduos. E o quanto condicionam nossa busca pela eternidade. 


Na teoria do Eterno Retorno de Nietzsche, por exemplo, este permanente conflito é o que define o infinito. Em algum momento tudo se repetirá, ora de um lado da força, ora de outro. A terceira lei de Newton explica bem este princípio em que toda força implica numa força contrária de mesma intensidade. É o principio da interação.


Ora, se interagimos com nossos opostos complementares, estamos condenados ao conflito eterno. A mitologia também contempla essa dualidade e encontra no mito de Sífifo, tão bem revisitado por Camus, uma resposta para relativizar nossas derrotas e vitórias. A condenação de Sísifo, de ter de rolar uma enorme pedra de mármore montanha acima, até que uma força incontrolável a arrastasse de volta ao ponto de partida, nada mais era do que uma ilustração acabada do nosso aprisionamento.


Tudo para concluir que, por mais que nossos esforços pareçam inúteis, por mais que nossos inimigos pareçam invencíveis, por mais que a vida para muitos se encerre na morte, desafiar diariamente nossos opostos complementares é o que dá sentido à existência e nos faz experimentar a dimensão da eternidade. Por isso, quero agradecer a todos, principalmente aos meus adversários (sobretudo os ideológicos). 

29 dezembro 2011

Nasce um Novo Fenômeno




Michel Teló (Medianeira, 21 de janeiro de 1981) é um cantor e compositor brasileiro. Fez parte de dois grupos musicais mas foi no Grupo Tradição que sua carreira como vocalista decolou.

Os maiores sucessos do grupo, como "Barquinho", "O Caldeirão", "Pra Sempre Minha Vida", "A Brasileira" e "Eu Quero Você", são de sua autoria.

Além de cantor e compositor é dançarino e instrumentista de sanfona e gaita.

O amigo secreto da Folha

Já está virando regra. É só o fim de ano se aproximar que o senador mineiro Aécio Neves repete o mantra de que é necessário “refundar o PSDB”.
A primeira vez foi em 2010, logo após a eleição da presidente Dilma Rousseff. Ansioso para herdar a posição de José Serra no partido, Aécio disse que o PSDB deveria refazer e atualizar seu programa para “recuperar sua identidade”.
Como isso não ocorreu e, aparentemente, não surgiu outra ideia para tirar a sigla da letargia pós-FHC, Aécio voltou à carga às vésperas deste Natal, acrescentando apenas que o PSDB precisa “andar de cabeça erguida, discutindo as grandes questões nacionais e propondo uma nova agenda para o Brasil”.
Blá-blá-blá à parte, Aécio encerra 2011 sem ter conseguido se firmar como a principal referência da oposição no país. Teve dificuldades para se movimentar em um Senado dominado amplamente pelos aliados do governo, não apresentou nenhuma proposta de repercussão, tampouco soube se desemaranhar da briguinha partidária com Serra.

Daria uma perna para trabalhar na Globo


por Bemvindo Sequeira

Dia desses um colega veterano, que eu muito respeito, e que o público consagra por seu  comprovado talento, afirmou em entrevista o seguinte: “Tem muito ator que fala mal da Globo mas dá uma perna pra entrar” .

Eu, com  meu humor, pensei logo no ator perneta sendo aproveitado para o papel de Saci.

Mas a  chamada do provedor que o entrevistou oportuniza suas palavras para afirmar que ele “ironiza quem critica a Globo”. Enfim, transformou uma declaração parcial em generalizada.

Claro que o provedor faz parte do PIG, sigla popularizada  por Paulo Henrique Amorim  e que significa Partido da Imprensa Golpista.

Uma das características do PIG foi atacar o governo de Lula e agora de Dilma; os Partidos populares; a Rede Record; os blogueiros – chamados de “sujos” - , e tudo e todos mais que não rezarem pela cartilha destes que há décadas vinham tratando o Brasil como o quintal de casa.

Não desmereço a declaração do colega. Conheço este tipo de “quem desdenha quer comprar”.

28 dezembro 2011

Pobre Serra, agora também em Cordel


PRIVATARIA TUCANA
por Silvio Prado in As árvores...


"Caiu a casa tucana

Do jeito que deveria
E agora nem resta pó
Pois tudo na luz do dia
Está tão claro e exposto
E o que ninguém sabia
Surge revelado em livro
Sobre a tal privataria.


