31 outubro 2010

Fotos do Bolo 13




"Um dado que ninguém tem, só eu: no segundo turno, de acordo com a última pesquisa eleitoral do Ibope, José Serra teria 51 pontos e Dilma Rousseff, 25.Descontando os votos brancos e nulos: 67 a 33. Ao contrário da calota polar ártica, Dilma Rousseff continua a derreter."

(Diogo Mainardi, na "Veja" de 16 de dezembro de 2009 - dica da Guta Nascimento, via Revista Zé Pereira - http://www.revistazepereira.com.br/ , com fotos de Márcia Cunha)

As 13 coisas que fiz hoje

1. Acordei quando passavam alguns minutos das nove da manhã. Quantos? 13.


2. Ajudei a Alexandra a cuidar do Gabriel até que eles fossem para Campinas votar, claro, 13.


3. Fui tomar banho para levar o Pedro para almoçar fora. A que horas? Meio-dia e 13.


4. O Pedro é meu filho mais velho. Qual idade? 13.


5. No restaurante escolhemos uma mesa aleatoriamente. Que número? 13.


6. Fomos fartamente servidos em rodízio. Por quantos garçons? 13.


7. Quantos espetos pararam em nossa mesa? 13.


8. Na urna, em São Paulo, votei? 13.


9. Minha zona eleitoral fica na Rua Casa do Ator. R-u-a-C-a-s-a-d-o-A-t-o-r, opa, 13.


10. Outro eleitor trancou meu carro. Qual era o final da placa dele? 13.


11. Formou-se um burburinho. De quantas pessoas? 13.


12. Da Vila Olímpia, onde voto, até o trabalho, na Barra Funda, alguns minutos. Quantos? 13.


13. Parei para comprar um bolo e duas velinhas para comemorar no trabalho. Com o número? 13.


Ainda bem que hoje é dias da bruxas, hehehe.


Olê, olê, olê, olá...

Agora chegou a vez...



"Os grandes só parecem grandes porque estamos ajoelhados"

(Che Guevara)

Bom dia, sol!



A Lua Se Oferece Ao Dia

Boa Noite


Dilma 13

30 outubro 2010

A Minha Alegria Atravessou o Mar


Nessa luta do rochedo com o Mar!!!! Dilma - 13

Pode Chorar, pode chorar!



Dilma 13

Estamos meu bem por um triz


Dilma 13

Falta pouco minha gente!



Dilma 13!

Não me importo se ela não sabe quem eu sou...

Ela é Dilma - 13

Ela Está Comprando Uma Escada para o Paraíso



"Sim, há dois caminhos que você pode seguir
Mas na longa estrada
Há sempre tempo de mudar o caminho que você segue".
(Jimmy Page e Robert Plant)

29 outubro 2010

Mais uma Promessa Fajuta

A Rede Brasil Atual traz o documento, uma relíquia. Mostra que em 1990 os então candidatos ao governo, Mário Covas, ao senado, Franco Montoro, e a deputado federal, José Serra, não pensavam em privatizar o Banespa. A dica foi do jornalista Fábio Fleury. Para ler a reportagem, aqui: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/memoria-serra-assinou-carta-afirmando-que-psdb-nao-venderia-banespa

Flagrantes de Uma Redação Feliz (3)

Da esquerda para a direita: Stephanie Nascimento, Patrícia Rodrigues, Ladislau Cardoso (de costas) e Marianne Brito

Flagrantes de Uma Redação Feliz (2)

Bolinha ou Fita Crepe?

Flagrantes de Uma Redação Feliz (1)

Da esquerda para a direita: Carlos Dorneles, Márcia Cunha, Lúcio Sturm, Rodrigo Vianna, DoLaDoDeLá, Octávio Tostes e Adriana Araújo. Ao fundo: Ricardo Vilches

O Pluralismo da Mídia


Há uma tendência natural da gente olhar para o próprio umbigo e se cobrir de glória na vitória. No entanto, apesar da internet ter sido o fiel da balança nesse processo eleitoral, não podemos nos esquecer de alguns detalhes que fizeram toda a diferença na cobertura das Eleições 2010. Se por um lado a Globo, a Veja, o Estadão e a Folha, esta última com toda sua bipolaridade, se alinharam à candidatura Serra; a Carta Capital, a Istoé, a Record, a Band e o SBT tentaram buscar um caminho, senão de equilíbrio, pelo menos de contra-peso na cobertura. Exemplos não faltam: a começar pela revista dirigida por Mino Carta, que desde as primeiras horas apresentou um cardápio variado das trapaças da oposição. A Istoé enfrentou sua concorrente de peito aberto nas bancas. A Record há tempos empreende uma "jihad" contra seus maiores inimigos: a Globo e a Folha. E deixou clara sua posição política, quando isso foi necessário. A Band, apesar de tantas idiossincrasias, vale lembrar, foi a única emissora que mandou representante à 1a. Confecon, o que legitimou a iniciativa popular que pretente acabar com o oligopólio que domina a comunicação no Brasil. E o clímax da cobertura foi proporcionado pelo SBT que, corajosamente, desmascarou a farsa da bolinha de papel, demonstrando que jornalismo não contesta fatos. Por tudo isso, podemos afirmar que hoje temos um país mais maduro e mais plural, inclusive na disseminação de informação. Falta muito a fazer e a manutenção do Projeto em vigor é fundamental para o país seguir mudando, combatendo a pobreza e a desigualdade, aumentanto o acesso a bens e serviços públicos e acabando de vez com idéias que, no fundo no fundo, só fazem aumentar a exploração e espalhar ódio e violência. Estou convicto de que estamos no caminho certo! Parabéns a todos e até a vitória no Domingo!!!

28 outubro 2010

Urnas de Novo

Mais de uma vez falei aqui no blog sobre o sistema eletrônico de votação e suas vulnerabilidades. Depois do primeiro turno, por exemplo, desenvolvi uma tese que apelidei de "Teoria Conspiratória", em que especulei sobre a possibilidade de migração de votos de um candidato para o outro. Acabo de assistir, bem atrasado admito, à contribuição que Luiz Carlos Azenha deu ao debate em setembro, numa entrevista feita pelo Skype, e postada no YouTube, com um dos seis especialialistas em informática que acompanham o desenvolvimento de softwares para eleição, junto ao TSE. No depoimento, o engenheiro Amilcar Brunazzo, ligado ao PDT, é categório: segundo relatório unânime apresentado no início do ano, é impossível saber se o voto que depositamos na urna eletrônica é o mesmo voto que será totalizado pela Justiça Eleitoral. Portanto, amigos, estamos diante de uma "caixa preta". Quem tiver paciência e quiser saber mais, basta dar um clique e assistir ao vídeo abaixo.

Cinco Razões

Trabalhei pouco tempo com Joelmir Beting, mas tempo o bastante para perceber que ele, ao contrário de tantos "comentaristas" de economia por aí, não briga com fatos. Na Band, onde está desde que saiu da Globo, no início dos anos 2000, se não me engano, ele continua a fazer seus clássicos comentários. Este que segue abaixo, por exemplo, cortesia do Antônio Mello, do blog do Mello (atalho ao lado), mais parece uma declaração de voto em Dilma. Veja só:

O Uso da Máquina

Da Revista Istoé versão online

O candidato do PSDB à presidência, José Serra, demonstrou de maneira clara, inequívoca e pública que não tem qualquer constrangimento em usar a máquina a seu favor. Em encontro nesta segunda-feira em São Paulo com membros da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Serra contou com a assistência de 38 servidores estaduais ao apresentar suas propostas para a comunidade científica.

Outras duas pessoas presentes são ligadas ao PSDB – o ex-deputado Márcio Fortes e o ex-ministro José Goldemberg. Entre os integrantes do estado paulista estavam o secretário estadual de Ensino Superior, Carlos Vogt, o diretor-presidente da Imprensa Oficial, Hubert Alquéres e o diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), João Fernando de Oliveira.

Se Serra já está usando a máquina pública enquanto candidato, é de se imaginar o que faria caso chegasse ao poder.

27 outubro 2010

Quando não tem ninguém olhando

Texto extraído do coxi-Xan-do
http://xan-mello.blogspot.com

Tenho escutado de muitas pessoas que votar em um dos candidatos, é ser conivente com o vale-tudo das campanhas e com os casos de corrupção, antigos e recentes (estes, bem mais lembrados). Não tenho dúvidas em relação à trajetória absolutamente íntegra da ex-candidata Marina Silva. Mas tenho dúvidas, e muitas (acho até, que tenho a certeza absoluta do contrário) de que ela, na presidência, conseguiria livrar nossa nação destas práticas tão indesejáveis. Não acredito que isto vá acontecer num movimento de fora para dentro. Mas sim, em consequência de uma transformação profunda em nossa sociedade. Lenta, gradual e pela qual cada um de nós é responsável. O problema do desvio moral, na minha opinião, é de toda a sociedade. Está presente em muitas práticas aparentemente irrelevantes de todos nós. Os exemplos são infinitos: um comercinate erra no troco, te dá dinheiro a mais e você não fala nada; você sabe que não pode jogar lixo no chão, não tem ninguém olhando e você joga; você sai com seu cachorro para passear, ele faz cocô na calçada do outro e você finge que não viu; você precisa transferir seu carro, mas sua documentação não está em ordem e você paga para um despachante dar um jeitinho; você sabe que vai ter um evento concorrido na sua cidade e usa seus contatos para conseguir acesso privilegiado. Acredito que serão necessárias ainda muitas gerações para que a nossa sociedade seja predominantemente (nunca totalmente) constituída por sujeitos que tenham uma formação moral sólida e, portanto, refratária a situações que privilegiem a sua vida pessoal em detrimento da coletividade. Eu não espero ver nos próximos quatro anos o fim da corrupção na política. Não tenho mesmo essa ilusão. Mas quero, neste momento, tomar partido. E tomar partido é escolher o lado que mais se aproxima das minhas convicções. Mesmo sabendo que tomar partido é correr o risco de, daqui a quatro anos, ter que assumir o erro da minha escolha, se este for o caso. Dilma. 13. Este é o lado que escolhi.

