16 fevereiro 2011

Doméstica

O mais recente drama da classe média tem nome e expõe uma contradição: é a empregada doméstica. As famílias mais pragmáticas já decidiram: faxineira uma ou duas vezes por semana e o que for possível ser resolvido fora de casa, esta é a regra agora. Isso porque o país cresceu, a oferta de mão de obra minguou e os salários, consequentemente, dispararam. Se, antes, por um salário mínimo havia quatro ou cinco pretendentes, hoje, pagando-se um salário mínimo e meio (R$ 800,00) livre de condução e benefícios, é muito difícil de encontrar, principalmente nas regiões metropolitanas mais ricas do país. Trabalhar em linhas de produção, em comércio e em serviços tem sido a opção prioritária. Afinal, poucas têm vocação e vontade de trabalhar "em casa de família". É um trabalho difícil, diria até humilhante. Imagine você ter que cuidar de coisas íntimas dos outros: limpeza de banheiro, roupa suja, pratos com restos de comida? Sei que o tema é tabu. Uma sociedade que se acostumou a este conforto, agora sofre sem ele. Mas por que então não pagar mais? Sei lá, dois salários. Isso é o que pagam por exemplo para uma trabalhadora em linha de produção, com relógio de ponto e jornada de 44 horas semanais! Ou para uma operadora de caixa de supermercado, sem sábado e muitas vezes, sem domingo. Ou seja, bem-vindos à competição. Honestamente, acho pouco dois salários. Não que eu possa pagar mais. Meu drama é semelhante ao de tantos outros. Mas, ao pesquisar o salário mínimo necessário, descubro quão longe estamos da tão sonhada justiça social. Segundo o Dieese, um brasileiro teria que ganhar, no mínimo, R$ 2.192,00, caso fosse seguir o preceito constitucional de atender às necessidades vitais de moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. São quatro vezes o salário mínimo oficial. Mas como pagar um salário maior do que o de um professor ou policial para uma empregada doméstica? Como pagar bem, quando 95% dos brasileiros ganham até R$ 1.000,00 por mês?

9 doladodecá:

arlete soffiatti disse...

Pois veja a minha situação. E aqui é difícil ter alguém que trabalhe por mês. O que rende é ser diarista.
http://tudodebonn.blogspot.com/2011/02/putz-frau.html

Anônimo disse...

Por isso que todos os senhores de engenho,os parasitas do Povo Brasileiro desde sempre,tinham e têm aquelas panças heráclitas.

Por isso que tem enfartederrame e diabo a quatro.A classe média de sempre não quer mexer nem na própria porcaria.Gostam de terceirizar tudo.

Pena nossas domésticas de sempre não irem para a Praça Tahir dos nossos sonhos e quebrar o pau.

Carlo Rico

Anônimo disse...

Olá, Marco,

não penso que é um trabalho humilhante. É um trabalho como qualquer outro. Não temos os trabalhadores que limpam os banheiros de restaurantes, shoppings, escritórios? Ou os que limpam os pratos que deixamos nos restaurantes com restos de comida?
O problema é o pagamento e de como a relação profissional entre "patrões e empregadas domésticas".
Onde vivo, uma diarista ganha, no mínimo, vinte dólares canadenses por hora. Penso que esse valor é mais do que justo. A trabalhadora que limpa meu apartamento faz o serviço e 4 horas. Se eu quiser uma limpeza mais profunda tenho que fazê-la eu mesma ou tenho que desembolsar mais dinheiro. Isso termina por fazer a gente ficar um pouco mais organizados e otimizar as horas que ela fica em casa.
Para comparar, no outro dia perguntei à minha irmã quanto era o pagamento de uma diarista em São Paulo, capital. Fiquei surpresa por saber que a média fica entre $50,00 e 70,00. E eu sei que a pessoa trabalha pelo menos 8 horas. É engraçado pensar que a classe alta e média sempre reclamou que o Brasil pertencia ao 3o. mundo e invejava o 1o. mundo, esquecendo que tudo tem um preço nesta vida.
Agora, estamos a caminho de nos tornarmos um país de 1o. mundo. E o pacote vem com tudo: o que gostamos e o que não gostamos.
Para a tristeza de muitos, não será possível fazer uma seleção prévia do que queremos do 1o. mundo.
Se quisermos serviços teremos que pagar - e bem - por eles.
Abraços,
Jussara Lou

Anônimo disse...

Lou, concordo com você em gênero, número e grau.

Titina

Anônimo disse...

Acho + do que justo serviço braçal, cansativo, pesado ser bem remunerado. E mesmo assim, tá dificil de achar quem queira fazer.
Abs.

Luís CPPrudente disse...

São empregadas domésticas assim, como a da ilustração, que levam os patrões à perdição!!!

Parece que esta empregada doméstica dos EUA dos anos 50 é a referência de empregadas domésticas das novelas da Corte do Cosme Velho, sempre novas e lindas, mais lindas e novas que a esposa dos patrão!

Carla disse...

Gente! Desde que eu era criancinha, na Itália, aconteceu esta tragédia! Todo mundo teve que se adaptar, no máximo tendo faixineira uma vez por semana ou a cada 15 dias! Ninguém morreu por isto, e chegou uma hora que quase todo mundo desistiu mesmo... há muitos recursos para aliviar o trabalho doméstico, além do que marido e mulher podem dividir as tarefas, não é mesmo? Vamos! Como vocês podem aguenar uma estranha lavando suas cuecas? mexendo nas suas coisa? Afinal, a casa é nossa, o lar é nosso, nada de estranhos mexendo nas nossas coisas! Vamos cuidar do que foi conquistado com o suor da nossa testa! Alem do mais, todo mundo merece uma oportunidade, trabalhar na indústria é uma possibilidade para muita mulher sair da escravidão! Viva a modernidade!

Anônimo disse...

Concordo plenamente com a Carla... Há anos não tenho empregada doméstica. Tem alguma coisa ainda de Casa e Grande e Senzala esse negócio de ter uma pessoa estranha dentro da minha casa, tomando conta dos meus filhos, preparando a comida... Alguns me acham meio louca, mas faço a maior parte do serviço doméstico, meu marido e meus filhos se acostumaram a fazer o rodízio de tarefas como limpar banheiro, cozinha, passar aspirador na casa, limpar vidros... eu fico com as roupas, compras de supermercado, cozinhar.... a título de compensação combinamos de colocar todo mês uma determinada quantia na poupança, para gastar em férias ou outro projeto que seja importante para nós... Ah! eu sou médica e trabalho o dia todo... meu único luxo é q não dou plantão... Abs a todos
Lais / São Paulo

Cristiana Castro disse...

Pois aqui em casa a coisa fica é feia pro meu lado pq trabalho de casa não tem fim e, pelamordedeus, às vezes, parece que 2 crianças viram 8. Fica tudo um caos e não dá tempo para fazer nada direito. A faximeira, fala que na casa dela é a mesma coisa, só na sexta é que ela ajeita as coias.

 
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