30 dezembro 2011

Mensagem aos meu opositores



Viajo de carro de Vinhedo para São Paulo todos os dias há onze anos. Ida e volta são cerca de 150 km. Sem música ou notícias essas duas horas funcionam como uma espécie de meditação. E foi cruzando ideias e experiências que extraí esse "papo cabeça" da caixola. Não há novidade nenhuma no que vou dizer, talvez apenas a forma, o que pode ajudar a comunhão com pessoas que encaram o mundo da mesma maneira. 


Esquerda e Direita, progressistas e conservadores, bons e maus... uns não existem sem os outros. O aparente equilíbrio está na relação inconciliável entre os antagônicos. Às vezes nos esquecemos disso e, ao nos esquecermos, deixamos de notar o quanto nossos opostos complementares são importantes para nossa afirmação como indivíduos. E o quanto condicionam nossa busca pela eternidade. 


Na teoria do Eterno Retorno de Nietzsche, por exemplo, este permanente conflito é o que define o infinito. Em algum momento tudo se repetirá, ora de um lado da força, ora de outro. A terceira lei de Newton explica bem este princípio em que toda força implica numa força contrária de mesma intensidade. É o principio da interação.


Ora, se interagimos com nossos opostos complementares, estamos condenados ao conflito eterno. A mitologia também contempla essa dualidade e encontra no mito de Sífifo, tão bem revisitado por Camus, uma resposta para relativizar nossas derrotas e vitórias. A condenação de Sísifo, de ter de rolar uma enorme pedra de mármore montanha acima, até que uma força incontrolável a arrastasse de volta ao ponto de partida, nada mais era do que uma ilustração acabada do nosso aprisionamento.


Tudo para concluir que, por mais que nossos esforços pareçam inúteis, por mais que nossos inimigos pareçam invencíveis, por mais que a vida para muitos se encerre na morte, desafiar diariamente nossos opostos complementares é o que dá sentido à existência e nos faz experimentar a dimensão da eternidade. Por isso, quero agradecer a todos, principalmente aos meus adversários (sobretudo os ideológicos). 



No ano que vem tem mais, do mesmo jeito. E, ao que parece, o pêndulo estará do nosso lado, o que vai exigir de nossos opositores um pouco mais. Portanto, venham, porque estaremos prontos para novas batalhas!

4 doladodecá:

Anônimo disse...

Aqui vai mais um exemplo da análise política isenta do #PIG, e o motivo pelo qual a oposição está desorientada:

http://i40.tinypic.com/2cp6hl1.png

edemilso disse...

Marco Aurélio, venho lendo o teu blog há uns dois anos, e não tinha tido ainda o ímpeto de comentar algum, gostando de todos invariavelmente. Pois esse encaixe do Eterno Retorno não caiu bem, o que se pode chamar de excessão que confirmar a regra, mas o Eterno Retorno é essencialmente anti-dialético e não se encaixa aí. Abço fraterno. Edemilso

edemilso disse...

Marco Aurélio, venho lendo o teu blog há uns dois anos, e não tinha tido ainda o ímpeto de comentar algum, gostando de todos invariavelmente. Pois esse encaixe do Eterno Retorno não caiu bem, o que se pode chamar de excessão que confirmar a regra, mas o Eterno Retorno é essencialmente anti-dialético e não se encaixa aí. Abço fraterno. Edemilso

Marco Aurélio Mello disse...

Edemilso, queria que você desenvolvesse seu raciocínio para eu acrescentar ao blog.

 
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