A mídia golpista do Equador está desesperada. Em setembro de 2010, o jornal El Universo publicou matéria mentirosa afirmando que Rafael Correa havia ordenado abrir “fogo” contra os policiais que intentaram um golpe contra seu governo. O presidente não vacilou e entrou com processo na Justiça exigindo a retratação do jornal e do editor responsável pela calúnia, Emílio Palácio.
Como não houve a retratação, em julho deste ano a Justiça condenou os diretores do jornal e Palácio a três anos de prisão e fixou multa de US$ 40 milhões. Os donos do El Universo, apavorados, afirmam que o pagamento levará o jornal à falência. Mas Rafael Correa já disse que não recuará um centímetro e que doará todo o dinheiro da indenização. “Não ficarei com 20 centavos”.
Está cada vez mais difícil acreditar na Veja, para quem quer. Não bastando provas materiais e testemunhais de que seu repórter tentou invadir o domicílio de José Dirceu e a ausência de mísero indício de que ele se reunia com correligionários em um hotel de Brasília para fazer negociatas e conspirações, ela se porta como culpada e ele, como inocente.
O ex-ministro supostamente é o acusado. Ao menos para o grande público, que, ainda – eu disse ainda –, não ficou sabendo do que a revista andou aprontando. Dirceu, no papel de culpado, deveria estar fugindo da repercussão e a Veja, no papel de acusador, deveria estar surfando nela.
Exposta em bancas de jornais por todo país e tendo recebido alguma cobertura da grande mídia, a revista estaria em melhores condições para continuar a vender a sua denúncia do que Dirceu a dele. O que se esperaria, portanto, é que a Veja estivesse falante.
Não é o que se vê. Ontem, assisti a uma extensa reportagem da Record News sobre o caso. Uma matéria correta que contou com entrevista de José Dirceu, que desceu a lenha na Veja. Essa emissora foi o primeiro grande meio de comunicação a se somar à extensa cobertura de pequenos veículos que tem suprindo a afasia jornalística dos grandes.
Dirceu está em uma maratona de manifestações públicas sobre o caso, iniciada quando denunciou em seu blog que a Veja mandou alguém tentar invadir seu quarto de hotel. Nos últimos dias, porém, a frase mais repetida da política tem sido a de que a revista não irá comentar o assunto com a fila de veículos que se propõem a ouvir a sua versão dos fatos.
Não espere do livro de Joe Wallach (Meu Capítulo na TV Globo) lançado hoje no Rio de Janeiro alguma grande revelação, a não ser a de que Roberto Marinho tinha duas penas de aluguel: Otto Lara Resende e Nelson Rodrigues. Mas como todos os personagens não estão vivos para dar suas versões, jamais saberemos se, de fato, teriam feito algum servicinho sujo a mando do patrão.
O que fica claro (apesar de não explicito) é que Wallach e Marinho se uniram para tirar o grupo Time-Life do negócio, tão logo o parceiro decidiu cobrar resultados pelo enorme investimento à época. O americano era o "cara da grana", que veio para o Brasil representar os interesses estrangeiros na televisão. Mas foi seduzido pela versão brasileira de Rupert Murdoch.
"...O caso é que agora está rolando uma certa moda - que faz a alegria dos descolados iconoclastas e dos apóstolos do liberalismo mais tacanho - de atribuir aos próprios africanos a responsabilidade sobre a escravidão. Todo mundo palpita sobre a história da África, mete o bedelho sem conhecimento de causa e, nesse rame-rame, tem gente dizendo que nós nunca fomos racistas e que Monteiro Lobato comparava Tia Nastácia a uma macaca beiçuda por uma questão de afeto. Sugiro que esses papudos leiam Silvio Romero e Oliveira Vianna, dois intelectuais respeitados em antanhos.
Silvio Romero, ao refletir sobre o problema brasileiro no início do século passado, sugeriu que a única salvação do país era torcer para que a miscigenação se fosse processando com o aumento contínuo do sangue branco. Chegou a profetizar que (se a miscigenação fosse estimulada) a superioridade do sangue branco prevaleceria e no ano 2000 não haveria mais traços negróides no nosso povo. Clarear o brasileiro, eis a solução do nobre intelectual.
Oliveira Vianna, por sua vez, escreveu um livro outrora muito respeitado, que apaixonou gerações de leitores, chamado Evolução do povo brasileiro. Segundo este autor, a salvação possível do Brasil era a nação embranquecida. Para ele, a imigração européia, a fecundidade dos brancos , maior do que a das raças inferiores (negros e índios ), e a preponderância de cruzamentos felizes, nos quais os filhos de casais mistos herdariam as características superiores do pai ou da mãe branca, garantiam um futuro brilhante e branquelo ao Brasil."
Duzentos e setenta e quatro bilhões e seiscentos milhões de dólares divididos por dezessete mil oitocentos e setenta e nove pessoas (17.879) e mais duas mil cento e noventa e uma empresas (2.191), o que dá uma média de treze milhões para cada.