26 outubro 2010

Jornalismo com Inteligência


Do Blog do Len: http://gmpconsult.com.br/blogdolen/?p=5021

Esse blogueiro que vos escreve tem 42 anos de vida e posso afirmar sem hesitar que jamais tinha visto na vida, pelo menos até a noite de ontem, um jornal de televisão que praticasse o contraditório, sem blindagens de grupos políticos nem tentativas de desconstrução de adversários, se baseando exclusivamente nos fatos e não em versões que interessem a pauta do ativismo político dos donos da empresa.

A edição do Jornal da Record foi o que mais se aproximou disso. Não poderia afirmar que o jornal é totalmente imparcial, pois abordou os fatos de forma dura em relação aos tucanos, até porque jornalismo totalmente imparcial ainda vai demorar a aparecer, mas o que a Jornal da Record ofereceu ontem aos seus telespectadores foi a possibilidade de entrar em contato com o contraditório, rompendo, na minha opinião de forma definitiva, um sistema de pauta única dos jornais de televisão comandado pela Globo, onde se um dos jornais resolvesse tratar de temas que atingissem seus aliados, era posto na geladeira pelos demais órgãos de imprensa, blindando determinados políticos e partidos.

Eu não posso esquecer que a Record vem melhorando o nível de seus telejornais há um tempo e fazendo um jornalismo cada vez mais independente, principalmente nas reportagens investigativas de Rodrigo Vianna, que merecidamente vem ocupando mais espaço no jornal, mas na última edição do Jornal da Record o jornalismo da emissora se superou a ponto de me proporcionar ver um telejornal como imaginei que jamais fosse possível existir.

Era exatamente isso que faltava nesse país, um canal de TV aberto disposto a incentivar o estabelecimento do contraditório através de seus telejornais, sem opiniões únicas, sem políticos ou partidos blindados, e fazendo jornalismo com respeito a inteligência do seu telespectador como nunca não se viu.

A Record gostou de ser independente e não dá sinais que pode voltar atrás em suas decisões. A Carta Capital já faz jornalismo sério há anos. A Isto é parece que entendeu que dizer a verdade não dói.

Fico feliz de estar vivo e presenciando o começo dessa revolução que vai mudar a forma de fazer comunicação nesse país. A opinião única morreu e se depender de nós nunca vai ressucitar.

25 outubro 2010

Não Estaremos Mais Aqui


Pedro, meu filho de 13 anos, ao seu modo resolveu entrar no debate sobre a sucessão presidencial.

3-8-19: 13 Neles!

Da série ficção, a preferida dos internautas. Vamos supor que eu seja um homem rico, viva no exterior e tenha uma irmã interessante. Vamos supor agora que a irmã interessante se apaixone por um alto funcionário da maior empresa de comunicação do país. Vamos supor que, um dia, ele me peça cem mil dólares emprestados para pagar um apartamento que está comprando em Nova Iorque. Como sou rico, tenho uma irmã interessante e o sujeiro é alto funcionário da maior empresa de comunicação do país, consulto minha mulher e decidimos emprestar o dinheiro. Procuro o gerente do banco em Milão e faço a transferência em dinheiro para uma conta em Nova Iorque, que a secretária dele me manda por fax (com timbre da firma e tudo, hehehe). O alto funcionário da maior empresa de comunicação do país começa a fazer o pagamento parcelado no Brasil, em reais. Protesto e peço, gentilmente, que me devolva o que me deve em dólares, no exterior. Procuro minha irmã interessante que me sugere evitar discutir esse assunto com o alto funcionário da maior empresa de comunicação do país. Insisto: não quero receber no Brasil, da forma como o alto funcionário está pagando e com um câmbio altamente favorável a ele. Decido processar o sujeito e descubro que, em apenas quatro anos, o patrimônio dele saltou de dois milhões para dez milhões de reais e que não declara a existência, nem da conta no exterior, nem do apartamento em NY. Teria o alto funcionário da maior empresa de comunicação do país lavado dinheiro às minhas custas? Seria ele um evasor de divisas? Com a palavra, a Justiça. E se alguém me perguntar se é verdade, nego. Afinal, vai que o processo esteja correndo em segredo...

13 Neles! (versão remix)

Da Série Ficção, campeoníssima de audiência. Trata-se de um verdadeiro refúgio à beira-mar, no litoral da Bahia. Um negócio eivado de desconfiança e suspeita. Portanto, terreno fértil para "testar hipóteses". Mas tá lá, com escritura e tudo, no nome do proprietário, que comprou um pedaço da gleba do vizinho, um milionário banqueiro, que já ocupou um dos cargos mais importantes da Banca da República. Dizem até que o pagamento do sítio foi feito em espécie. Considerando que o novo dono é empregado - aparentemente bem remunerado - de uma corporação que nasceu sob o manto da fraude, cresceu à sobra da ditatura e se mantém às custas de muita manipulação e censura, não dá para esperar que todos seus gestores estejam acima de suspeitas, não é mesmo? Aliás, quanto mais os rabos estiverem presos, mais eles serão capazes de guardar com a vida os segredos do negócio. É uma lógica bem parecida com a da máfia. Mas se alguém perguntar se o sítio existe mesmo...
(atualização de texto publicado originalmente, aqui no blog, em setembro)

24 outubro 2010

Aécio Neves versus José Serra


A quem interessava a reportagem investigativa do jornalista Amaury Ribeiro JR?

23 outubro 2010

Lily Marinho e o Almoço de Domingo

Ontem fui procurado por uma colega na redação, que não vou dizer o nome porque não sei se ela quer ser identificada. Como ex-funcionária da Corte, tendo seguido carreira brilhante e ocupado postos importantes, fez uma excelente análise das ações suicidas do Guardião da Doutrina da Fé. Segundo ela, se Dilma for eleita, vai ser a primeira vez, desde a redemocratização, que a Corte do Cosme Velho não "fará" o Ministro das Comunicações. E foi taxativa: Franklin Martins deve ficar com o posto! E, convenhamos, Franklin não prega a Doutrina da Fé, ao contrário, foi perseguido e demitido, sem mais nem menos, como eu.

Eu voto Serra, sabe por quê?


Os estudandes da UNB - Universidade de Brasília - explicam por quê?

22 outubro 2010

Por que o Molina?

O ex-perito da Unicamp, Ricardo Molina, que foi banido da Universidade de Campinas porque teria usado dinheiro público para comprar uísque e caviar, acusação que ele nega, é um homem muito conhecido da Corte do Cosme Velho. Foi ele quem, por exemplo, fez perícia no apartamento do Guardião da Doutrina da Fé, quanto este brigava com a vizinha por causa do "Maconhal Caseiro", história que eu contei aqui tempos atrás. A certa altura do processo, o apartamento do vizinho de baixo, que fala pausadamente, foi inundado por causa de um dreno aberto no andar de cima (história de sabotagem muito estranha...) Na ocasião, o síndico do prédio, que vem a ser o próprio Guardião, fez fotos e montou um dossiê contra a vizinha, anexando ao processo laudo advinhem de quem? Do Molina, que atestava que não houve montagem das fotos. Molina é polivalente. Apesar de especializado em degravação de áudio, o "professor" também pericia imagens. Depois que perdeu o emprego público, passou a se dedicar exclusivamente ao seu laboratório pericial. Sempre que a emissora precisa de um trabalho técnico recorre a ele. São vários casos... Quando promotores de justiça precisavam de perícias para juntar às denúncias e não tinham como pagar, faziam um bem-bolado com a Corte: davam ao repórter, aquele que sempre aparece nessas horas, a notícia com exclusividade, em troca do laudo e o perito fazia tudo de graça, só para ter a vitrine em horário nobre. São essas práticas que começaram a ruir, depois que a empresa trocou jornalismo de qualidade pela manipulação grosseira e a distorção dos fatos. Estão colhendo aquilo que plantaram nos últimos 7 anos. Lamento, principalmente pelos colegas que, como contou o Rodrigo Vianna hoje, no Escrevinhador, vaiaram na redação a "reporcagem" que foi ao ar na noite passada.

Esporte ou Business

Quando fui trabalhar naquela que já foi a mais importante emissora de televisão do país, mas que hoje tenta espremer a realidade para contê-la dentro da cabeça de um candidato oco, estávamos diante de um império. A corte do Cosme Velho tinha tentáculos por toda a parte e um de seus órgãos vitais plantado na Avenida São João, centro de São Paulo.

