26 fevereiro 2011

O Churrascão

Era para começar às 11h. Deu 13h30 e nada. Pensei: "vai ser um fiasco". O primeiro a chegar foi o mais improvável de aparecer: Carlos Dorneles. Em seguida Luciana Bergamo e o Walace (finalmente conheceríamos o W.). As queixas eram demolidoras: "o mapa que você fez é péssimo! Nisso o telefone toca. Era o Rodrigo Vianna perdido com a família a caminho de Itatiba. Pouco depois ligo para Angela Canguçu para saber se está tudo bem. Ela diz que está a caminho, confiante. Ligo em seguida para o Luiz Carlos Azenha que tem Márcia Cunha e Eduardo Prestes no carro. Ele diz que não tem erro, porque está de GPS. O telefone toca. É a Angela perdida. Alexandra, que já tinha ido buscar o Rodrigo, sai para alcançar a Angela. Só que ela está do lado oposto do que imaginamos e saio eu para resgatá-la. Passava das duas quando a festa começou. Curiosamente não se falou de trabalho. Em pauta a vida pessoal. Dorneles, Prestes e Walace dividiram picanhas e churrasqueira, cada um à sua maneira. A sogra, ausente, entrou com a maionese, a patroa com o arroz, o vinagrete e a salada. Comemos e bebemos muito bem. Também rimos muito. Fizemos o que as pessoas não devem nunca deixar de fazer: conviver. Era quase oito, quando o último convidado se foi e deixou aquela sensação gostosa que a vida só nos dá muito de vez em quando. Mais por culpa nossa. Em meia hora estava tudo em ordem, o que nos deixou animados para fazer outros encontros. Os critérios de seleção de convidados foram rígidos porque, afinal de contas, a brincadeira custa. E não é pouco.

P.S. A Alexandra reclamou do "patroa" aí em cima. Quem acha que tudo bem levanta a mão!
P.S. (2) Critério rígido é quando a "patroa" paga a conta.

Porque hoje é Sábado



Não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração

Até quando esperar

E cadê a esmola que nós damos
Sem perceber que aquele abençoado
Poderia ter sido você

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração

Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus

Até quando esperar a plebe ajoelhar
Esperando a ajuda de Deus

Posso
Vigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos

Posso
Vigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos

Sei
Não é nossa culpa
Nascemos já com uma bênção
Mas isso não é desculpa
Pela má distribuição

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração

Com tanta riqueza por aí, onde é que está
Cadê sua fração

Até quando esperar
A plebe ajoelhar

Até quando esperar
A plebe ajoelhar

Esperando a ajuda do divino Deus

25 fevereiro 2011

O Líbano e a Líbia


Dizem as más línguas que trocar a bandeira do Líbano pela da Líbia não é um fenômeno recente na televisão brasileira. Ao que consta, uma consagrada jornalista e apresentadora, que passava momentos de ócio e prazer ao lado do patrão de ascendência libanesa, um belo dia entrevistou o ditador líbio. Seduzida pelo petróleo e o ouro do oriente, ela teria se entregado a esse homem com furor. Um típico caso de usar o diploma que Deus deu. Gilberto Gil cantaria mais ou menos assim: "Ahahaha que Deus deu, ohoho, que Deus dá..." Neste caso, podemos chamar de uma troca de bandeiras em grande estilo, cara a cara. Bom fim de semana a todos. E se alguém me perguntar se é verdade, eu nego.

24 fevereiro 2011

Por que o Timão roeu a corda?

Sabem por que o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, rompeu com o clube dos 13? Eu sei e vou contar para vocês. Para conseguir deixar o Fielzão com mais de 65 mil lugares, atendendo às exigências da Fifa para a abertura da Copa do Mundo do Brasil, em 2014. E como vai funcionar essa engrenagem? Simples, o Coringão precisa apenas que o narrador da TV Globo, durante as transmissões, em vez dizer, por exemplo, Arena do Timão diga Arena da Petrobras, ou Arena Banco do Brasil e por aí vai. O nome do estádio, a exemplo de casas de shows, terá um patrocinador. A isso dá-se o nome de "naming rights", ou a venda dos direitos sobre o nome. E foi essa a parceria que a Globo propôs para o diretor de marketing do clube, Luis Paulo Rosenberg. Até hoje a emissora dos Marinho não cita o nome de patrocinadores de estádios. Assim, a construtora Odebretch conseguiria construir com folga o Fielzão a partir de maio próximo. O próprio Rosenberg já disse à Folha de S. Paulo que os direitos sobre o nome do estádio ficariam desvalorizados antes do início das obras e, assim, o Corinthians ficaria com um valor abaixo do esperado. Com o "naming rights" o Coringão espera chegar à tão sonhada receita R$ 30 milhões anuais. "E a Globo é parceira do Corinthians há muito tempo", disse Rosenberg. Neste caso, para quê mesmo o Clube dos 13?