Ou seja, vinte mil brasileiros (pessoa física ou jurídica) controlam sozinhos aproximadamente a quinta parte de toda a riqueza brasileira!
Admira-me a notícia não causar espanto. Somos a oitava ou sétima economia do mundo e ainda temos entre nós 16 milhões (isso mesmo, milhões) de brasileiros que não conseguem comer sequer um prato de comida por dia.
Acrise dos Estados Unidos e da Europa, a cada dia que passa, evidencia ainda mais, para o observador atento, os acertos alcançados pelo BRICS.
Na gênese do beco sem saída em que se meteram, os estados ocidentais cometeram dois erros fatais:
Permitiram que se instalasse e consolidasse, durante anos, uma situação de irrestrito laissez-faire, limpando o terreno para o surgimento de áreas nebulosas de especulação, como a dosubprime e dos derivativos, e deixando que ali medrasse uma estéril e arriscada “economia de papel”, em detrimento da economia real, orientada para a geração de bens e produtos, renda e emprego, e para o atendimento das necessidades também reais, dos seres humanos.
Por outro lado, ao mesmo tempo, os Estados Unidos e a Europa se endividavam até o pescoço, para manter um status-quo historicamente insustentável, tanto do ponto de vista militar, como é o caso, principalmente, dos norte-americanos, quanto do ponto de vista de consumo, conservando artificialmente o padrão de vida – e, em conseqüência, a arrogância – de seus povos, em um patamar muito acima do restante da humanidade.
Enquanto isso, governos como o da Índia e o da China, seguindo o que a Coréia do Sul e o Japão haviam feito anteriormente, coordenavam sinergicamente todos os setores da sociedade para criar - sem a oposição, como acontece no Brasil, da imprensa conservadora e dos “agentes” do mercado - uma miríade de grandes empresas locais, no início com financiamento público e depois com participação privada, para fabricar automóveis, eletroeletrônicos, roupas, softwares e outros bens de consumo.
Fiscalizavam rigorosamente os bancos. E investiam na economia real, incorporando, nesse processo, pela criação de empregos e a melhoria das condições de educação e capacitação, dezenas de milhões de cidadãos ao mercado de consumo.
Na Rússia, na Índia e na China, o primeiro objetivo da sociedade é o fortalecimento do poder nacional e não de um ou de outro determinado grupo de interesse. É por isso que, nesses países, o Estado não se sente constrangido, como aqui, em mobilizar e induzir os agentes econômicos para a conquista do desenvolvimento.
Mas os BRICS não ficaram por aí. Enquanto a Europa e os Estados Unidos imprimiam bilhões de dólares em títulos sem lastro, Rússia, Índia, China, e o Brasil, que a partir de 2003, também adotou essa estratégia, economizavam parcimoniosamente os recursos obtidos com as exportações, liquidavam, praticamente, suas dívidas com o exterior, e aumentavam suas reservas internacionais, a ponto de elas triplicarem, hoje, as do G-7, emprestando, pela primeira vez na história, dinheiro para o FMI e para as grandes nações ocidentais.
Hoje, China e Brasil estão entre os quatro maiores credores dos Estados Unidos, e são seguidos de perto, nesse quesito, pelos russos e pelos indianos.
Se tiverem noção do excepcional momento histórico que estão vivendo, os países do BRIC aproveitarão a crise do Ocidente, para consolidar definitivamente, com a participação da África do Sul, recém admitida no Grupo, uma aliança estratégica global que está predestinada a mudar o panorama geopolítico do mundo no século XXI.
Como toda coisa nova, não é fácil entender o governo Dilma Rousseff. Mais difícil ainda é enxergar para onde está indo.
Ele é novo por três razões principais. Todas são importantes e produzem efeitos significativos em nosso sistema político.
É novo por ser nosso primeiro governo genuinamente de continuidade. Desconsiderando aqueles da República Velha, diferentes demais para comparar com os subsequentes e nos quais tampouco houve algum que se pudesse dizer que era de continuidade nítida, sempre tivemos sucessões de ruptura.
Assim foi de Eurico Gaspar Dutra para Getúlio Vargas, de Café Filho para Juscelino Kubitschek, dele para Jânio Quadros e daí para João Goulart. Até a eleição de Fernando Collor, foram longos anos de anormalidade e improvisações, a maior parte delas discricionárias. Não faria sentido falar em continuidade ao longo desses 30 anos, a não ser do autoritarismo (a rigor, sequer na época dos generais houve sucessões pacíficas).
Para entender as dificuldades da Presidente Dilma Roussef, em seus esforços para o combate à corrupção no poder executivo (já que a Constituição veda a sua atuação nos outros dois poderes do Estado) é preciso recuar um pouco no tempo, a fim de entender o cipoal da administração no serviço público brasileiro.
