29 setembro 2011

A singela diferença entre o egoísta e o altruísta



Quando trabalhava na TV Globo, havia um repórter cinematográfico, que não vou identificar por razões óbvias, que andava com um cheque de cem reais no bolso. Ele fazia questão de mostrar aos mais íntimos. Era um prêmio que ele recebeu ao lado de um dos mais consagrados repórteres brasileiros.

O sujeito foi lá, faturou cinco mil reais, se não me engano, e dividiu o prêmio com os colegas, na proporção que ele achou ser a mais justa. Andar com o cheque no bolso era um protesto, uma maneira de dizer ao mundo como companheiros podem ser tão injustos com os colegas, quando se trata de trabalho coletivo.

O prêmio de um repórter consagrado é seu status, seu reconhecimento público e, principalmente, seu salário, muitas vezes 10, 20, 30 vezes maior do que o do pessoal da base da pirâmide. Portanto, nada mais justo do que em ocasiões como esta dar o exemplo, premiar aqueles que fazem a diferença, no sentido de transformar nosso trabalho coletivamente. 

Brasil, mostra a sua cara...



Por que o Pará cantou o Hino Nacional Brasileiro? Antes da partida contra a Argentina (Super Clássico das Américas), nesta quarta-feira, a torcida paraense deu show de civilidade no lotado Estádio Mangueirão. Cessou a amostra instrumental do Hino Nacional, mas o povo resolveu seguir até o fim da primeira parte da composição, à capela. 
As imagens de TV mostram o povo feliz com a saudável molecagem, orgulhoso, muitos com as mãos sobre o peito. São crianças, jovens, idosos, gente negra, branca, índios, representantes da comunidade nipônica e, certamente, a linda mistura de tudo isso. 
O craque Neymar, ele próprio tão espetacularmente miscigenado, comove-se com a cantoria, marcada na percussão das palmas sincronizadas. Comoção bem comovida. Talvez, mais do que a festa, seja conveniente tomar esse espetáculo como lição para o Sul-Sudeste, onde o Hino é frequentemente ultrajado pelos torcedores, especialmente pelos filhos das elites, sempre envergonhados de sua nacionalidade. 
Cabe também uma reflexão sobre o ódio que determinados brasileiros têm do próprio país, expresso diariamente nos comentários neofascistas dos grandes jornais dessas regiões. Esse comportamento, aliás, é resultado da campanha diária, massiva, que os mesmos veículos fazem para desmoralizar o país e seu povo. 

27 setembro 2011

Lula, o la lá...

Dizer mais o quê?

26 setembro 2011

A Dança das Cadeiras

Nada mudou na audiência da TV Globo, depois da dança de cadeiras do Bom Dia Brasil. Claro que hoje foi só o primeiro dia. Mas se considerarmos que na segunda-feira, por causa da rodada do brasileirão, a audiência costuma ser mais alta, ficar com oito de média não é lá essas coisas.

Das seis da manhã às duas da tarde já não há mais na TV aberta do país um líder absoluto de audiência. São três emissoras pau a pau. O que é ótimo para o telespectador, para o mercado de trabalho e para uma melhor distribuição da publicidade.

No programa da hora do almoço em São Paulo, o SPTV, também não houve alteração significativa. O problema começa com a primeira novela do dia, às 14h30. Depois disso, até às 22h30 o páreo ainda é duríssimo.

A Era do Aquário e a Era dos Peixes (na rede)





A chegada de novos meios é um elemento progressista para a sociedade. Aprofunda a democracia, a entrega da informação e faz com que as pessoas possam se informar melhor, decidir melhor, controlar melhor seus destinos.


Estamos vivendo hoje em dia uma revolução extraordinária na comunicação e não temos ainda a dimensão do que ela é. Todos sentimos que está mudando rapidamente, que atores que falavam sozinhos não falam mais sozinhos. Atores que não falavam começam a falar. As coisas estão em ebulição. Estamos no meio de um caldeirão e ninguém sabe exatamente para onde vamos. É essa reflexão que eu queria fazer. Sem pretensão de dizer para onde vai exatamente, mas colocar algumas questões que julgo extremamente importantes.
Não acredito que a imprensa vai acabar. Cada vez que entrou um meio novo, uma mídia nova no mundo da comunicação ela provocou grandes mudanças. Quando chegou o rádio, muita gente achava que os jornais iam acabar. Porque era mais barato, de graça, chegava diretamente e mais rápido. No, entanto não acabou. Quando chegou a televisão muita gente achou que o radio e o jornal acabariam. A televisão, além de tudo, veicula imagem, é mais completa. Quando chegou a internet mais ou menos o mesmo fenômeno se repete, ou seja, muita gente diz o seguinte: jornais, rádios e televisão estão à caminho do cemitério.
Eu não compartilho dessa visão. A experiência mostra que, toda vez que chegou um meio novo, uma nova mídia, ao invés de liquidar o meio que havia antes, ela ampliou o mundo da comunicação e forçou uma reacomodação. Quando o rádio chegou, os jornais não deixaram de existir. O rádio atraiu pessoas que não estavam antes no mundo da comunicação. E muitos dos que começaram a ouvir rádio logo estavam lendo jornal. A televisão tampouco liquidou com quem ouvia rádio e lia jornal. Ela ampliou o mundo da comunicação. Um jornalista americano, não me lembro o nome, diz o seguinte: é como se fosse uma selva e chega uma fera nova. Ela não acaba com as outras, mas força uma nova reacomodação. Aquele ambiente que está ali vai ter que absorver uma coisa nova, e há uma nova reacomodação.
A experiência nos mostra isso, que as novas mídias jogam um papel de ampliação, de democratização, porque atraem mais gente para o mundo da comunicação, para o mundo da informação, para o mundo do entretenimento, para o mundo dos serviços. Elas socializam mais, fazem as pessoas terem uma participação maior na cidadania. A entrada de novos meios é um elemento progressista, porque amplia, democratiza. Foi assim com o rádio, foi assim com a televisão e está sendo assim de uma forma espetacular com a internet. O novo meio não é o exterminador que vem para acabar com os outros. Ele é um estimulador, que chega para lançar novos desafios para todo mundo e para ampliar o mundo da comunicação. Por isso, no geral, a chegada de novos meios é um elemento progressista para a sociedade. Aprofunda a democracia, a entrega da informação e ela faz com que as pessoas possam se informar melhor, decidir melhor, controlar melhor seus destinos.