"Amauri Ribeiro Junior

Um jornalista mineiro
Em mais de 300 páginas
Apresenta ao mundo inteiro
A nobre arte tucana
De assaltar o brasileiro
Pondo o Brasil à venda
Ao capital estrangeiro.



"Expondo a crua verdade

Do Brasil privatizado
O livro do jornalista
Não deixa ninguém de lado
Acusa Fernando Henrique
Gregório Marin Preciado
Serra e suas mutretas
E o assalto ao Banestado.



"Revelando em detalhes

Uma quadrilha em ação
O relato jornalístico
Destrói logo a ficção
De que político tucano
É homem de correção
Mostrando que entre eles
O que não falta é ladrão.

Para quem acha que as crianças não sabem de nada

Sugestão da Eneida Cardoso, da TV dos Trabalhadores. A Fundação Floodgate foi criada em 2009 em El Salvador com uma proposta simples: cavar um poço de água para abastecer comunidades carentes.



A Maldição do Plantão


Nosso plantão de Ano Novo aqui na TV Record começa sob a dor da perda. Uma colega morreu, a Dayanne Albuquerque (na foto acima), outra está desaparecida, a Rivka Lopes (na foto abaixo). Outra colega sofreu ferimentos graves no pé e foi submetida a cirurgia, a Brunna, e mais uma teve ferimentos leves, a Juliana, depois de um acidente com o ônibus em que viajavam para Florianópolis, esta madrugada.



As primeiras informações da Polícia Rodoviária dizem que o ônibus da Viação Catarinense, com quarenta e três pessoas a bordo tombou às quatro e quinze da manhã, no quilômetro 549 da rodovia Régis Bittencourt, em Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, 20 quilômetros antes da divisa com o Paraná. Ainda não há confirmação do número de mortos, nem de feridos.

As meninas trabalhavam na redação, num departamento chamado de mesa rede. Elas faziam a intermediação com as praças (interior e capitais) e davam apoio aos editores dos telejornais. Ligavam, pediam previsões, apuravam notícias, acompanham a produção das reportagens e cobravam o cumprimento de prazos de geração. Estavam de folga e passariam o Reveillon em Floripa.

Dá para imaginar como está o clima na redação?

27 dezembro 2011

Serra: O sonho acabou!

Versão brasileira, Herbert Richards, hehehe.

Com a produção do Capitão Óbvio e a distribuição do sr. Cloaca, está no ar o vídeo que mostra a reação dos personagens envolvidos na trama dA Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.

Não percam!

A Privataria Tucana - O Filme from Cloaca News on Vimeo.

26 dezembro 2011

Verônica Serra Falta com a Verdade

...com a colaboração do incansável Stanley Burburinho. Basta clicar na imagem para ampliar. Foram obtidas no site da Justiça Federal. Qualquer um pode consultar sob o número: 0000370-36.2003.4.03.6181.


Aqui tem a nota que ela fez circular hoje por intermédio de um porta-voz "informal", Eduardo Graeff.
Na nota ela diz: "Nunca fui ré em processo nem indiciada pela Polícia Federal; fui, isto sim, vítima dos crimes de pessoas hoje indiciadas." Para saber qual foi o papel de Graeff na campanha do papai de Verônica em 2010, basta dar um google!


Em tempo. Alertado pela Maria Frô sou obrigado a dividir o crédito do Stanley com outro "blogonauta", o Fernando Marés de Souza do blog Roteiro de Cinema News. Só tenho a agradecer o privilégio de frequentar essas ondas. Obrigado, senhores!

Como Dilma enterrou Ali Kamel em 2011



Através do Tijolaço, o ansioso blogueiro assistiu à excelente exposição de fim de ano da Presidenta Dilma Rousseff, que também pode ser vista no Blog do Planalto.
Apesar dos pesares, e da crise que a Globo dissemina 24h por dia, foi um ano brilhante.
Que calou a boca da Oposição.
Porém, através do PiG (*), a Oposição conseguiu engessar a agenda política do pais.
No país onde se realizou a maior roubalheira numa privatização latino americana – agora revelada, em parte, pelo “Privataria Tucana”-, o PiG estabeleceu que a questão é a corrupção, o “malfeito”.
(A outra parte será conhecida na CPI da Privataria.)
E o Álvaro Dias, o Farol de Alexandria e o Padim Pade Cerra empunham a bandeira da Moral e da Ética.
Como diz o motorista de taxi, “esse país não tem jeito”…
Como assim, “não tem jeito”?, pergunto.
A roubalheira, diz ele.
Quem rouba ?, pergunta o ansioso blogueiro, ao passar por uma rua arborizada da Cidade de São Paulo, no bairro de Higienópolis.
Os políticos, diz ele.
Os políticos, indistintamente.
Ou seja, o Ali Kamel ganhou.
Conseguiu equiparar o Lupi ao Ricardo Sergio de Oliveira, ao Preciado, ao Rioli.
Acompanhe, agora, amigo navegante, o que a Presidenta mostrou no pronunciamento de fim de ano.
E ninguém soube.
Começa que ela usou a palavra “emprego” sete vezes, em dez minutos.
Como se sabe, os oito anos de Governol Cerra/Fernando Henrique se notabilizaram pelo desemprego.
Quem tinha emprego garantido eram banqueiros de investimento, “brilhantes“ gestores de fundos na Privataria.