Quando o Presidente Getúlio Vargas criou, em 1938, o Dasp – Departamento Administrativo do Serviço Público – e instituiu o concurso para a admissão de servidores públicos, ele deu o passo mais importante para a criação de um verdadeiro estado nacional. Mesmo que ele tenha reservado alguns cargos para provimento arbitrário do chefe de governo, como os de tesoureiros e fiscais do imposto de consumo, a providência representava poderoso golpe contra as oligarquias políticas, que faziam do governo uma reserva de empregos e sinecuras, destinadas à perpetuação da sua própria espécie, de condôminos da república, e exploradores dos trabalhadores rurais e urbanos.
O Paul Krugman tem uma frase que volta e meia ele repete: "Os cossacos trabalham para o Csar"...
Lula escolheu Dilma, com o objetivo de fazer a máquina pública andar. A faxina que está ocorrendo na administração federal é para fazer a máquina andar. As alinaças com governadores da oposição também são para fazer a máquina andar. Está tudo ocorrendo conforme o plano de Lula...
Lula não pretende ser candidato à Presidência da República em 2014 e jamai pretendeu. Ele voltaria somente se Dilma tiver feito um governo fraco... que pelo andar da carruagem, não será fraco. O objetivo de Lula, caso seja candidato, é o Senado. Lé ele seria eleito facilmente Presidente da casa e poderia mudar o regimento para ficar nesse cargo por 8 anos. O PT teria o controle de dois poderes na República...
O objetivo de Lula é transformar o "lulismo" em petismo. A eleição municipal está vindo aí e o PT quer crescer. E Dilma e Lula apóiam, juntos, o mesmo candidato à candidato do PT para a cidade de São Paulo: o Ministro da Educação. Dilma já convenceu Mercadante a tirar o time da reta. Só falta Lula e Dilma convencerem a senadora. Ambos, Lula e Dilma, vão trabalhar pela eleição de candidatos do PT nos municípios. A estratégia está pronta...
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mudou, nesta sexta-feira, parte da tabela do Campeonato Brasileiro. Por conta do amistoso entre a Seleção e Gana, no próximo dia 5, a entidade máxima do futebol nacional criou um horário incomum: os jogos às quartas e quintas-feiras às 18h (de Brasília). A mudança visa diminuir os prejuízos de clubes como São Paulo, Vasco, Santos, Cruzeiro e Corinthians, que cederam atletas para o compromisso do time pentacampeão mundial.
Com a viagem marcada para a próxima quinta-feira, Corinthians e Vasco teriam como desfalques do volante Ralf e do zagueiro Dedé, respectivamente. Contudo, com a alteração da tabela, o jogo entre o clube de Parque São Jorge e o Grêmio, além do duelo entre o time cruz-maltino e o Ceará, foram antecipados da próxima quinta (dia 1º de setembro) para quarta (31 de agosto), no incomum horário das 18h, inédito nos últimos anos para confrontos de meio de semana.
Entre os outros clubes, apenas o São Paulo teve alteração de horário. A equipe do Morumbi, que terá Lucas à disposição, receberá o Fluminense, no Morumbi, às 21h50, e não mais às 20h30. No dia 8 de setembro, por outro lado, a equipe comandada por Adilson Batista também estreará no horário das 18h, diante do Atlético Mineiro, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro - o confronto estava marcado para às 20h30.
A ironia funciona muito bem quando dita ao vivo, mas quando escrita pode se transformar numa arma apontada para o próprio autor. Foi o que aconteceu comigo. Na quarta-feira publiquei um texto em que "defendia" algumas medidas para moralizar o serviço público e os poderes da República (aqui).
Defendi o uso de câmeras ligadas à internet, punição implacável dos envolvidos em corrupção, regulamentação da propina, pagamento de comissões por desempenho, um recadastramento funcional e outras medidas para o Legislativo. Poupei apenas o Judiciário por uma questão de desconhecimento da lógica interna da instituição.
(...) Ora, Reinaldo (Azevedo), se a culpa é do brasileiro, a conclusão é uma só: o país não tem jeito mesmo. E talvez a única solução seja o aeroporto. Não importa se 35 milhões de brasileiros cruzaram a linha da miséria na última década, se o Brasil se tornou a Meca dos investidores internacionais e se o desemprego é o mais baixo desde o início da série histórica do IBGE. O eleitor, além de mau caráter, deve ser burro, mesmo. Pior, é masoquista.
"A receita é sempre a mesma: despedir trabalhadores do setor público, fazer dos professores bodes expiatórios, cancelar acordos previamente firmados com sindicatos, aumentar as mensalidades escolares, promover rápida privatização de patrimônio público e reduzir aposentadorias e pensões. – Cada um que prepare a mistura específica para o país onde viva. E quem lá está, na televisão, pontificando sobre a necessidade de abrir mãos desses “benefícios”? Os banqueiros e gerentes de empresas de hedge-fund, claro."
Diante da notícia de que o capo da CBF, Ricardo Teixeira, começa a chantagear seus parceiros da Rede Globo de Televisão, não me resta outra saída a não ser dizer: Fica Teixeira e conte tudo o que você sabe! Se está no inferno, abraça o capeta!
Agora a sério. Toda relação que se estabelece sem que as regras e os critérios sejam a lealdade, a honestidade e algum princípio ético, dificilmente prospera. A desconfiança mútua, o jogo de esconde e a traição são a ruína prevista nestes casos.