25 setembro 2011

Para começar a semana...

Porque hoje é Domingo

Viva o Gordo! (só se for daquela época)



por Jô Soares, antes do tucanato, em 1988


Em 1947, os grandes produtores de Hollywood se reuniram no hotel Waldorf-Astoria, em Nova Iorque, e resolveram que artistas com tendências políticas em desacordo com seu ideário não trabalhariam mais em filmes. Surgia a lista negra e a conseqüente caça às bruxas. Em pouco tempo, não somente radicais ou liberais eram perseguidos; qualquer artista que desagradasse aos chefes de estúdio era listado e não conseguia mais trabalho.

Com impecável senso de oportunidade, a TV Globo escolheu exatamente o momento da Constituinte no Brasil para inaugurar sua lista negra. Quem sair da emissora sem ter sido mandado embora corre o risco de não poder mais trabalhar em comerciais, sob a ameaça de que estes não serão lá veiculados. Como a rede detém quase o monopólio do mercado, os anunciantes não ousam nem pensar em artistas que possam desagradá-la.
Neste ponto, alguém pode achar que eu estou falando por interesse pessoal. Garanto que não.

Não falo pelo fato de os meus comerciais não poderem ser exibidos, nem pelo fato mais recente, das chamadas pagas do meu novo espetáculo no Scala 2 “O Gordo ao vivo” terem sido proibidas. Sou um artista muito bem remunerado e meus espetáculos têm outros meios de divulgação. Graças a Deus meus shows de humor já lotavam teatros antes que eu fosse para a Globo.

24 setembro 2011

Não me convidaram...


Foi concorridíssima a posse do jornalista Merval Pereira, ontem à noite, na Academia Brasileira de Letras. Às 21 h, quando teve início, já botava gente pelo ladrão: o salão principal lotadíssimo, assim como a contígua Sala dos Poetas, com um aparelho de TV que transmitia a cerimônia.
Intelectuais, políticos, jornalistas, figuras cintiliantes da sociedade num mix que coloriu a solene Casa de Machado de Assis - mas todos num silêncio reverente, ouvindo o discurso de Merval que durou cerca de 40 minutos. Na plateia, Dona Lenita Pereira, "em seus gloriosos 93 anos", como foi mencionada pelo filho. Orgulhosa, com razão, assim como Elza, mulher do novo imortal, elegantésima num longo preto que comprou em Nova York.

Porque hoje é Sábado

Juntando os "Cacos" 3



"Encontraram novas ossadas no Cemitério Dom Bosco, em Perus. Um repórter do local foi para lá e está trazendo o material. Como o JN vai dar, você pega o material deles, pede um arquivo e tenta resolver por aqui. O Caco foi para lá, mas vai chegar, gravar uma passagem e volta correndo. Não terá tempo para mais nada." Foi a partir deste comando que editei meu primeiro vt, não sem um frio na barriga, de um dos mais importantes repórteres da televisão brasileira ainda em atividade na Globo. 


Os editores do Jornal Nacional que atuavam em São Paulo, quatro ao todo, geralmente editavam um vt por dia. Sempre que aparecia mais um, não raro, a coordenadora me escalava. Quero pensar que é porque eu era mais rápido, não porque havia um interesse em me sacanear. Sempre tentei ver as coisas por uma perspectiva otimista, hehehe.


Ainda que fosse o segundo vt do dia, editar o Caco era um presente. Gentil, delicado e respeitoso na relação profissional, o repórter sempre foi unanimidade. As colegas suspiravam por ele. Como era o único "menino" no meio de quatro "meninas" foram raras as oportunidades em que trabalhamos juntos. Não por acaso, sua editora preferida à época, Ana Escalada, é hoje diretora do Programa Profissão Repórter. Função que deve exercer com a mesma competência e empenho de tempos atrás.


