31 outubro 2011

Por 2 dias!

Lucia "Hic"ppolito: Para Animar a Festa



"Lula não vai poder falar tanto quanto nos últimos nove anos."
(Lucia Hippolito)

Nada Contra a Nota da ABI...


...só fico pensando se essa presteza é praxe em outras situações que exigem um posicionamento rápido da entidade em favor da liberdade de imprensa. Segue a nota: 

"A ABI, estarrecida com o ato de vandalismo contra a jornalista Monalisa Perrone durante sua participação ao vivo no Jornal Hoje, vem prestar solidariedade à jornalista e à direção de jornalismo da Globo, num momento tão delicado onde vândalos agridem a liberdade de imprensa e o trabalho do jornalista.


Jamais, em tempo algum, ato de agressão física é aceito por qualquer motivo que seja. Debates e diferenças de ideias devem ser mostradas em discussões civilizadas e com o mínimo de dignidade.


O ato de agredir publicamente um jornalista no desempenho de sua profissão e no desempenho da informação livre ao povo é o mais baixo de todos os atos, que deve ser punido como tortura contra a pessoa, que foi o que realmente aconteceu, além de ameaça direta e pública contra o povo livre.
A ABI já viveu momentos de defesa da liberdade de imprensa contra as torturas e ameaças de violência contra a liberdade de ideias nos momentos mais triste do Brasil.

Olha só o que o Ali Kamel fez com Monalisa Perrone



"Enquanto os homens exercem seus podres poderes, morrer e matar de fome, de raiva e de sede, são tantas vezes gestos naturais." (Caetano Veloso)

QUEM SEMEIA INTOLERÂNCIA COLHE ÓDIO
TODA MINHA SOLIDARIEDADE À COLEGA


Veja também:
O Caso Versuska
O Caso Caco
O Caso do Leitor Especial

Michael Moore: 1%



Amigos,


Há 22 anos, que se completam nesta terça-feira, estava com um grupo de operários, estudantes e desempregados no centro da cidade onde nasci, Flint, Michigan, para anunciar que o estúdio Warner Bros, de Hollywood, comprara os direitos de distribuição do meu primeiro filme, “Roger & Me”. Um jornalista perguntou: “Por quanto vendeu?”


“Três milhões de dólares” – respondi com orgulho. Houve um grito de admiração, do pessoal dos sindicatos que me cercava. Nunca acontecera, nunca, que alguém da classe trabalhadora de Flint (ou de lugar algum) tivesse recebido tanto dinheiro, a menos que um dos nossos roubasse um banco ou, por sorte, ganhasse o grande prêmio da loteria de Michigan. 


Naquele dia ensolarado de novembro de 1989, foi como se eu tivesse ganho o grande prêmio da loteria – e o pessoal com quem eu vivia e lutava em Michigan ficou eufórico com o meu sucesso. Foi como se um de nós, finalmente, tivesse conseguido, tivesse chegado lá, como se a sorte finalmente nos tivesse sorrido. O dia acabou em festa. Quando se é trabalhador, de família de trabalhadores, todos cuidam de todos, e quando um se dá bem, ou outros vibram de orgulho – não só pelo que conseguiu ter sucesso, mas porque, de algum modo, um de nós venceu, derrotou o sistema brutal contra todos, sem mercê, que comanda um jogo cujas regras são distorcidas contra nós.


Nós conhecíamos as regras, e as regras diziam que nós, ratos das fábricas da cidade, nunca conseguíamos fazer cinema, ou aparecer em entrevistas na televisão ou conseguíamos fazer-nos ouvir em palanque nacional. A nossa parte deveria ser ficar de bico calado, cabeça baixa, e voltar ao trabalho. E, como que por milagre, um de nós escapara dali, estava a ser ouvido e visto por milhões de pessoas e estava ‘cheio de massa’ – santa mãe de deus, preparem-se! Um palanque e muito dinheiro... agora, sim, é que os de cima vão ver!


Naquele momento, eu sobrevivia com o subsídio de desemprego, 98 dólares por semana. Saúde pública. O meu carro morrera em abril: sete meses sem carro. Os amigos convidavam-me para jantar e sempre pagavam a conta antes que chegasse à mesa, para me poupar ao vexame de não poder dividi-la.

Os Próximos Passos

Como a anunciada “solidariedade humana” da mídia é apenas da boca para fora – embora possa, sim, haver várias e honrosas exceções – existe, neste momento, um grande ponto de interrogação em seus estrategistas.
O que devem fazer?
Aproveitar-se do recesso forçado a que terá de se submeter a mais carismática figura da política brasileira e aguçar ainda mais os ataques ao Governo? Ou acreditar que a notícia do problema de Lula causou um estado de espírito na população que torna um acirramento de sua ofensiva de ataques um elemento de evidenciação de seus propósitos e de seu inconformismo com os resultados das eleições?
É provável que nossa mídia siga sua vocação de escorpião e recrudesça seus ataques, após alguns dias de perplexidade.
Mas, neste momento, sua capacidade de ação está limitada.
Hoje mesmo estão mandando suas pesquisas à rua – duvidam? – para saber o impacto da notícia.
A causa da direita brasileira é muito ruim, é indefensável.