Naquela ocasião, anos 90 do século passado, diziam que quem pagava nossos salários era o esporte. O jornalismo da emissora era bancado pelo futebol e a fórmula um. Isso era até razão de certo mal-estar entre os colegas. Afinal, jornalistas do esporte nunca gostaram de se submeter às idiossincrasias dos editores-chefes dos telejornais, pouco habituados à rotina de treinos, concentrações, rodadas à noite, nos fins de semana, tudo o que faz da editoria do esporte um "universo paralelo".

Mas às vezes as rusgas não terminavam aí. Era comum o jornalismo dar peso excessivo à determinada informação que para o pessoal do esporte não tinha tanta relevância, e vice-versa. Nessas horas, uma figura emblemática sempre lançava mão de um clichê, que ficou bem conhecido nos corredores: esporte não é jornalismo, é business.

Se a receita do negócio esporte continua tendo impacto tão relevante no departamento, não deve ser boa a notícia de que o Cade, O Conselho Administrativo de Defesa Econômica decidiu extinguir a preferência da Rede Globo na negociação dos direitos de TV do Campeonato Brasileiro. O acordo para por fim ao Cartel foi costurado pelo órgão com a emissora e o Clube dos 13 esta semana e vale já para a negociação das edições de 2012 a 2014.

Antes da decisão funcionava assim: a Globo tinha direito de cobrir qualquer proposta concorrente, mesmo que ela viesse em envelope fechado. Agora, a emissora irá concorrer igualmente com suas rivais, mas pode manter a sua exclusividade, caso vença novamente a disputa.

Os direitos de transmissão agora serão separados: TV aberta, TV por assinatura, pay-per-view, internet e celular. No entanto, os contratos não excluem a possibilidade de que uma empresa adquira todos em conjunto. Nem a Globo, nem o Clube dos 13 quiseram falar sobre o assunto.

Minha interpretação é que pode estar em curso o desmonte da preferência da Corte pela exclusividade e, melhor, todos ganham: a concorrência, que terá que se qualificar, caso queira entrar na disputa, o Clube dos 13, que pode aumentar sua receita e importância, os clubes fortes em seus estados mas que não gozam de privilégios de transmissão e o melhor de tudo: futebol às oito da noite. Este é o sonho de 10 em cada 10 torcedores.

Onde tem mais torcedor, maior é o espetáculo, mais cobrança, mais fiscalização e mais disputa. Todo futebol ganha com isso.

21 outubro 2010

Caro Presidente:

Quem sou eu para lhe dar conselhos, afinal, um homem que tem aprovação e apoio de mais de 80% dos brasileiros deve saber muito bem o que fazer, não é mesmo? Além disso, deve estar assessorado bem demais para ouvir este tão modesto apelo. Mas, ainda assim, quero fazê-lo, uma vez que trabalho com comunicação e sei que o senhor é o melhor porta-voz dos anseios e angústias de nossa gente.

Sugiro que prepare um pronunciamento à nação na sexta-feira que antecede o segundo turno das eleições presidenciais. Pode ser uma carta feita de próprio punho e lida no horário nobre, em cadeia de rádio e televisão. Nada de "teleprompter", cenário, maquiagem, superprodução. Basta o seu mais sincero modo de comunicar.

Conte a esta gente tudo o que sofreu desde que assumiu, em 2003. A campanha das empresas de comunicação, dos grandes grupos econômicos interessados em nossas riquezas, principalmente o petróleo. Desmascare essa gente e diga com todas as letras quem são os verdadeiros inimigos da pátria. Mostre aos brasileiros quem é quem nesse jogo sujo.

Não é preciso pedir votos à Dilma, basta ir direto ao ponto, como o senhor sempre fez. Nos dias seguintes, o país será tomado por uma onda de paz e serenidade. As pessoas estarão com seus corações "amansados" e seguirão às urnas no domingo com a certeza de que têm um compromisso com o futuro de todos os brasileiros.

Estou certo de que esta é a melhor solução contra os golpes que são tramados à sombra da lei eleitoral, na clandestinidade e no mundo do crime comum. Ainda que considere não ser necessário falar à nação, faça seus opositores saberem que tem esta "carta na manga" e que não se privará de usá-la, caso os adversários continuem a adotar esta postura irresponsável e, diria até, desumana.

E mais uma vez o mundo o aplaudirá. Vamos vencer o medo, a fome, a pobreza e a desigualdade. Vamos investir nossas riquezas em nossa gente e transformar nosso país num lugar justo e feliz para se viver. Nossa vocação é construir um país de todos e não podemos perder esta enorme oportunidade que está diante de nós. E o senhor é a peça-chave dessa engrenagem.

Meus sinceros votos de admiração, respeito e confiança,

do cidadão Marco Aurélio Mello

20 outubro 2010

Eles Vão Fazer de Tudo

Os últimos acontecimentos da campanha eleitoral nos colocam diante do "best seller" de Sun Tzu, A Arte da Guerra. Apesar de se referir aos séculos V e VI, o livro andou na moda há alguns anos, para treinar executivos em empresas, cujo perfil é de forte voracidade, "predadores". No livro, o autor demonstra a importância da estratégia tática, que divide em: reconhecimento do terreno, observação do inimigo e patrulhamento dos flancos. O objetivo, primeiro, é garantir a segurança, depois o avanço e o, por último, o descanso seguro das tropas. O autor fala ainda da importância de sondagem ao inimigo antes da ação, o que considera essencial. Para Tzu, "o líder planeja antes de agir, avalia riscos e os previne." A guerra só fará sentido se: for feita no menor espaço de tempo possível; com o mínimo de esforços possíveis e com o mínimo de baixas causadas ao inimigo. "Toda arte de guerra é baseada na decepção. Assim, quando capaz, finja incapacidade; quando ativo, finja inatividade. Quando próximo, faça parecer que você está muito longe; quando longe, que você está muito perto. Ofereça ao inimigo uma isca para atraí-lo; finja desordem e derrube-o. Quando ele se concentrar, prepare contra ele; onde ele for forte, evite. Irrite-o e confunda-o." Durante algum tempo, antes de se lançar candidato à presidencia pelo PSDB, este foi o livro que fez a cabeça do "mais preparado", nas noites de insônia. Extraído dO Globo: "Na entrevista ao Jornal Nacional, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, usou a suposta experiência literária de seu vice, o deputado Indio da Costa (DEM-RJ), para defender sua qualificação para exercer o cargo, se eleito. Ao ser perguntado sobre a falta de experiência de Indio pelos entrevistadores William Bonner e Fátima Bernardes, Serra lembrou que ele tem livros publicados sobre administração... No site da Câmara e na página do deputado são listadas três obras de autoria de Indio da Costa. Entre elas, o prefácio do livro "A Harmonia do conflito: a arte da estratégia de Sun Tzu" - um comentário sobre o clássico "A arte da Guerra". Portanto, qualquer semelhança com o que temos visto não é mera coincidência.

Próximos Passos

Vejam este roteiro:

1. Chamar a Dilma de terrorista;

2. Afirmar que ela assaltou bancos;

3. Acusá-la de tráfico de influência, corrupção e nepotismo no governo;

4. Espalhar o boato de que ela mata criançinhas e defende o aborto;

5. Alegar que ela blasfema contra os Cristãos;

6. Panfletar;

7. Difamá-la pelo serviço de telemarketing;

E, agora:
8. Ações concretas (confrontos entre militantes, pichações em igrejas, atentados à bomba e incêndios);

A estratégia acaba de ser desmontada pelo jornalista Tony Chastinet, especializado em crime. Os detalhes estarão no Escrevinhador, do Rodrigo Vianna, esta tarde. Atalho ao Rodrigo aí ao lado.

19 outubro 2010

Quem Avisa Amigo É

Logo que acabou o primeiro turno das eleições e as urnas foram abertas, assim como muitos brasileiros, fiquei estarrecido diante da totalização dos resultados. Foi nesta hora que desenvolvi a tese publicada aqui no blog (com o nome de Teoria Conspiratória), de que pudesse ter havido manipulação na totalização de votos. Alguns internautas consideraram fantasia, delírio, "viagem". Outros, afirmaram que violar a segurança das urnas era impossível. Então, vamos a um novo exemplo. Digamos que assim que terminasse a eleição, às 17h, mesários e presidentes de seções pegassem os livros, onde os eleitores assinam, assinassem pelos faltantes e fossem até a urna depositar alguns votos. Digamos que isso acontecesse em várias urnas diferentes até que fossem recolhidas, em meia hora. Vamos supor agora que, no momento de dar a carga na urna, houvesse algum tipo de fraude. Vamos supor ainda que os relatórios eletrônicos pudessem estar em desacordo com a totalização. E se, agora, eu afirmasse que tudo isso pode sim ter ocorrido? E mais. E se eu dissesse que quem prepara as regras, cuida do processo e decide se houve erros é uma instância só: a Justiça Eleitoral. Ainda assim muita gente duvidaria, não é mesmo? Então, leiam isso: "Acabo de chegar de São Luis (MA) onde acompanhei como observador do PDT a auditoria nas urnas eletrônicas usadas no 1° turno das eleições do Maranhão feita pelo engenheiro especializado em segurança de informática, Amilcar Brunazo Filho, e a advogada especialista em Direito Eleitoral, Maria Aparecida Cortiz. Como sabe, além de brizolista, sou velho crítico dessas máquinas e neste 1° turno os resultados em três estados me chamaram a atenção: Paraná, São Paulo e Maranhão. Tiveram jeito de coisa encomendada."
se tiver paciência e quiser ler tudo, está aqui: http://www.conversaafiada.com.br/politica/2010/10/19/sos-maranhao-nao-confie-em-urna-eletronica/

Estou Satisfeito



Aí está a reportagem que editei esta noite, depois de me dedicar ao tema desde sábado, e que foi vista por aproximandamente 10 milhões de brasileiros.