O programa comandado por Caco é um projeto antigo do diretor-geral, Carlos Henrique Schroder. E foi a chance de Caco sair do dia a dia quando as coisas começaram a piorar lá dentro. Schroder teve papel importante no sentido de blindar profissionais que se ficassem expostos poderiam ser alvo de perseguição. Caco jamais concordaria em fazer o jornalismo que passou a ser feito a partir de 2005.

23 setembro 2011

Juntando os "Cacos" 2



Se Caco Barcellos é alguém que não aceita mordaças, quem teria autorizado sua participação no programa Em Pauta, da Globonews e com que objetivo? Tenho para mim que houve não uma estratégia orquestrada da emissora, ela foi pega de guarda baixa, digamos assim.


Toda pauta de programa na Globo é submetida a um superior que, na dúvida, consulta a direção. Portanto, todos sabiam que Caco estaria ali para dizer o que pensa. Acho que o que ninguém esperava é que a polêmica fosse se dar em torno de princípios jornalísticos, e não sobre o tema da pauta: a marcha contra a corrupção.


Eles só não contavam com a astúcia de Eduardo Guimarães, que assistiu ao programa, procurou no site e, ao ver que tinha sido cortado, pôs a boca no trombone. Mais um ponto para a internet que tem vigiado a mídia como ninguém.


Para Luis Nassif"a reação de Caco Barcelos nada teve de política ou ideológica. Ao denunciar esse jornalismo declaratório, simplesmente fazia uma defesa do jornalismo que aprendeu a praticar, de respeito aos fatos, de apuração das denúncias, de cautela nas acusações."

22 setembro 2011

Juntando os "Cacos"


Há duas teses sobre a participação de Caco Barcellos no programa "Em Pauta", da Globo News, no início desta semana. A primeira sustenta que a direção quis correr o risco ao levá-lo para o estúdio ao vivo e deixar que ele falasse à vontade. A segunda é que não pensaram que o jornalista fosse capaz de tal surpresa, diante de circunstâncias tão adversas que o jornalismo da emissora enfrenta.

Precisamos examinar bem, primeiro, quem é Caco Barcellos e do que ele é capaz. Caco nasceu e cresceu na periferia de Porto Alegre durante os anos de chumbo. Testemunhou na infância várias atrocidades praticadas por policiais contra os pobres. Foi taxista e militou na imprensa alternativa nos anos 70. Apesar da cara de mocinho, Caco já passou dos sessenta, acreditem!

O que o leitor acha de um repórter que é capaz de se disfarçar de morador de rua durante uma semana para fazer uma reportagem? Isso mesmo, dormir no papelão, ficar sem banho e barba, apenas com a roupa do corpo e um saco de lixo para lá e para cá? Esse é o repórter sobre o qual estamos falando. E é por essas e outras que se transformou num ícone do jornalismo brasileiro.

Obstinado, passou oito anos examinando arquivos da polícia de São Paulo, para produzir talvez o melhor livro-reportagem da história do país: o Rota 66. Um documento oportuno até para ajudar os parlamentares e governantes a entenderem a importância da instalação no país da Comissão da Verdade.

21 setembro 2011

A Gente se Liga em Você

Tenho dito que existe um movimento interno no jornalismo da TV Globo para resgatar sua credibilidade. Primeiro, porque sem que as pessoas confiem no noticiário o negócio deixa de prosperar. Segundo, porque a derrota na campanha eleitoral de 2010 teve um gosto amargo para a emissora do Jardim Botânico. A "bolinha de papel" foi o ápice de um processo de radicalização interna (que começou em 2003), e que virou um dos casos mais escandalosos da história da televisão brasileira, caso que só encontra paralelo com a tentativa de fraude nas eleições ao governo do Rio, em 1982, e com a manipulação do debate na Campanha Eleitoral de 1989. Portanto, é natural que alguma intervenção fosse feita.
Ela começou com uma "dança das cadeiras" discreta, como sempre foi, desde os tempos do "bom velhinho". "Ali Kamel" foi encostado e Carlos Henrique Schroder reassumiu os cordéis das marionetes. O primeiro passo foi criar instâncias intermediárias entre a redação e o ex-todo-poderoso, isolando-o. Em seguida, as trocas. Na Globo News, no Bom Dia Brasil e nos telejornais locais. Dizem que outras novidades estão em gestação.
Agora chegou a vez do esporte. Luiz Fernando Lima, o chefão do departamento, respirava por aparelhos, desde que subestimou o interesse da Record pelo direitos do Pan e das Olimpíadas de Londres em 2012. A derrota foi seu fim. Contribuiu para o desgaste a fragilidade que o departamento mostrou nas discussões sobre os direitos do "Brasileirão". A sorte foi aparecer o Tiago Leifert pelas mãos, pasmem, do Boni. Senão a crise seria bem mais grave.