30 outubro 2011

Querido Lula


Receba Meu Silêncio como Vigília pelo Seu Restabelecimento

Carta de Foz do Iguaçu

"O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.
Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:
- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;
- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;
- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.
- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.
- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio à Cuba.

28 outubro 2011

Globo: Waack não é X-9





A Central Globo de Comunicação (CGCom) afirma que a notícia de que o jornalista William Waack, apresentador do 'Jornal da Globo', seria informante do Governo dos Estados Unidos é "absurda". A informação foi publicada portal R7, ao citar o blog Brasil que Vai, que reproduziu documentos do site Wikileaks.


“A notícia é um completo absurdo”, disse a CGCom, em nota enviada ao Comunique-se. A emissora confirmou que o nome do jornalista é citado por três vezes em documentos do governo norte-americano, mas disse que isso não faz de Waack um informante. Além do nome do apresentador, são citados o diretor de redação da revista Época, Helio Gurovitz, e os jornais Valor Econômico e O Globo, a respeito de reportagens sobre as eleições presidenciais de 2010.

27 outubro 2011

Jennings para a FIFA: Manda eles tomarem no rabo!


A Copa do Mundo é nossa, e não da Fifa. Assim se pode resumir a opinião do jornalista escocês Andrew Jennings sobre o campeonato mundial de futebol que o Brasil sediará em 2014. Para Jennings, o Brasil deve aproveitar o momento de fragilidade da Federação Internacional de Futebol Associação (Fifa) para impor suas atuais leis e não admitir nenhuma retirada de direitos, como prevê o projeto de Lei Geral da Copa. Jornalista da rede de televisão britânica BBC, Andrew Jennings tem sido uma dor de cabeça constante para a Fifa. Autor do livroJogo Sujo – o mundo secreto da Fifa, ele denunciou esquemas de corrupção na federação de futebol, que resvalaram também na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e em seu presidente, Ricardo Teixeira. Na quarta-feira (27), esteve na Comissão de Educação e Desporto do Senado para uma audiência pública. No mesmo dia, concedeu uma entrevista exclusiva ao Congresso em Foco. Segundo ele, a Fifa não tem escolha: ou faz a Copa no Brasil ou não faz em lugar nenhum devido ao pouco tempo que resta para o Mundial de 2014. Some-se isso à crise financeira européia e norte-americana e à falta de estrutura de países como Rússia e Catar. O apelo turístico do Brasil é infinitamente maior, asseverou Jennings.
“São dois anos e meio. O tempo é curto, e você está apertado por ela para fazer a Copa de qualquer forma. A essa altura, ninguém além do Brasil pode ou gostaria [de sediar a Copa]”, afirmou ele. O momento não poderia ser melhor para o Brasil impor suas condições, disse o jornalista. “Na guerra, você ataca quando o inimigo está fraco”. Ele acha que a presidenta Dilma Rousseff está com a posse da bola. “Este é o melhor momento para a presidenta Dilma dizer: ‘Nós adoramos a Copa, nós vamos fazer o máximo para ganhar a Copa do Mundo, mas nós governamos este país’.”

Basta de Toma-lá-dá-cá

por Ricardo Kotscho

A já esperada troca de Orlando Silva por Aldo Rebelo, ambos do PCdoB, no Ministério do Esporte pode ser o último capítulo de um ciclo político, o do presidencialismo de coalização, inaugurado após a redemocratização do país pelo governo acidental de José Sarney, em 1985, e que está com o prazo de validade vencido.

A sociedade brasileira clama por uma nova forma de fazer política e montar governos, que não seja baseada apenas em verbas e cargos, com o loteamento da Esplanada dos Ministérios em cotas partidárias no sistema de "porteira fechada".

Com certeza, nem Dilma Rousseff aguenta mais este troca-troca de seis por meia dúzia. Em menos de dez meses de governo, a presidente já se viu obrigada a dar a conta a seis ministros de diferentes partidos, sem conseguir montar uma equipe minimamente coesa e competente para administrar o país.

Tudo bem que Dilma se elegeu a bordo de uma monumental coligação partidária e governa praticamente sem oposição, mas nem assim ela consegue ter uma semana de paz para se dedicar às grandes questões nacionais.

Alguém sabe dizer se espionagem é crime?

do R7

O repórter William Waack, da Rede Globo de Televisão, foi apontado como informante do governo americano, segundo post do blog Brasil que Vai - citando documentos sigilosos trazidos a público pelo site Wikileaks há pouco menos de dois meses.

De acordo com o texto, Waack foi indicado por membros do governo dos EUA para “sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana”.

Lucas Mendes é outro longe do Blinder e do Mainardi


Cheguei, vi, ocupei e perdi. Nunca foi tão fácil. Não é uma pândega, nem uma revolução. Não sei ainda qual é a do movimento "Occupy Wall Street", mas é mais organizado e limpo do que algumas empresas em que trabalhei. Um colégio militar sem sargentos, capitães nem generais.
Uma turista que entrou na praça comigo achou que parecia um parque de diversões. Não parece.
Zuccoti Park, uma praça pequena, um quarto de um quarteirão, é um acampamento com dezenas de barracas azuis, com canteiros, árvores e obras de arte. Difícil dizer se há mais barracas ou gente na praça ou se há gente dentro das barracas, a maioria delas individuais.