25 dezembro 2011

Os Corsários do Patrimônio Público


Meu exemplar chegou na noite de Natal. Por já conhecer muito do conteúdo, parte por trabalhar como editor de economia e política nos anos das privatizações, parte por acompanhar profissionalmente casos diversos de corrupção e desdobramentos de ações da Polícia Federal, a partir de São Paulo, achei que não encontraria nada de muito escandaloso no relato de Amaury.

Afinal, como meu colega na Record, mais de uma vez falamos sobre o tema e muito do que ele comprova agora com documentos já frequentou as páginas dos jornais e revistas do país, sempre de maneira fragmentada e, muitas vezes difusa, uma vez que o formato dos veículos e sua periodicidade nem sempre permitem ao repórter dar a abrangência necessária.

Mas fui capturado, logo nas primeiras páginas e, depois de uma breve interrupção ontem à noite, para a ceia e os cumprimentos, retomei a leitura hoje e, de um fôlego só, li de cabo a rabo suas 340 páginas sem me ater tanto ao papelório, já que nunca duvidei da capacidade de Amaury comprovar o que diz.

Surpreendo-me com os poucos jornalistas da grande imprensa que ousaram a tratar do tema, argumentando ser um "cozidão", ou ainda de se tratar de leitura indigesta, porque incompreensível a engenharia financeira dos crimes de lavagem de dinheiro. Do meu lado posso afirmar que tanto um quanto outro argumento são obra de despeito, quiçá de interesses contrariados. A leitura é fácil, o cruzamento de informações redundante o bastante para não nos fazer perder a linha de raciocínio e o texto em alguns momentos é delicioso.

Como, por exemplo, no capítulo em que descreve a foto do semblante de Serra empunhando o martelo segundos antes de desfechar o golpe contra o patrimônio público da Light do Rio, em maio de 1996. "Um sorriso (...) derramado para dentro". Outro ótimo e inédito relato é o da saga das Verônicas. Mas, a cereja vem mesmo no final, quando ficamos sabendo que o fogo amigo dos petistas de São Paulo quase sepultou a candidatura Dilma, em 2010.

Triste Memória


Na página 245 do livro A Privataria Tucana, do colega Araury Ribeiro Jr., o jornalista relata o episódio dos arapongas da Anvisa. O escritório funcionou em Brasília, sob o comando do ex-deputado Federal Marcelo Itagiba, quando José Serra era ministro da Saúde, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Conta Amaury que Serra só decidiu desativar o serviço de espionagem, depois que a imprensa denunciou que servidores do ministério estavam tendo a vida íntima devassada. Mas, não foi só. Desafetos também eram alvo de seus agentes. Um deles, capaz de rivalizar com Serra a indicação de FHC à vaga de candidato à presidência em 2002, Paulo Renato de Souza.

O então prestigiado ministro da Educação foi alvo de uma devassa sem precedentes que, ou a família não teve conhecimento, ou relevou, ou não quis acreditar. Morto no ano passado, depois de enfarte fulminante, Paulo Renato ainda teve que - apenas de corpo presente, ainda bem! - tolerar com enorme desgosto, creio, que Serra consolasse sua família no velório.

Saci, Noel e a força de um mito

O que Papai Noel e o Saci Pererê têm em comum? Toda criança sabe: o gorro vermelho. De resto, um é grande, gordo e branco, enquanto o outro é pequeno, magro e negro. Mas há outra coisa que os une: ambos tem um passado curioso.