Dilma Lá, nossa agenda na ONU



1. Este é o século das mulheres. 
Concordo.
2. O Brasil é o celeiro da nova Democracia. 
Concordo.
3. Vida, alma e esperança são as palavras-chaves do atual Governo.
Concordo.
4. O combate à fome e à violência e o respeito aos direitos humanos são nossos compromissos.
Concordo.
5. Apoio à causa Palestina.
Concordo.
6. Assento permanente no Conselho de Segurança para reformá-lo.
Concordo.
7. Intervenção urgente da ONU para combater a crise internacional.
Concordo.
8. Fim das políticas protecionista de manipulação de câmbio, por exemplo.
Concordo.
9. Aumento da participação dos países emergentes em decisões estratégicas.
Concordo.

A Herança Maldita de Lula e a Sucessão de Sarney


Até aqui, coube a José Sarney o papel explícito de estorvo a ser aturado, crise após crise, pela presidenta Dilma, como o foi, em tempos recentes, pelo ex-presidente Lula. Sarney é, de certa forma, a única herança realmente maldita deixada por Lula para Dilma, e muito embora haja sempre certa disposição seletiva da velha mídia em avacalhar o ex-presidente, o fato é que, na maior parte do tempo, os jornalistas o deixam em paz. Sarney tem uma complexa rede de aliados e apadrinhados em vários setores da vida pública, inclusive dentro das redações. Sarney também domina o bilionário setor elétrico, nomeia e desnomeia ministros, é tratado com enorme deferência pelo Poder Judiciário, tanto no Maranhão, onde ainda se mantém como senhor feudal, como nas altas cortes. No Superior Tribunal de Justiça, foi brindado, recentemente, com a anulação da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, cujo principal alvo era, justamente, Fernando Sarney, o filho mais velho do coronel e seu principal operador nos negócios da família.

20 setembro 2011

Gente, é Dinheiro Público! Ah, mas assim pode...



A Fundação Roberto Marinho fez um convênio com o Ministério Turismo, e recebeu R$ 17 milhões dos cofres públicos de 2009 até o primeiro semestre deste ano (confira aqui).

Com o dinheiro, a ONG ligada à TV Globo deveria qualificar 80 mil profissionais, autônomos e estudantes de turismo, gastronomia e hotelaria, em cursos on-line de inglês e espanhol, para a Copa de 2014.



Esse projeto recebeu o nome de Olá, Turista! e já encerrou suas atividades.

No entanto não existe na internet inteira, nem no site da ONG (sem qualquer prestação de contas com transparência), nem nos sites de controle do governo federal, nem no TCU, nenhuma prestação de contas disponível (pelo menos até o momento) para o cidadão saber como esses R$ 17 milhões foram gastos e se de fato foram treinadas 80 mil pessoas, ajudando a combater a corrupção e o desvio do dinheiro público.

Mas o twitter oficial do projeto "Olá, Turista!" traz uma informação alarmante: para quem deveria ter treinado 80 mil pessoas, estava com dificuldades em encontrar guias de turismo que fizeram o curso:


Está na hora da CGU auditar e o TCU examinar com rigor estas contas. E, se confirmadas as suspeitas, exigir o dinheiro de volta aos cofres públicos de convênios se propondo a treinar dezenas de milhares de pessoas, e só treinam uns "gatos pingados".

19 setembro 2011

O que os suiços podem ensinar aos brasileiros?

Que se nós ficarmos parados estamos fritos.


Não é verdade, como pretende Orson Welles em "O Terceiro Homem", que o relógio cuco tenha sido a única contribuição da Suíça à civilização.
Basta pensar na Cruz Vermelha, em Rousseau, Benjamin Constant, Madame de Stael, Pestalozzi, Le Corbusier, Piaget, Giacometti, Godard, elenco mais impressionante que o de alguns gigantes pela própria natureza.
Eis que o relógio cuco dá nova contribuição ao soar o alarme contra o perigo mortal da anarquia do câmbio. Ninguém no mundo se compara aos suíços em cautela e horror do não convencional. Se arriscam fixar a cotação do franco suíço em euros é porque a situação está para além de preta.
A diferença entre nós e eles é que, como os sicilianos, eles jamais ameaçam: preferem agir sem preanuncio. Nós somos incendiários nas declarações e tímidos na ação e não apenas por amor à bravata.
É que os suíços podem arrostar ataques especulativos com alguma chance de sair com vida.
Nós, sempre no fio da navalha, corremos o risco de soprarmos em inflação que já arde em cima da palha seca se tomarmos medidas ousadas como o corte do juro ou o controle de capitais.


18 setembro 2011

Para começar a semana...

17 setembro 2011

Brizola Neto, mais uma vítima de Veja


A Veja, que se aposentou do jornalismo para dedicar-se a arte da intriga e da difamação, publica uma matéria em que afirma que eu e o deputado Paulo Pereira da Silva estivemos com o chefe de Gabinete da Presidenta Dilma Roussef, Gilles Azevedo, elencando “suspeitas de irregularidades no ministério” do Trabalho.  Estive com  Gilles, como várias vezes faço, pois se trata de um velho amigo, discutindo política. Não fui a ele  com o deputado Paulinho, não discuti assuntos de ministério algum e não tenho nenhuma posição administrativa lá dentro do Ministério do Trabalho que me permitisse, se houvesse, saber de qualquer assunto que não seja público. Fui procurado por um repórter da Veja e, mesmo com toda a consideração pessoal ao profissional que me procurou, não conversei com ele.