Meu primeiro informante, David, na mesa de entrada, não sabia informar quantas pessoas estavam na praça, dentro ou fora das barracas. Quinhentos? Mil?
Ontem foi o segundo dia dele na praça. Ocupava uma praça em Lafayette, Arkansas, mas a policia desocupou a praça e ele veio para cá com cinco amigos. Aposentado, com muito cabelo e poucos dentes, está animado com a cidade e o movimento.
Na frente da mesa dele há um sinal "nos pergunte" e um poster com os eventos do dia. De 9 da manhã às 10 da noite há reuniões e debates sobre diferentes temas, marchas e outras atividades.
Nem um minuto de vadiagem ou sacanagem. Às 3 da tarde iam protestar na frente de uma das maiores seguradoras de saúde do país. Marcharia com eles se não quisesse ocupar a praça. Meu plano de saúde custa uma obscenidade.
David me mandou para outra barraca de informações e quando disse que era da BBC Brasil, o novo informador sugeriu que eu fosse à barraca de informações em espanhol.
"No Brasil, nós falamos português".
"Sinto muito, ainda não temos o departamento em português."
A barraca central não é grande, mas era a mais interessante. Umas quarenta pessoas em pé ou sentadas no chão ouvindo oradores. A arenga do orador é interminável e um dos organizadores diz que ele está repetitivo.
"Há ou não liberdade de expressão nesta praça?", protesta o orador.
"Há, mas você repete o mesmo argumento."
"Você é quem manda?"
"Ninguém manda."

Teixeira, o fígado e a bílis

por Lucio de Castro

“Não se faz política com o fígado”. Ulisses Guimarães tinha lá suas contradições, mas perto de tantos por aí, era uma Madre Teresa de Calcutá de virtudes. E cunhou uma das maiores frases, aqui repetida no início desse texto para definir o sentimento que deve guiar a política e os políticos. Política deve ser feita com cabeça, e se não for pedir demais aos nossos representantes, alma e coração. Ao menos um pouquinho...

Dilma gosta da frase. Já repetiu a máxima do Velhinho algumas vezes. Não sei o que ela está sentindo agora, nesse momento em que é vítima de política rasteira, da maior expressão de uma política feita com o fígado, com bílis, com o perdão da palavra feia. Porque tudo está tão claro...Enquanto alguns perdem tempo em comentários bairristas, preferem vibrar com um Rio de Janeiro passado pra trás, ou com Porto Alegre surrupiada, lá da Suíça o todo poderoso Ricardo Teixeira deve morrer de rir. 

Preparou sua vingança com azeite quente, e traçou sua estratégia com o fígado, com ódio, como costuma fazer com quem cruza seu caminho. O mesmo que gritava com ódio uma vez em um hotel do Rio exigindo cabeças de jornalistas para executivos subservientes, o mesmo que é implacável com quem costuma ser voz dissonante e ousa buscar a verdade...Esse mesmo, passou a mão em 190 milhões de brasileiros. Inclusive a Presidenta. 

Que ousara uma postura de independência, soberana diante do déspota e da Fifa. O troco veio caro. E está claro na escolha de sedes e tabela de Copa das Confederações e Copa do Mundo: a revoada do canarinho ao ninho tucano é estrategicamente pensada, vingança, vendeta de filme, de Poderoso Chefão. É duro acreditar que a obtusidade de alguém nessa hora pode pensar em bairrismos bobinhos para entender a revoada para São Paulo e Minas Gerais sem pensar em política feita com o fígado, sem pensar em vingança. 

26 outubro 2011

O que a FIFA quer de nós?

por Marcelo Semer


Lendo a Lei Geral da Copa, conclui que a Fifa não quer mais organizar o mundial no Brasil.
Quer organizá-lo em um país imaginário. Pasárgada talvez, onde pode reescrever todas as leis, pelo menos enquanto durar o campeonato.
A Fifa quer rapidez e não embaraços para os vistos de quem participa do evento e de quem lucra com ele. Quer ultrapassar prazos e obstáculos para a garantia da propriedade intelectual. Quer uma justiça rápida e ágil para as causas que enfrentar, ou que a União enfrentar por ela.
Mas tudo isso apenas até o apito da final no Maracanã. Depois, o Brasil tem a permissão para continuar sendo o Brasil.
É curioso que pensando em uma lei para garantir tamanha segurança ao evento, a entidade tenha concordado em marcar seu glorioso início para um estádio que ainda nem sequer existe.
Que segurança quer a Fifa? A dos negócios, certamente.
Para quem conhece o direito, sabe que a lei da Copa pode ser tudo, menos geral. É a mais específica legislação com que já tive contato – não tem o atributo comum das leis de serem genéricas ou perenes. Tudo o que nela está escrito se desmanchará no ar em dezembro de 2014. Até mesmo os crimes, que a entidade pretende criar no país para proteger, adivinhe só, os lucros.
A Fifa não se preocupa com legados, só com a terraplanagem para negócios.
Se o leitor for se atrever a ler o projeto de lei, sugiro Liza Minelli cantando "Money makes the world go around", em Cabaret, como fundo musical. Vai compreender melhor do que se trata.
A Fifa quer a submissão do país a suas regras, nas quais já é lei a submissão do futebol ao dinheiro.
Que outra razão existiria para estipular os crimes do marketing de intrusão ou de emboscada e querer proibir que produtos de outros fornecedores possam ser vendidos inclusive nas "vias de acesso" aos estádios?
Garantiremos o espetáculo ou o bom futebol prendendo as belas holandesas que chamaram atenção dos câmeras na África do Sul, propagandeando uma cerveja que nem soubemos qual era? Ou apreendendo isopores dos camelôs de beira do estádio?
Andaria melhor a federação do futebol, interessar-se pelo "corpore sano" do esporte, banindo ela mesma a publicidade de bebidas alcóolicas. Evitaria que mais gerações de jovens torcedores se iniciassem tão cedo no vício. Quem sabe de quebra pouparíamos algumas vidas que vem sendo dizimadas por motoristas irresponsáveis.
Nós já devíamos ter aprendido a confusão que é misturar, em alta medida, esporte, Estado e negócios.
Melhor exemplo que a exploração dos bingos, a pretexto de municiar ONGs ligadas ao esporte dito amador não precisamos. 

