por Carlos Brickmann
Está vazando petróleo no mar brasileiro. Quanto? Os números variam: de 200 a 300 barris por dia, conforme a Chevron (cada barril tem perto de 160 litros), a 4 mil barris por dia, segundo a ONG Skytruth, com base em imagens de satélite da NASA. De qualquer forma, é muito: põe em risco a vida marinha na região, ponto de passagem de baleias e outros cetáceos nesta época do ano; e, conforme as condições climáticas, pode derivar para as praias do Rio e atingir até a reserva ecológica de Rio das Ostras. Também pode ir para outros países e poluir por lá.
A Chevron, multinacional que opera o poço, diz que tem 18 navios trabalhando na área. A Polícia Federal sobrevoou a região e encontrou só um.
Perceba: aqui há informações da NASA, da Chevron, de uma ONG americana, da Polícia Federal. Cadê as informações da imprensa brasileira?
A TV mostra jatinhos levando equipes de uma capital para outra, tem helicópteros sobrevoando invasão de favelas, tem helicópteros para mostrar o trânsito na cidade. Até emissoras de rádio trabalham com helicópteros. Mas onde estão as imagens da mancha de petróleo? O consumidor de informação terá de se contentar com fontes da empresa (ligadas, portanto, a um dos lados da questão), da Polícia Federal (que, por mais competente que seja, não tem gente especializada em vazamentos de petróleo), em ativistas ambientais estrangeiros? O curioso é que ninguém entrou no tema – nem mesmo os portais especializados em petróleo.
E a coisa é grave – tão grave que a Polícia Federal abriu inquérito para apurar a atuação da Chevron. O delegado Fábio Scliar classifica o fato como “criminoso” e levanta a possibilidade de a multinacional estar omitindo informações.
O repórter Vladimir Platonow, da Agência Brasil, faz aos grandes meios de comunicação perguntas das mais pertinentes (que poderiam ser estendidas à própria Agência Brasil, que também não foi buscar os fatos em primeira mão):
“Os próprios releases dizem que há 18 navios trabalhando no combate ao vazamento. Devem ser navios-fantasmas, como é a direção da Chevron. Não têm nome, não têm comandante, não têm tripulação, não têm coordenadores. Não há uma pessoazinha que seja, com nome e sobrenome, que diga: ‘Olha, as coisas aqui estão assim ou assado’.
“Ninguém tem uma máquina fotográfica, uma filmadora, um reles celular que tire fotos. Internet, então, nem pensar.
“Será que vamos ter que esperar que coloquem uma mensagem na garrafa, para que a nossa imprensa publique algo além de notas oficiais?”


4 doladodecá:
Os ianques continuam pensando e agindo como sempre o fora. Fazem dos outros países o seu quintal,como bem lhes aprouver.
Aqui, cabe abrir o debate dos royalties extendido aos demais estados não produtores de petróleo.
Isto é uma mostra de quanto o discurso da famiglia Marinho, o "Globo e Você, tudo a ver" na realidade não tem nada a ver!
Pois se os mafiosos da Globo tivessem a ver com o Brasil, eles seriam os primeiros a denunciar os erros grosseiros da Chevron-Texaco.
É uma hora boa para a famiglia Marinho mudar o seu slogan para "Globo e Chevron-Texaco, tudo a ver para te enganar".
Há um problema e, ao que parece, há também interesses em faze-lo desaparecer da tela ou, no mínimo,diminuir seu impacto mas o texto aponta para a incapacidade de fazer algo próximo ao jornalismo investigativo. Ninguem consegue chegar perto do que está acontecendo por lá?
Como acreditar na "nossa" imprensa, com um escandalo desses na fuça?
Dar credito de qquer tipo pra essa imprensinha nojenta não é igenuidade não. É um ato IDEOLÓGICO, pois se identificam ideológicamente com a imprensa, alem de etica e "canalhamente" tambem.
Sem esperanças com essa corja que forma o grosso da nossa classe media. Que nojo...
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