31 janeiro 2011

As Novas Rainhas dos Baixinhos e Marmanjos

É a mais nova onda entre os adolescentes na internet. Eles ligam suas web câmeras para qualquer um ver: é a twitcam. Meninas e meninos se divertem cantando, dançando e, vez ou outra, mostrando mais do que devem, diante da sedenta platéia. Mas muitos estão tendo suas asinhas cortadas pelo próprio serviço. Basta que alguém os denunciem por violação dos termos de uso do twitter que a conta pode ser até encerrada sumariamente. Mas, como a criatividade na rede chega antes, agora, já há nova ferramenta à disposição. Você pode fazer uma transmissão com sua câmera (broadcast yourself!). Uma festa, para quem quiser, quem vier... como dizia o jingle daquela que já foi a maior e mais importante emissora de TV do país, mas que vem caindo pelas tabelas. Um novo mundo que, a exemplo da velocidade da internet, já tem suas próprias celebridades. Um casal do Rio de Janeiro, por exemplo, (vou poupá-los de nomes e links por razões óbvias) se expõe ao vivo três vezes por semana. A gaucha Laura acaba de fazer um show erótico em seu apartamento, em Porto Alegre, para mais de quatro mil pessoas. Outra que faz shows procuradíssimos é uma loira de Santos, litoral de São Paulo. Mas nada se compara à maior de todas as celebridades do momento: Vivi Dantas. A Campineira de 24 anos estuda e mora em São Paulo e nos últimos dois shows que fez derrubou o sistema, literalmente. Foram mais de cinco mil internautas. Seu recorde: seis mil viewers. A musa da Viradouro em 2010, musa de camarote em Salvador, garota 500 Milhas de Motovelocidade e um sem-número de figurações em TV e ensaios para revistas masculinas está com a agenda cheia. Não nega que tem silicone, que faz bronzeamento artificial e que gasta uma fortuna para manter as aparências. Além dos compromissos profissionais, como modelo, a procura como garota de programa explodiu. E, claro, seu preço também. Já aumentou 50% e deve subir mais, tão logo revistas masculinas e programas de TV descubram "seu potencial artístico". Sou pai de um jovem de 14 anos e não censuro. Acho tudo isso muito normal. Quando tinha a idade do Pedro, recebi de uma amiga de escola, sim uma amiga!, um gibi com um "encarte". Ela tinha furtado uma revista pornô sueca do pai. Nos tempos em que a censura proibia a nudez no Brasil, imagine só qual não foi o frisson que a revistinha causou entre a molecada. Eram tempos difíceis e de pouca oferta, salvo as revistas Status e Ele e Ela. Playboy só americana, comprada no aeroporto. Para esconder a genitália das modelos, estrelas, ou as famosas tarjas pretas. Hoje o prazer é mais acessível e menos reprimido. Se estamos no caminho certo, só o tempo dirá. Arrisco meu palpite, acho que sim.

30 janeiro 2011

Ufa!

Na próxima terça-feira meus pimpolhos voltam às aulas. Finalmente. Desde dezembro estamos, Alexandra e eu, dando um duro danado com eles. E quase todo este tempo sem contar com a Néia, que foi para a Chapada Diamantina ver a família no Quilombo. Já contei essa história, aqui. O Pedrão já é pré-adolescente, o que facilita muito as coisas por um lado, mas por outro... Haja paciência para encarar tanta alteração de ânimo e tantos planos diferentes todos no mesmo dia. É uma energia... Aos três anos, o Gabriel nos deixa com a língua de fora. Já não é mais qualquer argumento que o convence e, agora que "está mais vivido", já descobriu como chamar a atenção, quase sempre causando alguma contrariedade. Sei que muitos pais não admitem encarar de frente a barra pesada que é criar filhos. Conheço alguns que vivem minimizando as coisas. É como se fosse pecado admitir em público que é difícil. Mas eu sou franco: É muiiiiito difícil! Não por isso é menos prazeiroso e gratificante. Os dois lados se complementam. No mais, é isso. Deveres cumpridos, material escolar comprado, uniforme encomendado, matrículas e mensalidades em dia... Que venha 2011. Estamos prontos para fazer bonito, mais uma vez! Obrigado Senhor! Agora, com a ditadura no Egito indo para o beleléu, o salário mínimo subindo acima da inflação, a vaca profana indo para o brejo, com Caê admitindo que os caçulas são evangélicos universais e com a Corte do Cosme Velho às voltas com mais um escândalo envolvendo seus astros... E assim o mundo gira e, enquanto isso, a gente vai levando.