Aqui e Acolá


A arrogância da mídia hegemônica parece não ter limites. E acaba respaldada a cada situação em que o poder estatal cede ao poder de fato representado pelo aparato da mídia corporativa, cede à pressão dos grupos econômicos que controlam a comunicação brasileira. Esta última semana trouxe dois exemplos que, ao mesmo tempo em que se encaixam com perfeição, se distanciam. A vitória de Cristina Kirchner na eleição presidencial argentina, e a queda do agora ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva (PCdoB).
Cristina se reelegeu com o melhor resultado que o chamado “kirchnerismo” (que inclui as presidências de Nestor Kirchner) já obteve. E isso após criar a Ley de Medios, que tem lutado contra o monopólio do Grupo Clarín na comunicação argentina. Cristina fez toda sua campanha sem falar com os veículos do Grupo. O principal deles, o jornal Clarín, publicou, nos últimos 15 meses, 347 manchetes negativas sobre a presidenta, segundo levantamento de outro jornal, o Tiempo Argentino. Com a vitória do kirchnerismo, o processo de democratização da mídia argentina deve se aprofundar, com a regulamentação e a aplicação dos últimos artigos da Ley de Medios.
É claro que a mídia brasileira tem acompanhado com atenção os acontecimentos logo ao lado. A mídia independente, de modo geral, pede para o Brasil uma lei nos moldes da argentina. Por outro lado, a velha mídia treme, e não perde oportunidades de atacar Cristina. Em sua prepotência, já afirmou mais de uma vez que a derrocada do kirchnerismo e de todos os atuais governos progressistas da América Latina estava próxima.
Em 27 de outubro de 2010, quando da morte de Nestor, a jornalista política Miriam Leitão, uma das estrelas da mídia hegemônica, decretou em seu blog: “Assim, dividida, fragmentada, em delicado momento político, a Argentina perde o ex-presidente que a tirou da última e devastadora crise de 2001/2002. Sem ele, acaba o Kirchnerismo”. Mais de dois anos antes, em 17 de julho de 2008, outro nome forte da direita midiática brasileira, William Waack, escreveu sobre uma derrota do então presidente Nestor no parlamento: “Derrota do governo sinaliza o fim do kirchnerismo na Argentina”.

Os Terceiros



por Mauro Santayana 


Como quase todas as atividades sociais, os esportes - e, principalmente, o futebol - passaram a ser administrados pelas razões do capitalismo, e se tornaram um dos maiores negócios do mundo. A FIFA não é, e faz tempo, uma associação mundial de federações nacionais de futebol, mas o centro de um oligopólio internacional dessa modalidade do show-business. Os velhos e tradicionais clubes, ricos uns, pobres outros, não pertencem mais aos milhares de associados. Eles decidiam, em eleições periódicas, quais deles deveriam encarregar-se da direção das entidades, da administração do patrimônio, da escolha dos técnicos e da contratação de jogadores. Hoje, no mundo inteiro, quase todos os clubes têm dono. Quando não o têm diretamente, subordinam-se a contratos de patrocínio e de publicidade que expulsam das decisões os torcedores.


Devemos partir dessa constatação para tratar dos problemas que a Presidente Dilma Roussef está enfrentando, diante das denúncias de corrupção contra o Ministério dos Esportes. Em um negócio bilionário, como é o da realização de um campeonato mundial de futebol, todas as cautelas são poucas. Uma vez que assumimos o compromisso de sediar a Copa, temos que tratar seriamente do assunto, e é preciso que uma força de trabalho, excepcional, e interministerial, cuide das providências governamentais, e atue com firmeza, na defesa de nossa soberania, da segurança do evento, e da lisura de todos os procedimentos que envolvam o dinheiro público. É uma situação excepcional que exige tratamento excepcional.