18 outubro 2010

Cuidado, ele Morde

Meu filho mais velho, Pedro, me perguntou ontem se eu tenho certeza que o Serra não faria um bom governo. Absoluta, respondi. Depois fiquei pensando, por quê? Resolvi listar pelo menos sete razões concretas para ter construído esta certeza:

1. Desde que foi para Brasília, onde ocupou cargos no Legislativo e, depois, no governo Fernando Henrique, Serra montou uma central de inteligênica clandestina, cuja finalidade era investigar, intimidar e chantagear seus adversários (usando para isso jornalistas inescrupulosos que conheço);
2. Quando se candidatou à presidência, em 2002, para tirar do caminho sua principal adversária do PFL, Roseana Sarney, tramou contra ela e o marido uma operação com a ala tucana da Polícia Federal, para expor o caixa dois da pré-campanha da adversária (como se caixa dois fosse privilégio apenas de opositores);
3. Tentou derrubar com ilações seus principais companheiros de partido: Geraldo Alckmin e Aécio Neves, um em 2006, e outro em 2009. (sobre Alckmin, expôs suas ligações com a Opus Dei (que hoje apoia Serra ferrenhamente) e, sobre Aécio, insinuações de que, o agora senador, seria dependente de cocaína e tinha predileção por agredir mulheres), o que demonstra um enorme mau-caratismo;
4. Sempre calou a imprensa paulista com dinheiro, na forma de anúncios, assinaturas e negócios nebulosos. Todos os jornalistas que se impuseram em seu caminho foram massacrados. Ele próprio, Serra, tem o péssimo hábito de telefonar para as redações para "conversar" diretamente com os diretores de jornalismo. Já testemunhei uma dessas conversas. Para ficar em apenas dois exemplos, na TV Cultura: Luis Nassif e Heródoto Barbeiro foram afastados, depois que fizeram críticas a seu governo;
5. Recentemente, deu à TV Globo um terreno (que era do povo paulista) numa das áreas mais valorizadas da capital, em troca de um projeto - no mínimo esquisito - de formação de mão de obra para a televisão. Um escândalo que só não foi investigado porque o Ministério Público Estadual está nas mãos do PSDB há 16 anos!
6. Como Governador, nos últimos anos, determinou que sua Polícia Militar sempre reprimisse manifestações, seja de policiais civis em greve, de estudantes da USP e, até, de professores, o que expôs toda sua truculência em governar, em detrimento ao diálogo e à conciliação;
7. Agora, em 2010, o candiato e seus apoiadores têm promovido uma das campanhas eleitorais mais sujas da história do país. Serra posa de estadista, enquanto um grupo de profissionais (colegas jornalistas entre eles) espalham calúnia e difamação em e-mails apócrifos, panfletos e nas redes sociais, como o twitter. Há uma coleção de pessoas já identificadas com seus número de computadores, que serão objeto de análise pelo Ministério Público e a Justiça Eleitoral - crimes que podem levar até à impugnação do candidato.

Costumo brincar com o Pedro que, se Serra fosse eleito, eu e meus colegas perderíamos o emprego. Não duvidaria disso!

17 outubro 2010

Mito ou Verdade?


Os outros quatro capítulos estão no You Tube, para quem quiser ver.

O jornalista britânico Mark Dowd teve acesso exclusivo às dependências da Opus Dei, nunca antes concedido a ninguém fora da organização.

16 outubro 2010

Nós e os Outros

Somos ricos. Pelo menos no conceito de rico do IBGE. Ganhamos mais de 20 salários mínimos, temos casa própria com três quartos, dois carros, segurança particular, empregada doméstica (registrada com dois salários mínimos e todos os encargos pagos pelo patrão, sem partilha) e jardineiro uma vez por mês. Nossos filhos estudam em escola particular, o mais velho faz inglês. Ainda que o orçamento não faça sobrar, podemos planejar e sentimos que a vida progride com o passar do tempo, sem ambição desmedida e sem excessos. Na medida do possível, somos felizes, e o melhor, com dignidade, sem ter que passar a perna em ninguém! Muitos brasileiros de classe média urbana são assim, têm perfil idêntico ao nosso. Trabalham com dedicação e honestidade e, podendo ajudar o país e as pessoas mais necessitadas, assim o fazem. São esses brasileiros, como nós que, ao lado da grande maioria (as famílias que vivem com renda de até R$ 2.000,00 por mês),' vão escolher Dilma Rousseff presidente do Brasil. E sabe por quê? Porque somos tolerantes, temos capacidade de diálogo e de superação. Descobrimos, em apenas 8 anos, um país que nunca existiu para nós. Crescemos ouvindo dizer que éramos pobres, endividados, incapazes de melhorar de vida e de distribuir melhor nossa riqueza. Antes, dependíamos dos Estados Unidos e do Fundo Monetário Internacional para tudo. Nossos produtos industrializados só eram vendidos para alguns países. Éramos exportadores de commodities e ponto. O Brasil era motivo de chacota lá fora. Só tínhamos orgulho das nossas mulheres (cujos corpos continuamos a oferecer como moeda de troca, infelizmente) e do nosso futebol que, ora ou outra, "pipoca" e "pisa na bola". Sentíamos vergonha da nossa nacionalidade. E ninguém queria investir aqui. Nossas empresas estatais e nossos bancos estavam quebrados. Uma das últimas jóias da coroa, a Petrobras, estava sendo preparada para ser entregue a preço de banana aos "gringos", como foi a Vale do Rio Doce e tantas outras. Não havia perspectiva de se alcançar um diploma de nível universitário, nem de ter emprego digno, senão para muito poucos. Agora não. Estamos construindo um país para todos e não vamos aceitar de volta no poder, os mesmos que fizeram nosso país quebrar três vezes, e que sempre defenderam um Estado mínimo, incapaz de investir e gerenciar nossos interesses e nosso desenvolvimento. Hoje, como nunca, temos auto-estima e somos brasileiros conscientes do risco do retrocesso. Não vamos permitir que isso aconteça! Estou certo de que nossa mobilização e nossa força farão toda a diferença no dia 31 de outubro!

15 outubro 2010

Perto do Fim

por Washington Araújo

"Por que é que quando o meu jornal diz que errou nunca está se referindo ao erro que realmente me incomodou e perturbou? Por acaso, estamos diante de uma epidemia a contagiar apenas jornalistas e deixá-los tão desaprendidos do ofício de fazer jornal diário? Estarei sendo punido por meu jornal por dedicar mais tempo ao jornalismo virtual que ao impresso? Quando a minha profissão, mesmo sem necessitar mais de diploma, continuará a exigir decência e retidão de caráter?
O que é que agrava tão mortalmente a velha deliquência da imprensa escrita diária? Será que a devemos debitar apenas à crise econômica global que provoca enormes perdas da publicidade e ao mesmo tempo forte restrição de crédito? Quando foi que a informação passou a ser mercantilizada de forma tão escancarada? Como a perda de credibilidade tem contribuído para o ocaso da imprensa escrita? Caminha para ser letal ao segmento da informação impressa a concorrência com a imprensa gratuita?
Por que no Brasil a questão da sobrevivência da imprensa escrita é secundária à questão da liberdade de expressão? O horror econômico que se avizinha para a imprensa brasileira é decorrente do cerceamento à liberdade de expressão? Por que é mais seguro saber do desenvolvimento alcançado no Brasil por intermédio da imprensa que circula no exterior do que através da nossa imprensa? Por que é que diante dos novos "pecados capitais" do jornalismo os cidadãos se sentem vulneráveis em seus direitos? Onde é que vamos buscar informação confiável e de qualidade sobre qualquer assunto importante? Onde buscar a verdade dos fatos? Onde buscar a verdade? Onde buscar? Onde?"

Direita ou Esquerda

Do professor Emir Sader:

"A esquerda, em todas suas variantes, tem que entender que uma continuidade do governo Lula significará o prolongamento das condições de luta atuais, em situação melhor, porque a direita terá sofrido uma grande derrota.
Uma eventual vitória do Serra será, inquestionavelmente, uma vitória da direita. E uma derrota para todos os setores da esquerda. Porque todos pagarão o preço disso.
Não por acaso todos os movimentos sociais - a começar pelo MST - têm clareza absoluta disso, até porque em um triunfo da direita, os movimentos populares e a esquerda no seu conjunto, sem poupar ninguém, serão as principais vitimas de uma direita fortalecida.
Em 2006 alguns setores diagnosticaram que seria igual um governo Lula ou um governo Alckmin. Podemos imaginar como estaria o Brasil se tivesse que ter enfrentado a crise com Alckmin presidente, pelo que é o México hoje. Não eram similares as alternativas.
Como não são hoje. Só pelo tom obscurantista, retrógrado, entreguista - veja-se as referências dos tucanos sobre o Pré-Sal, sobre a política externa - da campanha do Serra, dá para se saber o que nos aguardaria, caso os tucanos voltassem a governar. Não seria apenas a derrota de um setor da esquerda, de um setor do campo popular, mas de toda a esquerda e de todo o campo popular. O que apareceria como um fracasso do PT, não beneficiaria a nenhum outro setor da esquerda. Beneficiaria à direita e todos seríamos reprimidos por igual.
Neste momento ninguém de esquerda pode ficar alheio à disputa do segundo turno. Se no primeiro se apresentavam todas as alternativas na esquerda, agora se trata de votar contra a direita, contra o Serra. A esquerda se caracteriza não somente pelos projetos de transformação do mundo, mas também pelo combate, unificado à direita. Disso se trata neste segundo turno."

