31 agosto 2010

Eu Passo

Como não se sentir cobrado a escrever quando se tem mil leitores diários? E como não ser tentado a escrever sobre temas de forte apelo, mesmo sem ter necessariamente o que acrescentar a respeito? Hoje, sinto que sou escravo da minha condição. Passei a segunda-feira mergulhado em um projeto de reportagens especiais no trabalho. No fim de semana havia apostado em dois assuntos que - caso tivessem rendido - seriam minha redenção esta semana no blog. Um, era uma entrevista que não vingou. Ainda que vingue ao longo da semana, já não tem mais o mesmo apelo jornalístico. Perdeu o "timing", digamos assim. O outro teria sido um "furo" de reportagem do DoLaDoDeLá, caso a "fonte" não tivesse recuado, ou porque era apenas um boato que ela levou adiante sem confirmar, ou porque é notícia comprometedora demais para ser revelada agora. Sendo assim, vou entrar terça-feira sem assunto original para tratar aqui. Podia falar da gafe do apresentador do telejornal tarde da noite, na última sexta-feira, que mandou a futura presidente da República calar a boca, podia falar das pesquisas eleitorais, que finalmente entraram nos trilhos, ou falar do desmantelamento da campanha à presidência do candidado da oposição. Poderia mostrar meu pasmo com a chacina no México ou divagar sobre o drama dos mineiros do Chile, presos a espera de resgate que pode demorar 100 dias... Talvez até falar do assassinato de Vinhedo, que ganhou as manchetes policiais desta segunda-feira, mas o que eu poderia acrescentar a esses temas? Nada. Nenhuma reflexão que pudesse "agregar valor". E como sei que o tempo dos meus leitores anda escasso e é muito precioso, hoje eu passo.

30 agosto 2010

Fome?

Ok, o filme não é novo. Estou chegando atrasadíssimo, mas cheguei. E gostaria de dar meu recado, já que imagino que outros podem não ter chegado ainda. Fiquei pensando que só um masoquista seria capaz de num domingo à noite abrir mão de quase duas horas para conhecer a história de uma mulher que sofreu abusos na infância, foi levada a se prostituir aos catorze anos, foi resgatada de um bordel aos dezessete, teve um filho com o homem que a resgatou, mas fugiu ao saber que ele a traía. Seguiu para Brasília onde conheceu um italiano que a levou para o Rio de Janeiro e com quem teve mais duas filhas. E separou-se dele depois de saber que ele também a traía. Tentou criar os filhos sozinha no subúrbio, virou religiosa, mas sofreu dois estrupos seguidos na rua de casa, sendo que um deles extremamente violento. Depois disso passou a ter alucinações. Rompeu com mundo, com seu Deus e foi ganhar a vida remexendo lixo no aterro de Gramacho, onde passou mais de vinte anos tirando seu sustento. Ainda teve outra filha que foi subtraída aos oito anos para a adoção. A "verdade" de Estamira está no documentário de Marcos Prado, de 2004. Ganhador de nada mais, nada menos, do que 25 prêmios no Brasil e no exterior. A fotografia, o roteiro, a trilha, a edição. Digo que valeu a pena. Valeu a pena entrar em contato com a fragilidade e o desamparo da espécie humana, expressos na vida levada ao limite extremo da pobreza e indigência de Estamira. E você, tem fome do quê? ( www.estamira.com.br )
P.S. A indicação foi da Aninha e do Boris!

29 agosto 2010

Porque hoje é Domingo



O tempo continua deslizando, deslizando, deslizando
Para dentro do futuro
O tempo continua deslizando, deslizando, deslizando
Para dentro do futuro

Eu quero voar como uma águia
Para o mar
Voar como uma águia
Deixar meu espírito me carregar
Eu quero voar como uma águia
Até eu estar livre
Oh, Deus, através da revolução

Alimente os bebês
Que não têm o suficiente para alimentar-se
Calçe as crianças
Sem calçados em seus pés
Abrigue as pessoas
Morando nas ruas
Oh, oh, há uma solução


Eu quero voar como uma águia
Para o mar
Voar como uma águia
Deixar meu espírito me carregar
Eu quero voar como uma águia
Até eu estar livre
Voar através da revolução

O tempo continua deslizando, deslizando, deslizando
Para dentro do futuro
O tempo continua deslizando, deslizando, deslizando
Para dentro do futuro
O tempo continua deslizando, deslizando, deslizando
Para dentro do futuro
O tempo continua deslizando, deslizando, deslizando
Para dentro do futuro

Eu quero voar como uma águia
Para o mar
Voar como uma águia
Deixar meu espírito me carregar
Eu quero voar como uma águia
Até eu estar livre
Voar através da revolução

O tempo continua deslizando, deslizando, deslizando
Para dentro do futuro
O tempo continua deslizando, deslizando, deslizando
Para dentro do futuro

28 agosto 2010

Porque hoje é Sábado

27 agosto 2010

O Almoço Frio

O flagrante foi feito pelo fotógrafo Moacyr Leite Júnior e estampou a capa do Jornal Folha de São Paulo de domingo, às vésperas das eleições de 2008. O ex-governador Geraldo Alckmin almoçava sozinho num pequeno restaurante da Liberdade, região central de São Paulo. Era o triste desfecho da campanha à prefeitura de São Paulo que teve a favoritíssima Marta Suplicy, com tudo para se eleger, mas que subiu no salto, cometeu erros primários e não soube compreender as reais possibilidades de seu principal adversário, o prefeito Gilberto Kassab, herdeiro político de José Serra. Aquele almoço foi um prato frio, díficil de Alckmin engolir. Mais um prato servido por um dos caciques do seu próprio partido, Serra. A vingança demorara dois anos e fora tramada nos mínimos detalhes, depois que Serra teve que engolir a candidatura de Alckmin à presidência, em 2006. A decisão fora imposta pela base do partido, sobretudo lideranças regionais do estado de São Paulo, que insistiram em prévias para escolher o candidato e se sentiram ultrajadas no episódio que ficou conhecido como: O Jantar da Cúpula, no restaurante Massimo, na capital paulista. Ali apenas quatro comensais: FHC, Serra, Tasso Jereissati e Aécio Neves. Serra nunca engoliu a derrota para Alckmin e seus correligionários Covistas. Na ocasião, aceitou ficar com a prefeitura de São Paulo, que deixou para Kassab, quando concorreu e ganhou o Governo do estado mais rico do país. Quatro anos depois estava reabilitado para disputar a presidência da República. Definitivamente, a vingança é um prato que se come frio. Hoje, dois anos depois daquele almoço tão indigesto, é Alckmin quem vê seu algoz sucumbir diante de um desafio que, do ponto de vista partidário, só é vencido na base da lealdade, do compromisso e da ética: juntar forças e fazer alianças para alcançar a presidência da República. Serra é hoje um homem preso no labirinto que ele mesmo construiu em torno de si. Por isso é tão melancólico ver os rumos de sua campanha, o que desperta em nós um sentimento nobre e sublime tão difícil de aceitar e sentir: a compaixão.

26 agosto 2010

Pelo Pescoço

O que ficou claro, desde o fim de 2006, é que os blogs progressistas, apelidados recentemente de "blogs sujos", pendurariam a grande imprensa no pescoço do candidato da oposição. Com uma diferença importantíssima em relação às outras disputas político-eleitorais. Desta vez, a turma que se alinhou do lado de cá conhecia a fundo os métodos de trabalho dos tubarões, a turma do aquário das redações. Emaranhados à rede virtual, quatro peixes dos grandes: Luiz Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Paulo Henrique Amorim. Não que eles sejam mais importantes que os outros, não é isso. É que por gozarem de visibilidade junto ao grande público, conseguiram emprestar credibilidade e engrossar o caldo, dar peso às denúncias e à contra-informação. Há momentos que ficarão na história do jornalismo do país: O caso do vazamento das fotos pelo delegado Bruno à TV Globo (aliás, onde foi parar Bruno, o delegado?), outro momento foi a carta de despedida do Rodrigo Vianna aos colegas também da Globo, O Dossiê Veja, a cobertura alternativa da Operação Satiagraha e o slogam que marcou o público: Bye bye Serra 2010. A vantagem de ter passado pelas redações mais influentes do país, permitiu a eles fazer um mapeamento dos profissionais dispostos a praticar o jornalismo de esgoto, os assassinatos de reputação, a manipulação grosseira e o jogo covarde dos patrões. Isolados, os colegas habituados a comandar as redações sem critérios éticos foram desmascarados, desmoralizados e começaram a perder poder de comando entre seus pares. Conforme a onda foi aumentando, os "300 de Esparta" enfrentaram sem medo o temido "exército Persa". Perfilados, blogueiros-guerreiros foram derrubando um a um aqueles que ousavam mentir, distorcer e manipular a opinião pública. Foram várias e quase diárias as derrotas impostas aos adversários... E o que se vê hoje, depois de intensas reuniões entre tubarões de aquário e patrões, na semana passada, é um discreto toque de recolher. Muitos largando no chão armaduras, lanças, espadas e escudos. Os mais covardes correndo na frente e os mais corajosos sendo alcançados por trás. É, José, a festa acabou. Para você e para os seus. O que não quer dizer que o adversário esteja morto, apenas fez uma pausa.

25 agosto 2010

Completo

O Paulo Henrique Amorim, um frasista nato, saiu-se com a seguinte tirada, durante no Primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, no sábado passado, em São Paulo: "digas quem te processas, que te direi quem tu és", levando a platéia às gargalhadas. Afinal, ele é uma das maiores vítimas de ações judiciais da blogosfera. Mas dizem que PHA anda tão bem assessorado que não perde uma. Mas, independentemente de ganhar ou perder, o fato é que ninguém gosta de ficar "pendurado" na Justiça. Afinal, há sempre demandas urgentes, como cumprimento de prazos e recolhimento de custas e o risco de encontrar pelo caminho algum juiz disposto a fazer da interpretação da letra morta da lei instrumento de intimidação e cerceamento. Mas aqui minha reflexão é outra: "digas quem anuncias que te direi quem és." A analogia me veio à mente depois de ver que aquele que já foi o mais importante telejornal do país da hora do jantar, que mesmo sem a credibilidade de outrora, ainda assim, atrai a atenção de um em cada quatro telespectadores sintonizados à TV, decidiu fazer merchandising durante o programa. Sou do tempo em que havia um pudor enorme da imprensa em misturar as coisas, por razões óbvias demais para não perder tempo tendo que explicá-las. Mas o mundo mudou, não é mesmo? Há alguns anos experimentaram abrir um "break" depois da escalada do telejornal e foi um escândalo. Funcionava assim: os apresentadores liam as manchetes e, antes da vinheta de abertura, entrava a mensagem do patrocinador, como se fosse um recheio no meio das duas coisas. Agora é pior, para levar o repórter onde a notícia está há um avião patrocinado por um banco privado, sem pudor nenhum, ao contrário. Mas só um louco tomaria a liberdade de falar mal de uma instituição tão repleta de credibilidade e compromisso com o cidadão como um banco privado, não é mesmo? E dizem que TV é concessão de serviço público, rárara. Conta outra.

24 agosto 2010

Fracassei

O Primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas foi um sucesso. Mas fracassei. Estava diante da turma com a qual mais me relaciono, desde que decidi blogar para valer, em 2009. Até então mantinha o blog sem regularidade, inclusive temática. De lá para cá acho que o projeto tem amadurecido. Mas no auditório, diante de tanta gente conhecida e importante, amarelei. Com muita dificuldade consegui me apresentar à Conceição Oliveira, a famosa twitteira Maria_Fro e também ao Eduardo Guimarães, o Edu, do Cidadania ponto com. Por intermédio do Azenha fui finalmente apresentado ao Nassif e ao Miro e com a ajuda do Vianna conheci o professor Emir Sader, o Rovai e o Túlio. No intervalo criei coragem e cumprimentei a Conceição Lemes, uma das mais renomadas jornalistas especializadas em saúde do país. Também abracei com carinho a Marlene, uma frequentadora do blog de longa data. Pouco antes do almoço tive o privilégio de também abraçar o Cloaca, aquele que seria laureado no dia seguinte com o prêmio Barão de Itararé, tendo sido considerado a maior revelação da blogosfera no ano passado. De fato, o cara é um fenômeno de público e crítica. Tem dois defeitos: é corinthiano, como revelou em foto, e costuma perder o fôlego em momentos de muita emoção. Me identifico com ele. Afinal, até recentemente estar em público era causa de palpitação, suadeira, mal conseguia dormir na noite anterior de ansiedade e preocupação, como testemunha há 15 anos a Alexandra, minha sócia e blogueira ocasional ( merchan: http://xan-mello.blogspot.com ). Desta vez acho que consegui pelo menos superar esse temor de estar em público, mesmo quando quase anonimamente. Peguei alguns cartões, reencontrei alguns colegas jornalistas e realizei a façanha de almoçar sozinho, em meio a tanta gente "conhecida". Ô bicho esquisito, né, vai entender...

23 agosto 2010

Onde foi parar a Imprensa Especializada?

Ninguém é maluco de imaginar que a grande imprensa fosse cobrir o Primeiro Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, este final de semana, em São Paulo. As razões são óbvias: somos um novo canal de comunicação com a sociedade. E nesta condição, admitir nossa relevância pode significar ter que ao menos compartilhar um bem que ainda é muito concentrado no país: a produção de conteúdo, seja informativo, interpretativo ou analítico. Mas o que dizer então da imprensa especializada? Corro aos principais canais de comunicação com a classe dos jornalistas: Observatório da Imprensa, Portal Comunique-se e Revista Imprensa. Qual não é a minha surpresa ao constatar (domingo, nove da noite) que não há uma linha sequer, um destaque, mesmo que em pé de página ao evento que reuniu mais de 300 pessoas de 19 estados, na sua maioria jornalistas, com diploma ou não, com ou sem vínculo partidário, com ou sem vínculo sindical, ligados ou não a movimentos sociais. Juntar três centenas de pessoas em torno de um ideal que nossa sociedade clama há pelo menos 40 anos (a democratização dos meios de comunicação) por si só já é notícia em qualquer lugar do mundo. Mas vejamos o porquê do silêncio daqueles que poderiam fazer reportagens, análises e críticas para seu público específico. A Revista Imprensa é fácil: tem medo. Como a maior emissora do país é também a maior e mais cativa anunciante, não dá para ficar indiferente. O silêncio é a melhor maneira de garantir "o leite das crianças". Quanto ao portal Comunique-se, sabe-se que é um "pool" de assessorias de imprensa com retaguarda do Instituto Endeavor, de incentivo ao empreendedorismo, que instituiu um prêmio, cuja finalidade é contemplar jornalistas não necessariamente pelo talento e importância que tenham, mas pelo que eles poder gerar de "recall" e "cross media" depois, o que nada mais é do que visibilidade. Não que o prêmio não contemple também profissionais sérios, que estejam acima da média, em algumas categorias. Agora, o Observatório da Imprensa tinha a obrigação de estar representado, não só institucionalmente, como jornalisticamente. Pode até ser que o tempo vai demonstrar que quem está mal informado sou eu. Torço para ser desmentido. Afinal, se não há registro do fato com distanciamento e independência, as chances de uma cobertura isenta só diminuem, o que não é bom, nem para quem está de um lado, nem para quem está do outro.

22 agosto 2010

A Agonia de Lúcio Flávio

Não, não estou falando do célebre bandido dos anos 60 que virou personagem do cinema. Estou falando de um dos maiores e mais premiados jornalistas brasileiros vivos em atividade no país. É o paraense Lúcio Flávio Pinto. Prestes a completar 61 anos em setembro, Lúcio já era jornalista no ano em que nasci, 1966. Quando entrei na faculdade, por exemplo, vinte anos depois, ele já tinha passado pelas redações dos principais jornais impressos do Brasil e, desde 1988, escreve o Jornal Pessoal, a partir de Belém. Se há um patrono dos blogueiros nesta luta de resistência contra à mídia tradicional, que tem optado cada vez mais pelo caminho da distorção, da manipulação e do golpe, este patrono é Lúcio. Seu trabalho em defesa da verdade é criterioso, honesto e honrado, reconhecido internacionalmente. Só que, por enfrentar o oligopólio da comunicação no Brasil, Lúcio tem sido vítima de um abandono de dar vergonha. Perseguido e ameaçado, já foi agredido fisicamente e, agora, tentam calá-lo pelo bolso. São duas dezenas de ações na justiça, que têm levado nosso ativista das causas amazônicas e dos Direitos Humanos à exaustão física e financeira. Deixo aqui minha solidariedade e um apelo em nome do professor, que nos ensina com exemplos a não se curvar diante dos poderes político e econômico, nem da intimidação, nem da violência. Estamos diante de um verdadeiro herói da resistência.

21 agosto 2010

No Clima do Encontro dos Blogueiros


(Arnaldo Baptista e Rita Lee, com Ney Matogrosso)

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

20 agosto 2010

Crise Existencial

Da série ficção, a preferida e campeã de audiência. Dois jornalistas consagrados conversam na mesa de um bar em São Paulo quinta-feira à noite. Por sorte há uma testemunha ocular, anônima, na mesa ao lado. Um deles, de passagem por São Paulo, diz ao velho amigo e colega de muitas redações Brasil afora que não se conforma de como tem perdido frequência em seu blog. Considera que está sendo perseguido pela "esquerda". Do início do ano para cá, diz, sua audiência caiu quase 70%. Ele que já foi um repórter influente entre os políticos, que tempos atrás disputavam à tapa um espaço em sua coluna, hoje sequer é procurado. Não fossem a rede de colaboradores, os blogueiros para quem abre espaço, as plataformas dos jornalões, que o abastecem de notícias - às vezes em primeiríssima mão - e a música e arte, às quais recorre com regularidade, estaria arruinado profissionalmente. Passou até pelo vexame de dizer, mais de uma vez, que o número de comentários dos leitores caiu bastante porque está sendo obrigado a ser mais rigoroso no filtro e tem vetado a maioria deles. Desolado, cogita até largar o formato e pensa em aposentadoria, já que a idade e o tempo de contribuição à Previdência o permitem. O colega de mesa de bar, repórter especial e colunista de jornal impresso diz que a realidade na redação é ainda pior. Não há profissionais, não há recursos, não há mais clima. A "molecada" passa o expediente em redes de relacionamento, vendo vídeos e trocando mensagens e e-mails. Não estão interessados na nossa realidade, nem em discutir um projeto de futuro para o país. São individualistas e materialistas. Não reconhecem o valor dos veteranos. Não reverenciam uma boa reportagem, um bom texto, uma boa análise. Se me dessem a palavra, diria: colegas, os tempos são outros e para vocês é o fim da linha. Lamento, mas a isso damos o nome de futuro, com tudo de bom e tudo de ruim que ele traz.

19 agosto 2010

Recordar é viver

A internet tem uma dinâmica própria e o que foi dito ontem pode não ser nada hoje. É assim por causa da velocidade com que as coisas acontecem na rede e sua efemeridade. Comecei a refletir sobre isso depois de ler o texto do Azenha no Vi o Mundo em que ele relembra o que aconteceu às vésperas das eleições de 2006, na redação da maior emissora de televisão do país. Fui testemunha ocular da história e, considerando que muitas pessoas podem não conhecê-la, ou podem estar chegando ao blog só agora, resolvi recontá-la, já que faz tempo que tratei do assunto aqui. Depois das eleições de 1989, quando a emissora saiu desmoralizada, com a confessa manipulação do debate entre Collor e Lula, o Departamento de Jornalismo passou por uma "abertura lenta e gradual". Durante o processo de impeachment, equipes de reportagem da emissora passaram a ser hostilizadas nas ruas da maior capital do país. Um recado para que algo mudasse. A renovação durou quase dez anos. O jornalismo passou a ser popular, procurar o povo era a regra. Projetos com foco local e comunitário foram implementados e a credibilidade da emissora foi sendo resgatada vagarosamente. Do fim dos anos 90 ao início dos 2000 a emissora viveu sua supremacia absoluta. Foi o momento das grandes coberturas e da adoção de uma visão de mundo mais abrangente. Não que o viés patronal deixasse de existir. Claro que, em vários momentos, o patrão soube exercer influência para defender seus interesses, sobretudo interesses comerciais. Só que era um jogo elegante, cheio de sutilezas. Mas com a morte do patrão e de seu veterano diretor, os herdeiros assumiram o poder e com eles seu novo preposto. Foi aí que as coisas começaram a desandar. Para pior, muito pior. O ápice foi a eleição de 2006. Nunca tinha visto um jornalismo feito daquela forma e, a exemplo de profissionais como Carlos Dorneles, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna, protestei. Não tive pudor em dizer tudo o que achava que estava errado na nossa cobertura a cada um dos responsáveis por ela, ao vivo e por escrito. Insistia que existia um erro editorial! Quatro anos depois, não me arrependo. Hoje tenho certeza de que estava do lado certo. Eles passarão. É apenas uma questão de tempo.

18 agosto 2010

A turma do contra

Não sou radical. Nunca fui. Aliás, passei minha infância e adolescência aprendendo a encontrar um caminho para o diálogo, como forma de evitar conflitos, explosão e ruptura. Ainda hoje, quando o país parece andar nos trilhos, com um presidente que deixará o poder com popularidade maciça, na casa do 80%, me inquieta as vozes dos que falam para poucos, perfilados do outro lado do muro, algo em torno de 5%. Tento entender que razões há para tanta inquietação e medo. Será que eles (e só eles) vêem o que ninguém vê? Será que vislumbram um caos que só eles conseguem enxergar, oito anos depois de um governo petista? O que suas vidas demonstram - curiosamente - é que perfilados com eles estão os verdadeiros donos do poder político e econômico nos últimos 100 anos, no minimo! E me pergunto por que seus discursos estão cheios de ódio, preconceito e intolerância? O que eles perdem, quando tantos ganham? Há pouco lia a coluna de Arnaldo Jabor, no Estadão. Sim, de vez em quando leio Jabor, sempre que posso vejo Noblat, Kibe Loko e outros críticos de oposição ao Governo. Não tenho medo de conhecer o contraditório, nunca tive. Acho que a crítica é necessária, porque a unanimidade é burra, como nos alertava Nelson Rodrigues. É claro que precisamos fiscalizar o poder e os governantes. Afinal, todo adesismo entusiasta é perigoso, mas a questão não é esta. Uma sociedade em mudança tão rápida quanto a nossa traz à cena novos atores, personagens esquecidos, ou que não tiveram oportunidade de aparecer antes. Eles passam a dividir a atenção com os galãs e as madames de outrora e isso é o que mais os incomoda. A turma dos cinco por cento não gosta e não está acostumada a dividir, por vaidade, egoísmo ou soberba. É difícil mesmo. Dividir significa renunciar uma parte e se regozijar em ver o outro usufuir a parte que você acabou de deixar de ter. E é contra esta lógica distributiva que eles se insurgem. E é contra esta nova competitividade que eles se levantam. Lamento mas sim, nós podemos!

17 agosto 2010

O Maconhal Caseiro

(foto meramente ilustrativa)

Imagine um guarda-roupas modelo antigo, de madeira de bálsamo, todo revestido por dentro com papel alumínio. A iluminação interna é forte, com lâmpadas que ficam permanentemente acesas (etapa de claro, para quem estudou botânica na escola). Na base do guarda-roupas, uma floreira com terra bem adubada e um vaporizador ligado permanentemente, para jogar bastante umidade lá dentro, enquanto as portas estiverem fechadas. Pronto, assim se faz um maconhal caseiro. Basta jogar sementes transgênicas no solo e, se tudo der certo, em 120 dias a Cannabis Sativa já estará em plena produção. Longe do morro, de testemunhas e de riscos! A colheita é feita retirando-se os topos, depois que a planta começa a perder as folhas grandes e amareladas. Tudo pode sem embalado e levado ao freezer. Para secar bastam 30 segundos no forno de microondas. Algumas pessoas fumam em cigarros, outras em cachimbos e, mais recentemente os jovens passaram a adotar os narguliés. São jarros com água e aromatizantes, ou álcool, que resfria, filtra e retira da fumaça as particulas sólidas. Além disso, disfarça o cheiro forte, o que é uma boa saída para quem mora em apartamentos baixos e quer evitar que o vizinho de cima sinta o odor forte da erva. E lembre-se: maconha é como um bom vinho tinto: melhora com o passar do tempo, porque vai perdendo o gosto de clorofila. Mas vale lembrar também que plantar, vender e fumar é crime, pelo menos por enquanto. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está aí na luta pela legalização, o que na modesta opinião do DoLaDoDeLá seria ótimo! Você tira poder do crime organizado, traz a indústria para a formalidade e usa os impostos para campanhas de conscientização.

16 agosto 2010

Enquanto isso, no andar de baixo...

(foto meramente ilustrativa)

Agora sim, da série Ficção, a preferida dos internautas.
Ela: - Oi.
Ele: - Oi.
Ela: - E aí, conversou com os herdeiros?
Ele: - Conversei.
Ela: - E eles disseram...
Ele: - Eles... disseram... hum... (o interlocutor fala pausadamente, como se fosse alguém sob efeito de tetrahidrocanabiol, princípio ativo encontrado numa erva medicinal comum no Marrocos e no Paraguai, os dois maiores produtores do mundo, e cujo nome científico é Cannabis. Para quem não gosta de nhémnhémnhém, estamos falando de maconha.) Eles... acham... que... nós... temos... que... mudar... daqui.
Ela: - Como assim?
Ele: - Eles... consideram... que... a... entrevista... foi... muito... ruim... para... nós. Nossos... adversários... vão... usar... o... caso... das... meninas... e... a... disputa... com... a... vizinha... pelo... apartamento... de... cobertura... contra... a... coorporação. Como... é... ano... eleitoral..., não... é... bom... ficar... sob... os... holofotes...
Ela: - Mas como assim, sair daqui? Mudamos há menos de dois anos, acabamos de reformá-lo inteiro...
Ele: - Eles... disseram... que... a... gente... pode... procurar... outro... e... para... não... nos... preocuparmos... com... dinheiro... que... eles... adiantam... para... a... gente... e... depois... acertamos...
Ela: - Ah-a, só essa que faltava...
Ele: - Querida..., nós... não... temos... escolha. Depois..., tem... outra, pense... nas... meninas. Essas... coisas... tomam... vulto... Daqui... a... pouco... elas... podem... ser... hostilizadas... na... escola.
Ela: - É, acho que eles têm razão. E quanto ao processo?
Ele: - Ainda... não... sabem... Preferem... esperar... a ... poeira... abaixar.
Ela: - Hum...
E tem gente que prefere acompanhar ti-ti-ti pela televisão. DoLaDoDeLá é muito melhor, hehehe.
P.S. Dedico esta ficção aos colegas jornalistas de São Paulo que, em silêncio obsequioso, há cinco anos, acompanham de perto os desmandos do poder.

15 agosto 2010

A Vizinha

(foto meramente ilustrativa)

Você sabia que arrumou confusão com pessoas consideradas das mais influentes do país?

Primeiramente, não arrumei confusao com a R.G. Segundo, meu vizinho não assina M. e é ele o errado não eu. Terceiro, jamais tive nenhum problema, nem com o Dr. R. e muito menos com os seus filhos.

Você sabia que eles têm uma relação, vamos dizer assim, bastante amistosa com a Justiça do Rio?

Sabia... E foi exatamente por causa disso que ele quis me acusar de antisemita! Parece que não colou muito... Também sou Judia por parte de mãe.

Há quanto tempo a família é dona do apartamento de cobertura naquele prédio?

Esse senhor entrou no prédio mais ou menos há um ano. Eu e minha família fomos para lá há quatro anos e meio .

Tem vista para o mar? Como é?

É um ap. de 400 metros quadrados na Vieira Souto com vista para o mar.

Você diria que é um dos horizontes mais bonitos de se apreciar?

Eu diria que sim... É uma das vistas mais belas do Rio de Janeiro.

Com base na afirmação de que toda fumaça sobe, você já cogitou que seu vizinho do andar de baixo pode ter interesse em comprar seu apartamento?

Olha, ele já me fez três propostas ridículas até agora. A última foi sair do ap. e abafar o caso, que não aceitei. Esse ap. pertence a uma empresa de off-shore e eu e minha família somos comodatários, já que somos radicados há anos em outro país... É um ap. de férias na terra natal que mantemos. Acho que se esse senhor tivesse interesse em comprar uma cobertura, ele não teria comprado uma galinha velha, podre e cheia de ratos para reformar... Há um ano atrás teria ido direto a uma cobertura no estilo da nossa e comprado.

E se eu te dissesse que ele já foi avaliado por uma corretora especialista em captar apartamentos na zona Sul para "vips"?

Isso é corriqueiro nas coberturas da Vieira Souto... Todos os dias tem gente querendo comprar: para morar, reformar e vender. Tem gente que até vive disso na vida. Não tenho a menor idéia de quanto custe e também não me interessa.

Você não tem idéia de quanto ele custa hoje?

Como disse essa história de compra e venda não me interessa!

Sei de uma pessoa que tem um dinheirinho guardado pronto para comprá-lo. Você o venderia?

Repito, não me interessa!

O que houve entre vocês?

Não houve nada que uma pessoa psicologicamente saudável não resolveria, mas como houve também um problema de perda de água na casa dele, um ap. que apesar de extra reformado, continua sendo um ap. velho e desgastado, ele colocou a culpa da água no nosso ap. com fotos comprometedoras etc... Depois das insistentes reclamaçoes das minhas filhas, quanto ao cheiro de maconha que vinha poluindo todo o nosso ap. a ponto de não nos deixar dormir! Foi aí que ele me fez a segunda proposta; que eu perante ao condomínio assumisse a culpa da água, insinuando uma suspeita de sabotagem... muito provavelmente feita por ele, já que ele e a mulher estavam apavorados que essa notícia (da maconha) vazasse. A primeira proposta foi pedir ao advogado da empresa, que frequenta as reuniões de condomínio, um fax dizendo que tudo não teria passado de um grande mal-entendido.

O que você acha dos seus vizinhos?

No dia que eu pela primeira vez na minha vida falei com esse senhor, que ligou para minha casa tentando vender um pedaço da laje que pertence ao condomínio, eu aproveitei para jogar na cara dele que, já que ele é o síndico, que se preocupasse em resolver o problema do maconhal que estava subindo da casa dele para os quartos das minhas filhas e que deixasse de fuxicar a vida alheia, já que um dia antes meu motorista disse que ele e a mulher tinham o mal hábito de ficar indagando aos porteiros tudo que se passava na cobertura. Eu não aceitei nenhuma das propostas desse abusado e fui embora para o país onde moro. Quando voltei, encontrei um circo armado por ele e o criminalista Dr. 13-12. O maconhal passou a ser calúnia, os palavrões e gestos obscenos da parte das adolescentes filhas da 16-11 contra as minhas eles transformaram, colocando para mim contra as filhas dela... Tudo o que se dizia dentro da minha casa foi gravado e usado contra mim, que não disse nada de mais, somente o que eu acho e tenho o direito de achar, na intimidade da minha casa. Para terminar, ele como sindico, intimidou os porteiros do prédio contra nos. Ficamos sabendo até em compra de falso testemunho... Ele se uniu com o 13-19 que é um colega dele da R.G. e um outro 10-11, que dizem ter um parentesco com a 16-11. Estão nos acusando de injúria, difamação, racismo antisemita e alagamento... E me manda recado todos os dias pelos advogado dele que se eu sair do prédio ele desiste de tudo... Posso até ser condenada pela corrupção desse homem mal afamado, mas jamais vou atender a pedido sequer dele. Não tenho medo de ditadura... Já passamos por uma muito pior... O final de todo ditador é triste. No fundo, tenho pena desses infelizes e dessas jovens tão vulneráveis nas mãos de pessoas tão sem valores humanos.

Vocês têm filhos(as)? Quantos(as)?

Tenho três filhos e o gozado é que ele pede proteção à juiza contra nós... rs. Meu marido é medico e eu publicitária. Ele fala nas aulas como se fossemos pessoas criminosas...

Vocês não temem por vocês ou por eles(as)?

Eu não acredito no mal sem volta... Qualquer coisa que ele fizer vai se voltar contra ele. Essa é a lei do Universo... Acredito na lei de igual para igual. Se eu fosse qualquer uma ele já teria nos devorado... O que não é o caso!

Vocês acham que a opinião pública e a justiça estará do lado de vocês ao final de tudo isso?

Eu agradeço a opinião pública e a força de todos vocês... Cresci ouvindo o hino do nosso povo e gosto de cantá-lo até hoje quando me sinto sozinha, como a maioria do povo brasileiro. O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO!!!!

Boa Sorte!

Abraços.

14 agosto 2010

Vox populi, vox Dei

A frase me veio à mente depois de ler o desabafo de João Francisco, do Vox Populi, a Luis Nassif, na última sexta-feira. João diz não entender o medo que o Datafolha passou a ter do Vox Populi, a ponto de estimular campanhas sistemáticas contra o Instituto. A cumprir o cronograma, neste sábado tem Datafolha para a presidência (41 a 33) e no domingo detalhamento nos estados. Os dados do Vox Populi só serão conhecidos na segunda-feira, mas vão permitir, segundo João, "uma discussão bacana". Achei oportuno o nome do Instituto nesta polêmica, principalmente porque remete à celebre frase, extraída do seguinte contexto, numa carta do filósofo Alcuíno (Alcuin), que viveu no primeiro século após o nascimento de Cristo: ..."E essas pessoas não devem ser ouvidas por quem continua dizendo que a voz do povo é a voz de Deus, desde que a devassidão da multidão sempre está muito próxima da loucura". Acho que a metáfora é a seguinte: os donos do poder econômico e até recentemente político acham que somos loucos. Alcuíno de York foi um monge beneditino inglês. É criador de uma das melhores bibliotecas da Europa da Idade Média, a de York, e é considerado o patrono das Universidades Católicas.

13 agosto 2010

Ah o Jardim Botânico...

Da série ficção, a preferida dos internautas. O sujeito chega ao seu lindo apartamento na zona Sul do Rio de Janeiro depois de intensa jornada de trabalho e encontra a mulher inquieta. É que o vizinho do andar de cima reclamou mais uma vez das meninas (duas adolescentes) que ficam fumando maconha e a fumaça sobe. Como são pessoas poderosas na Corte do Cosme Velho (uma fofoqueira consagrada e outro executivo) eles acham que o direito deles no andar de baixo está acima do direito do próximo no andar de cima. Até onde sei, ninguém é obrigado a aguentar o cachimbo da paz do outro, mesmo porque fumar maconha é crime. Sem pena, mas é crime. Nada contra quem fume, diga-se de passagem... Até eu já fumei (mas não traguei, é bom que se diga!) Num dos muitos bate-bocas houve troca de insultos. Maquiavélica, a suposta vítima tramou a instalação de uma escuta ambiental clandestina no apartamento do suposto agressor e anexou a prova gravada a uma queixa-crime. São frases de baixo calão proferidas pelo homem "next door up, or above", como preferirem. Curiosamente, o sujeito que vive em cima do outro tem uma irmã que é aquela ex-mulher espancada até quase à morte e retratada na Série O Diretor, a última ficção levada ao ar em Julho no DoLaDoDeLá. Imaginaram o salseiro? Portanto, são três funcionários da Corte, sendo que um deles também é arrolado no processo, acusado de "lavar" dinheiro no exterior! A briga segue nas varas da justiça. Emissários da firma tentam evitar o escândalo que envolve jornalixo, poder, arbítrio e drogas de baixo potencial ofensivo. Mesmo assim, o assunto se "esparrama" pelos corredores da firma, via "rádio-peão". Mais novidades a qualquer momento, só aqui, no blog do ex-funcionário despeitado, hehehe. Não percam! Ah, mas se alguém me perguntar se a situação chegou mesmo a este ponto, eu nego veementemente. Na foto, vitórias-régias "descansam" no cenário aprazível do Jardim Botânico.

12 agosto 2010

Para que servem as eleições mesmo?


Durante muitos anos o país discutiu basicamente dois temas: a inflação e a dívida externa. Sou da geração do milagre econômico, mas da crise do petróleo para cá, não me lembro de ver o país acumular tanta notícia boa como nos últimos dez anos, sejam indicadores econômicos, sociais, combate à fome, diminuição das desigualdades, conquistas no esporte, avanços no meio ambiente, infra-estrutura, saneamento básico, até na mídia as coisas estão mudando para melhor, com o fim do oligopólio... Lembro-me de que a culpa pela estagnação eram a falta de investimentos e a má gestão pública. Hoje, nada disso está em pauta. Temos, veja só que luxo, dois candidatos à presidência cuja a fama é de ser bons gestores, independentemente de ser ou não verdade. O que se discute hoje é um projeto de futuro, a despeito de tantas e tantas crises aqui e alhures, plantadas ou não pela imprensa. A perspectiva é de crescimento (6,5% só este ano!). Deveríamos estar comemorando e celebrando as eleições como mais uma festa da democracia e, no entanto, estamos discutindo questões absolutamente insignificantes. Por quê? Porque a mídia transformou a política em Fla-Flu. De quatro anos para cá, o que se viu foram sucessivas crises. Mas como a parte do corpo que mais dói é o bolso e as dores do povo só diminuem, consequentemente as notícias que prevêem o fim do mundo não encontram acolhida na vida real. Oras, diante disso tudo era de se esperar que estivéssemos discutindo questões concretas: como melhorar a qualidade do ensino público, maior alavanca para o nosso sucesso no futuro? Como reformar a política, maior gargalo do nosso país hoje? Como reformar a Justiça, o poder menos transparente da República? Como ampliar o acesso à saúde, à moradia digna, ao transporte de qualidade? Como enfrentar os desafios de crescer, gerar emprego e renda e preservar o meio ambiente? Estamos a menos de dois meses do primeiro turno das Eleições Presidenciais e não vi uma frase sequer sobre cada um dos temas acima. Com a palavra o leitor/eleitor: ...

11 agosto 2010

A Entrevista 3

Como era de se esperar, o candidato nadou de braçadas. Tinha a simpatia da empresa e dos apresentadores e estava bem confortável na poltrona. Falou sobre a experiência política, evitou criticar o presidente da República, acusou a candidata situacionista de ser garupa de Lula e foi gentil, afável e sorridente. A audiência respondeu bem, acima da média dos últimos tempos. O assunto mais espinhoso foi a concessão das rodovias estaduais e os pedágios, mas a pergunta foi feita de forma tão respeitosa e singela que permitiu ao ex-governador responder com tranquilidade, acusando o Governo Federal de não cuidar das rodovias no restante do país. Patético. Acho até que ele conhecia as perguntas de antemão. Mas por mais que as condições tenham sido boas e o ambiente favorável, o candidato é incapaz de vencer as resistências em relação à rejeição e antipatia que desperta em parte do eleitorado. No final salvaram-se todos: o candidato que respira por instrumentos, os apresentadores e o país, que tem pela frente a tarefa de se libertar de certo tipo de político autoritário, truculento e desleal. De preferência logo no primeiro turno.

10 agosto 2010

A Entrevista 2

Começou tão bem, terminou tão mal. A candidata verde estava bonita, sorridente, eloquente, mas foi confrontada com uma crise que não era dela, mas do partido que servia quando no governo, o PT. Aí se embananou. Patinou e foi sendo "serrada" pelo apresentador. A estratégia da firma me pareceu leviana. Por trás das perguntas o subtexto das combalidas teses da oposição, oposição esta capitaneada nos últimos oito anos pela dobradinha PSBD-DEM, que vale lembrar, é aliada de primeira hora das grandes corporações midiáticas. Marina, na minha modesta opinião, saiu da bancada menor do que entrou, muito por causa do formato que não permitiu que concluísse um raciocínio sem ser interrompida. E, ao contrário do que tentaram fazer parecer, hoje o Partido Verde está mais próximo dos patrões imperiais do que podemos imaginar. Basta lembrar que no Rio vai de Gabeira (o queridinho), que outro dia estava em São Paulo passando o chapéu para conseguir honrar seus compromissos de campanha ao lado candidato do PSDB, seu aliado. Quanto ao desempenho do casal, sem comentários. Cumpriram um script decidido no quinto andar do prédio do Jardim Botânico para honrar seus valiosos salários. Perdemos mais uma vez: o país e a audiência que, por essas e outras, segue mudando o canal.

A Entrevista

Como todo mundo hoje vai falar da entrevista da candidata líder das pesquisas de intenção de voto, aqui vou eu: Achei que havia a vontade do apresentador de levar a entrevistada a perder a linha. Seria uma jogada de grande repercussão e demonstraria que ela não tem capacidade de diálogo, como muitos apregoam por aí. Mas, ao insistir em levá-la às cordas, passou do ponto, se comportou como um cão de guarda raivoso das Organizações, o que não é bom para a imagem já tão combalidada daquele telejornal, constantemente acusado de parcial e manipulador. Uma pena, não só para a emissora, como para todos os brasileiros que esperávamos conhecer um pouco mais as qualidades da candidata, se é que ela as têm. Porque para os patrões dos apresentadores ela não passa de um capacho de Lula e seu jornalismo reflete este preconceito e a arrogância de quem só vê o próprio umbigo. Quem já tem certo distanciamento entende bem esse ensimesmamento. Mas a auto-crítica não costuma ser parte da cultura empresarial das grandes corporações, infelizmente. Lamentavel...

08 agosto 2010

Acabou

Nesta segunda-feira, 9 de agosto, volto ao trabalho depois de um período de férias que começou no dia 22 de julho. Mas parei com tudo mesmo, inclusive o blog, só às 11h da última sexta-feira. Hoje, domingo, retornei à internet às 19h. Foi a primeira vez depois de alguns anos que fiquei mais de quarenta e oito horas fora da rede. E a primeira vez em um ano que fiquei igual periodo sem atualizar o blog. Confesso que perto de chegar ao final foi ficando difícil. Não sei se isso configura um quadro de dependência psíquica. Também não sei se devo me preocupar. Afinal, estar conectado à rede passou a ser uma questão de sobrevivência para muita gente, inclusive para mim. Mas algumas situações chegam ao cúmulo. Minha comadre me contou que estava na sala de embarque do aeroporto quando viu pai e filho chegarem, procurarem aflitos tomadas para ligar game e laptop para passarem ali 15 minutos esperando a chamada do vôo. Se é uma condição em que você pode adiantar o trabalho ou resolver questões importantes, ok, mas se é situação de lazer, aí é demais, ela argumentou. Eu concordo. Uma coisa é estar conectado, outra é obcecado. Acho que existe um limite para tudo, inclusive para navegar. Por outro lado, não existiria comedimento, sem excesso. E mais, o excesso de um pode ser o comedimento do outro. Mas, independentemente de onde vai dar essa discussão, nada como estar de volta ao admirável mundo novo!

05 agosto 2010

Dilma X Serra ou SPFC X Inter?

Escrevo este comentário antecipadamente. São 13h35 de quinta-feira e ele será publicado automaticamente à meia-noite, horário em que, imagino, tenha terminado o primeiro debate entre os candidatos à sucessão presidencial, na TV Bandeirantes. Serra terá focado na crise moral do PT e na ineficiência do Estado brasileiro. Para seu eleitor cativo terá vencido o debate. Dilma falará que precisamos seguir adiante a passos largos aprofundando as reformas. Sua torcida achará que ela, ao contrário do oponente, venceu o debate. Os outros dois convidados serão co-adjuvantes, franco-atiradores tentando desqualificar seus adversários mais fortes sem, no entanto, convencer os poucos indecisos de que podem vir a ser competitivos no pleito e eficientes no poder. Ficará no ar um vazio de projetos e propostas e um amontoado de acusações e de números, sem que o eleitor médio compreenda a dimensão exata de tantas informações. Portanto, será mais do mesmo. Ou melhor, menos do mesmo. Além do mais, uma parte significativa do eleitorado da terra do futebol terá passado o tempo todo sintonizado no jogo do ano entre o São Paulo Futebol Clube e o Sport Club Internacional, de Porto Alegre, pela semi-final da Copa Libertadores da América. Quem vencer pega o Chivas Guadalajara, do México. Aqui sim tudo pode acontecer. E é dessa imprevisibilidade que o povo gosta! E eu também.

Minha Jade Floriu

Alguns se ressentem do fato de eu ter dado um tempo com as criticas à emissora "Q", de queda de audiência. Outros me criticam por botar Marina e Serra do mesmo lado do espectro político. Muitos me cobram falta de engajamento na capanha à presidência da candidata situacionista, Dilma Rousseff. Uma parte do público fiel fica com a ficção. Outra, prefere as reflexões sobre a vida em família e as observações sobre a natureza, pássaros, árvores e quetais. A "blogdiversidade" é grande e tem para todos os gostos e desgostos. Deixei temporariamente de falar daQuela emissora porque há um exército de blogueiros que o fazem com mais competência e alcance do que eu. Depois, a pauta anda meio repetitiva e prefiro assuntos frescos, que devem aparecer em breve. A mais recente foi a boa sacada do Emerson Luis, do blog Na Retina, ao comparar como anda a participação do presidente da República de um ano para cá naquele que já foi o principal e mais influente telejornal do país. Ele descobriu que, a exemplo do que denunciamos em 2006, eles estão "tirando o pé" da cobertura da agenda positiva do Governo. Quanto à sucessão, fico com provocações dos comentaristas: a de que gosto de ver o circo pegar fogo, no caso Serra-Marina. Afinal, adoro idéias originais em política, daí a especulação a respeito de uma decisão que chacoalharia o cenário que, até o presente momento, tende a ser de arrebatamento, logo no primeiro turno. Aos que esperam que eu faça campanha política, esqueçam! Tenho minhas preferências por um projeto político que concilie igualde de oportunidades, combate à miséria, distribuição de renda, impostos pesados sobre quem pode pagar, papel do Estado como indutor do desenvolvimento e financiador de obras de infra-estrutura e fortalecimento das estatais, principalmente das que atuam em setores estratégicos. Se der para preservar a natureza e salvar o planeta, melhor ainda. Diga-se de passagem, é uma agenda que já está em prática, ainda que parcialmente. Portanto, o refúgio nas experiências em família e na ficção por ora parecem ser as coisas mais prazerosas da vida. A propósito, minha jade floriu na janela do escritório.

04 agosto 2010

Marina e Serra juntos?

Não há evidência nenhuma de que isso possa acontecer mas, a julgar pelos números das mais recentes pequisas de opinião, da minguada arrecadação de campanha, do tempo de tv curto e do enorme "risco" do PT continuar no poder por mais quatro, oito, quem sabe até doze anos, não seria surpresa se representantes do PSDB começassem a espalhar a idéia de que o melhor mesmo seria Serra desistir ainda no primeiro turno em favor da candidata Marina Silva. Seria um fato novo surpreendente, diante da falta de perspectiva da oposição, que certamente encontraria enorme acolhida na grande e decadente imprensa tradicional. Uma aliança dessas seria, segundo eles, o oxigênio que faltava para "virar o jogo". Mas há dois problemas. O primeiro é convencer Serra. Preso em seu labirinto, como escrevi meses atrás, seria praticamente impossível levá-lo à desistência. Serra é o tipo de político que prefere morrer à recuar. O segundo problema, é convencer o PV de São Paulo a reeditar a aliança da última década no estado de São Paulo. Os verdes paulistas não querem mais viver à sombra de serristas e alckmistas e têm nas candidaturas próprias a possibilidade de atingir a maioridade eleitoral e a sobrevida política. Mas política é a arte de conciliar interesses, não é mesmo? E se a convicção for a de que o PT tem que ser vencido a qualquer custo a campanha em favor desse dueto só tende a aumentar.

03 agosto 2010

Primeiro Passo

Meu primeiro emprego em TV foi em 1993, na produtora que o Sindicato dos Metalúrgicos mantinha na Vila Mariana, em São Paulo. Com apoio de vários sindicatos filiados à CUT, entre eles bancários, químicos, radialistas e outros, nos lançamos na aventura de levar ao ar pela TV Record a primeira revista eletrônica com formato e linguagem voltados ao trabalhador. Naquele ano recebemos a Menção Honrosa do juri do XV Prêmio Vladimir Herzog, além de indicação ao Prêmio APCA. Na base do blog tem um "spot" (Olhar Brasileiro) com pouco mais de um minuto que foi uma chamada apresentada aos "patrocinadores" naquela ocasião. No mesmo ano, o programa deixaria de existir porque em jogo estavam a eleição na CUT, que fez rachar a base que financiava o projeto, e A Caravana da Cidadania, uma das mais belas iniciativas de formação de Programa de Governo que vi nascer e prosperar. Por isso, fiquei muito orgulhoso em saber que finalmente a TV dos Trabalhadores vai sair do papel. A concessão é do canal 46 em UHF, em Mogi das Cruzes, na grande São Paulo. O sinal será retransmitido por canais comunitários em todo o Estado de São Paulo. No começo serão apenas 90 minutos de produção própria: um telejornal e duas mesas de debates. Há parcerias com as TVs Câmara e Senado e com a TV Brasil, para a retransmissão de reportagens e documentários. O primeiro pedido de concessão feito por um sindicato no Brasil foi em setembro de 1987. E foi negado pelo então ministro das Comunicações do governo Sarney, Antônio Carlos Magalhães. Foram 23 anos para dar o primeiro passo. É só o início de uma longa caminhada rumo à democratização dos meios de comunicação. Quem viver verá!

01 agosto 2010

Erythrina

O nome é feio, mas não há dúvidas de que é uma das árvores mais bonitas que existem. A primeira florada que vi foi em Campinas, atrás do estádio da Ponte Preta há alguns anos. Meu sogro me mostrou uma árvore imensa, com cerca de quinze metros de altura. De lá para cá nunca mais encontrei uma para ver. Desta vez, em Minas, vi duas bem floridas, mas pequenas ainda. Com a ajuda do cunhado paisagista finalmente identifiquei a árvore. Trata-se de uma Erythrina poeppigiana, também conhecida pelos nomes de câmbulo, písamo ou mulungu. Já foi muito comum nas Américas Central e do Sul. Pelo que descobri na internet, ainda é facilmente encontrada na Venezuela e no Equador. São várias espécies com flores que vão do vermelho carmim ao coral. Esta a qual me refiro é alaranjada, um tom mais clara do que a do flamboyant. É um espetáculo. Recomendo a apreciação e se houver espaço o plantio. Tenho planos de um dia fazer um bosque com todas as minhas preferidas: ipês roxo, rosa, branco e amarelo, flanboyant, jequitibá, jacarandá e agora o mulungu.

Gabriel e o Carrapato

Combinei com o Gabriel, meu filho de três anos, que escreveríamos uma cartinha para ele mostrar para as professoras Marina, Michelle e Eliane, quando voltasse para a escolinha, nesta segunda-feira. Disse que contaríamos a história do Gabriel e do Carrapato. Começa assim: Nas férias fomos para a Fazenda Santa Maria, na casa do vovô Ármilon e da vovó Marzinha. (na foto temos uma seriema, lá está cheio delas...) No último dia fomos almoçar na casa da tia Célia, que fica lá em Santa Maria também. Ela tem um enorme tanque de areia com parquinho e uma casinha de bambu cheia de brinquedos. Estava brincado de cavar e jogar a areia no pé quando um carrapato grudou no meu dedinho e ficou lá comendo minha pele. A mamãe viu e falou que tinha que tirar. Eu não queria porque estava com medo. Aí a tia Célia falou: - Deixa que a tia tira para você, porque eu sou médica. Então, ela pegou uns instrumentos, uma luz bem forte e com uma pinça puxou o carrapato que estava grudado. Eu senti só um pouquinho de dor e chorei só um pouquinho também. Estava no colinho do meu pai e me abracei a ele bem forte. Aí a tia Célia pôs a pomadinha do vovô Pedro (fitoterápica) e parou de doer na hora. Depois eu brinquei que era médico e tirei o carrapato do pé do papai com a luz bem forte. Mas isso já não era mais de verdade, era eu brincando e fantasiando feliz de novo. Como é bom ser criança!

 
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