Se o Ministro dos Esportes é responsável por algum desvio de conduta ética, cabe às autoridades apurar os fatos e, assim fazendo, levar o caso aos tribunais – depois de afastar o suspeito do cargo. Razão tem a presidente: ela não pode atuar sob a imposição das acusações, sem que essas denúncias sejam realmente comprovadas - ou se fundem em evidências convincentes. Ela agiu assim em todos os casos ocorridos em seu governo de dez meses. Atuou dessa forma diante das denúncias contra o Chefe de sua Casa Civil, um dos próceres do maior partido de sustentação do governo. Deu-lhe todas as oportunidades para desmentir os fatos. Infelizmente, seus argumentos não sensibilizaram a opinião pública, porque confessaram o inadmissível, que ele se enriquecera em pouco tempo, prestando consultoria a firmas que deviam ser mantidas em segredo. Se o Ministro fora vítima de fogo amigo, de que há indícios fortes, isso não interessa ao país. Na defesa do Estado, a presidente agiu com firmeza, e o demitiu. Os outros casos foram tratados da mesma forma: os acusados dispuseram de tempo para desmentir as denúncias; não o fazendo, foram compelidos a afastar-se. Com o Ministro Nelson Jobim os motivos foram outros, e ela, na defesa do governo e de sua autoridade como Chefe de Estado, não hesitou em afastá-lo.

Ato Falho

Ih ih ih ih ih ih

Será?


por Mônica Bergamo

O ministro Orlando Silva desmentiu agora à Folha que vá entregar sua carta de demissão logo mais a Dilma Rousseff. Ele falou que ainda não tomou essa decisão e que tudo vai depender de uma conversa agendada com a presidente.

"Eu vou me encontrar logo mais com a presidenta. Não vou dar um passo antes de falar com ela. Não vou dar um passo que não seja orientado por ela. Vou fazer o que a Dilma mandar."

Orlando afirmou que tudo o que fez nos últimos dias teve como inspiração orientações da presidente.

Mostra, mostra, mostra!!!


da Agência Senado

O jornalista investigativo britânico Andrew Jennings fez nesta quarta-feira (26), durante audiência pública da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), uma recomendação ao governo brasileiro: a de solicitar ao presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que torne público o relatório final da Justiça da Suíça no qual constaria uma confissão do dirigente de que teria recebido propinas em contratos de marketing relacionados ao futebol.

Concluído em maio do ano passado, o relatório da Justiça da Suíça ainda não foi publicado, segundo o jornalista, por pressão do presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter. O documento, relatou o jornalista, conteria, em aproximadamente 45 páginas, confissões assinadas por Teixeira e pelo ex-presidente da Fifa João Havelange, além de uma confissão de Blatter de que ele sabia do suborno.

- Blatter insulta a todos ao dizer que o relatório é legalmente muito complexo. Coloque o documento na Internet agora, pois temos advogados que podem nos ajudar a compreendê-lo - disse Jennings durante a audiência, que foi aberta pelo presidente da CE, senador Roberto Requião (PMDB-PR).

Arde a Fogueira no Vespeiro (2)



O destino dos Ministro dos Esportes, Orlando Silva, acaba de ser selado.
Mérito de articulação política, que conseguiu abrandar o fogo e costurar a saída política.
O próximos passos, a saber:

1. As investigações sobre Teixeira e seus negócios serão descontinuadas pelo Governo, caso ele aceite sair de mansinho dos holofotes. Ninguém está querendo que o presidente da CBF deixe de faturar a parte dele. Afinal, são negócios antigos, que envolvem muitos parceiros, entre eles a GEO Eventos (aqui), e não daria tempo de trocá-los até a Copa;

2. A iniciativa de Joseph Blatter, presidente da Fifa, de divulgar o dossiê sobre o caso ISL em dezembro (aqui), depois de passar pela mão de um comitê independente, deve por uma pá de cal nas pretensões políticas de Ricardo Teixeira no organismo internacional. O cuidado agora é com os parceiros do presidente da CBF, entre eles, a TV Globo, que figura como parte nas investigações de pagamento de propina enviada a paraíso fiscal (aqui).

3. Descontinuar a apuração sobre o malfeitos na Câmara e no Senado não será difícil. A TV Globo tem uma enorme bancada à sua disposição, a exemplo do governo. U
m novo interlocutor será nomeado para dialogar com o Comitê Organizador da Copa e a CBF, ao que tudo indica, ministro oriundo dos quadros do mesmo PCdoB.

4. Mas a Veja mirou no que viu e acertou também quem não viu. À diferença do tiro certeiro e da rajada (aqui), é que há muitos feridos dispostos a se vingar do atentado. Vamos aguardar os próximos capítulos.