Não mexa com a Dilma, diz Newsweek


A presidente Dilma Rousseff é capa da próxima edição da revista 'Newsweek' internacional e da edição nacional americana. É a primeira vez que há destaque em mais edições da publicação para uma capa sobre o Brasil. A revista deve chegar às bancas nesta semana.
Com o título 'Don't mess with Dilma' (em tradução literal 'Não mexa com a Dilma'), a reportagem principal aborda o governo, a história política e também a vida pessoal da presidente.
A revista cita detalhadamente o crescimento econômico do Brasil e a participação de Dilma nesse processo de mudanças, iniciado com a gestão Lula. O assunto é endossado pela frase do presidente dos EUA, Barack Obama, quando esteve no Rio de Janeiro em março deste ano, dizendo que o Brasil era o país do futuro. Dilma será a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral da ONU, fato descrito como positivo e influente.

16 setembro 2011

Sanguinho Novo


informação de que as remessas de lucros e dividendos por parte de multinacionais – especialmente do setor financeiro e de telecomunicações – atingiram mais de 34 bilhões de dólares nos últimos 12 meses dá uma idéia da sangria com a qual estamos alimentando - com a nossa força de trabalho e de consumo - nossas ex-metrópoles coloniais, cada vez mais parecidas com um bando decrépito de vampiros lutando para não voltar ao pó.
Essa soma, de 34 bilhões de dólares, representa mais de 60% do total do déficit em conta corrente, que deve passar de 50 bilhões de dólares neste ano, apesar do aumento – que mais uma vez colocou em xeque as agourentas “previsões” dos “agentes” do “mercado” – de mais de 70% no superávit comercial deste ano.
Um caudaloso amazonas de dinheiro, que está indo para o exterior, todos os anos, em troca de absolutamente nada.
De lá, como nos tempos das caravelas, as naus só tem trazido duas coisas:
Espelhinhos, em forma de press-releases, que depois são publicados aqui pelos mesmos enganadores que continuam defendendo, na mídia, que fizemos um excelente negócio entregando para os estrangeiros nossas empresas estratégicas e nosso mercado interno nos anos 90.

O vizinho que entra, abre a geladeira e pega o último iogurte




O PMDB continua o aliado incômodo, mas necessário para qualquer governo. A presidenta Dilma Rousseff, no entanto, devolveu o incômodo, no episódio da demissão do deputado Pedro Novais (PMDB-MA): ela sacrificou o quinto ministro da sua equipe original, que assumiu em janeiro, terceiro do PMDB - os demais foram um do PT e outro do PR -, mas jogou o problema no colo do partido. O parlamentar que saiu, detonado por sucessivos escândalos próprios de quem está acostumado à política de clientela de seu Estado, foi substituído por outro da mesma clientela, o "sarneyzismo maranhense": ponto a menos para o governo. Mas, ao tornar público que o PMDB escolheria quem quisesse, com a única exigência de que fosse um "ficha limpa", Dilma responsabilizou um partido de poucos quadros credenciados, ética e administrativamente, por qualquer problema futuro com a indicação. É um compromisso que a legenda vai ter dificuldades de cumprir. A vida do PMDB não é tão fácil quanto se pinta. 
Desde o governo Sarney (1985-1990), perdeu os seus melhores quadros, interiorizou-se e vive de uma bancada grande e de um número considerável de prefeitos obtidos com o uso intensivo da prática tradicional de obter votos: uma base municipal com lideranças sustentadas por favores federais. Quando obtém o governo do Estado, o partido agrega à sua cadeia de interesses os governadores. Na rede de poder, ninguém consegue sobreviver sem um vínculo forte com o governo, a não ser que detenha grande poder econômico. Mesmo as lideranças familiares do Norte e Nordeste, que no passado encontravam guarida no PMDB, no PFL e menos intensamente no PSDB, estão com dificuldades de manter os seus redutos eleitorais regionais tradicionais. Existe uma disputa intensa pelos votos dos mais pobres, reduto que o PT está rompendo mesmo numa situação em que ambos estão aliados no governo federal.


O que pedem os professores mineiros?




A principal reivindicação dos professores é emblemática deste período histórico tão desfavorável para a luta da classe trabalhadora. Os professores de Minas Gerais, assim como professores da maioria dos estados brasileiros reivindicam simplesmente o cumprimento da lei! Exigem o imediato cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN), estabelecido pela Lei Federal nº 11.738.

Desde 8 de junho, os professores mineiros enfrentam a tropa de choque, ataques difamatórios na grande mídia, punições administrativas e ameaças, apenas por exigirem o cumprimento da lei!
As vésperas de completar 100 dias de greve, a vitória dos professores mineiros não pode ser vista como apenas de uma categoria. É parte importante da mesma luta que reivindica verbas para a educação e, principalmente, um símbolo de um novo período de conquistas que se abre para a classe trabalhadora.

