30 novembro 2011

Fátima Bernardes quer ver os filhos crescer

A possível saída de Fátima Bernardes da bancada daquele que já foi o telejornal mais influente do país, mas que hoje não elege um síndico de prédio, treze anos depois de assumir o posto, tem como causas, não só o cansaço da função. 

O DoLaDoDeLá apurou que ela está farta de, todo santo dia, chegar à emissora por volta de meio-dia, participar de entediantes reuniões ao lado do marido, que se considera Deus encarnado na terra, fazer cabelo e maquiagem, apresentar aquela chatura do Globo Notícia, que dá um trabalho danado, para um resultado pífio e chegar em casa depois das nove da noite, quando os trigêmeos Vinícius, Beatriz e Laura, perto de completarem 15 anos, estão exaustos, prontos para dormir.

Fátima sabe que deixar o posto no auge do estrelato, tendo passado quase metade da vida no Jardim Botânico, tem um quê de glamour. Renunciar à majestade por causas mais nobres, como cuidar dos filhos, que vão precisar muito da mãe agora na adolescência, ou mesmo participar de projetos sociais, como ler livros para crianças carentes, como fez na semana passada, por exemplo, na Fundação Biblioteca Nacional, durante a terceira semana do projeto "Lê pra Mim?" é muito mais edificante.

Depois tem outra,...


29 novembro 2011

O Menino que só queria brincar

Diziam que ele era esperto, que ele era inquieto, que ele era esbelto.
Os avós, os pais, os tios, o irmão, os primos, os amigos e os vizinhos.
Na escolinha virou espoleta, acrobata, palhaço, pirata...
Mas a professora, a coordenadora, a orientadora, com ele ninguém mais queria ficar.

Deram presente.
Deram comida.
Deram castigo.
E nada, nada do menino melhorar.

Levaram na igreja.
Levaram no templo.
Levaram no centro.
Tudo para tentar explicar.

Falaram em ritalina.
Falaram em concerta.
Falaram até em diazepam
Mas para uma criança feliz e saudável era dificil acreditar.

Foi quando tiveram uma idéia.
Que tal procurar o sábio que vive na montanha?
Quem sabe ele pode ajudar...

O homem velho olhou para os pais, olhou para o menino e olhou para cima.
Foi taxativo: - O remédio a essa criança era brincar.
Se não tivesse amiguinho por perto, bastavam preciosos minutos do seu tempo.
- Aposto que ele vai melhorar!

Não deu outra.
A dedicação exclusiva, mesmo que pouca, fez tudo mudar.
Ele passou a ter gosto em aprender.
E está crescendo preparado para vencer.

27 novembro 2011

O Negro na Casa de Massas


Encontrar a avó de oitenta e tantos anos é fato raro. A vida leva a gente para longe e quando voltamos para perto é como se algo entre nós estivesse ficado lá atrás. Estava feliz que a veria viva mais uma vez. Também almoçaria com minha mãe, tios, primos...

Passei para comprar a massa, um tagliarini fresco feito por descendentes dos colonizadores de Vinhedo, minha cidade. O local é mínimo: porta, janela, duas geladeiras horizontais, um balcão refrigerado, um armário e uma máquina registradora. Anexo, um pequeno quarto sem janela serve de depósito.

Quando entrei, notei algo estranho. Uma senhora de uns sessenta e poucos anos inquieta terminava de fazer seu pedido. Do outro lado do balcão, o dono, meio atrapalhado e, aguardando ao lado, um rapaz negro, de vinte e poucos anos, cabelo rasta curto, camiseta, bermuda e chinelão.

Observei que a senhora branca ao meu lado parecia incomodada com a presença daquele rapaz e vice-versa. Também vi que o dono do estabelecimento sentia-se pouco à vontade diante daquela situação. Olhei para baixo e, coincidentemente, vestia camiseta, bermuda e chinelão.

26 novembro 2011

Com quem Moshiri acha que está falando?

Acabo de ler as declarações do Sr. Ali Moshiri à agência Reuters.
Ele acena com novos investimentos da Chevron no Brasil, mesmo estando esta empresa, no momento, impedida de perfurar no Brasil até a elucidação das causas do acidente no poço em que perfurava no campo de Frade, ao largo da costa do Rio de Janeiro.
Oferece US$ 3 bilhões de reais de investimentos nos próximos três anos, mas não oferece, neste momento, nem explicações sobre o que houve e nem sequer prosaicas desculpas pelo acontecido.
Continua arrogante e audacioso. E pior, indecoroso, porque acenar com investimentos, neste instante, soa como um “toma dez mil réis” vulgar.
Reclama que estava desde a véspera da proibição baixada pela ANP e a classifica como “precipitada”, mesmo tendo ocorrido 16 dias depois do início do vazamento e após a empresa ter sonegado e distorcido informações.

25 novembro 2011

Gabriel, 4: Querido Papai Noel...

