28 abril 2010

Me encontraram 2

Quem sabe nosso farejador possa seguir uma das dez pistas que preparei para ele. Aí vão as primeiras cinco:
1. Aos 10 anos de idade fui flagrado furtando dinheiro de um tio no vestiário do clube. Era uma nota de 50 (então a maior, da época). Fui enquadrado na "Lei de Segurança Nacional" lá de casa e tive que, envergonhado, devolver o dinheiro em público e pedir desculpas. (a humilhação foi tamanha, que isso nunca mais se repetiu). Assim, escapei de virar um assaltante de bancos. Como frequentador do clube, o Rodrigo Vianna pode atestar a veracidade do caso nos anais da diretoria.
2. Aos 14 anos fui convidado a me retirar da escola pública onde estudava, três meses antes do fim do ano letivo, porque não tinha notas nem frequência suficientes para conseguir aprovação. Além do mais, ficava aos amassos com a namorada no páteo e pasmo: fumava. Assim, escapei de virar um mau exemplo aos colegas.
3. Aos 21 anos de idade participei de uma mobilização na faculdade pela aplicação dos índices corretos para reajuste das mensalidades. Fizemos uma mobilização, suspendemos o pagamento e obrigamos o diretor da escola a se reunir com uma comissão para rever a decisão. Assim, escapei de, expulso, ir parar na clandestinidade.
4. Aos 23 anos de idade fui indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) depois de um atropelamento. A vítima atravessou correndo pela faixa de pedestres de uma movimentada avenida de São Paulo. Parecia fugir de alguém e arriscou, mesmo com o sinal aberto para os carros. A meu favor havia laudos periciais e o depoimento de uma testemunha ocular. A pena prescreveu e o processo foi arquivado. Assim, escapei de virar um assassino.
5. Aos 24 anos de idade, ao lado de um grupo de manifestantes, resistimos ao fechamento de bares noturnos numa pacata cidade no interior de Wisconsim, nos Estados Unidos. Policiais do choque, perfilados, começaram a marchar em direção ao grupo. Os que se sentaram no chão, pacificamente, foram presos e indiciados por desrespeito à lei e à ordem. Os que fugiram se perfilaram na principal rua do centro e começaram a desafiar os policiais, que cumpriam ordens de realizar dispersão com bombas de gás lacrimogênio. Por conhecer o manuseio do artefato (servi o Exército Brasileiro, lembram-se?) recolhi uma das bombas, antes que explodisse, e arremessei de volta contra os agentes da lei. Quando me voltei para trás gargalhando, uma bateria de fashes foi disparada contra mim. Ao acordar na manhã de domingo lá estava eu na capa do principal jornal da cidade, numa foto de meia página em quatro colunas. Para os que não sabem, até bem recentemente o jornal de domingo era uma instituição. Dele a família de classe média americana recortava os cupons de desconto, um hábito de décadas daquela sociedade de consumo de massas. Fiz do episódio trabalho de conclusão de curso na universidade. Assim, escapei de virar terrorista latino. (como não tive tempo de escrever tudo, trago as outras cinco pistas amanhã, ok?)

14 doladodecá:

Flavio Lima disse...

Facilitando o trabalho do espião.
Ta certo, vai ficar sem nenhum "furo" hehe.
Parabens por estar sendo "investigado". Não é pra qualquer um!

Junia disse...

Puxa!!!Desse jeito vc. vai estragar o brinquedinho do cara...

alex disse...

Pô, Marco, desse jeito o snifer não ganha a grana dele honestamente!

Alberto Porém Jr. disse...

Será que não vai rolar um ficha falsa ou foto comprometedora?
Tipo fichado na 171º DP em São Paulo, ou tipo uma foto sua junto com o Marcola... sei lá este pessoal passa até com o trator encima da mãe...do Serra... rsrsrsrs.
sabe como é o guardião da Doutrina da Fé...

Edu Ellery disse...

Que bandido você foi! Que mau caráter!

Hahaha, brincadeira. Virei mais fã.

Continue com o bom trabalho.

ThinkingHead disse...

Meu primo seria o proximo Che Guevara se tivesse uma moto!

Angelus disse...

Vc esqueceu de dizer que negaria cada uma dessas informações, caso confrontado. Não brinque. Esse pessoal faz soltar pum parecer crime hediondo.

Anônimo disse...

De volta ao Brasil, amarrou um porre homérico de chope e steinhager, na companhia de um vagabundo. Resultado: voltou de passageiro no próprio carro (uma Brasília branca!) e passou a noite no capacho.

Não resisti, amigo.

Abração!

Cristiana Castro disse...

Eu não disse? Já sabia que iam vir essas coisinhas... MAM, se os caras estão investindo na espionagem, vc precisa colaborar mais. Legal que eles estejam agarrados no teu anjo da guarda, isso significa que vc é bom. Para nós é motivo de orgulho fazer parte desse Blog. De qq forma, esculachou com o trabalho do sujeito, não sei o que ele vai fazer com essa relação de " crimes" prescritos. Eu fico imaginando o que faz um jornalista aceitar a tarefa de perseguir o outro. Esse negócio de agradar patrão e manter emprego tb tem limites, né não?

lucia disse...

Puxa MAM, assim você está facilitando a vida do investigador!!!!!! As pistas tem que serem embaralhadas para que ele faça juz ao vil metal que está recebendo...

Abilio disse...

Rapaz, eu sabiaque te conhecia de algum lugar MAM. Agora descobri a diferença é só a barba, que antes vc usa. Agora eu te reconheço, Bin Laden. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

OPINA disse...

Voce não tentou (ou não???) ir na garagem de ỗnibus no final do expediente deles e entrar em um ônibus e dar umas voltas na vida e devolver o veículo no seu devido lugar????
MAM, você vai acabar jogando pedra na Geni...
Por último, só responda (se possível) uma coisa: perseguidor/relator, como neste caso, pode ser chamado também de ghost writter?

JBmartins disse...

Voce é corajoso, eles vão ficar com muita raiva, não vão ter o gosto do furo, muito boa esta............

candaten disse...

Quero ver a capa do jornal, seu mal exemplo.........

 
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