Acho salutar que setores da mídia passem a discutir a "mão pesada" na cobertura do caso do Atirador de Realengo. Começou na semana passada, com uma colega no Facebook amaldiçoando sua condição. Ter que assistir àquelas imagens brutas, horrorosas, mergulhar de cabeça no assunto macabro, conhecer detalhes horrendos e, depois, ainda ser criticada por ter sido sensacionalista. Ao comentário, em tom de desabafo, sucedeu-se uma montanha de manifestações, boa parte delas de solidariedade corporativista à colega. De fato, é difícil estar o
front, mas é mais difícil ainda não aceitar críticas e se fazer de vítima, quando muitas vezes nos tornamos algozes. Lembro-me de uma ocasião, quando ainda vendia minha força de trabalho para a Corte do Cosme Velho, que o então diretor de jornalismo, um sujeito fanfarrão, que cultivava caspas e assediava jovens repórteres (aliás, isso lhe custou o cargo), convocou uma reunião para discutir o "processo" de se fazer aquele que já foi o maior e mais importante telejornal do país, mas que hoje não elege um síndico de prédio. Supus, na minha ingenuidade, que o encontro tinha a nobre finalidade de discutir o telejornal. Na minha vez de falar questionei os colegas sobre o fato de refletirmos pouco o "fazer jornalístico". Disse que ficávamos muito envolvidos com a ditadura do tempo, da forma, mas não avançávamos na qualidade da notícia, na abrangência do enfoque, no arejamento das fontes é na reflexão sobre o fato em si. Como sempre, minha preocupação com o contexto... Minha intervenção foi rechaçada, primeiro, pelo da caspa, depois, pelo chefe de redação, que em tom jocoso disse que aquilo era "papo cabeça de universidade", que o melhor era discutir aquilo no ambiente acadêmico. Na verdade, como vim a descobrir depois, a reunião tinha a finalidade, apenas, de exigir da equipe mais empenho e subserviência às "novas regras", impostas à ferro e fogo pelo Guardião da Doutrina da Fé. E eu achando que havia luz no fim do túnel... Pois não é que eles seguem nas trevas até hoje? Com muitos achando-se no papel de vítima? E pensar que cremos que de um lado há os homens de bem e, de outro, os do mal... Pobre de nós.
5 doladodecá:
Ótimo texto! O curioso é que este é exatamente o tema do Ouro de Tolo hoje: a espetacularização da tragédia.
abraço forte
Marco, a Globo já era uma bosta naquela época, só que as outras eram piores ainda. A Globo é a Globo desde sua fundação.
De fato, mesmo que seja apenas uma vestida de carapuça da jornalista seguida de reação corporativista, o fato mostra que as críticas estão lhe incomodando.
Infelizmente acho que a população tem parcela de culpa nessas coberturas sensacionalistas porque boa parte desenvolveu uma espécie de curiosidade mórbida, basta prestar atenção no trânsito que se forma em pistas vizinhas a uma que ocorreu um acidente de trânsito só pela curiosidade dos motoristas em ver as vítimas e os estragos.
Se os jornais impressos e televisivos apostam nessas coberturas é porque acreditam que existem demandas. Creio que para mudar essa realidade a população tem que amadurecer, fugir dessas coberturas e condenar, e nas mídias sociais esse tipo de conscientização vai avançando.
Parabéns pelo texto Marco. Abs.
Mello peço especial atenção ao link, é um documentario, que mostra como foi feitos os golpes na america latina, veno sabe-se por que o PIG e assim ate hoje, e por que o Cerra estudou nas americas…. isto tem o mesmo valor dos documento de wikileaksbrasi…: link
http://bitshare.com/?f=v2h1bkjw
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Xará e vizinho de cidade (estou em Campinas), não é preciso ir muito longe para dar de cara com a mediocridade. Aqui mesmo, na cidade onde moro, você pode encontrar os mesmos exemplos no grupo midiático monopolista local. Com um agravante: aqui eles ainda impõem um filtro ideológico para afastar dos empregos aquelas figuras consideradas indesejáveis.
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