O mais recente drama da classe média tem nome e expõe uma contradição: é a empregada doméstica. As famílias mais pragmáticas já decidiram: faxineira uma ou duas vezes por semana e o que for possível ser resolvido fora de casa, esta é a regra agora. Isso porque o país cresceu, a oferta de mão de obra minguou e os salários, consequentemente, dispararam. Se, antes, por um salário mínimo havia quatro ou cinco pretendentes, hoje, pagando-se um salário mínimo e meio (R$ 800,00) livre de condução e benefícios, é muito difícil de encontrar, principalmente nas regiões metropolitanas mais ricas do país. Trabalhar em linhas de produção, em comércio e em serviços tem sido a opção prioritária. Afinal, poucas têm vocação e vontade de trabalhar "em casa de família". É um trabalho difícil, diria até humilhante. Imagine você ter que cuidar de coisas íntimas dos outros: limpeza de banheiro, roupa suja, pratos com restos de comida? Sei que o tema é tabu. Uma sociedade que se acostumou a este conforto, agora sofre sem ele. Mas por que então não pagar mais? Sei lá, dois salários. Isso é o que pagam por exemplo para uma trabalhadora em linha de produção, com relógio de ponto e jornada de 44 horas semanais! Ou para uma operadora de caixa de supermercado, sem sábado e muitas vezes, sem domingo. Ou seja, bem-vindos à competição. Honestamente, acho pouco dois salários. Não que eu possa pagar mais. Meu drama é semelhante ao de tantos outros. Mas, ao pesquisar o salário mínimo necessário, descubro quão longe estamos da tão sonhada justiça social. Segundo o Dieese, um brasileiro teria que ganhar, no mínimo, R$ 2.192,00, caso fosse seguir o preceito constitucional de atender às necessidades vitais de moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. São quatro vezes o salário mínimo oficial. Mas como pagar um salário maior do que o de um professor ou policial para uma empregada doméstica? Como pagar bem, quando 95% dos brasileiros ganham até R$ 1.000,00 por mês?
Há 6 minutos


9 doladodecá:
Pois veja a minha situação. E aqui é difícil ter alguém que trabalhe por mês. O que rende é ser diarista.
http://tudodebonn.blogspot.com/2011/02/putz-frau.html
Por isso que todos os senhores de engenho,os parasitas do Povo Brasileiro desde sempre,tinham e têm aquelas panças heráclitas.
Por isso que tem enfartederrame e diabo a quatro.A classe média de sempre não quer mexer nem na própria porcaria.Gostam de terceirizar tudo.
Pena nossas domésticas de sempre não irem para a Praça Tahir dos nossos sonhos e quebrar o pau.
Carlo Rico
Olá, Marco,
não penso que é um trabalho humilhante. É um trabalho como qualquer outro. Não temos os trabalhadores que limpam os banheiros de restaurantes, shoppings, escritórios? Ou os que limpam os pratos que deixamos nos restaurantes com restos de comida?
O problema é o pagamento e de como a relação profissional entre "patrões e empregadas domésticas".
Onde vivo, uma diarista ganha, no mínimo, vinte dólares canadenses por hora. Penso que esse valor é mais do que justo. A trabalhadora que limpa meu apartamento faz o serviço e 4 horas. Se eu quiser uma limpeza mais profunda tenho que fazê-la eu mesma ou tenho que desembolsar mais dinheiro. Isso termina por fazer a gente ficar um pouco mais organizados e otimizar as horas que ela fica em casa.
Para comparar, no outro dia perguntei à minha irmã quanto era o pagamento de uma diarista em São Paulo, capital. Fiquei surpresa por saber que a média fica entre $50,00 e 70,00. E eu sei que a pessoa trabalha pelo menos 8 horas. É engraçado pensar que a classe alta e média sempre reclamou que o Brasil pertencia ao 3o. mundo e invejava o 1o. mundo, esquecendo que tudo tem um preço nesta vida.
Agora, estamos a caminho de nos tornarmos um país de 1o. mundo. E o pacote vem com tudo: o que gostamos e o que não gostamos.
Para a tristeza de muitos, não será possível fazer uma seleção prévia do que queremos do 1o. mundo.
Se quisermos serviços teremos que pagar - e bem - por eles.
Abraços,
Jussara Lou
Lou, concordo com você em gênero, número e grau.
Titina
Acho + do que justo serviço braçal, cansativo, pesado ser bem remunerado. E mesmo assim, tá dificil de achar quem queira fazer.
Abs.
São empregadas domésticas assim, como a da ilustração, que levam os patrões à perdição!!!
Parece que esta empregada doméstica dos EUA dos anos 50 é a referência de empregadas domésticas das novelas da Corte do Cosme Velho, sempre novas e lindas, mais lindas e novas que a esposa dos patrão!
Gente! Desde que eu era criancinha, na Itália, aconteceu esta tragédia! Todo mundo teve que se adaptar, no máximo tendo faixineira uma vez por semana ou a cada 15 dias! Ninguém morreu por isto, e chegou uma hora que quase todo mundo desistiu mesmo... há muitos recursos para aliviar o trabalho doméstico, além do que marido e mulher podem dividir as tarefas, não é mesmo? Vamos! Como vocês podem aguenar uma estranha lavando suas cuecas? mexendo nas suas coisa? Afinal, a casa é nossa, o lar é nosso, nada de estranhos mexendo nas nossas coisas! Vamos cuidar do que foi conquistado com o suor da nossa testa! Alem do mais, todo mundo merece uma oportunidade, trabalhar na indústria é uma possibilidade para muita mulher sair da escravidão! Viva a modernidade!
Concordo plenamente com a Carla... Há anos não tenho empregada doméstica. Tem alguma coisa ainda de Casa e Grande e Senzala esse negócio de ter uma pessoa estranha dentro da minha casa, tomando conta dos meus filhos, preparando a comida... Alguns me acham meio louca, mas faço a maior parte do serviço doméstico, meu marido e meus filhos se acostumaram a fazer o rodízio de tarefas como limpar banheiro, cozinha, passar aspirador na casa, limpar vidros... eu fico com as roupas, compras de supermercado, cozinhar.... a título de compensação combinamos de colocar todo mês uma determinada quantia na poupança, para gastar em férias ou outro projeto que seja importante para nós... Ah! eu sou médica e trabalho o dia todo... meu único luxo é q não dou plantão... Abs a todos
Lais / São Paulo
Pois aqui em casa a coisa fica é feia pro meu lado pq trabalho de casa não tem fim e, pelamordedeus, às vezes, parece que 2 crianças viram 8. Fica tudo um caos e não dá tempo para fazer nada direito. A faximeira, fala que na casa dela é a mesma coisa, só na sexta é que ela ajeita as coias.
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