23 fevereiro 2011

A Globo blefa (terceira parte)

Claro que a Rede Globo não ficaria fora da disputa e jogou todas as fichas que tinha na mesa. Agora, sem o Corinthias e os clubes do Rio em campo, ela espera rachar o Brasileirão. É bem ao estilo do menino dono da bola, que como não está acostumado a perder, quando isso acontece volta para a casa mais cedo e o jogo acaba. Vamos aos possíveis cenários:
1. Como a Rede Globo e o Clube dos 13 se comprometeram com o CADE a mudar as regras da venda de direitos de transmissão para não ter que pagar multa milionária, o que se espera é que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (que é quem zela pela concorrência) seja chamado a arbitrar. Se mantida a coerência, é possível que, ainda sem os quatro grandes do Rio e o Timão fora, o Clube dos 13 ainda mantenha a prerrogativa de negociar, já que é a instância constituída para isso. Só que uma decisão dessas pode levar mais tempo do que o necessário e isso prejudicaria o campeonato do ano que vem, com prejuízos incaculáveis a todos.
2. O CADE não se pronuncia, o Clube dos 13 se esfacela e as emissoras vão ter que negociar caso a caso;
3. O CADE se pronuncia rapidamente mas, sem legitimidade, o Clube dos 13 não consegue organizar o certame;
4. Os clubes rebeldes entram na justiça para pedir a dissolvição do Clube dos 13 por fraudes trabalhistas e administrativas e, simultaneamente, uma nova instância desportiva é criada para rachar o campeonato. Um novo campeonato pode até ser criado.
Seja qual for a decisão, a sangria começou. É uma ferida aberta que só cicartiza com boa vontade de todos. Mas não parece que os cartolas estejam dispostos a dialogar entre si. Por hora, quem perde é o torcedor.

22 fevereiro 2011

TV de Verdade

Eu era o editor para Brasília do Jornal da Globo, com Ana Paula Padrão, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque, em 2003. Acompanhava o notíciário internacional apenas como curioso. Claro que, quando a cobertura apertava, às vezes era chamado a ajudar. Portanto, vi direitinho como a turma do Bush amordaçou a imprensa, depois dos atentados às Torres Gêmeas, em 2001. Por dependermos de agências internacionais para nos abastecer, estavamos certos de que teríamos uma cobertura seletiva e parcial. Mas tínhamos um trunfo: Beatriz Alessi. A experiente editora de inter, com passagens pela Band e BBC de Londres haveria de encontrar uma maneira de obter informações um pouco mais confiáveis do front.  Como nesta época o guardião da Doutrina da Fé ainda engatinhava no controle dos meios de produção de TV aproveitamos a brecha. A contagem de corpos vinha pela internet, a partir de um projeto independente de coleta de dados de violência contra civis: Iraqbodycount (eles afirmam que mais de cem mil civis foram mortos de lá para cá). E as informações em primeiríssima mão vinham pela (pasmem) TV Al Jazeera. Sim, a Globo recebia Al Jazeera naquela época. Bea fez contato com um dos editores, ex-BBC, no Qatar. Ele estava disposto a nos ajudar. Ofereceu de graça os parâmetros do satélite para que canalizássemos o sinal na emissora. E assim foi. Enquanto o Jornal Nacional fazia uma cobertura careta, fria e parcial da Guerra, tínhamos textos mais precisos e imagens mais vibrantes. Em várias ocasiões o parâmetro permitiu que recebessemos imagens limpas dos pronunciamentos de Osama Bin Laden, entre outras pérolas. E conseguimos, assim, fugir do tom ufanista da cobertura a partir das TVs americanas. Não demorou muito para Bush proibir seus homens de falarem à emissora, por não gostar de ver imagens de seus soldados capturados, mortos ou feridos em combate. E não tardou para a TV Globo calar os rebeldes. Hoje, a Al Jazeera não atrai apenas o ódio do Ocidente. A ditadura Saudita, por exemplo, só a aceita, porque sabe que não tem outro jeito. Alías, como temos presenciado no Oriente Médio, a cobertura do canal Árabe não tem pra ninguém. A propósito, quase toda aquela velha equipe do Jornal da Globo já está fora da emissora. E faz tempo!