29 janeiro 2011

Test Drive da Churrasqueira

Finalmente, depois de quase 4 anos, decidimos tocar fogo na churrasqueira. Já era piada. O vizinho dizia: - Tira a samambaia de dentro. A família também tirava onda e no trabalho o tal churrasco para inaugurar a churrasqueira já tinha virado mito. Não é que hoje mandamos ver? Comprei umas carnes no supermercado ontem, chamei os vizinhos mais próximos e meti as caras. Precisei de consultoria, é claro. Sem a noção exata do tempo que leva para assar, coloquei carne demais na grelha e muita coisa ficou pronta antes ainda das visitas aparecerem. Apesar das primeiras linguiças terem passado do ponto, do queijo derreter e pingar e de eu ter salgado demais a primeira leva de picanha, quem apareceu se divertiu. A maior lição que aprendi hoje é que não se abafa fogo com água, porque o choque térmico pode trincar os tijolos refratários.Começaram as labaredas, simples, basta suspender a bandeija. E assim foi. Como o quórum estava baixo (acho que muitos não quiseram arriscar, hehehe), sobrou no freezer um bom tanto para o próximo evento. Fiquei feliz, afinal, não é que funciona mesmo? E no fim das contas nem é tanta sujeira assim que faz... O calor castigou: 34 graus à sombra. E ao lado do fogo, claro, a temperatura era ainda maior. Mas nada que uma boa cerveja gelada não refrescasse. Agora, estamos prontos. Que venham o pessoal da firma, a família, os amigos, os vizinhos, tem pra todo mundo.

28 janeiro 2011

Poder e Imprensa

A decisão da presidenta Dilma de evitar entrevistas exclusivas com jornalistas brasileiros e de declarar apenas o necessário em coletivas ocasionais tende a se transformar numa "faca de dois legumes". Se por um lado, ao falar pouco ela não dará tanta margem a distorções, por outro lado, o silêncio deve criar uma lacuna, a ser preenchida por um mercado paralelo de informações privilegiadas, vazadas de dentro do Palácio do Planalto. O que só tende a incentivar rumores e boatos, típicos da cultura jornalística da Capital Federal, ávida por preencher espaço abundante nos jornais. E nesse mercado de mexerico, quase sempre são os profissionais de caráter duvidoso que mais prosperam. É uma lógica perversa, impossível de controlar com punhos de ferro, como Dilma já deve saber, até melhor do que todos nós, espero. Falar somente o necessário e evitar críticas explícitas à grande imprensa é ótimo! Manter colunas em pequenos jornais locais e o Café com a Presidenta também parece ser decisão acertada. Agora, distribuir mais democraticamente verbas da Secom e das Estatais é fundamental para equilibrar ainda mais o jogo de forças no processo de produção de noticiário. O Plano Nacional de Banda Larga também é estratégico para aumentar o acesso à informação vinda de outras fontes, preferencialmente as colaborativas, como redes sociais e blogs. E se, além disso, os auxiliares trabalharem mais e fofocarem menos, as chances do novo governo prosperar são enormes. E onde há prosperidade, há bônus para todos.

26 janeiro 2011

Toc, toc, toc...