E o que é o esporte senão a vitória do mais forte sobre o mais fraco dentro de critéiros rígidos, que devem ser cumpridos sob pena de cometimento de falta e, em última instância, a pena de desclassificação? Já nos esportes individuais a regra de ouro é a superação.
Quanto custa dotar repartições públicas sensíveis à corrupção com câmeras de vídeo e equipamentos de áudio e transmitir tudo em tempo real pela internet? Seria como um sistema de vigilância e transparência do poder público federal. Nada de ocultação, tudo às claras. Se o sujeito tem algum cargo em que suas decisões implicam em custos ao Governo Federal, sorria, você está sendo filmado.
Claro que a privacidade seria preservada em determinadas condições. Tudo discutido com os próprios funcionários, com ou sem intermediação dos sindicatos a depender do seu grau de representatividade. À controladoria-geral da União caberia centralizar as denúncias e afastar imediatamente o servidor, enquanto durassem as investigações.
Que tal se também institucionalizássemos a propina? Isso mesmo! Parece uma idéia um tanto excêntrica, mas eu explico melhor. Para cada liberação de recurso público haveria uma caixinha, combinada previamente com os servidores. Ao final de cada período haveria um rateio em partes rigorosamente iguais, como forma de combater as desigualdes sociais, não importando se o servidor é mais graduado ou o um simples auxiliar de serviços gerais, todos receberiam o mesmo quinhão.
Primeiro foi uma reportagem de dois minutos no telejornal de Sábado quando, como todos sabem, a audiência cai quase para quase dois terços. Depois, uma nota numa conhecida revista dizendo que a vítima, Ricardo Teixeira, estaria disposta a retaliar sua parceira. "Coincidentemente", tudo aconteceu depois de um dia ensolarado em que quase quinhentos torcedores indignados decidiram marchar pelas ruas de São Paulo pedindo a moralização do futebol brasileiro e que uma campanha de boicote à Globo ganha corpo pela rede.
Eles acham que a gente nasceu ontem. A estratégia conhecida por todos na emissora é a seguinte. Diante de um assunto rumoroso, como os desmandos do futebol e de seus dirigentes e sócios, a ordem é cobrir. Cobrir no atacado, sem censura. Assim, um batalhão de incautos jornalistas das Organizações se mobiliza, trabalha duro, checa cada uma das informações veiculadas por outros veículos. Reportagens são feitas. É quando entra em cena a mão pesada da edição, no varejo. Quase tudo vai para a gaveta segundo os chefes, ou porque as reportagens não trazem novidades, ou porque o jornal está curto.
Quantos de nós estamos realmente dispostos a combater a corrupção?
Faço esta pergunta porque a corrupção é endêmica. Diria até que é parte do nosso estágio civilizatório. Corromper é o mesmo que se relacionar. É oferecer privilégio a alguém. É seduzir com poder, dinheiro, presentes e mimos. É a possibilidade de desencadear no outro a oportunidade, a ocasião, sempre sob o manto do anonimato e do sigilo, como um pacto em segredo.
Na vida privada é o chefe da segurança que estabelece os critérios para concessão de vagas no estacionamento da empresa, é o controlador de despesas do departamento de transportes, que pode ou não estar mancomunado com os prestadores de serviço e as lojas de peças, é o chefe do almoxarifado em conluio com seus fornecedores ou, até mesmo, supervisores de área, que controlam as horas-extras de seus subalternos. Gestores de contratos, gestores de TI, gestores de custos... todos, se quiserem tem acesso à corrupção.
Na vida doméstica a corrupção também existe. São os funcionários do condomínio que desviam material de limpeza, os serventes que furtam itens de manutenção, a copeira que leva na bolsa o coador de papel embrulhado com sua porção de pó de café, ou um rolo de papel higiênico, um sabonete, uma porção de sabão em pó...
Tinha um primo que trabalhava fornecendo material de limpeza e utilidades para condomínios, como capachos, espelhos de garagem, sistemas de segurança, no-breaks para lâmpadas e uma infinidade de coisas...
Esta semana foi marcada por mais denúncias envolvendo um dos ministérios do governo Dilma. E também pela ação "republicana" da Polícia Federal, interessada em constranger acusados, ou seria constranger o próprio governo a que serve? Aí na internet encontrei os velhos críticos da grande imprensa chamando os progressistas e alternativos para novo embate. A pergunta era: por que eles não falam nada? Por que pararam de criticar "seu" governo?
Estamos diante, mais uma vez, de um fenômeno que temos visto se repetir com uma frequência assustadora. Em vez de jornalismo crítico, jornalismo de oposição. Não basta apontar os erros, a corrupção e as irregularidades. Precisam servir para fundamentar um discurso catastrófico, de profunda crise, anti-nacionalista, privatista e mercadista. Claro que quem tem bom senso não cai nessa cilada armada por jornalistas engajados politicamente.