Amor e Paz

25 outubro 2011

Cai a Máscara da Veja


"Dê uma máscara ao homem e ele dirá a verdade.(...) Se alguém diz a verdade, pode estar certo de que será descoberto, mais cedo ou mais tarde." " (Oscar Wilde)


Sugestão do Jbmartins

Higienópolis e a Periferia


O PSDB sempre foi um partido paulista e paulistano. Desde que foi criado como uma dissidência da ala anti-Quércia do PMDB, nos anos 1980, sairam de São Paulo todos os seus candidatos à presidência da República: Mario Covas, em 1989; FHC, em 1994 e 1998; José Serra, em 2002 e 2010, e Geraldo Alckmin, em 2006.
Agora, a menos de um ano das eleições municipais de 2012, o PSDB não consegue encontrar um candidato viável a prefeito em seu berço paulistano.
Alijados do poder federal desde 2002, divididos internamente, sem novas lideranças e sem um discurso capaz de emocionar a maioria do eleitorado, os tucanos vivem um tempo de agonia, sem qualquer perspectiva de sair do buraco tão cedo.
Já apareceram os nomes de vários possíveis candidatos, nenhum deles com densidade eleitoral para chegar ao segundo turno, discute-se se o partido fará prévias e quando isso deve acontecer, mas o fato é que no momento o PSDB está vendo ameaçada a sua hegemonia de duas décadas em terras paulistas.
Pouco importa se o candidato do PT, seu eterno principal adversário, será Fernando Haddad, como quer Lula, ou mais uma vez Marta Suplicy, como quer Marta Suplicy. O problema é que o PSDB não tem um nome forte para enfrentá-los e, o que é pior, não tem a menor ideia do que dizer ao eleitorado.

A Rajada e o Tiro Certeiro


Balística e jornalismo investigativo têm algo em comum: independente do calibre da arma e da força do projétil, é crucial avaliar o ângulo do disparo e a vulnerabilidade do alvo.
As denúncias da Veja contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, publicadas no fim de semana 15-16 de outubro (edição 2239) devem demorar a derrubá-lo ou talvez nem o derrubem. Foram formuladas canhestramente. São ineficazes.
Para começar: o denunciante é réu. Portanto, suspeito. Tem ficha de truculento, negocista, policial-bandido, miliciano típico. Esteve envolvido no mesmo esquema que agora tenta demolir. Faz parte do mesmo bando que agora está sendo investigado. O desvio de verbas do ministério para ONGs que promovem o esporte assistencial já estava sendo investigado há mais de dois anos pelas polícias de Brasília e Federal, pela CGU e pelo Ministério Público.
O fato novo, bombástico, é a entrega de dinheiro vivo na mão do ministro ou de seu motorista. E esta tremenda novidade não colou porque carece de provas. Veja embarcou em nova aventura denuncista sem ter qualquer comprovante. Saiu atirando.

24 outubro 2011

Ih, a Veja esqueceu!

por Mauro Malin


A reportagem de capa da Veja (26/10) sobre a indignação contra a corrupção tem o mérito de constatar que o grande catalisador das manifestações realizadas em várias cidades brasileiras foi a reação da presidente Dilma Rousseff às primeiras denúncias graves de corrupção em seu ministério. A figura simbólica de presidente tem muita força em qualquer lugar, talvez mais ainda num país em que tanta coisa importante acontece de cima para baixo.
À luz dessa relação de causa e efeito, o confronto de ideias entre partidários e adversários das manifestações perde o sentido quando é cavalgado por, respectivamente, oposicionistas e situacionistas. Esses opinadores atribuem aos manifestantes inspirações e propósitos que eles não têm.
Lição do barão
A revista apresenta uma numerologia vazia. Primeiro, porque o cálculo do montante de corrupção é uma conta necessariamente falsa, já que corrupção é crime e, portanto, feita sem registro. Os números que se conhecem reportam-se aos casos investigados, pequena parte do todo. Segundo, porque não explica como chegou ao número de R$ 85 bilhões (2,3% do PIB) drenados anualmente pela corrupção. Menciona uma “estimativa” da Fiesp – cujas bases metodológicas são desconhecidas – de R$ 720 bilhões garfados em dez anos.
Terceiro, porque a tradução dos R$ 85 bilhões em obras e atividades que essa soma permitiria realizar é mera fantasia para ilustrar a reportagem. Como se fosse possível escolher uma só dessas opções e jogar nela todo esse inexistente dinheiro.

23 outubro 2011

Arde a Fogueira no Vespeiro


Um passarinho azul pousou lá na janela de casa e disse que o desfecho dessa crise envolvendo a CBF, a FIFA, a Copa do Mundo, o Governo Dilma e o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, deve terminar assim:

1. As investigações sobre Teixeira e seus negócios serão descontinuadas pelo Governo, caso ele aceite sair de mansinho dos holofotes. Ninguém está querendo que o presidente da CBF deixe de faturar a parte dele. Afinal, são negócios antigos, que envolvem muitos parceiros, entre eles a GEO Eventos (aqui), e não daria tempo de trocá-los até a Copa;

2. A iniciativa de Joseph Blatter, presidente da Fifa, de divulgar o dossiê sobre o caso ISL em dezembro (aqui), depois de passar pela mão de um comitê independente, deve por uma pá de cal nas pretensões políticas de Ricardo Teixeira no organismo internacional. O cuidado agora é com os parceiros do presidente da CBF, entre eles, a TV Globo, que figura como parte nas investigações de pagamento de propina enviada para paraíso fiscal (aqui).

A corrupção não é o único mal, nem o pior deles

por Marcos Coimbra


Desde o século 19, quando começamos a nos definir como país, começamos a procurar a raiz de nossos males. A construção de uma identidade nacional brasileira é inseparável dessa busca.