Publiquei as fotos acima, do escritório de casa, para defender a importância de ter a vida organizada. Demorou um pouco, exigiu disposição e método durante as férias, mas o resultado depois de pronto ficou espetacular! Claro que as críticas sempre bem humoradas virão: Como você se sente tendo TOC? A pergunta foi feita pela Marina, minha prima de 13 anos, nos dias em que passamos juntos em Valinhos, na semana do Reveillon. Achei divertida a maneira taxativa como ela "impôs" o diagnóstico. Aliás, notaram como hoje em dia fazer diagnósticos deixou de ser atribuição exclusivamente médica? Ai ai viu, me divirto com isso... Mesmo porque, no meu caso, é diagnóstico recorrente. Para o repórter Luiz Carlos Azenha, por exemplo, eu tenho. E mais, todo editor de texto tem TOC. Todo editor de texto precisa ter TOC, senão não dá conta do repórter, responde Marcia Cunha, como eu, editora com TOC. O transtorno obsessivo-compulsivo acontece em indivíduos tomados por idéias ou comportamentos persistentes, repetitivos e incontroláveis. Quem observa de fora considera as atitudes meio absurdas, ridículas até. São manias. De abrir e fechar, de arrumar, de dispor paralelamente, de acondicionar, de classificar, de limpar, e assim vai. Os critérios adotados para decidir se é preciso ou não tratamento medicamentoso parecem ser o incômodo ou angústia que o transtorno causa a pacientes, amigos e familiares. Por enquanto a turma leva na gozação, o que me livra dos remédios, hehehe. Apesar de conhecida há mais de um século, a doença ainda é um enigma. Por se manifestar de várias maneiras diferentes, em homens e mulheres a partir dos 20 anos, é muito difícil de ser tratada, salvo em casos que evoluam ou para Fobia Social, ou para Depressão. Ainda não é o meu caso. Pelo menos por enquanto...

P.S. Como bem observou a Alexandra, minha sócia, a terceira pasta da direita para a esquerda está com a etiqueta desalinhada. Rárarara!!!! Acho que não vou aguentar...

25 janeiro 2011

Porque é Férias 1

São Paulo da Garoa

Sou paulistano do Ipiranga, mas cresci no Itaim Bibi, no tempo em que a Avenida Jucelino Kubitschek era um córrego malcheiroso. Naquela época, o bairro em que eu vivia ficava na periferia, para onde se "refugiaram" imigrantes espanhóis, portugueses e italianos (estes últimos em menor quantidade nos anos 60) e, claro, nordestinos, mineiros e... artistas. Era um local pacato, diria até provinciano. Conhecíamos os donos da padaria, do armazem, da quitanda, da papelaria, do bar da esquina, do açougue, até o nome do guarda de trânsito (que ficava numa torre nas esquinas das ruas Clodomiro Amazonas e Doutor Alceu de Campos Rodrigues (único semáforo do bairro). Ah, também tínhamos o alfaiate, que teria assassinado a mulher por ciúme, o sapateiro... Naquele tempo todos tínhamos nome e história. Nas manhãs de inverno era praticamente diária a névoa úmida e à noite a garoa fina que afamaram a cidade. Hoje a impessoalidade e a pujança econômica tomaram conta do lugar. A região se transformou por inteiro. Até a garoa desapareceu. E as tempestades de verão arrastam os sonhos dos que nasceram e cresceram no local. Tudo isso porque hoje é aniversário da minha cidade. Minha? Já não me reconheço mais em suas ruas. Há bastante tempo... Não por acaso vivo a 75 quilômetros de distância, em Vinhedo, há dez anos!

19 janeiro 2011

A Carteirada

Acabo de sair da 9a. DP...

Uma jornalista do Jornal O Globo entrou em meu táxi e ficou enfurecida ao eu comentar que O Globo estava sendo tendencioso (exatamente esta palavra que utilizei) em relação ao Caso Joanna...

A moça ficou descontrolada...

Mandou eu parar o carro...

Ligou para a redação (falou com alguém chamado Paulo Roberto) dando minha placa e meu nome completo que ela retirou acintosamente do cartão que levo no parabrisa...

Retruquei que daria o troco a tornando famosona na Rede através do meu blog...

Ela disse que eu estava a ameaçando e me conduziria a 9a. DP...

O troço é tão surreal que fiquei com medo dela inventar algo por lá...

Quando entrei na 9a. DP ela desabou a chorar e disse que eu estava a ameaçando...

Ficou todo mundo me olhando achando que eu tinha espancado a mulher...

Eu olhei prá ela e pedi que ela falasse somente a verdade...