É fácil dizer: a relação do governo com a base é clientelista. Mas quando o governo age e põe o dedo na ferida, os jornalistas-opositores se aliam aos "bandidos" para fazer o jogo sujo do desgaste político. Como se não fosse possível separar a crítica de princípios. O governo tem falhas? Claro, todo governo tem. Mas uma coisa é apurar, corrigir e transformar. Outra, bem diferente é acusar e, quando o governo age, ele é que é inábil politicamente.
Um engenheiro de som (Mark Johnson) estava a caminho do trabalho, em Nova Iorque, quando se deparou com dois monges no metrô, um tocando violão e o outro cantando. Foi o ponto de partida para o projeto "Playing for Change: Songs around the world", que reúne músicos de rua ao redor do mundo. Virou CD e DVD. Se podemos ou não cantando mudar o mundo? Estou certo disso. Dica do co-xi-xan-do.
"Liberte-se da escravidão mental,
Ninguém além de nós pode libertar nossas mentes
Não tenha medo da energia atômica,
Porque eles não podem parar o tempo
Por quanto tempo vão matar nossos profetas?
Enquanto nós permaneceremos de lado olhando?" (Bob Marley)
O Fantástico tem até o próximo Domingo para dar resposta à manifestação do Comando da Aeronáutica, que desqualificou a reportagem que foi ao ar no último programa, reproduzida na manhã do dia seguinte, no Bom Dia Brasil.
Com a experiência que acumulei nas redações dos principais telejornais do país vou contar para os leitores como as coisas funcionam internamente.
Assim que nota chegou à emissora desencadeou-se um processo de apuração, para saber quem eram os responsáveis pelos erros cometidos. Fossem outros tempos seria simples: bastava demitir o editor e dizer que foi um equívoco. Já vi isso acontecer em ao menos duas ocasiões.
Na mais acintosa delas, no mesmo Fantástico, a jornalista tinha editado uma reportagem dessas em que IPT confere se os produtos estão ou não de acordo com as especificações da embalagem. Ao final, em nota, as empresas se explicam sobre as falhas encontradas. Como as explicações quase sempre são imensas, é praxe o editor reduzir tudo para caber numa nota curta lida pelo apresentador.
Uma fonte na TV Globo conta que desde sexta-feira começou uma caça às bruxas na emissora. Eles querem saber quem foi que vazou para o Rodrigo Vianna o plano de desqualificar o novo ministro da defesa, Celso Amorim. Como era sigiloso e envolveu não mais do que 20 profissionais de três capitais, eles consideram que fazer o mapeamento e achar o "traidor" é questão de tempo. Só que eles ignoram que este tipo de segredo é de polichinelo, não dá para ser guardado numa redação. Por uma razão simples: um editor tem sempre outro editor com quem troca confidências. Repórteres, mesmo que tenham sido poucos e confiáveis os acionados, sempre comentam com os cinegrafistas - afinal têm uma amizade muito longa. E, não raro, há alguém que ouve, um auxiliar, um motorista... Portanto, esqueçam, será impossível descobrir de onde partiu a notícia que caiu como uma bomba no colo dos gestores.
Declarações de princípios jornalísticos equivalem aos ditames dos manuais de redação que alguns veículos produzem para consumo interno: defendem os melhores critérios técnicos e de conduta profissional, mas ninguém no ramo acredita que eles possam vingar no exercício da labuta cotidiana. Esses documentos contradizem a realidade e a própria natureza do ofício criativo de forma tão descarada que deveriam ser condenados como propaganda enganosa segundo o Código de Defesa do Consumidor.
Além de vender assinaturas e espaço publicitário, no entanto, eles ajudam a reforçar a imagem das empresas quando as coisas vão mal ou prometem piorar. É mania presunçosa e arrogante da imprensa refugiar-se no pedestal dos poderes republicanos sempre que uma parcela representativa da sociedade ousa desafiá-la. A História guarda incontáveis manifestações dessa patologia, seja na forma de notas públicas, editoriais ou colunas opinativas.
À primeira vista, portanto, a manifestação das Organizações Globorefletiria “apenas” uma preocupação institucional diante dos continuados ataques à lisura do seu núcleo de jornalismo, talvez até alavancada por alguma pesquisa de opinião ou pelo crescimento das emissoras concorrentes. Mas as circunstâncias da declaração (ausência de causa objetiva imediata, contexto político estável, leitura solene em horário nobre) indicam motivações menos óbvias e simpáticas.
Parece-me exagerado conferir à nomeação de Celso Amorim na Defesa a capacidade de propulsionar um gesto dessa envergadura. A Globo nunca precisou de explicações prévias para destruir reputações. Tampouco tem o costume de se rebaixar a debates com desafetos individuais, poderosos que sejam. Fiel à lógica de seu alcance (e à imagem que alimenta acerca desse poder), a corporação trabalha visando objetivos de grande envergadura.Manipular eleições, por exemplo. Ou derrubar governos.