14 outubro 2010

Está tudo Aqui

Este texto "não dá para não ler". É a análise mais lúcida que li desde o fim do primeiro turno:

"A fase intensa da campanha para desconstruir Dilma começou no final de agosto e desdobrou-se em duas fases. Na primeira, o protagonismo foi do Jornal Nacional e de quatro publicações impressas que esqueceram suas rivalidades históricas para formar uma espécie de Santa Aliança: O Globo, Veja, Folha e Estado de S.Paulo.
Nesta fase, o método consistiu em bombardear a opinião pública com dois "escândalos": o vazamento do sigilo bancário de Verônica Serra, do qual Dilma Roussef foi - sabe-se agora com certeza - injustamente acusada; e a agência de lobby mantida pelo filho de Erenice Guerra, que não obteve nenhum favorecimento real, embora usasse o parentesco com a mãe poderosa para impressionar clientes. O primeiro caso era uma ficção; o segundo, uma irrelevância. Mas ambos monopolizaram, por 30 dias, as manchetes dos três jornais de maior circulação do país; da revista semanal mais conhecida; e do noticiário de maior audiência na TV. Para atestar o caráter eleitoreiro das "denúncias", basta lembrar que foram imediatamente esquecidas, ao cumprirem seu papel na campanha. Não visavam investigar a fundo um assunto importante - apenas iniciar atacar uma candidatura, para favorecer outra."

Para ler tudo: http://www.ponto.outraspalavras.net/2010/10/13/novo-cenario-segundo-turno/

13 outubro 2010

Os Verdes

Em março desde ano fiz uma postagem que foi recordista em 'page views', com 57 comentários aprovados. Não me lembro mais quantos outros tive que banir por serem grosseiros, ofensivos, truculentos... Minha tese era a de que Marina Silva e seu Partido Verde serviriam nesta eleição como braço auxiliar da direita, consequentemente do consórcio PSDB-DEM. Por quê? Porque tinham uma visão de mundo idealizada, em concordância com demandas exclusivas por enquanto às dos paises europeus ricos, sobretudo os escandinavos. Marina era a combinação lapidar de um discurso preservacionista com uma trajetória de luta social e princípios éticos, mas que estava descolada da realidade de um país que, ainda hoje, não conseguiu sequer universalizar serviços considerados essenciais, como o acesso à água e esgoto, luz elétrica, telefone fixo... Isso sem contar os outros serviços públicos que, nos governos anteriores, foram precarizados primeiro, para serem privatizados depois. Naquela ocasião afirmei: um partido como o PV só alcançaria o poder se vendesse a alma ao diabo. Bom, vamos aos números: consulta interna ao partido - pela internet - demonstrou que, dos 3 492 filiados e simpatizantes que participaram, a maioria, 2 060 pessoas, escolheu José Serra, com 59% dos votos. 1 017 votantes, o equivelente a 29,1%, preferiram a neutralidade. E apenas 415 pessoas (11,9%) aceitaram votar em Dilma Rousseff, na ausência de sua candidata. Para um partido que cresceu à sombra do PSDB no estado de São Paulo, não era de se esperar resultado diferente. Afinal, a grande maioria dos verdes têm carreira no serviço público (comissionados ou não) e certamente ajudarão a ocupar os cargos que o governador eleito Geraldo Alckmin ofereceu. A decisão cabe à executiva nacional. Boa sorte companheiros! Nada como escolher um lado, ainda que tardiamente.

Folga pela Metade

Vou confessar uma coisa: não consegui me desligar completamente da internet no feriado, nem das notícias, nem da campanha eleitoral. Na pousada em Monte Verde, MG, tinha rede sem fio na recepção. Fiz acessos diários, ainda que rápidos e pouco produtivos. Aprovei um e outro comentário e vi algumas das páginas que frequento diariamente. Na noite de Domingo a Alexandra mudava os canais da TV no quarto quando encontrou o debate. Não resisti a assistí-lo inteiro, com direito a considerações finais e tudo. Vou poupá-los de dar minha opinião. Afinal, muitos já o fizeram com muito mais eloquência e competência do que eu. Só vou destacar um aspecto que ficou martelando na minha cabeça. A certa altura Dilma disse que era bom ter segundo turno porque seria a chance de confrontar dois projetos distintos de Governo e aprofundar o debate sobre os temas relevantes. Por mais que todos tenham se decepcionado com a ida ao segundo turno, acho que a candidata tem toda a razão. Não existe oportunidade melhor de desmascarar alguém do que frente a frente, olho no olho. E para esse enfrentamento Dilma provou estar pronta. Por isso é que a militância ficou mais confiante neste início de semana. Apesar da troca de acusações, os candidatos tiveram que demonstrar familiaridade com temas da gestão pública. Ambos conhecem a máquina, o que não quer dizer que saibam operá-la bem. São 8 anos de neoliberalismo versus 8 anos de democracia social. É a hora da verdade. Apesar da baixa audiência, valeu.

12 outubro 2010

Porque hoje é Dia das Crianças

Mais um flagrante de Monte Verde, MG. Já estamos de volta a Vinhedo e Gabriel dorme.

11 outubro 2010

Porque hoje é Segunda

Aproveitando o feriado com a Alexandra e o Gabriel em Monte Verde.

10 outubro 2010

Porque hoje é Domingo

09 outubro 2010

Porque hoje é Sábado

08 outubro 2010

O Céu e o Inferno

Pronto, a campanha foi tomada pelo maniqueísmo. O bem está de um lado e o mal do outro. É assim que nossa civilização "ergue e destrói coisas belas". No caso da candidatura situacionista, por exemplo, passou a ser excelente expediente, porque quem ficou no papel de lobo mau foi a oposição. E por não ter discurso, e nem projeto capaz de se contrapor ao modelo desenvolvimentista, que privilegia a redução das desigualdades, agregou em torno de si grupos considerados radicais e extremados. Não por acaso a pregação moralista atingiu minorias GLBT e mulheres que praticaram aborto. E isso foi só um aperitivo. O que eles talvez não saibam é: a tolerância é uma marca registrada da nossa sociedade. Discursos preconceituosos e discriminatórios não colam, ainda que venham embalados por imagens e circunstâncias que possam despertar nossos medos inconscientes. De agora em diante, para uma campanha, basta explorar bem a condição de vítima e, para a outra, tentar criar uma sequência de fatos aterrorizantes e constrangedores, o bastante para desagregar e desmobilizar a militância. Acho que o "mal" está em ligeira desvantagem. Mas, por enquanto, no primeiro dia de horário eleitoral na TV, o que vimos à tarde foram dois programas quase iguais um ao outro. Quem me chamou a atenção foi a jornalista Márcia Cunha. Eles abriaram com imagens aéreas numa edição rápida, colaram cenas de campanha e cortaram para um escritório cenográfico onde o candidato falou sobre seus planos, enquanto uma câmera (grua) passeava lentamente. Aí veio o narrador detelhando as propostas. Esta amostra me permite fazer a seguinte afirmação: um programa de TV passou a ser o genérico do outro. Pode ser que o eleitor distraído caia nesse golpe. Afinal, eleitor distraído e golpistas não faltam no mercado! Bom feriado a todos e até terça-feira à noite!

07 outubro 2010

A Petrobras é Nossa!


O preço das ações da Petrobras caem nos últimos dias motivado por pelo menos três razões. A primeira é o aumento da alíquota do IOF, o que diminui o lucro dos investidores. A segunda razão é a flutuação do câmbio. Com a desvalorização do dólar frente ao real, as ações ficam mais caras. A terceira e principal eu considero um escândalo: a campanha difamatória que a velha imprensa, associada a grandes grupos econômicos fazem contra e empresa. Há interesse em desestabilizar a gestão para, em trazendo prejuízos, comprovar a tese de que a União é incapaz de administrar nossa 'galinha dos ovos de ouro'. Nesta quinta-feira, por exemplo, os boatos tomaram conta do mercado. Seriam divulgadas denúncias envolvendo a capitalização da empresa, em que funcionários do Governo teriam sido beneficiadas. A iminência de um escândalo, ainda que falso, afugenta investidores, avessos à volatilidade e risco. E quando muitos vendem, as ações caem. Depois eles compram de novo mais barato. Assim é a lógica. Isso é de uma falta de compromisso público e de uma irresponsabilidade atrozes. Onde está a Comissão de Valores Mobiliários, que deveria zelar por isso? E os órgãos reguladores do Governo? Como evitar esse ataque especulativo contra todos nós brasileiros? Olha, desse jeito está difícil manter a calma. Ainda mais porque um dos formuladores da política econômica do candidato da oposição chegou a pregar no início da semana a revisão do Marco Regulatório do Pré-Sal, questionando, entre outras coisas, o aumento da participação acionária do Estado no negócio. Oras, quem tem petróleo tem poder e isso é assim no mundo todo. Só faltava agora sermos privados de nossa riqueza, em benefício daqueles que sempre exploraram nosso país. Isso nós brasileiros não vamos permitir!