15 setembro 2011

O Impostômetro é uma Fraude?


Virou quase lugar-comum dizer que o Brasil é um dos campeões mundiais em impostos, e comparar nosso pacote de serviços públicos com os oferecidos por países com carga tributária igual ou maior. Esses argumentos deixam de lado dois detalhes importantes: somos também destaque mundial em desigualdade social, e temos uma massa de desassistidos comparável apenas a países como China e Índia. Ou seja, sai caro, muito caro, para uma nação com tal perfil, oferecer, mesmo precariamente, uma estrutura de amparo universal.
O Brasil é mesmo um país de contradições. Na manhã da quarta-feira 14, um grupo de pessoas acompanhou a contagem do Impostômetro, o marcador gigante instalado pela Associação Comercial de São Paulo no centro da cidade para medir a arrecadação do governo. Neste ano, diz a entidade, atingimos a marca de 1 trilhão de reais 35 dias mais cedo do que em 2010. A cifra foi acompanhada por vaias do grupo de pessoas aglomerado diante do display. Não as culpo. Vende-se, por estas bandas, a ideia de que dinheiro de imposto é dinheiro subtraído da sociedade. Um argumento tão repetido pela mídia (e pela oposição ao governo) que, para muitos, se tornou uma verdade.
Sobre o dia em que Carlos Doneles enfrentou Ali Kamel, aqui.
Sobre como Dorneles não permitiu a manipulação de Ali Kamel, aqui.

14 setembro 2011

Para Reclamar de Imposto Sobra Empresário, né não?



A Constituição de 1988 diz, em seu artigo 7º, que é direito dos trabalhadores participar dos lucros das empresas que lhes pagam o salário. Se depender do patronato brasileiro, entretanto, a redução da desigualdade social do país continuará a ser responsabilidade exclusiva do Estado. 

Em audiência pública realizada pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados nessa terça-feira (13/9), para discutir projeto que obriga as empresas a repartir os ganhos, representantes dos bancos, do comércio, da indústria e até das microempresas se declararam contra a proposta. E mais: propuseram desregulamentar a precária legislação já existente sobre o tema.  

O projeto de lei 6.911, de 2006, do deputado Luiz Alberto (PT-BA), atende a uma demanda do movimento sindical brasileiro que, em mais de 20 anos desde a promulgação da Carta de 1988, ainda não conseguiu regulamentar adequadamente o direito assegurado pela Constituição. 

Pelo texto, a empresa que se recusar a negociar com o sindicato a forma de partilha dos lucros ficará automaticamente obrigada a distribuir 15% dos ganhos aos empregados. Se topar negociar, terá de fornecer informações contábeis ao sindicato, aceitar que a entidade conduza a eleição da comissão de trabalhadores e pagar o mesmo valor de benefícios a todo o quadro de funcionários, independente do valor dos salários.

Mais um ex-ministro (homem de Sarney?)


Pouco importa se o quinto ministro do governo Dilma Rousseff vai cair hoje, amanhã ou na semana que vem.
O que me pergunto é como um político proviciano, de carreira medíocre , absolutamente desconhecido até ser nomeado, embora veterano na Câmara Federal, chegou a ser Ministro do Turismo no Brasil.
Sabemos apenas que Pedro Novais, 81 anos, é do Maranhão, pertence ao PMDB de José Sarney e chegou ao ministério levado pelas mãos de Henrique Alves, o eterno líder do partido na Câmara, que há décadas maneja os córdeis do poder parlamentar.
No momento em que escrevo, Novais já pode até ter sido saído ou pedido para sair do ministério. Que diferença isso vai fazer para os destinos do país?Alguém vai deixar de investir ou investir mais no Brasil, o dólar vai subir ou cair, a Bolsa será abalada?
Só ficamos sabendo da sua existência em dezembro, logo após a sua nomeação, quando foi denunciado pela imprensa por pagar as contas de uma festinha promovida num motel em São Luís com dinheiro público.

13 setembro 2011

Cansei!

por Leila Farkas

Será que a "grande" imprensa vai cobrir?



E se cobrir, qual será o "viés" que adotará? Vamos aguardar...


Nesta sexta-feira, 16/09, a partir das 17 horas o movimento pela democratização dos meios de comunicação no Rio de Janeiro fará um ato contra a corrupção da velha mídia na Cinelândia.

O ato, que está sendo convocado pelo RioBlogProg, pretende reunir estudantes, jornalistas e militantes insatisfeitos com o monopólio da mídia no Brasil.

Segundo Sergio Telles, representante do RioBlogProg, "a velha mídia utiliza dos mecanismos mais obscuros para a manutenção de seus privilégios".