Por não existir referência à data do nascimento de Jesus, a Igreja a escolheu na mesma época das Saturnálias, festas populares do Império Romano. Estas, por sua vez, remontam às festas ao deus sumério Marduk, há 4 mil anos! Mas Papai Noel ainda não era uma figura, com o perdão do trocadilho, presente. Sua história começa no século III, com são Nicolau, homem generoso nascido na Turquia. Contam que salvou 3 mocinhas da prostituição ao lhes presentear com dotes para o casório. Papai Noel ainda recebeu influência nórdica, que o retrata como um gnomo de gorro vermelho presenteado pelos fazendeiros para que, satisfeito, trouxesse sorte. Da mistura de santo e gnomo, Noel chegou aos Estados Unidos pela mão dos holandeses. Um de seus descendentes, o poeta Livingstone, foi quem formulou o imaginário definitivo sobre Noel, ao publicar um poema em 1823. Mas foi só em 1931 que o publicitário Sundblom fixou a imagem atual de Noel, em anúncio para a Coca-Cola.
Se o Papai Noel é fruto da confluência de várias tradições, o Saci Pererê não deixa por menos. Nasceu ambientalista, pelas mãos dos índios guaranis e é parente do Yasi Yateré, que habita as florestas do imaginário argentino e paraguaio. A palavra pererê tem a mesma origem de perereca: pererek, em guarani, significa pular. Ser traquina era seu jeito de proteger a floresta daqueles que pretendiam usá-la de modo degradante. Os negros africanizaram o Saci, que ganhou um pito e perdeu uma perna na capoeira. Dizem também que as escravas, ao cuidar dos sinhozinhos, gostavam de contar sobre a valentia do menino negro que não se deixava mandar, tendo reforçado sua imagem rebelde. Dos portugueses, ganhou o gorro vermelho, influência dos romanos, que o davam aos escravos libertos. Finalmente, Monteiro Lobato foi quem fixou a imagem atual do sapeca.

24 dezembro 2011

O nascimento de João Ninguém

Vistos, relatados, etc…
Cuida-se de pleito formulado em favor de João Getúlio, cuja origem incerta encontra-se narrada da inicial pela pena ilustre do padre Geraldo Francisco Leocádio, inicial ratificada, posteriormente, pelo causídico Vicente César Santana.
Ao que consta, segundo informações de José Alves Ladeira e sua mulher, Conceição Ladeira, ambos acima dos setenta anos de idade, seria o requerente filho de Antônio Getúlio e de Maria das Neves, ambos falecidos na zona rural de Ervália. Os pais residiam na propriedade de Godofredo Alves Ladeira que, piedoso, acolheu o órfão, então com oito anos de idade. O menino sempre ficou aos cuidados da família Ladeira, tendo ido morar com D. Chiquinha, irmã de Godofredo; depois, foi acolhido por José Alves Ladeira que, casado com Conceição Ladeira, o levou para Palmital, zona rural de Coimbra.
O rebento, todavia, revelava amentalidade desde os verdes anos; ora agressivo, ora passivo. Nas crises de ausência, desaparecia da casa de seus benfeitores, para retornar dias ou meses depois. João de Lima, produtor rural de Ervália, conta que também acolheu João Getúlio, narrando ter ele, em certa ocasião, sido acometido de mal súbito; dado como morto, foi entregue a velório e, no meio das exéquias, despertou e assustou a todos os presentes.
Foi acolhido, finalmente, pela paróquia de Fátima, em Viçosa, onde faz uso das instalações e se alimenta, eventualmente. Nas ruas, dado seu estado andrajoso, recebe algumas moedas e corre a depositá-las aos pés da santa, no adro da igreja.
A pretensão, portanto, é no sentido de se conceder o registro civil, garantindo-se-lhe assistência judiciária.
Ratificada a inicial, foram ouvidas três testemunhas e colhido o depoimento do padre Geraldo Francisco Leocádio.
Parecer ministerial pela improcedência.
É o relatório.
Decido.

23 dezembro 2011

Eles ainda não entenderam nada!

por Marcelo Albagli


Ao que tudo indica, 2012 será muito interessante pelo desenrolar da 'CPI da Privataria', cujo requerimento de criação foi protocolizado na 4a. feira por Protógenes Queiróz (PC do B/SP) na Câmara dos Deputados. Apesar do silêncio da chamada 'Grande Mídia', o livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que estimulou o evento, já é campeão absoluto de vendas.

Se há 10 anos a indústria fonográfica foi virada de ponta a cabeça por causa da internet, se Hollywood investiu milhões em lobby para proteger-se contra as cópias digitais, e se ainda nos últimos anos os EUA viram uma quantidade enorme de jornais fecharem suas portas, o episódio de 'A Privataria Tucana' adquire um tom que vai além dos interesses de diferentes grupos políticos.