Este ano fui muito legal. Fiz todas as coisas que meus pais pediram. Fui à escola, tomei banho e me alimentei. Também brinquei muito com os meus amiguinhos. É claro que às vezes a gente faz uma ou outra coisa errada, briga, reclama, fica bravo... Mas isso faz parte da vida, não é mesmo?

Por isso, eu acho que mereço ganhar um presente de Natal. Fui com o meu pai a uma loja de "brenquedos" e escolhi alguns que podem servir para te dar uma ideia do que eu gosto. Veja a minha listinha:

1. Bicicleta...

24 novembro 2011

“Dilma Rousseff, pare de mentir! Se gosta de homossexual, assuma!"


Ele tem algum problema sério, não é possível, meu Deus!


da Exame.com


O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) voltou à carga. Em discurso na tribuna da Câmara nesta quinta-feira, além de repetir as tradicionais críticas às políticas pró-homossexuais do governo, deu um passo além: questionou a sexualidade da presidente da República.

Dilma Rousseff, pare de mentir! Se gosta de homossexual, assuma! Se o seu negócio é amor com homossexual, assuma, mas não deixe que essa covardia entre nas escolas do primeiro grau!”, esbravejou, ao apontar aquilo que chama de Kit Gay 2 – uma campanha elaborada sob o pretexto de combater o preconceito contra homossexuais nas escolas.

Cadê a Reportagem?

Está vazando petróleo no mar brasileiro. Quanto? Os números variam: de 200 a 300 barris por dia, conforme a Chevron (cada barril tem perto de 160 litros), a 4 mil barris por dia, segundo a ONG Skytruth, com base em imagens de satélite da NASA. De qualquer forma, é muito: põe em risco a vida marinha na região, ponto de passagem de baleias e outros cetáceos nesta época do ano; e, conforme as condições climáticas, pode derivar para as praias do Rio e atingir até a reserva ecológica de Rio das Ostras. Também pode ir para outros países e poluir por lá.
A Chevron, multinacional que opera o poço, diz que tem 18 navios trabalhando na área. A Polícia Federal sobrevoou a região e encontrou só um.
Perceba: aqui há informações da NASA, da Chevron, de uma ONG americana, da Polícia Federal. Cadê as informações da imprensa brasileira?
A TV mostra jatinhos levando equipes de uma capital para outra, tem helicópteros sobrevoando invasão de favelas, tem helicópteros para mostrar o trânsito na cidade. Até emissoras de rádio trabalham com helicópteros. Mas onde estão as imagens da mancha de petróleo? O consumidor de informação terá de se contentar com fontes da empresa (ligadas, portanto, a um dos lados da questão), da Polícia Federal (que, por mais competente que seja, não tem gente especializada em vazamentos de petróleo), em ativistas ambientais estrangeiros? O curioso é que ninguém entrou no tema – nem mesmo os portais especializados em petróleo.

23 novembro 2011

Chevron em maus lençóis



Nota da Agência Nacional de Petróleo


A Diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), reunida hoje, determinou a suspensão das atividades de perfuração no Campo de Frade até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento de petróleo e restabelecidas as condições de segurança na área. Essa deliberação suspende toda atividade de perfuração da Chevron do Brasil Ltda. no território nacional.


A ANP rejeitou, na mesma decisão, pedido da concessionária para perfurar novo poço no Campo de Frade com o objetivo de atingir o pré-sal. A Diretoria entende que a perfuração de reservatórios no pré-sal implicaria riscos de natureza idêntica aos ocorridos no poço que originou o vazamento, maiores e agravados pela maior profundidade.

Santayana: Brasil à Venda

por Mauro Santayana

Pode ser que, em algum tempo do futuro, a consciência de nação e, no interior dela, o sentimento de pátria, com sua forte emoção, deixem de existir. Consola-nos, aos patriotas de hoje, que não sejamos obrigados a viver esse eventual e terrível tempo. Viver sem pátria, como alguns a isso são obrigados, pelas dificuldades de sobrevivência ou pelo exílio político, é triste e terrível.

Mais triste e terrível é renunciar à pátria por comodismo ou por desprezá-la em suas circunstâncias difíceis. Não se ama a pátria porque ela seja grande e poderosa, mas porque é a nossa pátria – como resumiu Sêneca.

Kotscho: Fogo no Ninho Tucano

Alijado de qualquer cargo importante na direção partidária depois da sua segunda derrota na eleição presidencial, o ex-governador paulista José Serra entrou em rota de colisão com suas principais lideranças, em todos os níveis, e resolveu atear fogo no ninho tucano que discute a sucessão municipal.
Serra não quer ser o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo porque ainda sonha em se candidatar de novo à Presidência da República em 2014. Por isso mesmo, ele acha que o PSDB não tem nenhum nome viável para disputar as eleições, embora o partido tenha lançado ontem quatro pré-candidatos.