Já que nenhum parlamentar convocará a empresa para esclarecer por que decidiu, após quase meio século de existência, bravatear um compromisso que deveria ser obrigatório e permanente em toda concessão pública, resta-nos juntar estoques de alho, água benta e balas de prata, lacrar portas e janelas e encolher diante da televisão, esperando chegar o Dito Cujo.
A novidade do final de semana na imprensa brasileira é a declaração de princípios das Organizações Globo, publicada em todos os seus veículos no domingo, disponível na internet e destaque no jornal O Globo e na revista Época.
Não é a primeira manifestação desse tipo da empresa que domina o mercado brasileiro de comunicação.
Em 1989, quando se envolveu em controvérsias sobre manipulação de informações durante a campanha eleitoral para presidente da República, a empresa divulgou um credo jornalístico que a prática acabava de desmentir, ao forçar o noticiário em favor de um dos candidatos.
Depois, em 1997, o grupo empresarial divulgou um documento intitulado “Visão, Princípios e Valores”, no qual declara que deseja, permanentemente, “ser o ambiente onde todos se encontram. Entendemos mídia como instrumento de uma organização social que viabilize a felicidade”, diz a carta básica da empresa.
Esses pontos fundamentais de suas convicções são repetidos a cada ano, em seus relatórios de atividades.
Mas boas intenções não impedem controvérsias.
Em 2005, teve grande repercussão uma declaração de William Bonner, apresentador do Jornal Nacional. Bonner dissse, e sustentou, que para a TV Globo, o telespectador típico do Jornal Nacional é como o personagem de desenho animado Homer Simpson, porque teria dificuldade de “entender notícias complexas”.
Aparentemente, não há na divulgação da declaração de princípios deste final de semana qualquer contexto especial. O Brasil não se encontra envolvido em campanha eleitoral, não ocorrem grandes questionamentos sobre a imprensa e o Grupo Globo não se encontra sob os holofotes da atenção pública, como aconteceu em 2002, quando a empresa foi socorrida por um multimilionário empréstimo do BNDES.
O pano de fundo mais evidente para esse acontecimento é uma reacomodação do Grupo Globo e de outras empresas de mídia ao ambiente político nacional.
E o cenário político pode ser afetado pelo ambiente econômico, valendo lembrar que foram retomadas recentemente as negociações para um programa de crédito do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico eSocial – para as empresas de mídia.
As dívidas do setor eram avaliadas, no ano passado, em cerca de R$ 10 bilhões, dos quais 60% são atribuídos às Organizações Globo.
O tema volta eventuamente à pauta e chegou a gerar um plano de socorro oficial durante o governo Lula, que foi batizado pela imprensa como Promídia.
Bandeira branca
O Forum Nacional para a Democratização da Mídia tem monitorado os movimentos de executivos de empresas do setor e já definiu posição contra qualquer programa de socorro que desconsidere o desafio da concentração da propriedade da mídia.
Além disso, exige transparência no processo e garantia de contrapartidas por parte das empresas.
Dentro das próprias organizações que representam empresas de comunicação há divergências quanto ao papel do BNDES – a Rede Record, por exemplo, entende que os recursos do banco oficial de fomento só devem ser destinados a investimento, não ao saneamento de dívidas.
Atualmente, o projeto que cria uma linha de financiamento para socorro de empresas de mídia se encontra na Comissão de Educação do Senado.
Evidentemente, o movimento das Organizações Globo, ao destinar três páginas de seu principal diário e sete páginas de sua revista semanal a uma declaração de princípios, não precisa ser necessariamente vinculado a possíveis dificuldades financeiras.
Pode ser apenas isso: um desejo irrefreável de garantir à sociedade brasileira que a Globo é do bem, que se pode esperar de seus veículos que se comportarão sempre como instrumentos “de uma organização social que viabilize a felicidade”.
O documento garante que “as Organizações Globo serão sempre independentes, apartidárias, laicas e praticarão um jornalismo que busque a isenção, a correção e a agilidade (…)”.
Mas não há também como resistir à hipótese de que, tendo exercido, nos últimos oito anos, uma oposição ferrenha e eventualmente alucinada ao governo do ex-presidente Lula da Silva, a empresa que controla a maior emissora brasileira de televisão esteja buscando novo posicionamento político.
Os analistas da empresa devem ter concluido que a atual presidente, Dilma Rousseff, não encarna um projeto pessoal de longo prazo no poder.
Ao prometer um jornalismo isento na medida do possível, mas vigilante, a Globo acena com uma trégua. Pelo menos até as próximas eleições.
A divulgação este fim de semana dos Princípios Editoriais das Organizações Globo tem por finalidade dar uma resposta à sociedade que clama por regulação. Eles sabem que não podem mais continuar fazendo o que vinham fazendo e tentam se antecipar à legislação para criar um ambiente favorável, no sentido de argumentar que, sozinhos, são capazes de impor uma norma de conduta. Nada mais falso, como conta Rodrigo Vianna (aqui).