É como se, entre o destino imaginado de potência e a realidade mesquinha que se percebia, se interpusesse um obstáculo. Corretamente identificado e tratado, ele poderia ser removido, assim permitindo que nossas vocações fossem plenamente realizadas.

A história do pensamento social brasileiro é marcada por sucessivas tentativas de encontrar essa raiz, a partir da qual todos os problemas se tornariam inteligíveis. Ninguém se iludiu achando que havia só uma, mas foi comum a convicção de que era possível descobrir a causa fundamental do drama nacional (no máximo, a combinação das duas ou três que o explicavam).

A saúva, formiga que poucos, hoje em dia, sequer conseguem identificar, já foi candidata ao posto. Ficou conhecida quando Saint Hilaire, um dos mais importantes viajantes estrangeiros a percorrer o Brasil e que aqui esteve nos anos 1810 e 1820, declarou que “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”.

Duzentos anos depois, nem uma coisa nem outra aconteceu. O Brasil não terminou e as saúvas ainda aborrecem os agricultores. 

Finalmente apareceu o trecho do Caco que foi "censurado"

Quem encontrou e reproduziu foi o Luiz Alacarini, no Facebook


Para entender melhor a polêmica:
Olha só o que Ali Kamel fez com Caco Barcellos
Juntando os Cacos
Juntando os Cacos 2
Juntando os Cacos 3

Atualização das 11h53:  Luiz Alacarini informa que o primeiro a reproduzir  foi o Stanley Burburinho.

22 outubro 2011

Os Direitos de Transmissão

por Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos
Os últimos cinco anos têm sido marcados por uma intensa disputa pelos direitos de transmissão de torneios esportivos por parte das duas principais competidoras no mercado televisivo brasileiro. Trata-se de uma expansão do processo competitivo intenso – que sinaliza a Fase da Multiplicidade da Oferta das comunicações – também para o esporte, especialmente o futebol, de preferência infinitamente superior no país (e em grande parte do mundo). O tripé futebol, telenovela e jornalismo constitui o núcleo de disputa principal da TV nacional, com custos inflacionados por esse interesse dos operadores em torno desses bens.
Hoje parece estranho, mas até o ano de 2006 Globo e Record foram parceiras na televisão brasileira no denominado “Pacote Futebol”, que leva em consideração todos os campeonatos de clubes com participação de times brasileiros (Brasileiro, Paulista, Carioca e Copa Sul-Americana), excetuando-se a Taça Libertadores da América, cuja transmissão sempre foi exclusiva da emissora com sede no Rio de Janeiro. Por conta de restrições da TV das Organizações Globo, caso da obrigação de transmitir a mesma partida no domingo, a Record não renovou o contrato e foi além: passou a concorrer pelos direitos de exibição de torneios esportivos com sua antiga parceira.

Blatter parte para cima de Teixeira. Será?

por Ulisses Neto, no Terra


A Fifa, por meio de seu presidente Joseph Blatter, anunciou nesta sexta-feira que divulgará o dossiê sobre o caso ISL em dezembro. Segundo Blatter, juristas vão analisar os papéis e, por isso, o caso não será comentado até a data estabelecida para a divulgação. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, está entre os supostos envolvidos.


Os documentos fazem parte de uma investigação criminal sobre a falência da empresa de marketing esportivo ISL (International Sport and Leisure), parceira da Fifa, e indicam que dirigentes da entidade receberam pagamentos para garantir à ISL a lucrativa comercialização de direitos de transmissão e anúncios publicitários da Copa do Mundo durante os anos 1990.
Em novembro, uma investigação do programa Panorama, da BBC, apontou que estes dirigentes eram o ex-presidente da Fifa João Havelange e seu ex-genro Ricardo Teixeira, que também é membro do comitê executivo da Fifa.


"O comitê-executivo decidiu que o dossiê deverá ser aberto. É um documento complexo, com implicações legais envolvendo pessoas que não estão envolvidas com a Fifa", afirmou Blatter durante seu pronunciamento."


No próximo comitê executivo, em 16 e 17 de dezembro de 2011, os dados serão abertos. Se alguma decisão tiver que ser tomada, não será pelo comitê-executivo. O caso será entregue a uma organizacão independente, para abrir e analisar o dossiê e chegar a conclusões", disse.
Blatter, que nasceu no cantão de Valais, na Suíça, ainda destacou oportunamente que "nenhum dos nomes envolvidos neste caso ISL é suíço. "Todos são estrangeiros", disse.


A decisão faz parte da tentativa de Fifa de melhorar a imagem depois de uma sequência de casos de corrupção envolvendo a entidade e seus membros. Blatter ainda anunciou a criação de grupos para reformar a entidade a partir de 2013.


"O comitê-executivo, ao final da reunião, estava satisfeito e relaxado. Hoje, no final do encontro, a Fifa encontrou o caminho rumo às soluções. Até o final do ano, uma boa parte das nossas preocupações acabará porque os dossiês terao sido esclarecidos", completou.


Procurado pela reportagem do Terra, o diretor de comunicações da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rodrigo Paiva, não foi localizado para comentar sobre a decisão da Fifa. Anteriormente, o dirigente alegava em defesa de Teixeira que o caso foi arquivado pela Justiça suíça em 2008.