Um Delito de Opinião

Tenho atividade intelectual. Vendo minha força de trabalho, mas minhas convicções políticas não fazem parte da minha relação trabalhista. Por causa disso fui demitido em 2006, depois de quase dez anos de serviços prestados à maior emissora de televisão do país, tendo passado três outros anos numa emissora afiliada do mesmo grupo. Portanto, tive uma carreira de 12 anos interrompida por discordar da maneira como os patrões e seus vassalos manipulavam o noticiário seletivamente à favor do PSDB. Nunca houve nada que desabonasse minha carreira, consagrada com um dos mais importantes postos naquele que já foi o principal telejornal do país. Não me arrependo de nenhuma palavra do que disse e faria tudo outra vez, se preciso fosse. Também não sinto saudades. Era muito infeliz profissionalmente e não tinha consciência do tamanho da minha infelicidade. Em relação aos episódios de 2006 há farto material na imprensa alternativa da época, sobretudo na Revista Carta Capital, para quem quiser conhecer o outro lado que eles escondem da sua história de sucesso. E há também testemunhas oculares importantes sobre um momento obscuro do jornalismo brasileiro, entre eles: Carlos Dorneles, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna. Há outros que não vou revelar para poupá-los, já que foram preservados nos quadros da empresa sob forte amordaçamento. Estou dizendo tudo isso porque a memória voltou à tona depois que soube que o jornal O Estado de São Paulo decidiu dispensar uma de suas mais importantes colunistas, a psicanalista Maria Rita Kehl. Foi ela a autora de um artigo demonstrando que a elite desqualifica o voto do mais pobre, como se ele fosse um cidadão de segunda classe em nosso país. Deixo em homenagem a ela um parágrafo do artigo que considero essencial: "Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos." Maria Rita é mais uma voz que se levanta contra os poderosos e é calada sumariamente. É essa gente que defende a liberdade de expressão e de imprensa no Brasil. Que tal?

O tatu taí?

Não, mas a mulher do tatu tá.
A mulher do tatu tando é o mesmo que o tatu tá.
Quem tem ou teve filhos conhece trava-línguas assim.
Tem uma fase das crianças (por volta dos dois anos) que a brincadeira fica muito divertida.
No entanto, alguns bichos já não são mais tão familiares aos pequenos, o que às vezes tira a graça e a compreensão da brincadeira.
Mas um dia desses descíamos de carro a paralela à rua de casa quando meu filho e eu flagramos um tatu cascudo do rabo bem comprido saracotiando por aí. Concluímos que ele tinha deixado o bosque para procurar comida.
É boa notícia, porque nos dá a oportunidade de reencontrar bichos que só víamos na infância e, assim, mostrar para as crianças. Também revela que muitas espécies continuam por perto, mesmo que não as vejamos com frequência. É o caso também de uma enorme lebre que vira-e-mexe está na horta do seu Geraldo, o vizinho, fazendo um aperitivo.
A notícia não tão boa é que ao deixar seu habitat em busca de comida alternativa das casas, os bichos estão cedendo às tentações e desbalanceando suas dietas.

06 outubro 2010

O líder e a Palavra

Na noite de 27 de outubro (de 2002, grifo meu), recém eleito presidente do Brasil com a maior votação da nossa história, Luiz Inácio Lula da Silva falou à multidão reunida na avenida Paulista. Fez um discurso emocionado de agradecimento aos eleitores que revelou, mais uma vez, o traço característico da personalidade deste impressionante e improvável líder brasileiro. Desde os tempos das assembléias operárias no estádio de Vila Euclides, em São Bernardo, Lula sempre foi capaz de fazer pronunciamentos empolgantes, em nome próprio, sem recorrer aos lugares comuns da retórica política, mas também sem falar apenas em primeira pessoa. É isso que diferencia seu carisma pessoal dos vícios do personalismo, tão freqüente entre os líderes políticos mais populares da história brasileira. Nas falas de Lula, o “eu” autoral é um “nós”. Antes de prometer qualquer coisa à multidão em festa, antes de se oferecer aos aplausos e às saudações de seu aniversário, Lula nomeou e agradeceu a todos os seus companheiros de percurso, vivos e mortos. Finalizou citando os colaboradores da atual campanha e nomeando os principais setores sociais que o elegeram: trabalhadores da cidade e do campo, membros da Igreja, professores, sindicalistas, estudantes. No lugar de “eu fiz, eu venci, eu cheguei lá”, Lula consagrou um “nós vencemos” a que o povo brasileiro não está acostumado. Em vez de se apresentar como um indivíduo privilegiado e iluminado, objeto de adoração e inveja das massas em função de sua excepcional trajetória de ascensão social, Lula fez de sua vitória a consagração do "povo unido" que há várias décadas já não acreditava que jamais seria vencido.

O discurso da Paulista pode ter sido o começo da (re)educação político/sentimental da sociedade brasileira. Nossa tradição política é a do autoritarismo, em suas várias versões. Tivemos a versão hardcore dos militares, que dominaram pela intimidação e pela repressão - o "prendo e arrebento", de famigerada memória. Tivemos também as várias versões soft do paternalismo e do populismo, segundo as quais o político popular sustenta sua autoridade e autoriza seu arbítrio ao se apresentar como uma espécie de pai severo e bondoso, protetor pessoal dos oprimidos, objeto de amor e submissão filiais das massas. O paternalismo infantiliza a sociedade e desmobiliza a participação popular. Faz da relação da massa com seu líder uma relação de gozo, uma "servidão voluntária", na expressão de Étiènne de La Boétie. É a forma mais eficiente de dominação, porque conta com a alegre adesão das massas: uma sociedade habituada ao paternalismo pede paternalismo, ama o paternalismo. Se os oito anos de governo de Fernando Henrique Cardoso representaram algum avanço para a sociedade brasileira, este se deu em conseqüência do traço mais detestável do ex-presidente: seu autoritarismo moderno e globalizado. Fernando Henrique, decididamente, não era paternalista. Muito menos populista. Seu discurso não mascarava os compromissos de classe, nacionais e internacionais, de seu governo. Neste sentido, fez um grande favor à sociedade.

Na via da relação das massas com os governantes, estamos completamente embebidos de cordialidade. Que um governante seja simpático e tenha “boa aparência”, que se ofereça à projeção de figuras familiares, que chore em público, que peça “mais uma chance” a seu eleitorado quando pego em flagrante de corrupção, tudo isto parecem ser condições “naturais” da vida política – como se a política pudesse ser tomada como um evento da natureza – aos olhos de grande parte dos brasileiros. Ao mesmo tempo, a prática da demagogia corrompe a sociedade inteira; corrompe e desnorteia. A demagogia substitui a esperança depositada na relação entre a palavra e a verdade pela receptividade cínica de quem aprende a desesperar, já que a palavra empenhada não tem nenhum valor. “Todo governante eleito pode prometer e não cumprir”, disse Lula à multidão. “Eu não tenho este direito” De fato, a ascensão do líder sindical à presidência da república, depois de três derrotas sucessivas, representa o coroamento de um projeto de toda a esquerda brasileira: um projeto de longo curso, gestado e desenvolvido há mais de vinte anos nos mais diversos setores da sociedade organizada. Lula sabe que deve muito a todos eles. Mais do que gratidão e reconhecimento, trata-se aqui de um compromisso de quem sabe que sua liderança é fruto de um projeto construído a muitas mãos - um processo longo e coletivo.

Ao final de seu discurso o presidente eleito se debruçou do palanque e prometeu prestar contas de seus acertos e erros aos eleitores. Não eram as palavras vazias da demagogia – eram palavras de um compromisso antigo, cuja credibilidade é legitimada pela trajetória pública do sujeito desta enunciação. Quanto ao endereçamento desse discurso, é importante observar a diferença entre o “vocês” da fala de Lula e o “povo brasileiro”, conjunto genérico e vazio que sempre abriu os discursos oficiais dos governantes anteriores. Pois Lula tinha acabado de reconhecer e de qualificar o coletivo que compõe este “vocês”. Embora se apresente – e não poderia fazer de outra forma – como presidente de todos os brasileiros, o “povo” a quem endereça seu discurso tem um perfil diversificado mas definido, cobre um campo de identificações construído pela sociedade civil. O “vocês” da fala de Lula é o conjunto de forças constitutivas da democracia participativa no Brasil.