22 novembro 2011

Também precisamos de limites

O jornalismo parece ser daquelas práticas humanas que necessitam frequentemente se olhar no espelho para reconhecer suas feições, admitir seus contornos. Com outras profissões, isso não é necessário. Os médicos sabem exatamente quando estão e quando não estão fazendo medicina. Os engenheiros também não padecem das dúvidas sobre a matéria e a natureza de suas atuações. Jornalistas não têm a mesma sorte e, volta e meia, discutem o que é fazer jornalismo e até onde isso vai. Talvez porque essa prática atravesse diversos outros campos, se mescle tanto socialmente que fique difícil discernir seus limites. Buscar se reconhecer é, então, um gesto permanente no jornalismo, o que, por um lado, auxilia o fortalecimento de uma convicção e, por outro, desestabiliza continuamente as certezas.
Críticos de mídia se ocupam de fazer esse debate, bem como pesquisadores da academia e observadores diversos. Mas quando os questionamentos partem das próprias redações, a dúvida emerge preenchida da legitimidade do empirismo, lembrando-nos a todo o momento do exercício prático da função.

Vladimir Safatle para Reinaldo Azevedo: sem resposta

por Vladimir Safatle


"O estilo é o próprio homem." Essa frase do conde de Buffon, enunciada à ocasião de sua entrada na Academia Francesa, merece ser levada a sério.

Ela nos lembra como determinados homens sabem que nada lhes é mais importante do que conservar um certo tom, uma forma que aparece, sobretudo, na palavra escrita. Eles sabem que, se perderem tal forma, trairão o que lhes é mais importante, a saber, um modo de ser.

Isso talvez explique porque eles nunca responderão a situações nas quais a palavra escrita resvala para o pugilato, nas quais ela flerta com as cenas da mais tosca briga de rua com seus palavrões e suas acusações "ad hominen". Seria, simplesmente, ignorar a força seletiva do estilo.

Ele aproxima certas pessoas, mesmo que suas ideias sejam radicalmente antagônicas, assim como afasta definitivamente outras.

Pedrão tem 15 anos

Você cresceu
Que susto!


Você é feliz?
Que medo...


Você sou eu 30 anos antes
Eu sou você 30 anos atrás

Agora é sua vez
O mundo é todo seu

Como já foi inteirinho meu


Tente, arrisque, ouse, experimente
Não tenha medo de errar
Se não der na primeira, tem a segunda
E depois a terceira...


Seja livre e caminhe sempre em frente
Estarei seguindo seus passos à distância

Para o caso de precisar olhar para trás


Meu amor por você é inteiro
Às vezes de pai, de irmão e também de filho, por que não?

21 novembro 2011

A Esperteza da Chevron

por Fernando Brito

Finalmente hoje, os sites dos grandes jornaispublicam o que já tinha acontecido anteontem à noite e não quiseram publicar com todas as letras.
A Reuters publicou: Chevron assume responsabilidade total por vazamento no Brasil.
O presidente da empresa no Brasil, o americano Charles Buck (foto), afirmou que “a companhia subestimou a pressão do reservatório de petróleo que atingiu com o novo poço exploratório em Frade e superestimou a solidez da formação rochosa no fundo do mar”.
Tradução: não fez a cimentação necessária entre o lado externo do tubo e o furo na rocha, que representa tempo e dinheiro.
Achou que a rocha “aguentava a pressão” que poderia vir de baixo  sem ser apoiada e vedada por cimento – tempo e dinheiro – exatamente como fez a BP no poço onde houve acidente do Golfo.
Aliás, pior, porque a BP mandou embora para casa a equipe da empresa Schlumberger, que ia fazer a verificação da pegado da vedação do cimento (CBL – Cement Bond Log ). Não foi a causa do acidente, mas foi um grave risco descoberto nas investigações. A Chevron nem o cimento pôs.
O senhor Buck encontra petróleo, não Jesus. Não teve uma crise de consciência, nem uma epifania.
Está seguindo os ensinamentos de Neném Prancha: “arrecua  os arfe pra evitar a catastre”.
Sabe que a empresa errou criminosamente e criminosamente mentiu durante dez dias para o país que a recebeu.

Estaria a Chevron furando o pré-sal?


A Petrobras, alvo de campanhas diuturnas em órgãos de imprensa dando conta de que "é incompetente", "menos eficiente que as empresas estrangeiras" e cujos funcionários, entre os quais me incluo, são "incapazes e vagabundos" foi quem possibilitou a identificação do problema e as primeiras providências para sua realização.

Mais uma questão evidente é a suspeita de que trabalhadores estrangeiros estavam trabalhando de forma clandestina na operação. É sabido que há falta de pessoal especializado, especialmente geólogos e geofísicos, mas há todo um trâmite exigido para se trazer trabalhadores de fora. A Chevron, suspeita-se, simplesmente ignorou os órgãos regulamentadores brasileiros.

