O quê? Um assassinato. Quem? Um sujeito pobre.
Onde? Na periferia.
Quando? Ontem à noite.
Como? Disparo à queima roupa.
Por quê? Dívida por drogas.
Para o leigo, as perguntas e respostas acima podem parecer muito técnicas, mas ajudam a entender como funciona a produção da notícia. A estrutura baseada nas seis perguntas acima foi a redenção da grande imprensa, que conseguiu impor um processo industrial de produção, reduzindo espaço e ampliando a oferta de páginas com publicidade. Ao desintelectualizar a reportagem, os donos das empresas de comunicação conseguiram também tirar o poder das mãos dos jornalistas e espalhar o novo formato para um número maior de jovens egressos das universidades ávidos por uma oportunidade, portanto dispostos a cumprir à risca os manuais de redação e estilo, que consequentemente também se disseminaram. A padronização foi expulsando a alma do texto. Assim, a originalidade foi dando lugar à homogeneização. Quando se discute se a grande imprensa está ou não com os dias contados, penso que é necessário fazer a seguinte distinção: o factual ou "hard news" é feito por um exército de jovens repórteres que cumprem o protocolo. Fazem as perguntas básicas e trazem a "apuração". Portanto, para esse tipo de serviço sempre haverá espaço, porque cabe aos redatores mais experientes dar forma final ao produto. É nessa estapa do processo de produção que o patrão e seus executivos interferem: eles dizem o que deve ou não ter relevância e o que deve ou não ser descartado, sempre sob a ótica do espaço reservado àquela notícia. Mas o que dizer então dos grandes repórteres? Bom, aqui a lógica é outra. Uma lógica que desenvolvo melhor no próximo "post", para não tomar muito tempo de leitura.