Ato Contra a Corrupção da Velha Mídia
Quando? Sexta-feira, 16/09, das 17 às 19 horas
Local: Cinelândia

Realização: RioBlogProg, FALE-Rio, UEE-RJ, DCE-Facha, DCE-UEZO, UJS

Os Verdadeiros Inimigos de Poeta



Muito já se falou, "facebookeou", "tweeteou" e "blogou" a respeito da entrevista que a presidente Dilma concedeu ao Fantástico do último domingo, que foi reeditada - com cortes - para o Bom Dia Brasil do dia seguinte. Permitam-me, no entanto, "testar algumas hipóteses" com base em perguntas levantadas ao longo do dia de ontem.


Por que a Patrícia Poeta? Porque ela é apresentadora do programa e tem por hábito fazer entrevistas com personalidades, desde que voltou de Nova Iorque para assumir o Fantástico. Assim como ela, seu parceiro, Zeca Camargo, também o faz sempre que tem opoturnidade, sobretudo com o pessoal da música, que é sua praia.


Portanto, não foi uma escolha da direção como muitos especularam. Foi uma conquista exclusiva dela e da produção do programa que, infelizmente, pode ter sido útil para um jogo de bastidores bastante sujo. 



12 setembro 2011

O olhar de Maria Inês


O talento de Luiz Inácio Lula da Silva para lidar com as multidões; sua expertise em diálogo, adquirida nas mesas de negociação com os patrões como sindicalista; a ascendência sobre o PT, por ter sido, desde a criação do partido, a ligação entre os quadros de esquerda e as massas; e até um tendência ao pragmatismo acabaram concentrando todos os elementos de governabilidade em suas mãos, nos seus dois mandatos (2002-2010). 

O carisma e o talento político, e algumas apostas bem sucedidas - que permitiram a inclusão de grandes contingentes pobres à sociedade de consumo - se sobrepuseram a condições extremamente desfavoráveis do seu mandato. Lula lidava com uma elite política rachada ao meio: na base de apoio, tinha que lidar com a política de clientela de partidos tradicionais, à direita ou ao centro; na oposição, com um udenismo que tinha grande potencial de instabilização do regime. Sem fazer o governo dos sonhos da esquerda de seu partido ou dos movimentos sociais, a guinada à direita do PSDB e o "lulismo" das bases acabaram limitando a ação dos grupos mais radicais. Seu vínculo com a CUT também neutralizou o movimento sindical.

Todo o temor dos setores de centro-esquerda nas eleições do ano passado residia no fato de a candidata ungida por Lula, Dilma Rousseff, não ter as mesmas qualidades. A presidenta eleita não tem vínculos históricos com o PT ou com os movimentos sociais, não tem prática de negociação - nem no movimento sindical, nem com os partidos políticos - e não é uma líder popular. Os primeiros nove meses de governo, todavia, mostram que, em alguns casos, ela transformou suas desvantagens em vantagens. Depois de oito anos de governo de um líder político como Lula, era obrigatória a reautonomização dos partidos e dos movimentos sociais.

De que lado?



Quase todo jornalista sente o seu ego inflar quando é apresentado em público como uma pessoa que está por dentro das coisas. Quando se trata de política, futebol e economia, é o especialista que sabe o que pensa e o quer o político, o cartola e o banqueiro. Um profissional nessas condições é chamado pelos norte-americanos de insider e goza de muito prestígio porque é quem supostamente sabe de coisas que os vis mortais ignoram.
O problema é que a própria definição de insider coloca o profissional num dos lados da informação, o lado de quem tem poder, de quem pode gerar notícias e influenciar a agenda pública. Mas este é o lado certo do jornalista? Se formos seguir os manuais, a resposta provavelmente será negativa, porque a função do jornalista é buscar, conferir, editar e publicar informações que permitam ao cidadão ter uma vida digna e inserir-se no convívio social.
Estamos, portanto, diante de um paradoxo. Para cumprir suas funções o jornalista deveria ter como preocupação principal “estar por dentro” do que pensa e quer o cidadão. Os tomadores de decisões também são cidadãos, mas não são eles que compõem a grande massa da população, que é quem vota e precisa de informações para poder participar na definição dos rumos de uma sociedade.

11 setembro 2011

Olha só o que o Ali Kamel fez com o Caco Barcellos



Caco é um ícone. Autor de matérias memoráveis e um dos melhores relatos jornalísticos em livro do país: o Rota 66. Nem assim ele escapou da hostilidade dos manifestantes que, independentemente de quem fosse, expulsaram-no. Não ele, mas o veículo que Caco representa.

Fico triste. Caco não merecia este gesto. Trabalhei com ele e posso atestar seu caráter, sua dignidade e seu compromisso com o bom jornalismo. Mas ele é vítima do método Ali Kamel de testar hipóteses, de não ser racista, de ser contra políticas afirmativas, contra o Enem, contra o PT, contra a Dilma...

Na prática, Ali e sua turma são capazes de coisas que até Alá duvida.

A Liberdade do Nosso Povo foi Atacada

Contra a Correnteza




Há cerca de um mês, o jornal britânico The Guardian foi um dos que procurou fazer uma cobertura mais analítica e menos simplista da onda de violência que durante quatro dias quebrou e saqueou lojas e prédios de Londres e de outras cidades do interior do Reino Unido. Na semana do décimo aniversário dos atentados às Torres Gêmeas em Nova York, o jornal publica um artigo de Seulmas Milne, que era colunista de opinião naquele setembro de 2001, em resposta a todas as críticas que o Guardian sofreu desde então por sua postura questionadora e não-conformista. Vale um belo paralelo com o que vemos no Brasil, em mais de um sentido.