Por isso mesmo, a fala deste novo presidente tem o poder de unificar simbolicamente o país. O endereçamento de Lula é o primeiro fator de inclusão social, antes mesmo da posse, muito antes que qualquer política de erradicação da miséria – ou seja, de inclusão material – possa se efetivar. Um discurso como este pode ter um efeito pacificador da violência social brasileira; não vai pacificar, evidentemente, a violência do tráfico e do crime organizado. Mas a violência gratuita, os pequenos atos de delinqüência banal que são fruto da desmoralização do espaço público, do extremo individualismo que contaminou o laço social nesses tempos neoliberais, certamente pode ser pacificada a partir da convocação política dirigida por Lula aos brasileiros para que venham participar da tarefa coletiva de reconstrução da sociedade.

O líder e a imagem

Mas não só de carisma e compromissos sinceros teceu-se a vitória de Lula. A peça mais importante de sua campanha, admitamos, foi a publicidade. Sobretudo a campanha feita para a televisão, na qual o marqueteiro Duda Mendonça trabalhou para projetar uma imagem do candidato à altura da lógica do espetáculo. Nas imagens de Duda, Lula virou ídolo pop, virou chique, virou figura messiânica, virou santo, virou pai. Sorriu muito e disse pouco, chorou quando convinha chorar, fez muito charme para a câmera, associou-se a outras imagens genéricas e palatáveis: flores, estrelas, criancinhas, culminando com a cena Kitch das dezenas mulheres grávidas vestidas de branco descendo uma colina verde ao som do Bolero de Ravel. O apelo sentimental de imagens como esta, durante a campanha, foi quase indecoroso. Deve ter feito muita muita gente esquecer a política. Às vezes, parece que é isto o que o brasileiro mais deseja: esquecer a política.

Não dava para ganhar as eleições sem fazer o jogo da publicidade - que no Brasil semi analfabeto, domesticado pela televisão, passa necessariamente pela linguagem comercial desenvolvida para e pelo veículo. É verdade que alguma coisa foi dita sobre o programa de governo do PT e a trajetória política do candidato, mas grande parte da campanha que conduziu Lula à vitória foi feita de imagens vazias, capazes de mobilizar muito mais os afetos e as fantasias do que a crítica e o pensamento. E como a linguagem é a mesma e a lógica televisiva é implacável, as eventuais diferenças entre as campanhas dos quatro candidatos principais diziam mais respeito às diferenças de competência entre os publicitários do que entre as propostas políticas.

Quanto à cobertura dos telejornais , temia-se que a Globo repetisse, diante de uma provável vitória de Lula, o mesmo comportamento antiético que decidiu a eleição de 1989 a favor de Fernando Collor de Melo. Não foi o que aconteceu. A televisão – sobretudo a rede Globo – tratou o favorito nas pesquisas com o mesmo respeito e seriedade que todos os outros candidatos. Depois vieram as celebrações. E de repente, na primeira semana da transição para o novo poder, foi como se Luiz Inácio Lula da Silva tivesse sido contratado pela Globo. Sua vida foi tema do Fantástico levado ao ar na noite da vitória. No dia seguinte foi convidado de honra do Jornal Nacional, permanecendo no estúdio enquanto William Bonner e Fátima Bernardes apresentavam imagens de sua trajetória política e familiar, entremeadas de conversasas ao vivo com o presidente. Na sexta feira foi a vez do Globo Repórter editar imagens do passado, depoimentos de parentes e entrevistar Lula ao vivo, com direito a lágrimas e risos, algumas informações relevantes e muito, mais muito charme. Vitorioso, feliz, Lula não estava só mais carismático. Estava muito mais sedutor.

É natural – mais uma vez esta palavra, antítese da política – que a emissora que fez a melhor cobertura jornalística do processo eleitoral tivesse o direito de explorar (êpa!) a popularidade do presidente eleito em benefício próprio. É “natural” que Lula aceitasse a superexposição televisiva que, no período de transição, faria consolidar ainda mais esta mesma popularidade. Só que a maior rede de televisão do Brasil, que há quase quarenta anos vem construindo e consolidando uma linguagem, um estilo, um modo de penetração no imaginário popular baseado justamente na comunicação pela via da imagem, à qual são subordinados a palavra e o pensamento, rapidamente enquadrou o presidente Lula nos termos da lógica do espetáculo. O efeito dessa estratégia é carregado de ambigüidade. Se por um lado torna o líder de esquerda mais aceitável para uma parcela amedrontada do eleitorado conservador, por outro, pode transforma-lo em um personagem inofensivo. Se consolida o aspecto imaginário de sua popularidade, pode contribuir para enfraquecer seu perfil político e a força de sua palavra – a mesma palavra que, no discurso da avenida Paulista, revelava sua potência mobilizadora, seu caráter diferenciado em relação à tradição dos discursos da elite, sua capacidade de produzir um enquadre simbólico para as forças sociais desorganizadas e desperdiçadas desse país.

A superexposição televisiva, a ênfase sentimental sobre os fatos da vida privada de Lula em detrimento de sua história pública, a transformação do personagem político em personagem de melodrama, podem funcionar – independente da intenção da direção da emissora – para neutralizar a força de sua liderança. A privatização da história de vida do presidente eleito pode fazer dele um fenômeno exótico – o operário que “chegou lá”, compatível com a lógica competitiva da cultura do individualismo – na mesma medida em que o popularizam como objeto de gozo e consumo para as massas. O gozo, como sabemos, é o que torna dispensáveis o pensamento e essa chatice necessária à vida política que se chama consciência crítica. Diante de um objeto de gozo, tudo o mais – a reflexão, o trabalho, a capacidade de adiar gratificações, os compromissos e as responsabilidades – se torna supérfluo. Diante de um objeto de gozo só queremos gozar mais. Que a televisão tente fazer de Luiz Inácio Lula da Silva um objeto de consumo, e de sua imagem um meio de gozo para as massas de telespectadores, é meio caminho para o enfraquecimento da diferença radical que seu estilo de liderança representa em relação à tradição política das elites brasileiras. Cordialidade, sentimentalidade, projeções de representações familiares, mobilização de fantasias – se esta versão do presidente predominar sobre o poder de sua palavra, estará abortado o longo e difícil processo de educação político sentimental da sociedade, inaugurado brilhantemente na noite de 27 de outubro. A televisão brasileira parece ter entendido, em 2002, sua responsabilidade na construção permanente da democracia. Mas entendeu também, há muito mais tempo, seu compromisso com a elite e com a manutenção de um certo “jeitinho brasileiro” de dominação que, afinal de contas, vem dando certo desde a colonização.

O corpo do presidente

A posse do presidente Lula em Brasília foi um dos fenômenos de massa mais impressionantes que a sociedade brasileira já assistiu e promoveu. A multidão que esperou a passagem do carro do presidente eleito diante do Congresso em Brasília manifestou uma alegria e um entusiasmo contagiantes até para quem só acompanhou a festa pela televisão. Os jornais e a tevê rapidamente transformaram em jargão o "estilo Lula" de se relacionar com as multidões. Não vamos nos iludir: a mídia está confeccionando o personalismo do novo presidente - quer ele queira, quer não. Algumas das maiores qualidades da personalidade de Lula podem oferecer elementos preciosos para a construção de um perfil personalista. O presidente, cuja trajetória política foi toda construída em meio a grandes manifestações de massa, está acostumado àquilo que o general Figueiredo chamava, com asco, de "cheiro de povo". Lula despreza a proteção dos seguranças; deixa-se agarrar, abraçar e acarinhar alegremente pelos eleitores mais ousados. Parece acreditar que a popularidade mantém seu corpo fechado contra eventuais tentativas de agressão.

No primeiro mês do novo governo o presidente inaugurou sua equipe levando um grupo de ministros a uma excursão inédita pela miséria brasileira. Naquela primeira viagem ao Brasil da Fome, Lula levou o governo, na forma das pessoas físicas do presidente e seus ministros, para dentro do Brasil profundo, dos flagelos climáticos e políticos, do desamparo, da carência crônica e da desesperança. Fez com que todos os jornais e redes de televisão exibissem, em cadeia nacional, esses pedaços esquecidos do país que ele agora governa. Alguns ministros pareciam terrivelmente constrangidos, fotografados no meio dos brasileiros carentes e desdentados. Lula, não: estava em casa. Estava se comprometendo pessoalmente com os brasileiros que o elegeram. De corpo presente, estava redesenhando o mapa do Brasil de modo a incluir nele os milhões de excluídos da sociedade. Foi além da inclusão simbólica que promoveu nos discursos da vitória e da posse. A presença física do presidente, neste caso, teve o sentido de antecipar o que deve vir a ser a presença do poder público, que há décadas vinha se omitindo escandalosamente de suas verdadeiras responsabilidades.

A equipe do novo governo andou por palafitas e vielas estreitas, entrou em barracos escuros e apertados, espremeu-se no meio da multidão em Recife, no Piauí e no vale do Jequitinhonha. O que teria representado Lula no imaginário popular, naquele dia? Seria um santo milagreiro descido dos céus do poder para acabar de uma vez com a fome do nordeste? Um padre Cícero ressuscitado? Como Lula fará para impedir que o carisma despolitize o sentido de sua liderança? O povo sabe que Lula é "um deles". Sabe que foi flagelado, que foi retirante, que passou fome como tantos brasileiros. A própria televisão contribuiu para divulgar esta informação. Pela primeira vez o Brasil tem um presidente que não só nasceu entre o povo mais pobre como também - o que é mais importante - construiu sua carreira política representando as classes populares. O povo ama Lula justamente por isso.