Pesquisas qualitativas tem demonstrado que o público voltou a ter antipatia pelo jornalismo praticado pela emissora. O monopólio da verdade acabou. Com o advento da internet (que eles próprios elogiam, já que têm enormes interesses comerciais e investimentos nesse setor) o consumidor de informação deixou de ser massa acrítica. Hoje, uma informação veiculada por eles é confrontada em seguida logo depois, com fez o xará Mello (aqui).
Para trazer informação de qualidade é preciso não ignorar o contraditório, não fazer juízos apressados e preconceituosos, não testar hipóteses irresponsavelmente e não subestimar a capacidade de seu público. Muitos podem até absorver conteúdo inercialmente, mas muitos também estão dispostos a dizer basta. Basta de manipulação, basta hipocrisia, basta de irresponsabilidade (aqui).
Ao definir o jornalismo que fazem, ressaltam: "Livre de prismas e de vieses, pelo menos em intenção, restará apenas o noticiário. Mas, se de fato o objetivo do veículo for conhecer, informar, haverá um esforço consciente para que a sua opinião seja contradita por outras e para que haja cronistas, articulistas e analistas de várias tendências." Desafio os leitores a encontrarem vozes dissonantes em política e economia, por exemplo. Vejam uma amostra do que fazem (aqui).
Informação de qualidade, segundo o documento, tem que ter: isenção, correção e agilidade. Ótimo, bom tripé. No entanto, o jornalismo da emissora não é isento. Posso garantir - como ex-funcionário durante 12 anos - que todo conteúdo "sensível" à emissora, não só é acompanhado de perto pela direção como é modificado e devolvido para os jornalistas. E ai daquele que ouse discordar.
Na seção II o documento prega a relação entre os jornalistas e as fontes (aqui). Posso afirmar, são no geral muito promíscuas. Como a TV é vitrine, quase sempre o que temos entre repórter e entrevistado é uma relação pautada pelo interesse recíproco. Como o alcance sempre foi grande, muitas "fontes" se acostumaram a frequentar os noticiários, mesmo quando suas declarações com frequência eram retiradas de contexto.
Quanto aos valores, "As Organizações Globo serão sempre independentes (dependendo do patrocinador - grifo meu), apartidárias (quando o PSDB não estiver no pleito - grifo meu), laicas (quando o Papa não se pronunciar oficialmente - grifo meu)." E prossegue: "Não serão, portanto, nem a favor nem contra governos, igrejas, clubes, grupos econômicos, partidos. Mas defenderão intransigentemente o respeito a valores sem os quais uma sociedade não pode se desenvolver plenamente: a democracia, as liberdades individuais, a livre iniciativa, os direitos humanos, a república, o avanço da ciência e a preservação da natureza." Aqui deixo para os leitores comentarem.
Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação
Nos dias que tem comida, comemos comida com a mão.
E quando a polícia, a doença, a distância ou alguma discussão
nos separam de um irmão,
Sentimos que nunca acaba de caber mais dor no coração.
Mas não choramos à toa,
Não choramos à toa.
Aqui nessa tribo ninguém quer a sua catequização.
Falamos a sua língua, mas não entendemos seu sermão.
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão.
Mas não sorrimos à toa,
Não sorrimos à toa.
Volte para o seu lar,
Volte para lá.
Aqui nesse barco ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectiva mas o vento nos da a direção
A vida que vai a deriva é a nossa condução
Mas não seguimos à toa, não seguimos à toa
Volte para o seu lar,
Volte para lá.
Novembro de 2010, auge da corrida à presidência. Dilma tinha aberto uma confortável dianteira sobre o adversário Serra. À véspera do segundo turno uma notícia estarrecedora. Um telegrama da embaixada dos Estados Unidos era vazado pelo Wikileaks. Nele, a notícia de um encontro entre o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, o ano, 2008.
A conversa era sobre um acordo de cooperação. Boquirroto, Jobim diz a Sobel que o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Guimarães, "odeia os Estados Unidos". Samuel era homem de confiança do Chanceler Celso Amorim, que nunca escondeu sua reserva em relação à política externa da nação imperialista. Jobim, como sempre, negou as afirmações chegando até a chamar Samuel de amigo.
No telegrama, o embaixador relata um café da manhã com Jobim, em 17 de janeiro daquele ano. No fim da correspondência, Sobel especula se Lula não teria que decidir entre um ministro da Defesa disposto a criar laços mais estreitos com os Estados Unidos e um Ministério das Relações Exteriores empenhado em controlar a política externa e manter certa distância entre os parceiros históricos.
Daquele momento em diante, todos no Governo perceberam que deixar Jobim circular livremente no centro do poder decisório poderia não ser o mais adequado. Vale lembrar também que Jobim fez o que pode para manter os americanos em campo durante o processo de escolha dos caças, ainda que, em público, elogiasse abertamente os aviões franceses.
Acordos de cooperação militar esperados pelos Estados Unidos também ficaram no papel, mas a confiança do governo americano nos laços com Jobim seguiu forte. O embaixador americano tinha nele um grande aliado, no sentido de afiançar a parceria com os EUA para alcançar "a estabilidade no hemisfério".