20 fevereiro 2011

A Globo blefa (segunda parte)

Nesta segunda-feira o Clube dos 13 deve anunciar os critérios para a venda das proximas três temporadas do Brasileirão. Como antecipei aqui, a Rede Globo não ficaria fora da disputa e aumentou a pressão no fim de semana. O presidente do Corinthians, Andres Sanchez, ameaça deixar o Clube dos 13, caso os novos critérios não beneficiem a emissora dos Marinho. Outra triangulação em prol da TV do Jardim Botânico vem pelas mãos da Traffic. A empresa, que é afiliada da TV Globo no interior de São Paulo tem, entre outros intereses comerciais, o marketing esportivo. Foi a Traffic que, em parceria com o Flamengo, levou Ronaldinho Gaucho para a Gávea, em troca de negociar todos os contratos do uniforme do Mengão. Além de ganhar 20% de tudo o que vier impresso no uniforme, se os patrocinadores aparecem na Globo, a empresa ganha também na outra ponta, a dos anunciantes. Por isso, o Flamengo também é um aliado importante neste negócio. E, como aliado, já mandou avisar que está com eles. Vamos agora a Ricardo Teixeira. Ele é o cartola número um do futebol do país, certo? Sem ele, a liga dos clubes, tão sonhada pelos 13 grandes, não sai do papel, certo? Pois um passo importante foi dado pela Globo na semana passada e, mais uma vez, com triangulação de intereses. Ronaldo fenômeno abandonou o Corinthians e o futebol. No dia seguinte recebeu uma comenda do governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, e foi convidado a ser o embaixador do estado na Copa. Na foto (acima) aparecem Ronaldo, Alckmin e quem mais? Ricardo Teixeira. Para quem achava que os dois não se davam, bobagem. O craque deu até declarações dizendo que não tem nada contra Teixeira. Ao que se vê, o novo embaixador está em campo para aproximar a Globo do cartola, cujo relacionamento não tem sido dos melhores. Vale lembrar que foi Ricardo Teixeira quem sustentou Dunga à frente da seleção, e teve que engolir em silêncio a decisão do técnico, que desautorizou as entrevistas que o presidente da CBF tinha tramado nos bastidores com a Globo, entre elas, a de Robinho ao Fantástico, durante a Copa. Portanto, os fiéis da balança na escolha serão: Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Santos, Vasco e Vitória. Fazendo força do outro lado da corda estão São Paulo e Atlético-MG, que acreditam que a Globo diminui a importância do futebol brasileiro para não ser obrigada a alterar sua progamação e, assim, limitar o faturamento dos clubes, enquanto engorda suas próprias contas e influência. Na exposição que fez aos clubes na semana passada, a Globo sustentou que o futebol perderá audiência ao concorrer com o "Jornal Nacional" ou a novela das nove. O tricolor e o galo trucaram. Bom, isso é o que corre no baralho que está sobre a mesa. Mas as melhores cartas podem estar sob a manga, ou embaixo da mesa. Vamos aguardar...

A Nudez da Escrivã



A versão disponível na internet está editada e tem quase 13 minutos. A Corregedoria da Polícia diz que a ação durou mais de 40 minutos. O caso é de 2009 e chegou a conhecimento público este fim de semana. A escrivã de polícia foi demitida a bem do serviço público e responde pelo crime de concussão, que é usar de prerrogativa funcional para obter vantagem ilícita (neste caso subordo). Os policiais envolvidos na ação responderam a inquérito e foram inocentados pela Justiça e Ministério Público que pediram o arquivamento do caso. Assistam ao material bruto e tirem suas próprias conclusões.

17 fevereiro 2011

A Globo blefa

O que há por trás da negociação pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro nas temporadas de 2012 a 2014 é muito mais do que uma disputa de dois grupos de comunicação por público e receita. Em jogo está uma mudança de paradigma na televisão brasileira. Assim, tenho minhas dúvidas se a Rede Globo não vai mesmo participar da disputa. Quando comecei a trabalhar lá, nos anos 90 do século passado, era corrente a história de que o esporte pagava sozinho todos os salários do departamento de jornalismo. Ainda que não seja mais assim, é significativo, não só o faturamento em si, mas o esporte como estratégia para alavancar e organizar a grade de programação. A Rede Record, num lance ousado, ofereceu a possibilidade de alterar o horário da rodada de meio de semana para 20h, o que para o torcedor é o melhor dos mundos. E no horário nobre, uma revolução. Já imaginou um jogo do Flamengo, no Rio, do Corinthias, em São Paulo e de outros grandes em seus estados com transmissões regionais, ao vivo, cedo assim? Na quarta e quinta-feiras, por exemplo, das oito às dez da noite? O que faria a emissora líder? Alteraria o horário do Jornal Nacional? Faria a novela das nove começar às dez da noite? Claro que não. Mas uma emissora como a Record, por exemplo, pode fazer ajustes mais facilmente. Levar os jornais regionais, por exemplo, para a espera do jogo. E fazer o chamado "esquenta", com giros de repórteres. Consolidaria sua audiência, formaria equipes para os Jogos Olímpicos e Copa do Mundo e atrapalharia significativamente a concorrência. Em vez de show de intervalo, por exemplo, um Jornal de Rede de quinze minutos de duração, com pílulas das principais notícias do dia e chamada para um telejornal completo às dez da noite, antes da novela da própria emissora? Isso, ao longo do tempo, certamente mudaria hábitos e permitiria outras alterações na programação em benefício do próprio telespectador. A regionalização também aumentaria a receita dos clubes pequenos e fomentaria um mercado de trabalho estrangulado pelo monopólio atual. Por tudo isso, não tenho dúvida, eles não largarão o osso tão facilmente. Vão sim para o tudo ou nada! Para o bem de todos, espero que percam.

