Trabalhei na afiliada da TV Globo de Ribeirão Preto em 1995 e 1996, durante a primeira gestão de Antonio Palocci Filho, como prefeito da cidade. Seu governo era quase unanimidade entre o empresariado e a elite sucroalcooleira. A cidade se transformou numa espécie de "laboratório" de gestão do PT. A "metrópole caipira" também ambientou a principal trama da emissora na epóca: a novela O Rei do Gado. Vivíamos na chamada Califórnia brasileira, um dos poucos municípios do país cujo PIB crescia muito acima da média nacional. Naquele período, a Globo tinha grandes interesses comerciais por lá: cobria com exclusividade a Festa do Peão de Barretos e incentivava o resgate da memória de Portinari, em Brodowski. Palocci fez um acordo com a Fundação Roberto Marinho para restaurar o Teatro Pedro II, considerado uma das melhores acústicas do país. Naquela ocasião, a orquestra municipal era regida por um jovem talento, que se consagraria anos mais tarde e cairia em desgraça mais recentemente: o todo-poderoso maestro Roberto Minczuk. Como prefeito, Palocci foi o primeiro a implantar o Renda Mínima. Também reformou escolas, construiu postos de saúde e ganhou importante prêmio do UNICEP por atenção especial à infância. Mas o prefeito terceirizou serviços públicos e iniciou o processo de privatização da CETERP uma empresa municipal de telefonia - superavitária. Estas duas decisões foram muito criticadas pelos militantes. Não chegou a completar a segunda gestão, porque foi convidado a coordenar a campanha à presidência de Lula, em 2002, depois da morte de Celso Daniel. Na segunda gestão como prefeito, Palocci sofreu grande desgaste político por causa do aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), com a implantação do modelo progressivo. Os aumentos chegavam a até 900% e desencadearam uma onda de ações na justiça. Também foi acusado de desvios na compra da merenda escolar e recebimento de propinas na coleta de lixo e execução de obras públicas. Foi inocentado de todos os processos, anos depois. Palocci nunca perdeu uma eleição. Tem 51 anos e pode voltar ao poder no futuro, se assim o quiser. Estou certo de que apoio financeiro e político não faltarão.
Há 4 horas


3 doladodecá:
"...e pode voltar ao poder no futuro, se assim o quiser. Estou certo de que apoio financeiro e político não faltarão"
Para o bem do partido e do país espero que isso não aconteça nunca mais!
E o caso Francenildo ? Isso você esqueceu de por no texto. Verme !
MAM,a questão, a meu ver,não é o Palocci mas toda a sequência que culminou com a sua demissão. Nós estamos nos acostumando a um tipo muito baixo de perseguição e aniquilação de deaftos. Tudo e qq coisa em nome da ética e da moral,como se esses não fossem critérios subjetivos. Senão, vejamos a situação da nova min. chefe da Casa Civil; ela é mulher do PB do Minicom. Não há ilegalidade, não é crime mas,é moral? É ético?O país anseia pela ley de medios e o PB, um dos nomes sondados para a CC, parece não estar nem aí para o assunto. E, pior,pelo que eu sei, não quis deixar o Minicom ( sabe-se lá pq )e, então a senadora Gleisi assumiu a vaga. Eu pergunto, quem no governo, vai poder encaminhar a famigerada ley,nessas condições? Pode até ser que o governo não tenha a intenção de alterar o regime de telec., mas aí é outra estória. E, sefor o caso de " fritar-se" o PB? A min. Chefe da Casa Civil, ia ficar parada, olhando? Não tenho nada contra a sendaora e, espero que ela e Dilma façam um excelente trabalho. Só que é bom que os moralistas,de plantão,percebam, que moral e ética, variam de acordo com os valores de cada um. De minha parte, estava muito mais preocupada com a Ley de medios do que com as contas do Palocci mas isso é um anseio meu e ninguém tem nada com isso. Não me cabe,no entanto, para " eliminar " meus desafetos ou obstáculos, acusá-los de imoralidade e anti-ética para a conquista de meus objetivos políticos e,sobretudo, abrir mão de um julgamento formal ao exigir um julgamento político. Na verdade, um tribunal moral,onde o promotor, o defensor e o juíz são sempre a mesma e única pessoa, ou seja, a imprensa nativa.
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