21 outubro 2011

A hora e a vez de Orlando


Virou uma loucura sem tamanho. Fui correndo ler a matéria, julgando que teriam identificado convênios entre o Ministério dos Esportes e a mulher do Ministro. Mas era pagamento de serviços prestados no âmbito do Ministério da Justiça.
Ora, a ONG de Mônica Serra é financiada por investimentos culturais da Sabesp, com Serra ainda governador, a de dona Ruth com transferências de governo - desde os tempos de FHC presidente e ainda hoje.
Nessas catarses e linchamentos, vale tudo. Jogam acusação do Ministro ter embolsado dinheiro. Não se comprova. Ainda jogam da compra da casa "negócio da China". Matéria furada. Aí identificam um contrato com o Ministério da Justiça. É uma acusação atrás da outra sem a menor preocupação. Qualquer informação sobre a vida do Ministro é escandalizada. Atribuem declarações a Dilma, que são mantidas mesmo depois de desmentidos formais da parte dela.

O Ditador do Mal

Nelson Mandela assim que foi libertado foi agradecer a Kadafi o seu apoio ao povo sul-africano contra o regime do Aparheid.


Estive na Líbia em setembro de 1979, por ocasião do décimo aniversario da Revolução que levou Kadafi ao poder.

Me acompanharam na ocasião o cinegrafista Luis Manse e o operador de Nagra Nelson Belo, Belo ( por onde andarão?).

Estávamos ali pelo Globo Repórter, do qual eu era o diretor em São Paulo.

Primeira surpresa. O hotel, para onde o governo nos enviou, estava totalmente ocupado por diplomatas.

Perguntei ao embaixador do Brasil a razão dessa concentração.

 A resposta me surpreendeu ainda mais.

Na Líbia de Kadafi, os aluguéis estavam proibidos.

Os líbios que não tivessem casa, era só solicitar que o governo imediatamente providenciava a construção de uma.

O pais era um imenso canteiro de obras.

E mais: Uma lei em vigor, A LEI DO COLCHÃO, determinava que, qualquer cidadão líbio que soubesse da existência de casa alugada, era só atirar um colchão no quintal que a casa passava a ser sua.

20 outubro 2011

USP: A Ditadura voltou


por Boris Vargaftig

O clima é de retrocesso na USP.
 
Não bastasse as placas chamando a ditadura militar de 1964 de "revolução", não bastasse à perseguição implacável à Faculdade de Direito, a Reitoria tem instalado um clima de terror quando o assunto são as manifestações internas da comunidade.
 
O último episódio foi a criação de uma Comissão Disciplinar para demitir 6 funcionários que teriam participado de uma manifestação às 7 horas da manhã do dia 24 de março. Os acusados se manifestavam justamente contra a demissão apressada e ilegal de funcionários grevistas ocorridas em janeiro 2011. Ao grupo dos 6 funcionários foi associado um estudante que, não podendo ser demitido, incorre “à pena disciplinar de eliminação”. Tudo isso usando um velho decreto criado no auge da ditadura militar. Decreto que, instalada a democracia, foi deixado de lado por motivos óbvios.

Líbia, o novo lubrificante das ambições imperiais



Quatro semanas de bombardeios intensos dos caças da Otan precederam a captura e morte de Kadafi (eu duvido), nesta 5ª feira, na Líbia.  Sirte, a cidade nuclear no centro das operações, foi reduzida a ruínas. Mais de 100 pessoas morreram nos últimos 10 dias. Há centenas de feridos e encarcerados. A violência não se limita aos combates.Um relatório da Anistia Internacional, de 13 de outubro, "Detention Abuses Staining the New Libya",denuncia a persistencia de prisões arbitrárias, sem julgamento, por parte de milícias incorporadas ao governo provisório rebelde.


A prática da tortura é generalizada nas prisões, seja por vingança, seja como método sancionado de coleta de  informação. Se o Conselho Nacional de Transição (CNT) não der mostras de "uma ação firme e imediata", diz o Relatório da Anistia, a Líbia corre "um risco real de ver algumas tendências do passado repetirem-se.

Eu Du-vi-do!

Estava tomando café esta manhã na padaria com meu pequeno Gabriel quando a Ana Maria Braga à minha frente interrompeu a receita de petit gateau para chamar no estúdio a Sandra Annemberg. Nervosa, porque não tinha como ler a notícia na tela confortavelmente, Sandra informou sobre a captura de Kadafi com todas as ressalvas de que a informação ainda não havia sido confirmada "oficialmente". Se não está confirmada, não é notícia, pensei.


Depois, pus-me a pensar porque as pessoas desconfiam tanto de notícias assim? Primeiro, porque os americanos e seus aliados são mestres em iludir a opinião pública com informações mentirosas. Aliás, para os senhores da guerra, a máquina da notícia é a primeira arma a ser disparada. Depois, porque toda vez que a "America" tem problemas internos, como é o caso dos acampamentos espalhados pelo país, inspirados pelas marchas de Wisconsin e, mais recentemente, o Occupy Wall Street, de Nova Iorque, um dos caminhos naturais é desviar o foco para conflitos externos. Essa também, convenhamos, é velha.  

 
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