16 fevereiro 2011

Doméstica

O mais recente drama da classe média tem nome e expõe uma contradição: é a empregada doméstica. As famílias mais pragmáticas já decidiram: faxineira uma ou duas vezes por semana e o que for possível ser resolvido fora de casa, esta é a regra agora. Isso porque o país cresceu, a oferta de mão de obra minguou e os salários, consequentemente, dispararam. Se, antes, por um salário mínimo havia quatro ou cinco pretendentes, hoje, pagando-se um salário mínimo e meio (R$ 800,00) livre de condução e benefícios, é muito difícil de encontrar, principalmente nas regiões metropolitanas mais ricas do país. Trabalhar em linhas de produção, em comércio e em serviços tem sido a opção prioritária. Afinal, poucas têm vocação e vontade de trabalhar "em casa de família". É um trabalho difícil, diria até humilhante. Imagine você ter que cuidar de coisas íntimas dos outros: limpeza de banheiro, roupa suja, pratos com restos de comida? Sei que o tema é tabu. Uma sociedade que se acostumou a este conforto, agora sofre sem ele. Mas por que então não pagar mais? Sei lá, dois salários. Isso é o que pagam por exemplo para uma trabalhadora em linha de produção, com relógio de ponto e jornada de 44 horas semanais! Ou para uma operadora de caixa de supermercado, sem sábado e muitas vezes, sem domingo. Ou seja, bem-vindos à competição. Honestamente, acho pouco dois salários. Não que eu possa pagar mais. Meu drama é semelhante ao de tantos outros. Mas, ao pesquisar o salário mínimo necessário, descubro quão longe estamos da tão sonhada justiça social. Segundo o Dieese, um brasileiro teria que ganhar, no mínimo, R$ 2.192,00, caso fosse seguir o preceito constitucional de atender às necessidades vitais de moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. São quatro vezes o salário mínimo oficial. Mas como pagar um salário maior do que o de um professor ou policial para uma empregada doméstica? Como pagar bem, quando 95% dos brasileiros ganham até R$ 1.000,00 por mês?

14 fevereiro 2011

O Adeus de Ronaldo e da Globo

(Comentário: Nem sempre o que se vê no horizonte é um oásis. Às vezes é simples miragem. Mas que a coisa está feia para a Corte, não há dúvida.)

Pela primeira vez, a TV Globo admite abrir mão do Campeonato Brasileiro de Futebol. Uma reunião de cúpula na quarta-feira passada definiu a posição da Globo na mais importante concorrência entre as TVs neste ano: a que decidirá em março quem transmitirá os Brasileirões de 2012, 2013 e 2014.

Hoje, a emissora da família Marinho paga R$ 250 milhões por temporada pelos direitos de transmissão para a TV aberta — e cerca de 600 milhões, quando se incluem a TV por assinatura, pay-per-view, etc. O Clube dos 13 já disse às emissoras que pretende, no mínimo, dobrar essa quantia.

A Globo está fazendo contas realistas. A emissora vai procurar o Clube dos 13 nos próximos dias para dizer que, por esse valor, está fora da disputa. Avalia que a partir de determinado montante não há retorno financeiro.

Foi somente neste ano que o Clube dos 13 resolveu mudar regras que vigem há anos. Hoje, a emissora que detém os direitos (a Globo) pode sub-licenciar as partidas para quem quiser (a Band no caso específico). O Clube dos 13 resolveu acabar com isso: o sub-licenciamento terá que ser aprovado pelos clubes — que, além disso, receberão ainda um percentual sobre esse repasse de direitos de transmissão.

De quebra, a venda dos direitos de transmissão do Brasileirão para a TV aberta será apenas para uma emissora. Havia uma possibilidade de se negociarem os jogos de quarta-feira e sábado para uma rede e os de quinta-feira e domingo para outra. Não há mais. Numa palavra, ou é Globo ou é Record. E quem ganhar a concorrência escolherá o horário em que os jogos ocorrerão.

Cade

A maior derrota sofrida pela Globo ocorreu em maio passado. Numa reunião histórica em Brasília, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) propôs um acordo entre clubes e emissoras de TV que acabaria com o monopólio da Globo nas transmissões de futebol. Para encerrar um processo que tramita desde 1997, o Cade sugeriu a extinção de uma cláusula que dá preferência à Globo nas renovações de contratos.

O Cade é um órgão vinculado ao Ministério da Justiça que regula a concorrência econômica no país. Funciona como um tribunal. Suas decisões têm ser cumpridas pelas partes envolvidas. O processo, que está em análise pelo conselheiro Cesar Mattos, teve início há 13 anos. Nele, o Clube dos 13 e a Globo são acusados de prática de cartelização.

