por Fernando Trindade
"Sociologicamente" falando são 3 os 'partidos' que realmente têm força política no Brasil, desde pelo menos 1945.
No campo popular, situado mais à esquerda o partido que agrega os interesses dos trabalhadores assalariados, excluídos, marginalizados, despossuídos,autônomos, empreendedores e empresários com vinculação nacional e popular (seja por origem social, seja principalmente por 'carteira' de clientes e ramo de negócio - produtos de consumo de massas) Neste grupo está a maioria absoluta da nova classe C e parte (minoritária) da antiga classe média. O principal partido (sem aspas) que represena esse grupo é o PT.(Entre 1945 e 1965 foi o PTB).
No campo elitista, mais à direita o 'partido' que agrega os interesses das elites tradicionais, p. ex os 'quatrocentões de SP' (empresariais do campo - agroexportadores tradicionais - e das cidades, das classes médias, profissionais liberais) e parcela das novas elites (maioria do agronegócio, maioria das classes médias e profissionais liberais que ascenderam dos anos 70 para cá e que têm a meritocracia como ideologia dominante). O principal partido (sem aspas) que agrega tais interesses hoje é a coligação PSDB/DEM. (Entre 1945 e 1965 foi a UDN, na ditadura seu 'partido' principal, com aspas foram as FFAA e não a ARENA, como muitos acreditam).
Finalmente o terceiro importante 'partido' representa o centro político, agregando os interesses patrimoniais e clientelistas históricos. Não são preponderantemente interesses ideológicos diversamente dos outros dois, mas fisiológicos,seja para fins de sobrevivência (comer é ato fisiológico básico e primário, ou não?) seja para fins de reprodução do status quo, por meio de subvenções estatais e/ou ocupação de espaços no aparelho do Estado. Basicamente procura representar os interesses de todas as classes, diluindo os interesses de classes. O seu principal partido hoje (sem aspas) é o PMDB. Entre 1945 e 1965 foi o PSD.
O 'partido' com aspas do campo popular/populista foi destituído do poder em 1964 e só voltou em 2002, com Lula, embora tenha parcialmente apoiado os governos de centro de José Sarney e o de Itamar. O partido da direita esteve no poder desde a ditadura até 2002, sendo que entre 1985 e 1990 (Governo Sarney) e entre 1992 e 1995 (Gov. Itamar) o 'partido' com aspas predominante foi o do centro. O 'partido' da esquerda é nacional e popular (ou populista, para os que preferirem)e anti-elitista. Embora haja nele elementos minoritários de elitismo.
O 'partido' da direita é cosmopolita (ou entreguista para os que preferirem) e elitista. O 'partido' do centro está no centro, mas historicamente tem se afastado do elitismo (e isso é fundamental para entender a aliança da esquerda e do centro a partir do Governo Lula) e aqui chegamos ao mais importante.
Entendo que o PSD de Kassab será um tentativa de setores que hoje estão no 'partido' da direita de passarem para o 'partido' do centro a partir da crítica do elitismo. O novo PSD vai - ao mesmo tempo - aceitar que o Brasil mudou, que os anos Lula significaram sim uma conquista social, mas vai atuar para disputar com os partidos (sem aspas) da base a nova classe C e com a coligação direitista as classes A e B, a partir de um discurso de valorização do empreendedorismo e dos serviços públicos, de liberdade de ação empresarial, de redução de tributos e de pragmatismo em temas como política externa e costumes sociais, procurando, nesses temas se diferenciar do 'partido' da direita'.
"Sociologicamente" falando são 3 os 'partidos' que realmente têm força política no Brasil, desde pelo menos 1945.
No campo popular, situado mais à esquerda o partido que agrega os interesses dos trabalhadores assalariados, excluídos, marginalizados, despossuídos,autônomos, empreendedores e empresários com vinculação nacional e popular (seja por origem social, seja principalmente por 'carteira' de clientes e ramo de negócio - produtos de consumo de massas) Neste grupo está a maioria absoluta da nova classe C e parte (minoritária) da antiga classe média. O principal partido (sem aspas) que represena esse grupo é o PT.(Entre 1945 e 1965 foi o PTB).
No campo elitista, mais à direita o 'partido' que agrega os interesses das elites tradicionais, p. ex os 'quatrocentões de SP' (empresariais do campo - agroexportadores tradicionais - e das cidades, das classes médias, profissionais liberais) e parcela das novas elites (maioria do agronegócio, maioria das classes médias e profissionais liberais que ascenderam dos anos 70 para cá e que têm a meritocracia como ideologia dominante). O principal partido (sem aspas) que agrega tais interesses hoje é a coligação PSDB/DEM. (Entre 1945 e 1965 foi a UDN, na ditadura seu 'partido' principal, com aspas foram as FFAA e não a ARENA, como muitos acreditam).
Finalmente o terceiro importante 'partido' representa o centro político, agregando os interesses patrimoniais e clientelistas históricos. Não são preponderantemente interesses ideológicos diversamente dos outros dois, mas fisiológicos,seja para fins de sobrevivência (comer é ato fisiológico básico e primário, ou não?) seja para fins de reprodução do status quo, por meio de subvenções estatais e/ou ocupação de espaços no aparelho do Estado. Basicamente procura representar os interesses de todas as classes, diluindo os interesses de classes. O seu principal partido hoje (sem aspas) é o PMDB. Entre 1945 e 1965 foi o PSD.
O 'partido' com aspas do campo popular/populista foi destituído do poder em 1964 e só voltou em 2002, com Lula, embora tenha parcialmente apoiado os governos de centro de José Sarney e o de Itamar. O partido da direita esteve no poder desde a ditadura até 2002, sendo que entre 1985 e 1990 (Governo Sarney) e entre 1992 e 1995 (Gov. Itamar) o 'partido' com aspas predominante foi o do centro. O 'partido' da esquerda é nacional e popular (ou populista, para os que preferirem)e anti-elitista. Embora haja nele elementos minoritários de elitismo.
O 'partido' da direita é cosmopolita (ou entreguista para os que preferirem) e elitista. O 'partido' do centro está no centro, mas historicamente tem se afastado do elitismo (e isso é fundamental para entender a aliança da esquerda e do centro a partir do Governo Lula) e aqui chegamos ao mais importante.
Entendo que o PSD de Kassab será um tentativa de setores que hoje estão no 'partido' da direita de passarem para o 'partido' do centro a partir da crítica do elitismo. O novo PSD vai - ao mesmo tempo - aceitar que o Brasil mudou, que os anos Lula significaram sim uma conquista social, mas vai atuar para disputar com os partidos (sem aspas) da base a nova classe C e com a coligação direitista as classes A e B, a partir de um discurso de valorização do empreendedorismo e dos serviços públicos, de liberdade de ação empresarial, de redução de tributos e de pragmatismo em temas como política externa e costumes sociais, procurando, nesses temas se diferenciar do 'partido' da direita'.


