Enquanto se leva a (mais do que pertinente) discussão sobre a seletividade dos grandes veículos quanto ao escândalo, o episódio da Privataria evidencia também a disputa entre Velha e Nova mídias. Não bastou a TIME do ano passado trazer Zuckerberg como Personalidade do Ano (o Le Monde trouxe Assange), ou que em 2011 a mesma revista mostrasse a foto de um "Protester" - aquele que se organizou por SMS e virou hashtag no Twitter - tralha ocuppywallstreet. A maior parte da Grande Mídia brasileira ainda não aprendeu com o exemplo do NYT (clique http://www.pageonemovie.com).

Caro Dr. ...


Assim começava o recado escrito sobre o receituário, que deixei na mesa do consultório, junto do prontuário médico. O sr. não tem o direito de deixar um paciente esperando uma hora por uma consulta com hora marcada. Até logo, Marco.

Procurei tratamento em agosto e, depois de exames, submeti-me ao medicamento que, esperava-se, pudesse aliviar as dores e a consequente insônia, que me acomete de tempos em tempos.

Mas o médico atende em consultório somente à tarde e, como é durante meu horário de trabalho, preferi postergar o retorno para o período de férias, em dezembro.

Marquei consulta com dez dias de antecedência e, no último dia 20, recebi uma ligação da atendente confirmando o horário para o dia seguinte.

Motivado por minha mulher,  que encontra saídas sempre geniais para não submeter sua vontade à dos outros, liguei meia hora antes para saber se o doutor estava no horário. A recepcionista informou que sim, mas me orientou a ligar 10 minutos antes de sair de casa, já que morava perto.

Dez minutos antes da consulta, minha mulher ligou novamente e recebeu a informação que sim, eu podia ir. Só havia um paciente na minha frente e outros três, que seriam atendidos depois de mim já aguardavam na espera. Cheguei ao consultório rigorosamente no horário marcado.

Estava ansioso para ser atendido, já que amigos que vieram de longe me esperavam em casa, para um encontro raro. O tempo começou a passar, pessoas iam entrando e saindo e nada de me chamarem.

Foi quando perguntei se não seria atendido, uma vez que fui informado de que seria o próximo, assim que cheguei. Fui alvo de espanto, como se não fosse um direito meu interpelar as meninas da recepção.

22 dezembro 2011

Garanto, apenas duas horas e seu Natal não será mais o mesmo!

Arrebatador!

A Dama de Honra 10 (versão remasterizada)




Ela estava 30 anos mais velha, depois que Su fez a maquiagem de efeito especial e colocou a peruca grisalha. Também ganhou um nariz pontudo e um óculos cênico, o que alterou completamente sua fisionomia. Ficou irreconhecível. 
- A vantagem dessa maquiagem, disse Su, é que depois que seca vira uma máscara de silicone. Se tiver cuidado na hora de retirar, pode usá-la de novo no dia seguinte.
- Isso é genial, Su!
- Teconologia de Hollywood, lindinha.
- Sen-sa-ci-o-nal!
O plano era encontrá-lo vestida de freira. Ela pegaria um helicóptero na Lagoa e trocaria de aeronave em Angra. Tudo para não deixar rastros. 



O destino: uma ilha deserta no Oceano Atlântico. Assim que chegasse, uma lancha deixaria o pier levando todos os funcionários, inclusive garçons e seguranças. Os dois ficariam reclusos até que o helicóptero voltasse quatro horas depois. Tudo muito diferente e excitante, pensou. Assim que desembarcou na pequena ilha, o helicóptero partiu, como previsto. O coração acelerou. Medo e desejo, um ao lado do outro. Na praia havia uma tenda e para lá ela se dirigiu. Flores, um cartão e um robe branco. Fique à vontade, dizia o manuscrito. Chego em meia hora. Ela tirou cuidadosamente a máscara e a roupa. Numa pequena mesa um balde, duas flutes de cristal e seu champagne preferido.


Bebeu com gosto quase meia garrafa, enquanto esperava.