Tudo porque a cláusula que dá preferência à Globo funciona como uma ferramenta de monopólio para a emissora. Na prática, a Globo pode cobrir a proposta de uma outra rede TV, ficando sempre com os direitos de exibição do Brasileirão. Nunca outra rede consegue tirar os direitos dela.

Pelo acordo proposto agora pelo Cade, o processo seria encerrado e o Clube dos 13 e a Globo, inocentados. Mas teriam de abrir mão da cláusula de preferência, permitindo que a Record (ou o SBT ou a Band) dispute os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, ou parte deles. O atual contrato da Globo com o Clube dos 13 vence no final de 2011.

Racha

Enquanto as emissoras se digladiam, o Clube dos 13 "rachou". Um documento em poder dos grandes clubes — uma espécie de "diagnóstico" da situação sob as novas regras das vendas dos direitos — mostra que há "racha" entre os dirigentes dos clubes e revela preocupação com o rumo do futebol na TV aberta nos próximos anos.

De um lado está o grupo que defende que a venda dos direitos do Brasileiro de 2012 e 2013 deverá ser feita à TV que fizer a maior proposta em termos financeiros. Esse grupo estaria mais alinhado com a Record, que, nos bastidores, fará oferta insuperável ao Clube dos 13. Especula-se que a Record possa oferecer de R$ 750 milhões a R$ 1 bilhão pelos direitos do Brasileiro 2012 e 2013. A emissora já tem a exclusividade sobre o próximo Pan-Americano e a próxima Olimpíada de 2012, em Londres.

Do outro lado estão clubes mais alinhados com a Globo (e Band), que acreditam que há um risco muito grande de se tirar o futebol da Globo pura e simplesmente. Para esse grupo, a troca poderia afetar negativamente não só a audiência dos jogos — mas também a publicidade em estádios e a venda de produtos ligados ao futebol. Segundo esse grupo, a Record não teria condições de, em um ano, obter os mesmos índices de audiência que a Globo no horário dos jogos.

Representantes das emissoras e dos clubes vêm se reunindo com frequência, no intuito de criar "parcerias" estratégicas. A Record estaria em contato com emissários da Rede TV!, Band e SBT, com intuitos "estratégicos" contra a Globo. Os times, por sua vez, estão divididos e não chegam a um acordo sobre qual a melhor e mais lucrativa fórmula ou proposta das TV’s para o futebol.
 
( texto extraído do portal Vermelho )

13 fevereiro 2011

O Enigma

O professor Laurindo Lalo Leal fez uma análise vigorosa na Carta Maior sobre como, apesar do brasileiro se considerar bem informado pela TV, estamos privados da falta de comunicação no Brasil. Concordo. No texto, ele conclui dizendo que determinados assuntos vão morrendo até que as redações são "surpreendidas" com fatos novos. Faço deste meu ponto de partida. Trabalho em redação desde o século passado e noto que não há, por parte dos colegas, grande interesse em questões que sejam muito complexas. Ou por se tratarem de conflitos étnico-religiosos, ou por serem ações imperialistas clássicas, pautadas por fator econônico e seus desdobramentos, pura e simplesmente. O que há por trás desta apatia toda é conhecido: uma formação profissional precária. Mas não é só, é uma formação que muitas vezes desconhece princípios elementares, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os principais tratados internacionais, noções básicas de direito, história e filosofia. Nós, jornalistas, aparentemente temos opinião formada sobre tudo, mas somos incapazes de sustentá-la sem ter que apelar para clichês e frases feitas. Isso torna o debate raso, as entrevistas superficiais e, consequentemente, o texto pobre. Tudo o que o patrão adora, a não ser que conhecimento e eruditismo estejam a serviço de seus interesses mesquinhos e patrimonialistas. Nas editorias de internacional a questão é outra e já falei sobre ela aqui. É quem fornece a notícia e com qual viés. Este é um debate muito importante, principalmente para quem sonha com novo marco regulatório das comunicações no país. Não adianta nada você ter muitas emissoras se a fonte primária de informação, ou seja, o modelo de negócio, for construído sobre as mesmas bases.

Para ler o texto do professor Lalo, aqui.