Daí ela não inventou mesmo (devo reconhecer que ela não mentiu completamente)...

A moça da recepção pediu seu nome e ela apontou prá mim alegando não falaria seu nome na minha frente para eu não reproduzí-la em meu blog...

A moça do balcão perguntou então como poderia abrir uma solicitação de alguém que não quer dar seu próprio nome...

Ela se identificou como jornalista do Jornal O Globo e que queria falar com o delegado titular...

Imagina, você?!

Alguém entra numa delegacia simplesmente porque alguém não concorda com linha editorial do Globo...

Como os créditos no meu celular estavam acabando fui até uma lotérica para recarregar e liguei para outros jornalistas porque fiquei com medo de ser plantada uma sacanagem já que ela comunicou a redação do Globo...

Ficou parecendo enredo do Scorcese...

Mas, o que mais deixou a senhora jornalista desestabilizada foi quando me alegou isenção completa dos profissionais do Globo que jamais aceitariam qualquer pressão e sugeri que ela na próxima reunião de pauta recomendasse uma matéria longa sobre a grande trajetória de Leonel de Moura Brizola...

Juro que foi somente isto que fez esta moça entrar na 9a. DP para se queixar...

Agora, esta senhora não é a senhorinha do cafezinho ou a moça da limpeza, ela é jornalista mesmo...

Descobri que era jornalista depois que ela desligou o celular onde recomendava retificação do texto sobre os dois irmãos que foram pegos roubando donativos já que ela acabara de se falar com o reitor da UERJ, que era o local que o motorista do caminhão trabalha...

Agora...

Como é que um jornalista intimida um taxista e leva o sujeito prá delegacia já que só de falar em polícia qualquer um treme sabendo que vem pepino por aí?

E se eu fosse um taxista desarticulado e sem noção dos meus direitos e deveres?

Já imaginaram esta moça na época da ditadura caso contrariada por alguém e com esta carteira bacana de quarto poder?

Já estou de saco cheio desta coisa de carteirada abrir portas e reverterem verdades absolutas...

Seria facílimo identificar esta moça e estampar o nome dela por aqui já que ela me colocou numa situação totalmente desnecessária somente para tentar me atemorizar...

Quando retornei da rua o delegado me recebeu no gabinete dele e foi hiper gentil pedindo que eu esquecesse o incidente já que moça estava arrependida depois da dimensão que a coisa tomou...

O delegado permitiu que eu reproduzisse seu nome e eu acabo de esquecer...

Acho que é Mário, mas o restante deu branco...

Até brinquei com o delegado:

- Me conta aqui baixinho o nome da dona prá publicar no meu blog, delegado, por favor...

Dr. Mário riu e disse que não sabia...

Comentei também que me recusei a receber o valor da corrida e joguei os R$ 20,00 de volta para cima do banco traseiro e quando sai do carro percebi que ela havia deixado no assoalho de trás...

Tentei deixar na delegacia as vinte merrecas, mas o pessoal se recusou a ficar com a grana...

Portanto, se a moça quiser o dinheiro de volta basta ligar que deixo na portaria da Irineu Marinho, 30...

Como vocês sabem que não minto nunca, esta é a história do que aconteceu...

Um ou outro detalhe passou batido, mas posso esclarecer se for o caso...

Eu poderia tranquilamente identificar esta senhora em meia hora, não vou fazê-lo...

Agora, é importante que todos saibam que a Internet deu uma dimensão a todos nós que iguala o poder de fogo tanto de quem é anônimo quanto de alguém que acredita que o fato de trabalhar num grande Jornal pode sair por aí levando quem quer que seja para se explicar na delegacia qualquer discussão banal...

Quando ao Caso Joanna, realmente tenho esta impressão que o Globo tem procurado incensar o André Marins e a Vanessa Maia Furtado...

Um episódio marcante do Caso Joanna foi quando o Mais Você da Ana Maria Braga deu ampla divulgação e a Ana Maria foi surpreendida com chamada de capa que dizia que Joanna Marcenal havia morrido simplesmente de meningite...

Aquilo foi uma rasteira que nem o Dr. Frank Perlini, diretor do IML, entendeu...