21 dezembro 2011

A Dama de Honra 9 (versão remasterizada)



- Su, como posso te agradecer?
- Oras, eu não fiz nada.
- Como não, você fez muito. Uma mulher em crise, se achando velha e feia, trocada por uma menina...
- Ora, ora, deixe de bobagem. Você é linda, maravilhosa, faz sucesso, tem filhos perfeitos, tem um marido que pode ter dado uma escorregada, mas gosta muito de você...
- Não sei como vamos superar isso, Su. Nosso relacionamento anda difícil. Essa viagem que ele fez, por exemplo, me falou que precisava dar um tempo. Acho que as crianças já perceberam tudo. Não sei não se logo logo uma dessas revistas de fofocas não vai fazer alarde. Quer saber, acho que ele se apaixonou por ela. 
- Duvido. Ele não é do tipo que se apaixonaria por essas menininhas. E, se me permite, o maior amor da vida dele é você, depois dele, é claro! E o surfista?
- Ah, Su, ele é um meninão. Uma graça, meigo, carinhoso, bonito, mas foi só uma fantasia, uma coisa fugaz. Ando achando que tenho que arejar a cabeça, sabe... Mas é difícil. Ser celebridade nessas horas atrapalha muito. Queria, sei lá, conhecer pessoas fora desse circuito, nem que fosse apenas para conversar, entende?
- Sei bem o que você está dizendo. Abra este envelope e veja esta foto?
- Hummm, quem é?
- Não sei direito. Ele me pediu para, caso tivesse uma oportunidade, entregar a você. Disse que se conhecem.

20 dezembro 2011

A Dama de Honra 8 (versão remasterizada)



Ela seguiu de taxi para o aeroporto Santos Dumond e foi direto ao balcão de uma locadora de veículos.
- Oi, quero alugar uma minivan com vidros escurecidos. Sabe como é, as pessoas...
- Claro, temos esses dois modelos que são os mais usados pelas celebridades. Posso te indicar motorista, segurança...
- Não preciso. Quero eu mesma dirigir. Prefiro esta. É motor um ponto oito?
- Não, dois ponto zero. Automática, com ar condicionado eletrônico.
- Ótimo!
- Posso devolver na loja de Copacabana?
- Pode, mas cobramos uma taxa extra de devolução, neste caso.
- Não tem problema.
- Conheço um pessoal que faz escolta...
- Não, nada disso. Quanto menos chamar a atenção melhor. Vou te explicar. Vou participar de um evento filantrópico aqui no Aterro e quero chegar com bastante discrição, entende?
- Sim, claro. É só me dar sua habilitação e assinar aqui. É no cartão?
- Não, em dinheiro.
- Uma diária apenas?
- Isso! Está certo?
- Certinho.
- A senhora pega o carro na área vip do estacionamento, ok?
- Ok, obrigada.

19 dezembro 2011

A Dama de Honra 7 (versão remasterizada)

- Alô.
- Filha?
- Sim papai, pode falar.
- Lembra daquele apartamento no Rio que tinha te falado?
- Lembro.
- Liga para a imobiliária, peça o contrato e prepare tudo. Vou comprar.
- E o que o senhor vai fazer com ele?
- Por enquanto nada. Mas tenho planos de usá-lo mais para frente.
- Ok. E quanto a casa do Guarujá?
- Gostei da praia privê, do condomínio, da marina, mas o imóvel tá um horror. Precisa arrumar alguém para pintar e dar uma boa decorada nele.
- Pode deixar que providencio tudo, pai. E o senhor tá pensando em usar a casa lá para as suas festinhas?
- Sim meu bem. Sempre. Já trabalhei muito nessa vida. Agora eu quero é festar! Te vejo no fim de semana. Um beijo.
- Outro.

18 dezembro 2011

A Dama de Honra 6 (versão remasterizada)



- Oi.
- Você por aqui? Sozinha e sem segurança, que milagre é esse?
- É, resolvi dar uma volta...
- Daqui a pouco aparece um desses fotógrafos chatos para te incomodar, quer apostar?
- Por isso vou ser breve. Você já tomou absinto?
- Não, nunca.
- Tem vontade de tomar?
- Só se for com você.
- Pois então eu estou te convidando.
- Eu não estou acreditando... Me belisca!
- Deixa de ser bobo, cara!
- Quando?
- Eu te aviso. Você fuma?
- Cigarro?
- Não, maconha.
- Não com frequência, mas posso arranjar, se você quiser.
- Então consiga.
- Posso levar câmera fotográfica?
- Como assim?
- É para mostrar para minha mãe depois. Ela é sua fã e não vai acreditar.
- Ora, deixe de bobagens...
- Brincadeirinha. Cadê o seu senso de humor, heim?
- Acho que é isso o que estou procurando.
- Pois acabou de encontrar.
- Te aviso.
- Ok.

 
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