12 fevereiro 2011

A Bonequinha do Arroz Brejeiro


Uma caixa de plástico verde com rodinhas no quarto do meu pequeno Gabriel esconde muitos segredos. Lá vivem o Gag, o Klenk e uma infinidade de seres que a partir de projeções do imaginário de uma criança de três anos ganham vida própria. São bonecos de pano, fantoches, marionetes e bichos de pelúcia. É um mundo mágico, que começou a se manifestar mais ou menos um ano atrás. Aos amigos invisíveis, ou imaginários, Gabriel faz suas confidências, revelações, fala palavrão. E elabora as frustrações da relação com os adultos, sempre tão cheios de regras e limites. É comum Gabriel desabafar com o Gag, que diz ser seu melhor amigo. Por isso, sempre considerei o Gag parte da família. Pode parecer esquisito, mas Alexandra e eu aceitamos bem e respeitamos a fantasia da criança. O Pedro, por exemplo, tinha um amigo imaginário chamado Cacote. E um segundo, chamado Quequeque. Depois vieram mais: o Piuí, o Piuá, e assim foi. Ele soube enfrentar medos e conflitos para crescer. E precisou encontrar estratégias para isso. O irmãozinho segue o mesmo caminho. Para os especialistas, este tipo de recurso revela que estamos diante de crianças mais sensíveis e inteligentes e por isso mais desafiadoras. Não me lembro de ter tido amigos invisíveis, mas sim de - a exemplo de tantas irmãs, quatro - brincar de boneca. Escondido, é claro. Morávamos num sobrado e fiz um quarto para ela embaixo da escada. Era uma bonequinha de plástico que, se não me engano, veio de brinde no arroz Brejeiro. Um dia minha mãe e as meninas descobriram. Sem tato, nem informação técnica para lidar com a situação, elas 'acabaram' comigo. Mas não cheguei a ficar traumatizado. Houve no máximo uma frustração, que certamente tive que elaborar depois, brincando de médico.

11 fevereiro 2011

Passatempo

Não é a primeira vez que recebo convites para comunidades em que montamos uma fazenda ou nos associamos à Mafia, tudo virtualmente. Esses jogos online parecem funcionar como terapias ocupacionais. É comum observar que, depois de uma atividade na FarmVille, por exemplo, o colega de trabalho sinta-se mais calmo e relaxado. Nesse sentido, bom das empresas que permitem que seus funcionários passem uma pequena parte do tempo empenhados em atividades cuja finalidade seja trazer algum conforto e bem estar emocional. O que parece apenas uma brincadeirinha tem efeitos práticos comprovados no desenvolvimento de habilitades, na organização do tempo, no auto-conhecimento e, até, na gestão de energia laboral. Difícil é convencer o patrão de que tudo isso é possível, jogando alguns minutos durante o horário de trabalho. Como tenho filho pequeno e passo uma parte da manhã com ele, não sinto tanta necessidade de atividades virtuais para "esvaziar a cabeça". Uma criança consegue fazer a gente ver o mundo com outras cores, nem que seja por alguns minutos. Foi graças aos pequenos que descobri, tardiamente, o Lego. Não conheço terapia ocupacional melhor. Não é um brinquedo novo, tem mais de 80 anos. E continua a ser um sucesso, em 140 paises! Especialistas dizem que o Lego estimula a concentração, a criatividade, a coordenação motora, a orientação espacial, a percepção, a cognição e a imaginação. No início tinha muita dificuldade para lidar com tantas peças pequenas de encaixes precisos e esquemas de montagem que vão ficando mais e mais sofisticados. Mas aos poucos fui me habituando e já posso dizer que, agora, me viro muito bem com um balde de peças. Hoje, por exemplo, montei duas casas com jardim, cortador de grama, cão com prato de ração, caixa de ferramentas, quase tudo da minha própria cabeça. A brincadeira evoluiu tanto, que atualmente há conjuntos destinados exclusivamente à robótica e mecatrônica. Não cheguei lá e nem tenho essa pretensão. Quero apenas de tempos em tempos "esvaziar a cabeça" e, se possível, enxergar o mundo com o mesmo colorido das crianças.

10 fevereiro 2011

Sobre envelhecer


Um homem tem que ter um filho? Tive dois. Um homem tem que plantar uma árvore? Plantei várias. Um homem tem que escrever um livro? Estou pensando. Não sei se é obrigatório. Acho que não. Mas acabei seguindo este roteiro e gostei das escolhas que fiz ao longo da vida. Agora, no auge da fase adulta, já não tenho mais o mesmo fôlego, o mesmo vigor e o cabelo começou a cair. Quem descobriu que uma clareira está se abrindo no topo da minha cabeça foi uma colega de trabalho, apresentadora de TV. Ela passou atrás de mim sentado e sentenciou: - Olha, você está ganhando uma falha aqui. Não sei se fiquei mais sem graça por mim ou por ela. É que, quando ela viu minha reação de surpresa, ruborizou. Eu não fazia idéia disso, acho que por distração. Depois, corri ao espelho e constatei que, de fato, a queda começou. A calvice também avança a passos largos na testa. Como tenho bastante cabelo, acho que consigo suportar ainda uns dez anos de declínio, antes da estabilização, ou da derrocada. Meu pai, por exemplo, começou a perder cabelo cedo. Fazia como o governador Geraldo Alckmin, deixava um lado crescer e tentava domar os fios para o outro lado, a fim de cobrir a careca. Um dia ele descobriu que a emenda era pior do que o soneto, se assumiu e ficou ótimo! Até mais bonito. A calvíce, a barriga, as rugas, a flacidez, tudo isso é parte integrante da vida. Podemos adiar por um tempo, recusar a ver, usar artifícios e gastar dinheiro, mas quando a nossa vez chega, não tem jeito. Outro dia morreu a bela a enigmática Maria Schneider. Só quem tem mais de 40 anos sabe da sua importância no imaginario masculino de uma geração. O editor de um dos diários não teve dúvidas, estampou a última foto dela viva, ao lado de outra que retrata seu apogeu (acima). Isso devia ser proibido. Aliás, deveria ser proibido envelhecer.

09 fevereiro 2011

Aquela que já foi a maior e mais importante...

O telespectador está mudando de canal. Por isso, é cada vez mais comum encontrarmos informações como esta:

Record e SBT bateram a Rede Globo na briga matutina desta quarta-feira. De 8h45 até 9h40, a Record ficou na liderança com 6 pontos contra 4,9 de índice médio do SBT e 4,8 da Rede Globo.

Os números são de aferição prévia do instituto Ibope, que não tem uma medição digamos assim não tão confiável. Já falei sobre isso, aqui e aqui.

Para saber mais: aqui

07 fevereiro 2011

Porque hoje é Segunda-feira



De uma cultura de partilha nos tornamos uma cultura impulsionada pela posse e pelo lucro. Este filme vem da cozinha do Templo de Ouro, em Amritsar, na Índia, onde a cada dia cerca de 100.000 pessoas, independentemente de casta, cor ou religião, doam, preparam, consomem e limpam por nada mais do que compaixão. Será que estamos realmente caminhando na mesma direção? Este ano o mundo deve produz comida suficiente para alimentar o dobro da população, mas todos os dias, quase um bilhão de pessoas vão dormir com fome. Pense nisso!

O Templo de Ouro é um santuário Sikh (discípulo forte e tenaz).
Os três pilares do Sikhismo são:
- Manter Deus presente na mente em todos os momentos (Nam Japam);
- Alcançar o sustento através da prática de trabalho honesto (Kirt Karni); 
- Partilhar os frutos do trabalho com aqueles que necessitam (Vand Chhakna).

06 fevereiro 2011

Sobre o Carrapato Estrela e o Corinthians

Em casa:
- Pai?
- Oi.
- Me leva no Lucas?
- Levo.
- Você já está saindo?
- Tô.
- Só falta por o tênis, você espera?
- Espero.
- Nós vamos fazer uma armadilha para capivara.
- Ah, é?
- Apareceu uma na piscina da casa dele (Lucas mora numa chácara dentro da cidade). Já é a segunda vez.
- Nooooossa!
- Ele falou que é para eu me preparar, porque tem que fazer força. Acho que vamos cavar um buraco.

No carro:
- Pai, capivara ataca?
- Não, elas fogem. Morrem de medo da gente.
- Capivara é um rato grande, não é?
- É.
- Roedor. E o que ela come?
- Vegetais e lixo humano (supus).
- De onde será que ela veio?
- Provavelmente da represa.
- De lá até aqui?
- Acho que ela seguiu pelo canal.
- Que canal?
- O canal da avenida lá embaixo. Aí deve ter subido o morro...
- Deve ter mais de uma.
- Acho que não.
- Mas elas não andam em bando?
- É verdade.

Depois que deixei o Pedro na casa do Lucas fiquei pensando: quando um menino de 14 anos teria a mesma oportunidade numa cidade grande, morando num apartamento? Será que ele estava com medo? Será que pode ser perigoso para eles? E o carrapato estrela? Para quem não sabe, o Amblyomma cajennense (nome científico) é parasita de animais silvestres e muito comum na nossa região. É vetor de várias doenças, entre elas, a febre maculosa, uma doença infecciosa grave, que pode até levar à morte. Ih, agora quem ficou com medo fui eu! Para me consolar digo a mim mesmo: oras, viver é correr riscos, na grande ou na pequena cidade. Eu, por exemplo, estou a caminho do trabalho, em São Paulo, com o uniforme do meu time preferido (o tricolor) sabendo que os torcedores da Fiel estão sedentos para encontrar uma razão qualquer para dar vazão a seus instintos assassinos. Mais uma vez, reflito, quando nossa hora chega, não adianta espernear.

05 fevereiro 2011

Parece uma Festa da Uva. E é!