E talvez a mais grave: o método que a empresa optou para conter o óleo derramado: jatear areia, de forma a "afundar" o óleo, sem o retirar do oceano. Está totalmente fora do adequado, mas parece que foi adotado como forma de conter custos.

18 novembro 2011

Dorneles: É mentira!

Uma notícia "bombou" hoje na internet. A de que Carlos Dorneles pediu para deixar a Rede Record. Conheço Dodô de longa data e posso afirmar: isso não aconteceu. Não conheço o Maurício e não sei quais foram suas motivações, mas conheço a Folha de S. Paulo o bastante para dizer que determinadas informações servem mais a outros interesses que não o de informar. Minha pergunta é singela: custava o repórter ouvir "o outro lado"? Abaixo segue a correspondência entre o Dorneles e o Maurício desta tarde. O leitor tira suas próprias conclusões.

Maurício. 

Espero ter a chance de dizer para os seus leitores, com a publicação desta resposta, que você errou feio quando publicou uma nota a meu respeito na sua coluna. 

17 novembro 2011

Gente da casa, porque não somos racistas.


Gilberto cresceu na ilha de Itaparica.
Como a maioria dos baianos, Giba é negro.
Hoje vive de bico em Vinhedo.
Leva cães para passear de manhã, lava carros e cuida de jardins.
Ganha o dobro dos assalariados e faz o próprio horário.
Aqui em casa ele corta a grama para mim, uma vez por mês.
Seu transporte é a bicicleta, onde traz amarrado tudo o que precisa.
 Hoje ele apareceu.
Estava incomodado com pessoas que ele conhece e que vivem cansadas.
"Trabalham dois dias e querem folgar no terceiro. Outros tempos", continuou. "Quando vivia na ilha", diz, "não tinha essa de folga não. A gente não podia nem ir à praia."
Nem aos domingos? Perguntei.
"No domingo é quando os donos estavam", ele disse. "A gente só ia à praia em dia de chuva, hehehe." "É, Giba, o problema é que lá na Bahia o salário é muito ruim, não é mesmo?"
"Salário, 'oche', não tinha salário não. A gente era 'da casa'."
"Como assim?"
"Gente da casa, como se diz, de confiança."
"Tinha casa e comida de graça, é isso?".
"E o dia inteiro de trabalho, sem folga."
"Sem salário?"
"Sem salário. Fim de ano ganhava umas roupinhas e era uma alegria só."
"Você teve estudo?"
"Muito pouco. Todos meus irmãos tiveram."
"E porque você não teve?"
"Porque todos tiveram 'padinho', menos eu."
Gilberto talvez não queira encarar o fato de que tenha sido vítima de trabalho escravo. Ou sabe melhor do que cada um de nós o que é ser Gente da Casa. Aí fico a perguntar quantas gentes das casas ainda existem por aí, em troca de cama e comida, sem lazer e sem salário?
Depois tem gente que tem coragem de dizer que não somos racistas.

O Povo não é Bobo

Desta vez, nem houve divergências sobre o número de manifestantes. Eram tão poucos no feriadão de 15 de novembro que dava para contar as cabeças sem ser nenhum gênio em matemática.
Até os blogueiros mais raivosos que, na véspera, anunciaram "protestos em 37 cidades de todo o país", com horário e local das manifestações, parecem ter abandonado o barco. Não se tocou mais no assunto.
Parece que a sortida fauna que organiza protestos "contra tudo o que está aí" desde o feriadão de 7 de setembro já se cansou.
Os organizadores colocaram a culpa na chuva, mas não conseguem explicar como, no mesmo dia, sob a mesma chuva, 400 mil pessoas foram às compras na rua 25 de Março e 40 mil fiéis se reuniram a céu aberto no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, numa celebração evangélica.

16 novembro 2011

Meros Coadjuvantes

por Maria Inês Nassif 

Em 1994, o piloto Ayrton Senna morreu num trágico acidente, em Ímola. Foi o primeiro contato de meus filhos, então com oito e nove anos, com a morte de uma pessoa pública. Toda a máquina da Globo – e também de outras emissoras, mas a máquina da Globo era, e ainda é, a maior, e a Globo tinha, e ainda tem, a exclusividade de transmissão da Fórmula 1 – foi colocada à disposição daquele triste fato, que chegava com excepcional força aos expectadores por ser um ídolo jovem, bem-sucedido e que jamais ter decepcionado o seu público. Era o personagem do bem.

Meu filho, Tomás, cansou-se logo, apesar de ter ficado autenticamente comovido com a morte de Senna. Minha filha, mais chegada a um drama, mergulhou aos prantos no espetáculo montado em torno daquela fatalidade. Eu, como jornalista, não sabia muito o quê fazer: a máquina de moer emoções havia sido acionada contra a minha própria filha e eu não sabia se desligava a televisão, ou deixava que ela vivesse o que era também a sua primeira experiência com um drama coletivo. Deixei. E fiquei orgulhosa da Isabel quando ela limpou as lágrimas, levantou da cadeira, desligou a televisão e, por fim, disse: “O que eles estão fazendo com ele?” Tradução: o que a televisão fez com o Senna, ao invadir cada detalhe de sua morte, cada pedaço de sua vida, cada ferimento, cada dor de sua família, cada lágrima capturada pela câmera? Engraçado, mas percebi que ela achou que seu ídolo foi aviltado, e que ela foi manipulada. 