Apesar de todos indícios periciais apontarem que a causa da meningite foi maus tratos providenciados pelo casal Marins o Globo fala sempre em meningite e ponto...

Os Marins foram infinitamente mais cruéis que os Nardoni e não sofrem a mesma pressão midiática que levou os Nardoni a serem presos desde o primeiro instante...

Não sei, talvez este episódio desagradável nos legue a oportunidade de O Globo repensar e nos ajudar efetivamente a fazer Justiça por Joanna...

Quem sabe?

para conhecer, clique: Jorge Schweitzer

15 janeiro 2011

O Mundo Novo

Primeiro vim ao mundo.
Conforme cresci, mudei, para que o mundo me conhecesse.
Foi quando achei que podia mudar o mundo.
E com esta ilusão pelo mundo andei.

E fui me mudando, conforme conhecia melhor o mundo.
Mas como o mundo também mudou,
Preferi criar meu próprio mundo.

Hoje, me contento apenas em mudar para melhor, como todo mundo.
Afinal, amanhã não haverá mais mundo.
Não porque ele acabará, mas porque teremos partido...
E deixado para os nossos filhos o mundo que tentamos construir.

Como o mundo reflete nossa imagem imperfeita,
não dá para esperar que o mundo seja, nem pior, nem melhor do que antes.
Será apenas o mesmo mundo. 

E é este mundo que espero reencontrar ao voltar das férias, no dia de Yemanjá.

14 janeiro 2011

O Laudêmio

Na tragédia da região serrana do Rio senti falta da presença ou mesmo de um pronunciamento oficial da família real brasileira. Afinal, eles são o "maior patrimônio local".
Em Petrópolis, por exemplo, os descendentes de Dom João VI até hoje recebem 2,5% de taxa sobre transações imobiliárias na área central da cidade histórica. Estima-se uma renda fixa de R$ 5 mil por herdeiro/mês. É o laudêmio, um imposto que vige desde os tempos em que a Coroa Portuguesa dava as ordens aqui no Brasil.
Às terras cedidas pela Coroa dava-se o nome de aforamento. Em Petrópolis há cinco terras aforadas: a principal delas nas mãos da família real. São donos perpétuos, digamos assim.
O que hoje é o centro da cidade foi a fazenda Córrego Seco, adquirida no século dezenove por Dom Pedro II. De todas as cidades, Petrópolis parece ter sido a menos atingida. Ainda assim, houve por lá quase meia centena de mortes e o Distrito de Itaipava ficou bastante devastado.
(A sugestão de pauta, digamos assim, foi de Celso Freitas)

13 janeiro 2011

Viver é Perigoso

Diante de uma tragédia causada por fatores meteorológicos, o que dizer?

1. Viver é um risco;
2. Para morrer basta estar vivo;
3. Quando a nossa vez chega...

Claro que há fatores alheios à vontade do destino, como: negligênciar detalhes de segurança, ser imprudente na escolha do local para se viver e ter imperícia na hora de avaliar riscos estruturais e conjunturais. Mas errar também está no pacote do viver.

Dores do Rio

E choveu uma semana...

12 janeiro 2011

Tucanos Molhados

"Vem comer bolo de cenoura com cobertura de chocolate quente".