Estava tudo pronto! Peguei o Gabriel logo cedo e fomos ao Parque de Exposições para visitar a 50a. Festa da Uva de Vinhedo. - Chegaram cedo demais, informou o guarda, no acesso lateral. Não quisemos esperar a abertura dos portões. Deixamos para voltar outra hora. Todo ano, nesta época, é uma alegria. A cidade de 57 mil habitantes se enfeita e ganha colorido especial. Até o dia 20 de fevereiro a programação é especial, tudo para acolher os visitantes que vêm de todo o país, milhares. É uma boa oportunidade para quem não conhece a cidade vir conhecê-la. Afinal, são apenas 75 km do centro de São Paulo. E o mais legal: com tudo de graça! Tem parada italiana, pisoteio de uvas (como reza a tradição), passeio de motos e desfile de cavaleiros. À noite, há vários palcos espalhados pelo parque com shows de rock, heavy metal, rap, pagode, sertaneja e mpb. E, entre as atrações principais, tem: Milionário e José Rico, Jorge Aragão, Chitãozinho & Xororó, Victor e Leo e Roupa Nova. Oportunidade também para comprar e, até, participar de um leilão das frutas mais bonitas e perfeitas. Mas não deixe de beber a água da fonte Sant'Ana, conhecer o Parque da Represa 2, com remanescente de Mata Atlântica de altitude (tem até araucária) e o Cristo Redentor, no mirante da cidade, de onde se pode observar à direita Valinhos e Campinas e à esquerda o recorte estupendo da Serra do Japi. O clima é agradável. Calorão de dia e brisa fresca à noite. Se a idéia for por a mão no bolso, tem parque de diversões e este ano, também, a Segunda Festa do Vinho Artesanal, feito pelos descendentes de doze, das muitas famílias de imigrantes que povoaram a região, conhecida como rocinha, nos tempos dos tropeiros. Infelizmente não poderei ciceroneá-los, porque estou de plantão na Capital. Mas sejam bem-vindos e divirtam-se!

04 fevereiro 2011

Jornalismo à Luz de Velas

Coube ao advogado e jornalista maranhense Edison Lobão o papel de explicar por que faltou energia elétrica no Nordeste. Discípulo de José Sarney, o ministro Lobão, que já foi senador e governador, também foi chefão do jornalismo da Globo, em Brasília. A coletiva de hoje é mais uma demonstração do estilo Dilma de governar. Gráficos, informações técnicas e respostas claras para a imprensa. Ela não falou, não permitiu alardes, nem precisou aparecer. Respondeu quem tinha que fazê-lo, afinal, Lobão ocupa o cargo desde 2008, portanto, na gestão passada. Claro que a falha no sistema será tratada pela imprensa como apagão e demonstrará a "vulnerabilidade" do Brasil para sediar grandes eventos esportivos, como os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de Futebol. São preocupações que a Mídia, digo os patrões, terão como pano de fundo, toda vez que o objetivo for expor o governo a desgastes. Ainda mais porque, na ausência de energia elétrica, uma mulher de 20 anos acendeu uma vela no apartamento, em Aracaju, e em decorrência do incêndio causado, morreu. O filho dela segue internado, depois de inalar a fumaça. Prato cheio para ilustrar o "drama do agora histórico apagão de 2011". Vamos em frente. Amanhã será outra manchete. Depois outra, outra e mais outra. Bom fim de semana a todos!

02 fevereiro 2011

Os Mexiricos da Marcianita


P.S. No princípio era Marcinha, mas do além veio a mensagem: - Troque por Marcianita.
Não sei se é para rir ou para chorar. Aquela que já foi a maior emissora de televisão do país, mas que amarga queda contínua no número de televisores sintonizados ao longo do dia, decidiu contratar um acting coach. Um treinador para ensinar seus repórteres a representar melhor seu papel diante da notícia. Segundo o blog Mexericos da Marcianita (que não permite links nem pode ser acessado por estranhos), trata-se de desenvolver o improviso estudado. Marcianita considera, a exemplo de Shekespeare, que como você não vive, interpreta, a escolha por um acting coach foi acertada. Acrescentaria dizendo que como não é necessário mais buscar a verdade, mas apenas a versão mais confortável do fato, procede. Está criada o que se pode chamar de método Wolf Maia de jornalismo interpretativo. O repórter chora na hora certa, corre na hora certa, se emociona na medida certa, tudo para convencer o telespectador e levar o recado, preferencialmente o do patrão. Se bem sucedido, o método pode até desbancar o consagrado jornalismo de impressão (também do blog da Marcianita). É o repórter que vai andando e dizendo o que acha. O jornalismo impressionista (grifo meu) tem origem nas reportagens da veterana Glória Maria, quando afirma: - Gente, isso é im-pres-si-o-nan-te! Macinha prefere dizer: - Sen-sa-ci-o-nal! No Big Brother Brasil, por exemplo, Boninho tem usado e abusado do método impressionista com os participantes. E pensar que os métodos de interpretação teatral já tiveram dias de glória com Stanislaviski, Brecht, Artaud, Grotowiski e o inesquecível Ziembimski... Os tempos são outros mesmo.

Dois de Fevereiro, de Dorival Caymmi



Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá
Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar
Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar
O presente que eu mandei pra ela
De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou
Chegou, chegou, chegou
Afinal que o dia dela chegou

 
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