Seumas Milne diz que houve uma reação uníssona ao fatídico dia. Não apenas todos os veículos de imprensa falavam a mesma coisa, mas repetia o que dizia o governo e o que o governo queria que eles dissessem. Só havia, por essa perspectiva, uma explicação e uma reação possível, a guerra ao terror.


Aí cabe o primeiro paralelo, bastante evidente. Discurso único, mesmice jornalística. Mesma pauta, mesma abordagem sobre praticamente qualquer tema. A concorrência fica apenas em pontos isolados: quem implementa mudanças tecnológicas primeiro, quem tem a melhor impressão, o melhor site, a maior quantidade de notícias, quem consegue um furo – coisa cada vez mais rara no jornalismo –, ainda que essa notícia, se dada por qualquer outro veículo, tivesse a mesma abordagem.


O Guardian, pelo que afirma Milne, fugiu à regra. E por ter permitido que seus colunistas relacionassem os ataques à política americana ao redor do mundo foi tratado como uma ameaça, por anti-americanismo.



Eis o 11/09 que deveria nos interessar



"Allende preferiu o suicídio a abandonar o Palácio vivo. Neruda morre poucos dias depois de 11 de setembro. Victor Jara teve seus pulsos amputados e morreu no então Estadio Chile, rebatizado no fim da ditadura como Estadio Victor Jara. Milhares de pessoas foram presas, torturadas, assassinadas, desaparecidas, exiladas. A democracia chilena foi destruída, com ela o Parlamento, a Justica, os sindicatos, os partidos políticos, a imprensa democrática." (Emir Sader)

09 setembro 2011

World Trade Center 7: Palavra de Cientista

Um Empurrãozinho?

Brasil: Cabide de Emprego?



                                                                  por Fernando Brito


A manchete de O Globo – Governo Lula contratou três vezes mais servidores do que Fernando Henrique – serve para fazer “onda”, mas não serve para os leitores entenderem coisa alguma sobre a política do Governo Federal em relação ao funcionalismo.
Não conta que Lula deixou o Governo com menos funcionários que FHC recebeu de Itamar. Nem que gasta menos com eles do que FHC gastou no último ano de seu, digamos, governo. Quatro e meio por cento do PIB, contra 5% do último ano de FHC, como você vê no gráfico
Postei, no blog Projeto Nacional , uma análise dos números da pesquisa divulgada ontem à tarde pelo IPEA, de onde tirou a sua manchete.
Lá, pergunto o que aconteceria se a redução do número de funcionários fosse como FHC fazia e O Globoaplaudia:
“Imagine o caro leitor que a notícia fosse dada da seguinte forma: Polícia Federal tem menos agentes que em 2003 ou Universidades federais dobram matrículas mas não contratam professores ou Número de ações duplica, mas União tem os mesmos advogados que em 2003.”

11/09: Teoria Conspiratória ou Empurrãozinho?




Hoje, dez anos depois, tem muita gente séria levantando dúvidas, geralmente engenheiros que entendem de resistência de material ao fogo e altas temperaturas. Assim, dizem que o querosene saído dos aviões queima a uma temperatura de 850 graus centígrados, mas que o metal das torres podia suportar calor de 1.250 graus, antes de fundir.

Como onde tem fumaça, há certamente fogo, nessa história de complô para derrubar as Torres Gêmeas, o melhor, para evitar o risco de abuso por esquerdistas ou antiamericanos, seria esperar surgir alguém não político. Ora, justamente, existe um, suíço, professor de História na Universidade de Basiléia. Seu nome Daniele Ganser. Ele diz ter ficado com a pulga atrás da orelha, três anos depois, em 2004, ao ler o relatório oficial da Comissão de Inquérito sobre esses atentados.

Depois de ler o calhamaço de mais de 500 páginas, Ganser não se convenceu, achou falhas, e muitos argumentos destinados a reforçar os ataques ao Iraque, Afganistão, ao islamismo e ao Eixo do Mal apontado pelo cristão Bush. Três mil mortos de um lado, centenas de milhares do outro.

Ganser ficou também impressionado pelo fato da torre 7, do World Trade Center, a WCT7, não constar do documento, embora tivesse caído como um castelo de cartas no fim da tarde do 11 de setembro, e o mais estranho, sem ter sido tocada pelos aviões.

Esse esquecimento da WTC7 não foi só do inquérito, muitas pessoas acham terem sido só duas, as Torres Gêmeas, as que foram ao chão. Se já era estranho as gêmeas terem desmoronado, mais estranho é o fato de um prédio de 43 andares ruir, sem ter sido incendiado e sem ter sido atingido por aviões.


08 setembro 2011

Surpresa




Que surpresa
Beleza
Luz acesa
Certeza
Que saudade
Verdade
Já chegou
Então
Vem cá

 
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