Espetáculo e televisão são duas coisas inseparáveis, é fato. A imagem é dúbia: ao mesmo tempo em que documenta, é capaz de envolver, emocionalizar e confundir. A imagem não fala por si só. Com uma voz ao fundo, entrevistas escolhidas, cenários de pavor, palavras de esperança, é capaz de construir uma estória, a partir de dados da realidade, com o enredo de uma novela, ou de um filme. Tirar lágrimas ou convencer o público que, acreditando seriamente estar diante de uma realidade pura, vê-se na desgraça total ou chega à redenção.

15 novembro 2011

Resistir, a velha mensagem


Tradução bem chinfrim do Babylon 9

Hey, yeah, nós, os brothas mesmo de muito tempo atrás 
Nós estávamos falando sobre a televisão e fazendo isso no rádio 
O que fizemos foi para ajudar a nossa geração percebem 
Eles tinham que chegar lá e conseguir causar ocupado não ia ser televisionado 
Temos respeito por você rappers e do jeito que ser livre pesando " 
Mas se você está gon 'ser' coisas pessoal, verifique se você sabe que você está dizendo teachin 
pessoas mais velhas no nosso bairro tem bastante know- como 
Lembre-se, se não fosse por eles, você não estaria aqui agora 
E eu não vou em você, sem desrespeito 
Tudo o que eu estou dizendo é que você muito bem tem que ser correta 
Porque se você está Vai ser speakin "para toda uma geração 
E você sabe o suficiente para tentar lidar com a sua educação 
Tenha certeza que você sabe que o negócio real sobre situações passadas 
Não é apenas repetindo o que você ouviu sobre as estações de TV locais 
... Às vezes, eles dizem mentiras e colocá-los em um disfarce verdadeira 
Mas a verdade é que é por isso que disse que não seria televisionada 
Eles não sabem o que dizer para a nossa gente jovem, mas eles sabem que você faz 
E se eles realmente soubessem a verdade .. . por que eles dizem? 
O primeiro sinal é a paz, dizer a todos eles arma Totin 'brothas jovens 
que o homem tem o prazer de nos ver por aí matando uns aos outros 
Nós levantamos o inferno muito quando eles estavam atirando-nos para baixo 
Então eles começaram envenenamento por nossas mentes tryin 'to jerk todos nós em torno 
E então eles nos dizem que tem que entrar e controlar a nossa situação 
Querem metade de nós na droga ea outra metade em prisão 
Se os mortos não querem é morto por que eles instigado 
Eles colocaram alguma droga no corpo de um brotha e afirmam que foi relacionada com a droga 
Diga-lhes meios relacionados com a droga não precisa ser nenhuma investigação 
Ou pelo menos essa é a maneira como eles são gon 'jogá-lo nas estações de TV locais 
Todos os seus nove milímetros brothas ... dar-lhes somthin 'pensar 
Diga-lhes que você ouviu que esta é a nova palavra, eles começaram a trabalhar esse material fora 
Mas de alguma forma se sentem de maneira errada com uma arma em suas mãos 
Eles se sentem real independente. .. mas eles simplesmente contratos puxa "para o homem 
e cinco Cinco vão dizer que é impossível lá fora, na avenida 
Mas se eles realmente soubessem a verdade ... porque é que eles dizem? 
E se eles olham para você como se você estivesse insano 
E eles começam callin 'você espantalho e dizer que você não tem nenhum cérebro 
Ou começar dizendo "gente que de repente você foi lame 
Ou que os brancos tinham finalmente cooptados seu jogo 
 Ou pior ainda dando a entender que você realmente não sei ... Essa é a mesma coisa que eles disseram sobre nós ... há muito tempo rappers Young, mais uma sugestão, antes de eu sair do seu caminho Mas agradeço o respeito que você me dar eo que você tenho que dizer que estou dizendo proteger sua comunidade e espalhar esse respeito em torno Diga brothas sistas e eles tem calma que besteira baixo Porque nós estamos Aterrorizando as nossas velhos e trouxe o medo em nossas casas e eles não tem para sair com os idosos Basta dizer-lhes, "Dammit ... deixar os velhos sozinhos"E sabemos que rippin 'fora do bairro, dizer-lhes: "Isso BS tem que parar!" Diga-lhes que está arrependido eles podem ' t segurá-lo lá fora, Mas eles tem que tomar o crime fora do bloco E, se eles olham para você como se você estivesse insano E eles começam callin 'você espantalho e dizer que você não tem nenhum cérebro Ou começar dizendo "gente que de repente você ido lame Ou que os brancos tinham finalmente cooptados seu jogoOu pior ainda dizendo que você realmente não sei ... Essa é a mesma coisa que eles disseram sobre mim há muito tempo E se dizem pessoas que você finalmente perdeu seu nervo Essa é a mesma coisa que disseram sobre nós, quando disse, "Johannesburg" Mas eu acho que as pessoas jovens precisam saber que as coisas não saem em ambos os sentidos Você não pode falar sobre o respeito a cada outra canção ou apenas a cada dois dias que Estou speakin "agora é o raps sobre os povos mulheres em uma música ela é sua rainha Africano na próxima ela é uma piada E você não é dito nenhuma palavra que eu não ouvi, mas isso não é nenhum elogio Ele só insultos oito pessoas em cada dez perguntas e sua inteligência palavras de quatro letras ou quatro palavras sílaba não vai fazer você importante Só vai ampliar o quão superficial você é e deixe que todos saibam E se eles olham para você como eles acham que você insano ou eles te chamam espantalho thinkin 'você não tem nenhum cérebro Ou começar dizendo "gente que de repente você foi lame Ou que os brancos finalmente cooptados seu jogo Ou você realmente não sabe ... Eles disseram que sobre mim há muito tempo atrás Se eles finalmente começam a dizer às pessoas que você perdeu seu nervo Isso é o que eles disseram sobre Johannesburg Você não é louco ... você tem um cérebro Você não ter ido coxo; você tem o seu jogo Lembre-se .. . manter o nervoMantenha o nervo Mantenha o nervo Mantenha o nervo ... Eu estou falando sobre a paz 

