Usar a imprensa para promover um atleta ou, neste caso, um piloto, não é difícil. Basta mostrar suas qualidades e evitar realçar seus defeitos. Em se tratando do nosso personagem não parecia tarefa difícil. Afinal, estava escrito, ele nasceu para vencer. Tinha todas as credenciais de um campeão. Mas alguns aspectos poderiam atrapalhar os planos, entre eles, a rivalidade com que nosso "herói" encarava seus adversários. Em muitos casos era questão de vida ou morte.
A reportagem no programa de Domingo foi um sucesso. Um perfil do novo talento que tinha tudo para alcançar "nosso grande campeão" das pistas. Aliás, veio a contento. O campeão era avesso à mídia, não gostava de entrevistas e, principalmente, de jornalistas que faziam da profissão escada para grandes negócios.
Portanto, para a mídia, livrar-se dele era um desejo enorme. Além do que, promover a rivalidade entre os dois inflamava a torcida e, consequentemente, a audiência. E num país continental, onde a indústria automobilística nada de braçadas, não poderia haver oportunidade melhor. Afinal, que outro esporte é capaz de juntar alta tecnologia de motores, combustíveis, lubrificantes e outros derivados de petróleo de maneira tão atraente e rentável?
Assim como a elite aprecia golfe, esportes náuticos e equestres, a velocidade sobre rodas ainda exerce em todos, ricos e pobres, um fascínio difícil de explicar. E onde tem gente bem sucedida e endinheirada, tem platéia, oportunistas e belas garotas. É como num circo, com todos os personagens inerentes à essa realidade.
Como se uma profecia se realizasse, no ano seguinte, nosso piloto estava na Fórmula 1. Fruto do empenho pessoal do jornalista que foi apresentar seu compatriota e seu retrospecto a todos os chefes de equipe de segundo e terceiro escalões. Claro que sua primeira equipe não era das mais conceituadas, mas o carro tinha boa engenharia e bom motor. O resto teria que ser no braço.
Largar em décimo-quinto e chegar em segundo pode não parecer muita coisa. Mas digamos que nosso piloto só tinha um jogo de pneus e no fim da prova, com a pista estreita, ainda por cima começou a chover. No dia seguinte ninguém se lembrava mais do nome do vencedor. O jovem piloto era a revelação do campeonato, com uma performance espetacular. Claro que os sócios jornalistas adicionaram os adjetivos certos durante a transmissão do evento.
(continua)


5 doladodecá:
Afinal, entrar na fórmula 1 é como ganhar na senna, mas deve se ter o cuidado de não perder o piquet.
"Afinal, entrar na fórmula 1 é como ganhar na senna, mas deve se ter o cuidado de não perder o piquet."... ficar cansado... levado até a stéphany total....
E perder totalmente o leme hehe.
^^^hahhahaha
O jovem piloto poderia ser o Nelson Piquet, este que parecia não ter papas na língua?
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