Agora que a chuva passou e entramos na estiagem vai parecer um assunto extemporâneo (Maio). Mas talvez seja esta a hora certa para por em prática um amplo projeto de importância econômica e social. Outro dia conversava com a minha mulher sobre estratégias de combate às enchentes em São Paulo. Ela lembrou-se de um estudo de engenheiros da Universidade de São Paulo, anos atrás, que concluia que, se cada paulistano tivesse no quintal de casa um metro quadrado de grama para drenar parte da água da chuva, o problema de impermeabilização do solo seria minimizado e boa parte das enchentes na cidade desapareciara. Pode até parecer um mito mas, a considerar que exista na capital meio milhão de casas, estamos falando de meio milhão de metros quadrados. Não é pouca coisa. Equivale à terça parte do Parque do Ibirapuera, no coração da zona sul da cidade. Tentei pesquisar na web para ver se o estudo existe, mas não o encontrei. O fato é que, em vez de construir os famosos piscinões, que demandam tempo, concreto, superfaturamento e, consequentemente, muito dinheiro público, a prefeitura poderia incentivar a população a aumentar a área de drenagem dos terrenos onde estão suas casas. Como? Um caminho poderia ser dar desconto no IPTU. Outra possibilidade? Criar um cadastro de imóveis nas Administrações Regionais. Elas fariam o serviço obedecendo critérios de risco. Afinal, para que servem mesmo os tais mapas que a Defesa Civil faz e apresenta todos os anos? Outra opção ainda? Fazer campanhas educativas e incentivar mutirões. Afora isso, a prefeitura tinha que ter um programa permanente de arborização da cidade, em convênio com organizações não-governamentais e a iniciativa privada. Idéias não faltam e boa parte delas são simples e já foram adotadas em outras metrópoles. O que falta é vontade política. Verão tem todo ano e tempestades também. As enchentes não precisam se repetir.(Relevantes 2009)
