Será que é matéria paga?


da Veja
A cerveja foi elevada ao status do vinho no que diz respeito aos benefícios à saúde. Uma pesquisa conduzida pelo instituto italiano Research Laboratories, da Fonzaione di Ricerca e Cura Giovanni Paolo II, mostra que o consumo moderado da bebida faz bem ao coração. O estudo foi publicado nesta terça-feira na edição on-line do European Journal of Epidemiology.
De acordo com a pesquisa, tanto o vinho quanto a cerveja podem ter efeitos positivos ao coração - desde, é claro, que sejam consumidos sem excessos. É importante ressaltar que nenhum estudo jamais relacionou quaisquer benefícios à ingestão de grandes quantidades de bebida alcoólica — pelo contrário, o consumo em excesso só oferece prejuízos à saúde.
Durante a fase de levantamento de dados, a equipe usou uma abordagem estatística de meta-análise, agrupando diferentes estudos mundiais anteriores para chegar a um resultado global. Desta forma, foi possível examinar dados de mais de 200.000 pessoas, para as quais os hábitos de consumo alcoólico foram associados com doenças cardiovasculares.
Os resultados confirmam o que já era sabido sobre o vinho: o consumo moderado (cerca de duas taças por dia para homens e uma para mulheres) pode reduzir os riscos para doenças cardiovasculares em até 31%, frente aos abstêmios. A novidade da pesquisa, no entanto, é que ela reúne pela primeira vez evidências do efeito benéfico da cerveja: uma caneca da bebida ao dia (500 mililitros) é capaz de proteger o coração, em variedades de cerveja com teor alcoólico de 5%. Além de ter graduação alcoólica baixa, a cerveja contém ainda ácido fólico, vitaminas, ferro e cálcio - nutrientes que protegem o sistema cardiovascular.
“Na nossa pesquisa, nós consideramos o vinho e a cerveja separadamente: você primeiro observa uma redução no risco cardiovascular com o consumo baixo a moderado. Então, conforme há um aumento no consumo, é possível ver as vantagens desaparecerendo, até que o risco aumenta. Pudemos observar ainda que a curva de risco para as duas bebidas praticamente se sobrepõem”, diz Simona Costanzo, responsável pela pesquisa.

14 novembro 2011

Rocinha, uma reflexão

por Pedro Migão

A grande notícia midiática do último final de semana foi a "invasão" da favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Localizada em ponto nobre, era um dos maiores faturamentos de venda de drogas da cidade e vinha sendo mantida fora do projeto das UPPs.

Setores da grande imprensa e mesmo especialistas saudaram tal fato como alvissareiro, revolucionário e outros adjetivos semelhantes. Entretanto, há alguns pontos que se devem analisar cuidadosamente.

O primeiro deles foi a estranhíssima prisão, na última semana, de Nem, chefe do tráfico no local. A versão apresentada para sua captura me pareceu - e a policiais e jornalistas especializados também - no mínimo incoerente com todo o histórico do bandido.

Estas mesmas fontes suspeitam que Nem, que deteria segredos comprometedores para autoridades, celebridades e empresários, teria feito alguma espécie de acordo a fim de ter sua segurança preservada. Com quem ou por que, não se sabe. Mas muitos especialistas apostavam que ele não sairia vivo deste episódio.