11 janeiro 2011

Pais Coloridos

Considero ter sido uma criança que, se fosse nos dias de hoje, seria facilmente diagnosticada como hiperativa. E certamente estaria na ritalina. Era o terror da primaiada. A família, grande, de certa forma aliviava o fardo mas, onde havia confusão, transgressão, quebra-quebra, sumiço de pertences, ataques ao armário de guloseimas, furto de brigadeiros, marcas no bolo, etc... eu estava "dentro". Depois de alguns anos de terapia descobri que por trás deste comportamento indisciplinado havia uma enorme necessidade de ser reconhecido como parte do grupo e um medo ainda maior de rejeição. Curiosamente, o medo e minhas atitudes diante dele só faziam a rejeição aumentar. Só fui me "enquadrar" com 18 anos, lá pelo segundo ano do colegial, depois de me apaixonar por uma oposta-complementar, a "quietinha" da sala de aula. Mas até que esse momento chegasse, foram dois convites para me retirar de duas escolas públicas diferentes e duas reprovações no primeiro ano colegial. Se não houvesse a guinada, o "turning pont", talvez fosse hoje um adulto inseguro, do tipo que se considera incapaz e fracassado. A paciência e persistência dos meus pais e o carinho e acolhida dos colegas da rua, os "Amiguinhos da Quatá", que sempre reforçaram as qualidades individuais de cada um de nós, foram fatores decisivos de mudança. Mas nada disso impediu que, agora adulto, me transformasse num pai meio rigoroso, rígido até e muito preocupado em não incomodar os outros. Essa neurose acaba impregnando a relação com os filhos, claro. Tento me policiar, para não projetar nas crianças minhas frustrações e traumas da infância, mas erro com frequência. Aí pergunto a mim mesmo: - Quem de perto é normal? Acho que, a exemplo dos meus filhos, fui um colorido também.

10 janeiro 2011

Filhos Coloridos


Lendo ontem o texto da Heloísa Villela no Azenha, atalho aqui, fiquei com vontade de falar um pouco da minha experiência como pai. Quando o meu filho mais velho, Pedro, era pequeno, Alexandra e eu notamos que ele era um pouco mais "colorido" do que outras crianças. Muita atividade motora, um vozeirão, um garoto que "preenchia todos os espaços vazios". Para muitos era uma criança peralta, mal educada e sem limites. Optamos sempre por ajudá-lo a construir autonomia moral, em vez de impor regras de forma coercitiva. Tivemos bastante cuidado também para escolher as escolas que ele frenquentou. Afinal, Pedro não seria nunca bem recebido por um projeto educacional rígido demais. Se isso acontecesse, certamente eles arrumariam um diagnóstico para enquadrá-lo, a exemplo do que tem acontecido cada vez mais com diagnósticos de TDAH de forma indiscriminada, para os quais existe sempre a medicina pronta a "auxiliar". Quando saímos de São Paulo e fomos morar em Vinhedo aconteceu a mesma coisa. Optamos por uma escola que pudesse acolhê-lo e não confrontá-lo. Essas escolhas certamente tiveram influência no desenvolvimento dele. Hoje, ele é um jovem bastante ativo, com espírito de liderança, alta performance (um dos melhores da classe) e relativamente bem educado e autônomo.

07 janeiro 2011

Sinceridade


Comecei 2011 sem paciência para pessoas exibicionistas e superficiais. E não são poucas espalhadas por aí. Há dois tipos clássicos, que incomodam demais: os que passam a maior parte do tempo falando do que têm e do que compraram e os que ostentam conhecimento e títulos, quase sempre sem disposição nenhuma para ouvir o outro. No fundo, no fundo, quase sempre usam a eloquência do discurso para esconder a vaidade exacerbada e a enorme insegurança pessoal. O verdadeiro patrimônio de um indivíduo tem que ser o que ele é de fato, não o que ele tem a mostrar. Porque tudo o que ele tem não é nada, diante da grandeza da existência, tão efêmera. Estamos aqui de passagem e quando nos despedirmos, o que seguirá conosco será apenas o que ficou na memória das pessoas a nosso respeito. Todo o resto, títulos, diplomas, bens, tudo se perderá. Isto é, se um golpe do destino não nos levar à ruína antes, como vemos acontecer com alguma frenquência, de tempos em tempos. Se as pessoas não cultivarem amizades sinceras e desinteressadas, se não valorizarem as coisas simples da vida e não aceitarem o fim implacável, como parte do destino, estarão condenadas a sofrer as consequências das escolhas erradas que estão fazendo hoje. Mas nem todos pensam da mesma maneira e muitos passam a vida toda na ilusão. Portanto, para que se preocupar? O melhor a fazer é tolerar, preferencialmente mantendo certa distância protocolar. E procurar estar ao redor daqueles que pensam como você e que acreditam que as coisas funcionam na base da camaradagem, da sinceridade e da transparência, sem dissimulação.