Mas temo que as pessoas que adoram Lula esperem de seu carisma o mesmo paternalismo de sempre, esperem os gestos populistas e as palavras demagógicas a que estão habituados, só que com resultados concretos imediatos. Como se fosse possível ser demagogo e populista e, ao mesmo tempo, falar a verdade e cumprir com a palavra. O que fazer diante dessa tremenda ambigüidade da expectativa popular? A tarefa de estender a presença do poder público entre os muitos setores que os governos anteriores abandonaram tem um preço político. Exige um estabelecimento claro de prioridades. Exige enfrentamentos políticos pesados. Outros setores sociais terão que perder privilégios.

O presidente provavelmente calcula a magnitude das esperanças e das "forças adormecidas", na expressão do professor Antônio Cândido, que sua eleição traz à tona. Mas deve saber que o clima de otimismo não pode se alimentar só da presença física do presidente e de suas palavras (sinceras) de carinho. Deve conhecer os riscos políticos e sociais que a frustração da esperança implicaria.

Além da alegria popular, o novo presidente conta com uma força ainda maior: conta com o amor do povo. Nisto reside a maior força legitimadora de seu governo, e também a maior armadilha para o exercício político de sua liderança. O amor tem um forte componente fantasioso. Do ser amado, espera-se sempre demais; espera-se compreensão, proteção contra o desamparo, espera-se a satisfação das necessidades, espera-se prazer. O amor é feito para decepcionar. Para permanecer amado, um governante teria que fazer muito mais do que um bom governo: teria que construir em torno de sua pessoa uma espécie de marca de fantasia capaz de satisfazer as demandas amorosas de seus eleitores. Teria que ser demagogo. Teria que substituir a política pelo espetáculo do poder.

O amor também se alimenta das identificações, é narcisista: ama, antes de mais nada, o próprio espelho. Se o povo ama Lula porque é "um de nós", vai se decepcionar quando, no exercício do poder, o presidente for obrigado a se diferenciar da massa que ele governa. Lula é, sim, o nordestino sofrido, de origem humilde, que conhece a pobreza e o trabalho duro. Mas é também tudo o que ele construiu na vida pública depois daqueles anos difíceis. Hoje, é um homem da elite, ainda que não se identifique com ela e não governe (esperamos!) para manter seus privilégios. É uma figura de projeção internacional, embora nem fale inglês. É um representante do povo mas governa também para os grandes detentores do capital financeiro nacional e internacional. É simpático ao MST mas também governa para os latifundiários. Tem que costurar os interesses dos trabalhadores, do empresariado nacional e desta entidade fantasmagórica que se chama "mercado". As primeiras medidas de sua equipe econômica, tremendamente impopulares, demonstram que, no papel de presidente, Luiz Inácio Lula da Silva bem depressa deixou de ser "um de nós". Talvez por isso, no mês de fevereiro, Lula tenha se retirado um pouco da mídia. Os ministros falaram e apareceram mais do que o presidente.

Parece que o presidente Lula tem pela frente a difícil tarefa de mudar seu discurso ajustando-o à nova realidade, sem perder de vista os compromissos que assumiu com o povo durante a campanha e nos dias da vitória e da posse. Não vai dar para continuar sendo adorado por "todos os brasileiros". Não vai dar nem para ser tão adorado quanto nos primeiros dias - o que, afinal, pode representar um avanço na tal educação político-sentimental que ele tem o dever de implementar em sua relação com a sociedade. Um líder político não tem que ser amado: tem que ser respeitado. Não tem que realizar fantasias do eleitorado: tem que, necessariamente, frustrá-las para colocar em prática a dimensão política de sua ação.

É verdade que o carisma de Lula faz parte de seu capital político. Sua personalidade espontânea e afetuosa, seu senso de humor, seu jogo de cintura, sua capacidade de comunicação, não deveriam ser inibidas diante da complexidade das negociações políticas que o novo presidente terá que fazer. O que ele disse na Alemanha - que um governante deve pensar antes de falar e, algumas vezes, silenciar o que pensa - é sábio; mas não pode prevalecer sobre o poder da palavra forte, plena, não demagógica, que sempre caracterizou sua liderança.

Só que as palavras de Lula não precisam, nem podem, agradar a todos. A "marca de fantasia" que a televisão e a imprensa construíram em torno de sua imagem simpática tem que ser desconstruída para que sua ação política se torne transparente para a sociedade. Quando Lula prometeu, no dia da vitória, "eu vou prestar contas a vocês", não estava prometendo agradar a todos o tempo todo: estava prometendo governar com transparência. Quando convocou a todos os setores sociais que lutaram por sua vitória para governar com ele, não estava usando a sociedade como massa de manobra: queremos acreditar que estava pretendendo criar canais de comunicação com as forças sociais, que possibilitassem ao povo acompanhar e compreender as decisões do governo. Só assim é possível que os brasileiros colaborem ativamente com o governo do PT.

Nossa reeducação sentimental mal começou, e vai exigir que as expectativas infantis da sociedade em relação ao líder amoroso e paternal sejam frustradas. Lula não tem perfil de pai; quando muito, seria um irmão mais velho que tenta promover a unidade da fratria, com a participação de todos, na tarefa de construção de um espaço coletivo mais digno. Um governante irmão é muito mais progressista, muito mais democrático e moderno do que um pai. Só a fratria - nos moldes da amizade "contra o Um" do já citado Discurso da Servidão Voluntária de la Boétie - pode enfrentar o tirano. Seja ele o mercado, o capital internacional, o coronelismo local, o crime organizado, a corrupção. Só a fratria, liderada por um irmão cuja palavra não serve para encobrir o poder e sim para desnudá-lo, colocando seus mecanismos ao alcance de todos, é capaz de emancipar os brasileiros do desejo de servidão, tão arraigado depois de séculos de dominação autoritária e paternalista.

por Maria Rita Kehl ( http://www.mariaritakehl.psc.br/ )

05 outubro 2010

Não vale a Lágrima

Conheço gente que até chorou quando a eleição ficou indefinida no último domingo e foi para o segundo turno. Aí já é demais, não acham? Está certo que para alguns a disputa política é contagiante, principalmente pelos que lutaram contra a ditadura e o arbítrio e que estão há mais de 30 anos construindo um partido e uma perspectiva de futuro. É natural que eles projetem suas convicções e seus anseios no candidato de turno. Mas não acho que a comoção deva levar a tanto. Afinal, foram quase 50% de todos os votos válidos para a candidata situacionista e as chances desses eleitores virarem a casaca agora são mínimas. São votos que os institutos de pesquisa chamam de consolidados e que formam a base, o patamar da campanha no segundo turno. Tem idéia do que é partir de 45 milhões de votos? É o sonho de qualquer candidato, oras! Portanto, uma ressaca na segunda-feira é até aceitável. Houve desgaste, cansaço, mas nada que justifique desespero, desilusão e baixo astral. Foi uma campanha exitosa, exibindo números vigorosos de crescimento econômico, combate à pobreza e à desigualdade. Não foi preciso golpes baixos e dossiês, ao contrário do que fez a oposição, que aposta todas as fichas no medo, expresso em calúnia, injúria e difamação. Porque o plano de "desconstruir" a candidata é o único possível. Não há outra maneira de se impor, por uma razão muito simples: o Governo é um sucesso retumbante, aqui e no exterior. Mas um recado ecoou nas urnas: os eleitores querem reformas, querem que o serviço público funcione, seja confiável, tenha qualidade e que seja gerido com dedicação e, principalmente, honestidade. Claro que um partido político é um agrupamento de pessoas nem todas elas dotadas de princípios e valores morais. Há que se ter mecanismos e filtros de proteção. Um desafio a mais para a próxima presidente.

03 outubro 2010

Teoria Conspiratória

Vamos supor que um "software malicioso" inocule no processo de apuração, ou seja, enquanto os dados das urnas eletrônicas são totalizados, no computador central do TSE, a informação que faça o sistema expurgar um de cada dez votos recebidos pela candidata A. Isso quer dizer que, de cada cinquenta votos que ela viesse a receber, perdesse cinco. Com quantos votos ela ficaria? 45, certo? Suponhamos agora que esse mesmo sistema distribuísse esses votos de forma rigorosamente proporcional entre os candidatos B, C, D, E, F, G, H, I, os brancos e nulos. Para a grande maioria dos eleitores a manobra seria absolutamente imperceptível, certo? O candidato B, que tivesse recebido 30 votos ficaria portanto com mais três; a candidata C, que tivesse recebido 18 votos, receberia mais dois e assim sucessivamente. Ao final da apuração teríamos uma situação inquestionável. Se considerarmos que apenas um instituto punha em cheque a decisão em primeiro turno e todos os outros não, incluindo-se aí pesquisas de boca de urna divulgadas minutos antes do início da apuração, a teoria conspiratória acima ganha mais contornos de veracidade. Como não acredito no processo eleitoral brasileiro e desconfio de parte da elite (golpista) e seus prepostos, fico sinceramente em dúvida. Esta talvez seja a razão pela qual há dez anos votar ou não, no meu caso, deixou de ser relevante. Hoje, por exemplo, justifiquei porque estava fora do meu domício eleitoral. Nessas horas me lembro do bom e velho Brizola: - Cadê o papelzinho!!!!

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons