31 julho 2010

Aconteceu

O jovem repórter é escalado pelo maior jornal impresso do país para fazer a cobertura da campanha de um dos candidatos à corrida presidencial. Isso aconteceu há poucos dias. Ele vai a um evento e o que se vê impresso no dia seguinte é uma cobertura distorcida e muitas vezes inverídica sobre o que aconteceu. Os coordenadores de campanha procuram o jornalista em outra ocasião e perguntam o que houve, já que o que ele presenciou não está retratado fidedignamente. E o repórter responde com uma certa ironia e malícia: - Pergunte para os que estão acima de mim. Oras, como assim? O repórter assina um texto cujo conteúdo foi modificado pelos seus editores, tem o sentido do texto alterado e ainda assim aceita assinar a reportagem? E pior, considera que o problema não é dele? Que tipo de jornalista o colega pretende ser? Ele é, na melhor das hipóteses, cúmplice, ou não? Será que ele não pode pedir aos chefes para retirar sua assinatura do texto, com todo cuidado para que isso não o prejudique, uma vez que a versão modificada não retrata aquilo que presenciou? Ou ele estaria tão envaidecido com a assinatura na página do jornal que é incapaz de renunciar a esse "mimo"? Digamos que ele seja obrigado a assinar e ponto, simples assim. Não haveria uma maneira de ele informar o constrangimento a alguém, um sindicato, uma organismo internacional, sei lá... É possível termos chegado nesse grau de impostura? Mas vamos pegar outro caminho. O jornalista é do tipo mau caráter, tem fome de ascensão ao poder e quer modificar um pouco as coisas a seu favor. Neste caso, quem fiscaliza um profissional desses? Qual conselho de ética pode julgá-lo? Como representar contra ele? E por que os partidos políticos não o fazem? Primeiro, para não gerar enorme passivo legal durante a campanha e, depois, para não se indispor com o grande veículo que promove a fraude. Quanto custa a deformação para quem faz, para quem consome e, pior, para quem é vítima dela? Um preço alto rateado entre todos nós eleitores, hipocritamente. É por essas e tantas outras que cobertura política em campanha eleitoral dá nojo.

29 julho 2010

Quem é o diretor?

O diretor foi uma série de ficção construída a partir de relatos de colegas de casos que aconteceram durante os anos em que trabalhei na maior emissora de televisão do país. Portanto, é um texto ficcional baseado em fatos reais, como todas as outras histórias que escrevi. Muitos perguntaram: É possível haver um pedófilo à solta entre nós? Será que um jornalista, que se presume ser esclarecido, um guardião da verdade absoluta e dos bons costumes seria capaz de surrar a mulher até quase levá-la à morte? Relações homossexuais entre colegas de trabalho poderiam acontecer em circunstâncias adversas, ainda que ambos se digam heterossexuais convictos? Uma mulher seria capaz de usar o próprio corpo para se vingar de um homem que a trai? E a Su? Quem afinal é o maqueador com tamanha confiabilidade para ser procurado com tal frequência para guardar tantos e tão importantes segredos? Repostas que só um texto ficcional consegue juntar. Mas não pensem que isso só acontece numa empresa como aquela. Situações assim acontecem todos os dias em qualquer grande coorporação e em grupos sociais que se estabelecem à base de poder, arbítrio, competição, hierarquia, submissão e, principalmente, omissão. Estamos todos condenados a viver juntos (cada um no seu papel) nosso estágio civilizatório. Sabemos quem são os maus e onde estão, mas somos incapazes de encarar de frente nossas mazelas, afinal, eles são nossos opostos complementares. Como já disse outras vezes: Somos todos manos. Somos todos cúmplices. Infelizmente...

28 julho 2010

O Diretor 10

Su continua onde sempre esteve, ao lado das notícias mais picantes da Corte do Cosme Velho.
A mulher do pedófilo ficou ótima. Está casada com o cirurgião que a operou e vive feliz no Rio de Janeiro.
Os filhos do casal nunca souberam de nada ou fingiram não saber. Hoje são adultos e levam suas vidas, cada um à sua maneira.
A empresa abafou o caso na polícia e evitou o escândalo.
O jornalista pedófilo depois de uns anos virou diretor.
Ninguém sabe se ele continua na ativa cometendo seus crimes hediondos.
Dizem que se transformou num homem cruel e inescrupuloso, que usa os colegas para fazer seu jogo sujo do poder.
Seu cúmplice hoje está encostado numa das tantas áreas técnicas da emissora e guarda com a vida o segredo compartilhado num quarto de hotel numa capital do Centro-Oeste do país.
O frentista continua trabalhando no posto. Os colegas, claro, acham que ele é um mentiroso, que gosta de contar vantagem, ao dizer que passou a noite com a madame.
Por um descuido, o arquivo do vídeo editado não foi apagado naquele dia.
O computador foi roubado e o vídeo caiu na rede.
Até recentemente podia ser visto num site xxx.
Ninguém sabe quem publicou o material lá.
Quem viu disse que as cenas mostram o casal fazendo uma ode à libertinagem.
Mas, agora, depois que as coisas voltaram ao normal, ninguém se importa.
Se algo acontecer é simples, basta que neguem e tudo cairá novamente no mais absoluto esquecimento.
Quanto as meninas, só Deus sabe...(não continua)

27 julho 2010

O Diretor 9

- Alô.
- Chefe, fiz uma loucura.
- O que foi?
- Bati na minha mulher.
- Muito?
- Muito.
- E as crianças?
- Estão viajando.
- Onde ela está?
- Em casa.
- Está bem?
- Não sei.
- Como assim?
- Não fiquei para ver.
- E você, onde está?
- Estou na estrada...
- Para onde vai?
- Não sei. Preciso fugir do flagrante.
- Não desligue o celular que voltamos a nos falar.
=====
- Su.
- Eu.
- Ele me bateu.
- O quê?
- Ele me bateu muito, Su.
- Onde você está?
- Em casa. Traz uma ambulância, vem me buscar?
- Estou indo para aí, amiga. Fica quietinha aí, ok?
- Buáaaaaaa. Eu espero....
=====
- Alô, preciso de uma ambulância urgente. O endereço? Anota aí.
- Uó-uó-uó-uó
- Amiga, você vai ficar boa, viu? Vai dar tudo certo.
- Você não deixa os meninos saberem, Su?
- Não, pode ficar tranquila que cuido de tudo.
=====
- Meu Deus do céu, o que foi isso?
- Violência doméstica, doutor.
- Temos que operá-la. Leve-a direto para o Centro Cirúrgico.
- Su, fica comigo!
- A Su está aqui, fica tranquila. A Su não vai embora.
(continua)

26 julho 2010

O Diretor 8

- Su?
- Eu.
- Preciso de uma ajuda.
- Fala.
- Conhece alguma colega sua, editora, que tenha equipamento próprio para cortar um vídeo caseiro?
- Conheço.
- Me dá o número dela?
- Um minutinho só...
=====
- Olá.
- Preciso reduzir este vídeo para cinco minutos. Só com os melhores momentos.
- Quanto tempo tem o "pen drive"?
- Duas horas de gravação.
- Sem problemas.
- Quanto tempo precisa?
- Depende do que está gravado.´
- É sexo.
- Faço rápido.
- Então vou esperar.
- Ok, senta aí. Se quiser café é só fazer. A maquininha está em cima da pia e os refis, açúcar e adoçante ficam no armário.
- Obrigada.
- Queria pedir uma coisa.
- Claro.
- Não quero cópias e o conteúdo é privativo, ok?
- Claro, quando for limpar a máquina te mostro.
- Ótimo!
Ela chegou em casa no fim do dia. Deixou o computador com o vídeo carregado sobre a mesa da sala e saiu. Quando voltou ele já tinha chegado (continua)

25 julho 2010

O Diretor 7

Ele acordou devagar. Sentia dor. Lembrou-se da noite anterior. Começava a achar que tinha pago um preço muito alto pelo capricho da garota virgem de apenas 12 anos! Encontrou Ademir no salão do café. Trocaram um bom dia meio sem-graça e tomaram café em silêncio. De agora em diante eram cúmplices de uma relação homossexual. Ademir no papel de ativo e ele no desconfortável papel de passivo. Para quem sempre teve que afirmar sua masculinidade não era fácil. Apostou que o tempo se encarregaria de fazer com que - aos poucos - aquela experiência fosse se perder em algum lugar da memória remota. Talvez estivesse certo, talvez não.
- Precisamos seguir direto para o aeroporto, disse.
- Não sei se sabe, mas nosso voo é um pinga-pinga. Só vamos chegar lá à noite.
- Vamos fazer o "check-out" e chamar um táxi imediatamente.
- Ok, eu providencio isso, disse Ademir.
- O outro subiu, fechou a mala e minutos depois estava na recepção.
Atormentado pela dor, não conseguia pensar em outra coisa senão o que vivera com Ademir. O colega tentava manter a naturalidade, mas o clima era péssimo. Seguiram em silêncio no taxi. No aeroporto só conversaram o necessário e no avião a viagem parecia não ter fim.
===
Ferreira acordou tarde. Olhou para um lado, para ou outro e ninguém. Custou a acreditar que tudo aquilo acontecera. Levantou-se e na mesa da sala encontrou uma garrafa de café e um bilhete que dizia simplesmente: deixe a cópia da chave com o zelador, diga que o conserto está pronto e não me procure mais. Hoje a vida volta ao normal. Depois conversamos. Não demore porque meu marido pode chegar a qualquer momento e se desconfiar... Ferreira estremeceu. Vestiu-se, engoliu o café forte num gole só e foi para a praia aproveitar o dia de folga. (continua)

24 julho 2010

O Diretor 6

Ela chegou em casa, montou o computador portátil de frente para a cama de casal, acendeu a luminária do aparador e ligou a câmera. Depois parou a gravação e assistiu para ver se luz, enquandramento e captação de áudio eram adequados. Em seguida, tomou um banho demorado, vestiu-se, escolheu seu melhor perfume e saiu.
No posto de gasolina ao lado de casa parou. Foi recebida pelo frentista de sempre, o Ferreira.
- Olá Ferreira, tudo bem?
- Tudo madame e a família?
- A criançada está passeando e o maridão no trabalho. Será que pode me ajudar?
- Claro, sempre!
- Estou com um vazamento no banheiro de casa e preciso que alguém dê uma olhada, não é para mexer não, é só para ver se é sério. Você pode fazer isso para mim?
- Posso sim. Mas eu largo só às seis.
- Eu espero. Obrigada.
Ferreira estranhou quando a mulher abriu a porta vestindo apenas um robe transparente e cheirando à vodka. Entrou, viu que estava sozinho e não resistiu, partiu para cima dela. Ela o interrompeu e sugeriu que ele tomasse um banho. Afinal, depois de um dia de trabalho no posto... Ferreira era jovem, negro, do tipo atlético. Sorriso brilhante e jeito peculiar. Bom de conversa, sempre rindo, sempre cantando... Assim que deixou o banheiro, a mulher o esperava na cama. Tinha o cabelo Maria Chiquinha. No meio das carícias, ela ordenou:
- Quero que você faça tudo.
- Como assim? Perguntou Ferreira.
- Tudo, oras! Tudo o que já fez com uma mulher.
- Você tem certeza disso?
- Tenho. (continua)

23 julho 2010

O Diretor 5

(Por favor, tire as crianças da frente do computador!)
- Doze aninhos?
- Isso mesmo.
- Eu quero!
- Então é só ligar para ele...
- Pode ligar. Aquele esquema, ok? Eu saio, as meninas chegam pela garagem e sobem para o seu quarto. Quando estiverem lá você me liga, eu subo como se fosse para o meu quarto, desço pelas escadas e encontro vocês lá, ok?
- Perfeito.
- Oi, meninas.
- Oi, oi, oi...
- Quem é a mais nova aqui levanta a mão!
- Eu.
- O tio trouxe um presente para você.
- É?
- É sim. É seu, pode abrir.
- Olha, é uma boneca Barbie!!
- É sua.
- Mesmo?
- É.
- Ela tá sem roupa!
- É. Sabe por quê? Todo mundo vai brincar sem roupa hoje aqui. Quem quer brincar sem roupa levanta a mão?
- Eu, eu, eu!!!
- Vamos ver quem tira a roupa primeiro?
- Vamos!
- O tio vai contar até três, tá bom? Um, dois...
- Minutos depois, as quatro meninas e os dois adultos brincam com a boneca na cama.
- Em pouco tempo as crianças estão entregues ao jogo sujo dos adultos.
- A mais nova resiste.
- O "tio" está tão obcecado pela menina que se dispõe a fazer qualquer coisa para ficar com ela.
- As outras incentivam.
- Mas a pequena tem seus caprichos e impõe uma condição. (continua)

22 julho 2010

O Diretor 4

Depois que se despediu de Su, a mulher caminhou um pouco pela orla. Estava confusa e triste. Os filhos tinham ido a um acampamento na Serra dos Órgãos. Passariam parte das férias lá, com amigos. Sozinha, achou que poderia tramar uma bela vingança. Parou em frente a um estúdio de tatuagem e entrou.
- Olá.
- Oi.
- Quer ver uma pasta?
- Quero.
Ficou quase uma hora admirando desenhos.
- O que é isso?
- É uma fênix.
- Dá para fazer menor?
- Dá.
- Quanto custa?
- R$ 300.
- Quanto tempo leva?
- Duas horas.
- Tem que marcar hora, né?
- Tenho uma tatuadora que pode fazer agora, se quiser.
- Quero.
- Onde vai ser?
- No cóccix.
- É só aguardar.
- Ok.
- Olá.
- Oi.
- Já tem alguma "tattoo"?
- Não.
- Dói um pouco.
- Não tem problema.
- Então vamos lá.
(Duas horas depois...)
- Prontinho. O curativo você deixa que em uma semana solta sozinho. Até descascar nada de sol e depois bastante protetor solar, ok?
- Ok.
- Se quiser, posso reforçar a cor depois.
- Ok.
- Então, boa sorte!
- Vou precisar mesmo. Até mais. (continua)

21 julho 2010

O Diretor 3

No restaurante:
- Su, ele é um porco, um pervertido, um, um f.d.p!
- Amiga, isso é grave!
- Grave? Isso é crime hediondo. Pode dar 15 anos de cadeia! Pode arruinar nossa vida, a vida dos nossos filhos...
- E como foi que você descobriu?
- Se eu te contar você não vai acreditar... Lembra uma repórter bem bonita de olhos grandes e escuros, cabelos longos...
- Assim, de cabeça...
- Uma que chegou aqui na mesma época que a gente...
- Uma que parecia índia? Ela ía ao salão, não ía?
- Isso, ela mesma!
- Sei.
- Ela começou como estagiária, sempre teve aquela carinha de menina... Um dia desses me ligou e me chamou para tomar um café.
- Hummmm, aí tem.
- Pois é, ela contou que tinha se apaixonado por ele e que...
- Seu marido?
- É.
- E como você reagiu?
- Na hora fiquei sem reação.
- E eles ficaram juntos?
- Ela não falou, eu também não perguntei, mas acho que sim.
- E aí?
- E aí que ela me contou que ele gostava de criança.
- E você acreditou?
- Claro que não, Su. Ele nunca tinha dado motivo para eu desconfiar. Sempre foi trabalhador, bom pai, nunca foi "baladeiro", mas fiquei com a pulga atrás da orelha...
- E...
- Contratei um detetive.
- Juuuuuuuura!
- É, gastei uma grana com o cara, mas tenho fotos reveladoras.
- É mesmo?
- É Su...
Ela não chegou sequer a mexer no prato de comida sobre a mesa. Desabou em choro. O restaurante parou para observar. Su ficou meio constrangida e tentou acalmar a mulher. O maitre veio em socorro. O gerente perguntou se tinha algo que pudesse fazer. Em minutos ela se recompôs, suspirou fundo e continuou.
- Su, a vontade que eu tenho é de matá-lo. (continua)

20 julho 2010

O Diretor 2

- Cadê o álbum?
- Está aqui.
- Quantos anos tem esta aqui?
- Catorze.
- E esta outra?
- Catorze também.
- E esta?
- Quinze.
- Muito rodadas.
- É tudo carne nova, patrão.
- O homem quer mais nova.
- Fica com as três esta noite que arrumo uma de doze.
- Doze?
- Isso! Irmã mais nova de uma delas.
- Virgem?
- Virgem. Só que o preço é muito maior.
- Vou conversar com ele e te ligo até o fim da tarde.
- Ok.
O diálogo foi bem cedo, no bar de um hotel de luxo de uma capital, na região Centro-Oeste do Brasil. De um lado está o agenciador de crianças com um "book" e, do outro, Ademir, um homem jovem, que começou cedo na área técnica da empresa e se transformou em supervisor de operações. Ademir passa três dias por mês, ao lado do colega jornalista, fazendo encontros com empresas afiliadas em todo o país. Os dois avaliam a qualidade técnica e conceitual das emissoras parceiras, produzem relatórios e são os responsáveis por disseminar o "padrão". Nas horas vagas eles se dedicam à pedofilia. Não se consideram pedófilos no sentido clássico, porque não aliciam, nem pegam meninas na rua. Só as contratam, depois que o mal já está feito. Se consideram até benfeitores, porque costumam ser carinhosos e sempre dão o dinheiro direto para elas, sem intermediários.
Quem acabou de ler essas ponderações pode achar que o autor ficou louco, né? (continua)

19 julho 2010

O Diretor

- Alô.
- Su, é você?
- Quem está falando?
- O quê, já esqueceu minha voz?
- Ah, agora sim. Nossa, que surpresa...
- Já faz um tempão, né Su?
- Desde que eu saí do salão (Su era maqueador num salão da Zona Sul).
- Vai fazer dez anos!
- Não espalha, hehehe.
- Quer almoçar comigo hoje?
- Hoje? Só se for rapidinho, porque minha vida está uma loucura.
- Coisa rápida.
- Onde?
- Vamos naquele quilinho do Leblon?
- Ótimo, te encontro lá à uma, pode ser?
- Fechado.
Assim que desligou o telefone, Su pensou: o que a faria me procurar anos depois? Imediatamente se lembrou de quando a conheceu. Era uma garota recém chegada ao Rio. O marido, jornalista, veio transferido. Uma vez por semana ela aparecia no salão para fazer pé e mão. Como toda garota do interior, era muito tímida. Estava sempre com a pequena de dois anos e carregava a sementinha do segundo dentro de si. A barriga cresceu, o menino nasceu e depois disso nunca mais se viram. O marido foi ascendendo na empresa e ela, provalvelmente, se dedicando exclusivamente à família e aos afazeres domésticos. Por alguma razão inexplicável, provavelmente intuitiva, Su farejou encrenca por perto. Por que razão as notícias sempre vinham bater à sua porta? Sem dúvida, Su era a "drag queen" mais bem informada do Rio sobre os segredos da Corte do Cosme Velho. (continua)

18 julho 2010

Porque hoje é Domingo



Relicário, Cássia Eller e Nando Reis

17 julho 2010

Porque hoje é Sábado



Oração ao Tempo, por Maria Bethania

16 julho 2010

Nossa Língua Portuguesa

Errei de novo. Grafei Pacaembu com acento no "u". Uma colega me alertou e fui ver que, de fato, oxítonas terminadas em "i" e "u" não são acentuadas, senão em hiatos: Anhangabaú, Jaú, Amambaí e assim por diante. Mas qual seria a lógica dessa regra? Se alguém souber me diga. Como sou um sujeito meio libertário, tenho dificuldades em lidar com regras que não fazem sentido. E essa me parece uma delas. Por que os linguistas não podem adotar critérios mais simples para normatizar a língua? Quando aprendi inglês (já esqueci quase tudo) me admirava com a funcionalidade e a dinâmica da língua deles. Como as palavras se encadeavam e como estruturas relativamente simples podiam atender às necessidades de tanta gente distinta. Acho que a democratização do acesso também passa pela simplificação da língua. Posso estar viajando, sei lá... Tem tanta gente que estuda apenas isso e pode falar por mim. Fui aluno do professor Pasquale semanalmente por quase cinco anos e nos anos seguintes eventualmente. Na condição de aluno tinha sempre a necessidade de questionar se, de fato, determinada regra ía ao encontro da necessidade de informar com clareza. Por causa disso, ao longo do tempo, muitas formas que não atenderiam ao rigor normativo foram adotadas e estão consagradas na comunicação, principalmente em TV (consagração pelo uso). É o que os especialistas chamam de dinâmica da língua ou língua viva. Vai chegar um tempo em que vamos perguntar: Como é que a maioria faz? É assim? Então é assim que vale! Acho que nesse dia os doutores da Academia de Letras cortam os pulsos. Mas nada disso "livra a minha cara". Eu errei, paciência...

15 julho 2010

O "por fora"

O repórter ou apresentador ganha visibilidade nos telejornais da emissora. O salário é uma porcaria, mas o reconhecimento público é inebriante. Aí ele, deslumbrado, procura o diretor e diz: - Preciso ganhar mais. O diretor responde que o orçamento está apertado e propõe o afago, "libera" o profissional para fazer "mídia training". Assim, no horário de folga, o jornalista pode complementar a renda preparando executivos para falar para a TV. Alguns se dedicam tanto a isso que chegam a ganhar mais "por fora" do que na firma, o que cria um problemão. Ele passa a fazer corpo mole no trabalho, sobrecarregando produtores e editores e, indiretamente, a própria emissora. É o que podemos chamar de "economia burra".
Toda empresa ou instituição treina diretores e porta-vozes para se relacionar "bem" com os repórteres, cujo estereótipo é de ser arrogante e defender interesses dos "fracos e oprimidos". Quem faz o meio de campo são as assessorias de imprensa. A equipe (repórter e cinegrafista) chega à empresa, monta um "set" e simula entrevistas e situações de crise, para ver como o "aluno" se comporta. Com o tempo, é natural, nasce uma cumplicidade entre aluno e professor, que vai interferir muito em coberturas futuras, infelizmente.
Todos conhecem esse desvio ético, mas passam a se valer do expediente sem constrangimento. Dou um exemplo. O repórter de economia é convidado a treinar economistas de grandes corretoras e consultorias. Quando há algum debate a respeito de tributos, juros, câmbio, política monetária, quem são os analistas de mercado que ele vai procurar? É a lógica perversa do capital, que aqui se manifesta cristalinamente.
Por isso, a cobertura econômica dos telejornais é tão tendenciosa e parcial. A notícia parte de fontes oficiais (o governo), mas é interpretada por profissionias que têm todo o interesse em obter lucro para o seu negócio.
Já os repórteres e apresentadores que aceitam isso... Oras, eles deixaram de ser jornalistas, são agora estrelas, celebridades.

14 julho 2010

Os Interesses Ocultos

Não entendo de economia como o Luis Nassif e tantos outros. Também não sei muito quais são os riscos reais de vazamento, ao se explorar petróleo em camadas tão profundas do oceano. Sei que a Petrobras é a melhor nesse tipo de extração. E sei também que a empresa é uma das maiores das Américas e planeja se capitalizar para o ambicioso projeto do pré-sal. Quando vejo uma manchete de jornal especulando que há temores no mercado quanto ao sucesso no lançamento de novas ações, qual é minha reação: Por que uma enorme manchete sobre o assunto? E, depois, a quem interessa tal suspeita? E concluo: ao desvalorizar as ações da empresa com notícias que não passam de meras hipóteses estamos beneficiando diretamente aqueles que adorariam comprar ações baratas agora para quando houvesse uma corrida aos papéis lá adiante ficar com o lucro. Para mim é claríssimo! O Brasil vive uma das maiores oportunidades da história e a nossa empresa de petróleo é a principal peça dessa nova engrenagem. Há também uma discussão se devemos ou não gastar tanto em combustíveis como o petróleo, ou se não seria melhor investir todo esse dinheiro em fontes renováveis. Quer a gente queira, quer não, o planeta ainda é dependente do "ouro negro". E depois tem outra, nem sempre o dinheiro dos investidores segue o caminho que desejamos. Neste caso, alguém com muitos interesses ocultos está influenciando "pobres" jornalistas a fazerem um jogo sujo. Acho que a Comissão de Valores Mobiliários e o Sindicato dos Jornalistas poderiam investigar melhor as conexões entre as duas pontas, nesse caso.

13 julho 2010

Nova Série

A frequentadora Fátima me deu um puxão de orelhas porque hoje já é Terça-feira e não atualizei o blog ainda. Como é férias escolares, tive que levar meu filho mais velho, o Pedro, para Minas Gerais no fim de semana. São cinco horas de viagem. Saí no Sábado à tarde de Vinhedo e cheguei lá só à noite. Dormi, acordei cedo e peguei o caminho de volta. Tinha programado a publicação do "Porque hoje é Sábado" e do "Porque hoje é Domingo" na Sexta-feira e quase não usei a internet. Só fui ver o que estava acontecendo no mundo digital no Domingo à noite e não me entusiasmei muito com o que encontrei. Também, como estou editando uma série de reportagens especiais, trabalho de alta complexidade, e resolvendo pendências antes de viajar de férias na semana que vem, acumulou tudo. Espero que entendam. Apesar dos pesares, tenho novidades. Se tudo correr bem, já já estréia nova série de ficção em dez capítulos. O nome provisório é: O Diretor. A trama já está na cabeça e as personagens praticamente construídas. Preciso agora só ter um tempinho para sentar e escrever a história. Tem jornalixo, traição, violência, todos aqueles ingredientes que os frequentadores já se habituaram a encontrar no DoLaDoDeLá. Quem sabe assim, na fantasia, não nos livramos desse marasmo da campanha eleitoral, da mesmice da grande imprensa e do horror do noticiário tradicional.

11 julho 2010

Porque hoje é Domingo



Lanterna dos Apagados, ops Afogados, Gal e Herbert Vianna

10 julho 2010

Porque hoje é Sábado

"No salão principal, as convidadas acomodavam-se enquanto o pianista Vicente Quintella dedilhava Tom Jobim, Vinícius de Moraes e a imortal “Carinhoso”, de Pixinguinha. Aguardavam atentas à apresentação que a anfitriã faria sobre a convidada principal. “Quero saber que proposta ela tem para a cultura. A indústria cultural é a terceira cifra de negócios do mundo, o Brasil não atinou para isso ainda”, cobrou a cineasta e produtora Lucy Barreto, voto declarado em Dilma."(de Flávia Salme, no IG)



Marisa Monte e Paulinho da Viola, Carinhoso

09 julho 2010

Compaixão, a essência do Cristianismo



Vamos pedir piedade, Senhor piedade!

Agora eu vou cantar pros miseráveis
Que vagam pelo mundo derrotados
Pra essas sementes mal plantadas
Que já nascem com cara de abortadas

Pras pessoas de alma bem pequena
Remoendo pequenos problemas
Querendo sempre aquilo que não têm

Pra quem vê a luz
Mas não ilumina suas minicertezas
Vive contando dinheiro
E não muda quando é lua cheia

Pra quem não sabe amar
Fica esperando
Alguém que caiba no seu sonho
Como varizes que vão aumentando
Como insetos em volta da lâmpada

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

Quero cantar só para as pessoas fracas
Que tão no mundo e perderam a viagem
Quero cantar o blues
Com o pastor e o bumbo na praça

Vamos pedir piedade
Pois há um incêndio sob a chuva rala
Somos iguais em desgraça
Vamos cantar o blues da piedade

Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Pra essa gente careta e covarde
Vamos pedir piedade
Senhor, piedade
Lhes dê grandeza e um pouco de coragem

08 julho 2010

Bruno e nós

A cena era patética. O goleiro do Flamengo Bruno se entregava à polícia e era recebido na porta de uma delegacia por uma horda de jornalistas famintos por sangue. Foi insultado e por pouco não foi linchado pelo caminho. Só não foi porque estava escoltado por agentes da polícia. Oras, por que o goleiro foi recebido na porta e não de maneira mais discreta e civilizadamente? Porque, assim como nós jornalistas, os policiais também anseiam pelo espetáculo de exibicionismo cruel. Já sei, todos vão dizer que foi um crime bárbaro e que ele tem que pagar caro. E por essa razão, é preciso que o mandante seja tratado barbaramente também? Por que somos incapazes de respeitar a presunção de inocência, durante as investigações? E por que somos incapazes de cumprir a lei, que dá ao réu o direito de ampla defesa? Mas o que é pior, na minha opinião, é a nossa reação de admiração e espanto, mesmo sabendo que somos nós os responsáveis pelo circo da notícia, que eleva a temperatura social quase à ebulição. São amplas e infindáveis coberturas, repletas de detalhes macabros e circunstâncias horrendas. Ok, damos ao telespectador o que ele quer. Basta ver os índices de audiência. Será? Vou além. Este tipo de comoção revela o estágio de evolução da nossa sociedade. Somos todos um corpo só, que sofremos as dores, ora nos outros que estão na tela, ora em nós mesmos, em nosso silêncio e omissão.

07 julho 2010

O Desabafo

Ontem, quando li o desabafo do Eduardo Guimarães queixando-se das dificuldades em levar adiante a iniciativa do Movimento Sem Mídia confesso que deu um certo baixo astral. Fiquei pensando se não seria muita presunção nossa resistir nesta trincheira, numa batalha tão desigual entre os tubarões da mídia e os lambaris da internet. Como estou trabalhando com o Azenha numa série de reportagens especiais, decidi dividir com ele esse momento de desilusão. E acabei renovando minhas forças. Conheci Luiz Carlos no início dos anos 2000, nas Organizações. Era editor daquele que já foi o principal e mais influente telejornal do país. Ele acabava de chegar do Rio e ía fazer uma reportagem. Eu me apresentei e disse: - Não se preocupe, reportagem aqui em São Paulo é off, passagem, arte e sonora. Se tiver personagem, ótimo, se não, não tem problema. Ele achou divertida a abordagem tão franca e "utilitarista". Depois disso fomos cultivando uma amizade que resiste bravamente há quase dez anos. Foi lembrando desse curto espaço de tempo que Azenha me perguntou: - Você viu como as coisas mudaram nos últimos cinco, dez anos? Você acha que há pouco tempo atrás um "mané" como você, ou um "mané" como eu traríamos alguma preocupação aos tubarões da mídia? Hoje eles se preocupam com o que escrevemos e com o prejuízo à imagem deles. Veja você, foi demitido, se levantou e hoje está aí na luta. Até outro dia, você seria demitido e não ía arrumar mais emprego em lugar nenhum. Sua vida estaria arruinada. E mais, se abrisse a boca eles te matavam. Hoje não, estamos no jogo. Claro que os verdadeiros inimigos deles são as teles, o capital. Eles são os peixes grandes. Somos apenas os lambarizinhos que ficam beliscando. Mas se recorrer aos livros de história vai ver que as grandes mudanças foram obra de meia dúzia de "malucos", às vezes um único idealista. As coisas estão mudando. E rápido!

06 julho 2010

Como a incompetência pode virar crise diplomática


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A Máfia do Estacionamento

Foi uma campanha para aumentar as adesões. Seduzidos, colegas do trabalho e eu migramos em bloco para outro estacionamento ao lado da empresa. Mas acho que quebrei a cara. E, pior, não foi a primeira vez. Estávamos num outro um pouco mais distante, aberto 24 horas, com uma mensalidade razoável para os padrões do bairro e com manobristas ótimos. Mas, além da distância, havia também o inconveniente de ser num galpão antigo, com o telhado todo danificado, escuro e com uma área descoberta ao fundo. Quando chovia, não raro, nós mensalistas ficávamos com os carros molhados. O "novo", além de mais próximo, também é 24 horas, tem manobrista e pareceu mais seguro por possuir cancela acionada por crachá magnético. As instalações são muito melhores, é bem iluminado, tem cinco subsolos e uma vantagem ainda mais atraente: um pouco mais barato do que o anterior. Mas no segundo dia um dos manobristas informou: - É o mensalista quem para o carro. Preferi não discutir e passei a estacionar sozinho. Quando comentei com as colegas, fui informado de que havia uma ou outra tentativa de convencê-las, mas como resistiam, eles acabavam manobrando para elas. Decidimos ligar para a dona do estacionamento para saber qual era a regra e ela confirmou: - Eles têm que estacionar! Mas um dia desses uma colega parou no espaço de desembarque, quando o manobrista que vinha atrás buzinou e gritou: - Vamos, vamos! Ela não gostou da forma como foi tratada. Desceu, disse que deixaria o carro alí e que o papel deles era parar o veículo, conforme nos informou a dona do estacionamento. Coincidentemente eu vinha logo atrás e decidi também deixar meu carro no mesmo local, como gesto de solidariedade. Sabe o que aconteceu? À noite meu carro estava riscado no para-choque. Já tive carro riscado antes há alguns anos, em outro estacionamento. Mas, agora, tomei uma decisão: a partir de hoje não estaciono mais. Sei que, neste caso, estou lidando com um grupo que decidiu à revelia da dona, impor as regras lá dentro e vai tentar me intimidar. Acho que talvez ela não tenha experiência o bastante para saber que, se não tomar providências enérgicas e imediatas ficará refém deles. Faço votos que consiga por ordem na casa. O estacionamento anda lotado e os manobristas escolhem só os modelos de luxo para estacionar. Como o meu é um popular e não tem sequer direção hidráulica acho que acabo sendo considerado um cliente de segunda classe. É como se eu fosse muito igual a eles para ter direito à manobrista. É triste, porque revela muito sobre como o ser humano estabelece relações de poder e submissão, sempre com base nas aparências.

05 julho 2010

Dilma na Corte?

Ninguém deu muita bola para uma notícia divulgada durante a Copa e que ainda não foi negada pela assessoria da candidata: Dilma deve participar de um convescote com 'socialites' cariocas na mansão do Cosme Velho. As tratativas têm sido feitas discretamente, provavelmente por receio de que a opinião pública não goste da aproximação. De fato, é muito difícil aceitar na mesma mesa do almoço pessoas tão diferentes. Quando Marina se reuniu (e nem foi festinha, heim?) fora da agenda com representantes da Corte, critiquei. Assim como eu, muita gente também não gostou do gesto. Mas agora, apesar de difícil de engolir, as circunstâncias são outras. A candidata situacionista cresce consistentemente nas pesquisas de opinião e tem chances mais do que reais de ser a nova presidente da República. Não existe poder mais pragmático do que o poder econômico, com inegável faro para oportunidades. Por isso, o convite, suponho. No governo, Dilma demonstrou ser firme em suas convicções, mas aberta ao diálogo. Agora, deve aproveitar o espaço para conhecer pessoas com alguma influência (cada vez menor, na minha opinião) para difundir suas idéias. Não sei se em jogo há alguma concessão ou acordo. Torço para que não. Mas em política tudo é possível. Principalmente se, em breve, começarem as tão esperadas doações de campanha. Me lembro de uma declaração de Paulo César Farias, tesoureiro da campanha de Fernando Collor à presidência. Quando o candidato passou para o segundo turno, em 89, não parava de chegar dinheiro - em espécie - no comitê central. Grande parte das doações com a seguinte exigência: não ser contabilizada. Durante a crise do mensalão, o então deputado Roberto Jefferson disse as então senadoras Marina Silva e Heloisa Helena na CPI, para todo o país ouvir, que talvez elas não tivessem sujado suas mãos, ainda. Que era uma questão de tempo, apenas. Se hipoteticamente Marina passasse para o segundo turno e começasse a chover dinheiro em seu comitê, ela recusaria? Duvido. Como duvido que Dilma, Serra e todos os outros o fizessem também. O que não invalida o fato de que um candidato possa ser melhor do que o outro, ainda que eleito desta forma.

04 julho 2010

Porque hoje é Domingo



Fé Cega, Faca Amolada, Milton Nascimento

03 julho 2010

Porque hoje é Sábado



Dança da Solidão, Paulinho da Viola e Gilberto Gil

02 julho 2010

2x0


Atualizada depois do jogo: 1x2 Infelizmente não deu pessoal. Até 2014

01 julho 2010

A Última Tentação

Ou por ignorância, ou por má fé. Estas são as principais razões para que a crônica esportiva não reconheça o mérito tático de Dunga ao armar a seleção brasileira, nas palavras do comentarista informal do blog e veterano de copas, Carlos Dorneles. Foi nesta quarta-feira, depois que perguntei a ele se temia a Holanda. Com naturalidade Dodô respondeu: - Claro que não. Por quê? Você teme? Respondi que sim e ele emendou: - Não sou nenhuma Zora Yonara (radialista que faz horóscopo no rádio, desde que eu era criança), e supresas podem acontecer, mas nenhum time vai jogar bem contra o Brasil, esquece. Segundo nosso comentarista, deve-se ao fato de que a seleção brasileira foi armada de tal forma que não deixa o adversário jogar. Foi assim com todos, incluse com o Chile, incensado pela crítica por jogar aberto, bonito... E decretou: - Essa Copa tem tudo para ser do Brasil. Pode vir a Alemanha, a Argentina... Só há um time que pode surpreender e atrapalhar os planos, ponderou, o Uruguai. A tese do jornalista é boa. A seleção brasileira marca tão forte e com tanta eficiência que não dá espaço ao adversário. Ok, o jogo às vezes fica amarrado, feio, e numa dessas pode até sair um gol de bola parada, ou numa falha nossa mas, convenhamos, as chances diminuem muito para eles. Depois, tem outra, um dos nossos meio-campistas pode perder a cabeça num lance mais duro e aí a vaca vai pro brejo. Na minha opinião, outro fator importante também deve ser levado em consideração, a partir de agora. A "blindagem" que o técnico tinha feito sobre os jogadores, evitando aquele oba-oba acabou, depois que passamos para um hotel sem as condições de isolamento anteriores. Dunga insiste em alimentação, preparo físico, treino e concentração. Vamos ver se os meninos, que não são mais tão meninos assim, resistem às tentações. E não são poucas, principalmente o assédio sexual das meninas, as tantas Marias chuteiras que estão por lá.

 
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