06 janeiro 2011

Sobre o Fim da Batalha

A vitória é péssima conselheira. Traz consigo a arrogância, a vaidade, a soberba. O vitorioso é exaltado, bajulado, seduzido e, imerso no mar do reconhecimento, quase sempre sucumbe, diante das adversidades futuras. Já a derrota é boa conselheira, apesar de cruel. Ela tira para, na ausência, nos ensinar a lidar com perda e, assim, ajudar a reconquistar e preservar da próxima vez. Só quem perdeu sabe dar verdadeiro valor à vitória, cujo capricho é exigir generosidade, modéstia, humildade do vencedor. O verdadeiro vencedor se ajoelha diante da glória, estende a mão ao adversário e reconstrói o campo de batalha ora devastado. Esta singela reflexão coincide com nosso momento histórico, em que a tentação do gozo pela vitória nos faz esquecer que o inimigo teve experiência melhor que a nossa e, não raro, voltará mais forte da próxima vez. Isto é, se a batalha prosseguir. Assim sendo, estender a mão pode significar também um pacto, um acordo, uma trégua contra a revanche, o novo duelo, o pior... Assim como se conquista pela força, se alcança também pelo diálogo. O gesto de Lily Marinho para Dilma Rousseff nas Eleições de 2010 teve este significado. E são os gestos nobres, na vitória e na derrota, que dão valor às pessoas. Que a ex-primeira dama do país durante tantos e tantos anos, agora, descanse em paz.

05 janeiro 2011

As crises, o Ronaldo, a psicóloga, o Serra, o Zé Alencar e a Lily

Fui advertido pelo guru e padrinho na internet Luiz Carlos Azenha de que não posso ficar tanto tempo sem atualizar o blog, sob pena de perder leitores. "Como a visita aos blogs é uma questão de hábito", frisou, "no dia seguinte o internauta deixa de aparecer." Faz todo o sentido. Tenho notado queda significativa na frequência, de dezembro para cá. Cheguei a ter mais de dois mil acessos por dia. Hoje, quando chego a mil é ótimo. Claro que o movimento na rede também caiu. E depois tem outra, do Natal para cá tirei o pé. É como se eu estivesse de ressaca. Afinal, foi um ano duríssimo, em que publiquei mais de 400 textos em 365 dias. E o custo foi alto: renunciar tempo com a família, com os amigos e com os colegas de trabalho. Agora tenho aproveitado para usufruir um pouco mais as relações, que também são importante matéria-prima para o meu trabalho, principalmente o ficcional. Aos poucos prometo engrenar. Preciso me inteirar do noticiário. Para dizer a verdade, não tenho tido muita paciência para as propaladas "crises" do novo governo, nem para a chuva que cai sem dó aqui no sudeste, muito menos a contratação do Ronaldo Gaucho, a psicóloga que se tranca no porta-malas, o candidato derrotado que é homenageado pelo governador e não fica em pé. Está tudo tão chato... E para piorar as coisas, José Alencar piorou e a dona Lily Marinho morreu. Perder o ex-vice e ex-primeira-dama do país vai ter um significado importante, principalmente do ponto-de-vista simbólico. Vale lembrar que ela teve a "petulância" de convidar a candidata Dilma para almoçar. Parece ser o fim de uma era marcada por imagens públicas carismáticas e glamourosas. Sera?

02 janeiro 2011

Primeira do Ano

(Na foto, da esquerda para a direita: John, Steve, Jonathan, Marco e o pequeno Gabriel)

O que fariam juntos um médico luterano, um analista de sistemas protestante presbiteriano, um rabino judeu e um jornalista de orientação espírita, numa tarde à beira da piscina, às vésperas do Ano Novo? Nada. Apenas celebrar a amizade de 20 anos! As pessoas podem ter culturas diferentes, idiomas diferentes, crenças diferentes mas, se há diálogo, há tolerância, compreensão e paz. Este encontro de ex-estudantes universitários, que se transformaram em pessoas tão distintas, demonstrou que possível celebrar em meio à diversidade. E é só assim que construiremos um mundo melhor para todos nós. São nossos votos de feliz 2011 para todos.

 
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