13 novembro 2011

15 aninhos

É a idade do meu mais velho, Pedro. Vejam só que lindinha. E que talento!

11 novembro 2011

Lessa: Dilma sabe

por Carlos Lessa


A presidente sabe que a crise mundial, explicitada em 2008, será de longa duração e que o mundo pós-crise não é previsível, mas haverá a modificação geopolítica do planeta, uma profunda onda de inovações tecnológicas e alteração em padrões comportamentais.

A presidente sabe que o futuro exige conhecimento das restrições para, no âmbito do raio de manobra, serem a nação, o povo e sua economia uma folha ao vento da história ou, com a vontade civilizatória e solidária do povo, explicitar e desdobrar um projeto nacional. Cabe ao governante atuar no âmbito da manobra com o olhar firme, coordenar os atores sociais a atuar em direção ao sonho de um Brasil justo e próspero.

Futuro exige conhecimento das restrições para explicitar e desdobrar um projeto nacional

A presidente sabe a perversa tendência do sistema financeiro de, em tempos de crise, adotar políticas defensivas que aprofundam a crise. Keynes falava da "preferência pela liquidez", que desvia as empresas da realização de investimentos de ampliação de capacidade produtiva e passam a optar por aplicações financeiras. As organizações bancárias e do mercado de capitais tendem a restringir empréstimos e a optar por ampliar suas reservas de uso imediato. Ao fazê-lo, "empoçam" recursos, e aprofundam a tendência à fase depressiva da economia. O coletivo de empresas, acreditando na crise, adota uma conduta que acelera e aprofunda a crise. No limite, participam de um estouro de boiada que corre para o precipício.

11/11/11

Só para registrar que este post foi feito às 11h11.

10 novembro 2011

Extra: Apresentador de TV e ex-craque da seleção juntos



O título é de deixar qualquer um curioso. Afinal, a vida íntima das celebridades é sempre alvo de colunistas e do público. São as famosas fofocas, que não poupam governador de Estado, ator da Globo e, agora, dois nomes badalados do esporte e da TV.


Aí eu pergunto: a vida íntima das pessoas importa tanto assim nesse contexto? Acho que não. À exceção de alguém que exerça cargo público, cuja opção sexual pode interferir no desempenho das urnas, ainda mais num país conservador como o Brasil, sim. Caso contrário, isso não é da conta de ninguém.

Cabe esclarecer, Waack não é X-9

Fomos surpreendidas pela polêmica gerada por uma “notícia” publicada em um blog e reproduzida em grandes portais da internet de que o jornalista William Waack, da TV Globo, seria “informante” da embaixada americana – revelação que estaria dentre os documentos diplomáticos obtidos no ano passado pelo WikiLeaks. A notícia se espalhou pela internet, com grande repercussão nas redes sociais e no twitter. Chegou até mesmo ao site americano HuffingtonPost.
Alguns veículos reportaram ainda que Natalia Viana, uma das diretoras da Pública, como “representante do WikiLeaks no Brasil” teria confirmado tal informação. Dois equívocos: a jornalista Natalia Viana, não é, nem nunca foi, representante do WikiLeaks no Brasil. E não concordamos de modo algum que os documentos do WikiLeaks qualifiquem Waack como “informante” dos americanos.

09 novembro 2011

Andrea para Orsi: quem é o Reitor da USP

Oi, Carlos OrsiMeu nome é Andrea , acompanho teu blog desde o Estadão e estive com você na mesa de bar pós-Fantasticon ano passado (esse ano fiquei na mesa que estava fora do bar :) ) Eu só não li Guerra Justa ainda porque eu sou besta! Mas o Livro dos Milagres eu vou ler assim que sair!

Estudo na USP desde 2006, participo parcamente do movimento estudantil e reclamo da presença da PM no campus desde a primeira vez que a vi, em 2006. E, o que pode tornar minha posição meio suspeita, sou a favor da descriminalização das drogas. 

Eu estava lá em 2007, na Ocupação da Reitoria em que conseguimos a revogação dos decretos que interferiam na autonomia das Universidades paulistas. Foram 50 dias de ocupação depois de mais de 3 meses tentando todas as vias democráticas para dialogar com a reitoria. Foi muito tenso, mas a tensão se dissipava na coletividade. Apesar de fragmentado ao extremo, o pessoal é muito solidário. E não foi em vão! Nossas reinvidicações foram atenidas.

E eu também estava na manifestação contra a presença da PM em 2009. Cheguei quando o pessoal já estava na Av. Afrânio e me juntei a eles. Ficamos cerca de 2h, gritando palavras de ordem contra políciais SEM IDENTIFICAÇÃO. O movimento fragmentou quando quiseram seguir para a Vital Brasil: metade do grupo voltou pra USP, metade ficou lá fora. Eu voltei, não adiantava mais ficar lá fora. Corri de volta pro P1 quando ouvi as bombas e as sirenes. Aquela linha de policiais fechando de um lado a outro da Av. da Universidade me parte o coração até hoje (mesmo que isso soe como sentimentalismo idiota). 

Na sala com os delegados, ouvia-se argumentos típicos da polícia política do regime miltar.



por Paulo Moreira Leite


Quem chegasse à 91a. delegacia na manhã de ontem encontraria um ambiente de paz. Na rua, três ônibus de cortinas negras, fechadas, traziam os 70 estudantes detidos que, pouco a pouco, seriam chamados a prestar depoimento sobre a invasão da reitoria da USP. No lado de dentro, delegados e policiais conversavam com os primeiros repórteres que apareceram.


A idéia, disse um delegado, era denunciar os estudantes por um ato de desobediência, incontornável depois que eles não acataram a ordem da Justiça de deixar a reitoria.


O passo seguinte seria um “Termo Circunstanciado de Ocorrencia”, documento que é menos relevante do que o célebre Boletim de Ocorrencia usado até para batida de automóvel. Feito isso, se dizia, eles seriam enviados para casa.


Ao meio dia, a conversa havia mudado. Chamado para atuar nessas horas, o deputado estadual do PT Adriano Diogo compareceu a um encontro fechado com tres delegados e uma delegada envolvidos diretamente no caso. O deputado me pediu para acompanhá-lo como testemunha.


Naquele momento, pretendia-se enquadrar os estudantes em três artigos. Além da desobediência, haveria o dano qualificado de patrimonio, em função de depredações encontradas na reitoria, e até por crime ambiental, por causa de pinturas nas paredes. (Ao longo do dia, essa postura mudaria mais uma vez e se abandonaria a acusação por crime ambiental.)

Badaró: Tribunal de Rua

“Era só mais uma dura
Resquício de ditadura
Mostrando a mentalidade
De quem se sente autoridade
Nesse tribunal de rua”
(Marcelo Yuka)
Quando acordamos ao som da tropa de choque da PM no interior da maior universidade pública brasileira, reprimindo manifestações e prendendo estudantes, é difícil acreditar que a ditadura acabou há mais de 20 anos no Brasil.
A letra de Tribunal de Rua, de Marcelo Yuka, é precisa em identificar outro dos mais evidentes resquícios da ditadura empresarial-militar, que sobreviveram ao processo de redemocratização das últimas três décadas. A naturalização de violência policial no dia a dia das “operações” em favelas e periferias é evidentemente uma das heranças nada benditas dos mais de vinte anos de regime ditatorial. E é apenas uma das peças de um conjunto muito mais amplo de aberrações decorrentes da militarização exacerbada e autonomização em relação às regras legais do aparato policial, posto a serviço não apenas da repressão política aos que ousaram enfrentar a ditadura, como também mobilizado para as estratégias de controle social mais cotidianas.
É difícil não enxergar nesses “resquícios” a origem de deturpações como a sistemática utilização da tortura como método de “investigação”. Sim, a tortura a presos políticos já possuía uma história mais longa, tendo sido largamente empregada pela ditadura de Vargas e mantida viva na repressão aos movimentos dos trabalhadores nos anos seguintes. Foi, entretanto, com a ditadura que se instalou em 1964 que as forças policiais, sob comando militar, foram generalizadamente treinadas e orientadas para empregar tais métodos criminosos como regra de combate aos militantes de esquerda. E os mantiveram como rotina no trato com os “suspeitos” de quaisquer ilegalidades, desde que oriundos da classe trabalhadora.

O quê? Quando? Como? Onde? Por quê?

Qual o problema do jornalismo? De onde vem esse sentimento de que o nosso jornal já não é mais o nosso jornal? Desde quando o nosso jornal deixou de ser o nosso jornal? Como foi que se tornou árdua a leitura do jornal diário? Por que tenho a impressão que o meu jornal mudou de endereço, de idéias, de linhas editoriais e de eixo? Será que, bem antes que eu trocasse de jornal, este me trocou por outro tipo de leitor?
O que fazer com essa carga de lembranças que eu e o jornal fomos construindo ao longo de tantos anos? Por que me é difícil ler um editorial por inteiro sem levantar três ou quatro bem fundadas suspeitas de que estou sendo enganado e umas cinco ou seis de que eles estão me sonegando algo? Por que o meu jornal muda tanto de roupagem, mas não se arrisca a mudar, ao menos, de erros? Mudei eu ou mudou o jornal?
Por que é que quando o meu jornal diz que errou nunca está se referindo ao erro que realmente me incomodou e perturbou? Por acaso, estamos diante de uma epidemia a contagiar apenas jornalistas e deixá-los tão desaprendidos do ofício de fazer jornal diário? Estarei sendo punido por meu jornal por dedicar mais tempo ao jornalismo virtual que ao impresso? Quando a minha profissão, mesmo sem necessitar mais de diploma, continuará a exigir decência e retidão de caráter?

 
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