De volta ao poder, Amorim retoma agora um pleito praticamente esquecido: o assento permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Quem sabe o Ministério da Defesa finalmente não deixe de ser um "Ministério do Ataque" aos interesses nacionais. Espero que o ostracismo faça bem ao nosso ex-ministro.
Foi com imenso prazer e algum pezar que folheei o último exemplar do NEWS OF THE WORLD, do dia 10 de Julho de 2011. A última edição foi a de número 8.674 e exaltou os feitos do tablóide, que durou 168 anos e tinha uma legião de leitores: 7,5 milhões. Nas 67 páginas, 48 edições históricas. No editorial, a lembrança de ter tido entre seus colabores nomes, como: George Orwell e Charles Dickens. Grandes coberturas de guerras, da morte da princesa Diana e da rainha mãe, do naufrágio do Titanic, ou ainda o triunfo inglês na Copa do mundo de 1966, justamente o ano em que nasci.
Toda renda da tiragem foi destinada à três instituições inglesas. Dizem que muitas que foram procuradas pelos editores não quiseram aceitar, temendo o prejuizo em associar seu nome a Rupert Murdoch e sua turma. O jornal que fez fama noticiando escândalos e intimidades de poderosos, ricos de famosos termina sob efeito de seu próprio veneno. E os profissionais que aceitaram fazer o que fizeram, em nome do mau jornalismo, agora estão desempregados, com uma mancha no curriculum que poucos concorrentes hão de aceitar. Quem teve o senso de oportunidade de, em Londres, comprar um exemplar para guardar de lembrança foi a colega jornalista Márcia Cunha, de quem também é a autoria das fotos.
Para quem passou 30 anos da vida vendo as crises econômicas se alternarem no país, ou no papel de pivô, ou como alvo, o brasileiro, hoje no papel de expectador de um mundo que está derretendo pode se considerar um privilegiado. Primeiro foi um tsunami que virou marola. Depois veio a crise da Grécia. Mais recentemente as dívidas da Itália e Espanha e, agora, os Estados Unidos, que mais uma vez pretendem repartir a conta da gastança com seu povo.
E nós, quem diria, temos como desafio agora gerenciar nosso sucesso. Mas não nos iludamos. A oitava economia do mundo (agora sétima, diz o Marcelo Kurk) ainda tem indicadores sociais comparáveis aos países mais pobres do globo. A ascensão social beneficiou quase 50 milhões de brasileiros, mas ainda não foi o bastante. Há quem ainda viva abandonado na pobreza no interior desse imenso país. Também temos problemas econômicos crônicos, como juros e câmbio, este agravado pelo "fator China", além da desendustrialização e da crescente falta de competitividade, reflexo também da baixa qualidade de nossa mão de obra em alguns setores.
Além do mais, temos uma cultura extraordinariamente tolerante com a corrupção, não só no serviço público, como nos querem fazer crer os alarmistas da imprensa, mas principalmente na vida privada, onde os interesses dos barões se impõem aos dos peões. As trapaças e o oportunismo dos executivos, não só são tolerados, mas tratados como mérito, enquanto que os privilégios que os pobres comungam são tratados como desvios morais gravíssimos.
Se não fizemos um pacto pela honestidade não avançaremos a não ser espasmodicamente. E se a classe política não se convencer disso vamos continuar diante dos hipócritas a desfiar seu rosário de platitudes. Este é o balanço do primeiro dia de trabalho, depois de 15 de férias. Amanhã é meu aniversário. Faço 45 anos com discreta comemoração.
Escrevi a ficção do jornalista e a princesa antes de viajar de férias. Programei os capítulos para serem exibidos no primeiro minuto de cada dia. Desta vez não fui adaptando a história de acordo com os comentários dos frequentadores, como às vezes faço. Ficou tudo pronto antes. Meu único trabalho foi liberar, sempre que possível, as mensagens dos leitores. Pela frequência, que permaneceu praticamente estável em Julho, suponho que a aceitação tenha sido boa.
Nos quinze dias de descanso fui com a família para Minas Gerais ver meus pais. É uma região muito bonita, próxima à nascente do rio São Francisco, nos arredores da Serra da Canastra. Fizemos um roteiro para mostrar ao meu filho mais velho e aos seus amigos algumas belezas naturais nas proximidades. Entre elas, a cachoeira da foto acima (clique sobre a imagem para ampliar). A cana-de-açúcar avança rapidamente sobre o cerrado. Ainda assim é possível encontrar locais preservados, muitos por iniciativa de pessoas sonhadoras. Pedro aproveitou muito o passeio e fez coisas cada vez mais improváveis nas grandes cidades, como andar a cavalo por exemplo (foto abaixo).
Em breve volto à ativa. Gostaria apenas de dizer que, por mais que as pessoas queiram identificar os pilotos, o jornalista e a princesa isso não possível. Apesar de nascida de fatos reais, numa ficção personagens trocam de papel, eventos inexistentes passam a existir e os desfechos nunca são os mesmos da realidade. Vale como exercício para aqueles que tateam a realidade, sem no entanto alcançá-la por inteiro. Obrigado a todos!