30 novembro 2009

Sobre Pesquisas Eleitorais


- Não podemos ir a campo em 2010 com essa metodologia!
- Como assim?
- Ela contém desvios. As projeções demonstram que há cinco percentuais, além dos dois da margem de erro.
- Não se preocupe, com o passar do ano, conforme for aumentando a frequência de divulgação, nos vamos calibrando. Em 45 dias a curva volta para o centro.
- Acho que dessa vez não vai funcionar. O fator de convergência do eleitorado não é mais tão seguro. Os agentes formadores de opinião mudaram. A relevância das sondagens diminuiu. Nosso poder de influenciar os indecisos é menor. É muito arriscado.
- Você não está entendendo, não podemos mudar a metodologia agora. O custo operacional seria altíssimo. Em 2006 deu certo.
- Deu certo porque você disse a eles que a diferença entre os dois primeiros era grande demais e não adiantaria movimentar o eixo fora da margem, e eles engoliram.
- Eu sei. Eu sei, mas desta vez eles não vão aceitar. Estamos no meio de uma guerra e eles vão precisar de todas as armas que tiverem.
- Eu não concordo. E digo mais, estou fora.
- Como assim, estou fora?
- Não vou jogar 20 anos de reputação no lixo. E quer um conselho? Se der errado, você pode ir parar na cadeia.
- Eles são nossos parceiros. Mais da metade da nossa receita vem deles e da promoção indireta que fazem da gente. Não posso 'roer a corda' agora...
- Acho que deveria pensar bem, qualquer estatístico que confrontar a tabulação com a metodologia vai encontrar os desvios. Desculpe, mas não conte comigo desta vez. Pode ficar tranquilo que ninguém lá fora vai ficar sabendo disso, mas em janeiro estou fora.
O diálogo acima é tão factível, mas tão factível que muitos internautas vão achar que:
a. tenho uma fonte lá dentro
b. sou estatístico nas horas vagas
c. pratico escuta ambiental
d. faço ficção
e. Nenhuma das respostas anteriores
Eu fico com a alternativa 'd', de dado.
E se alguém perguntar se é verdade, eu nego.

29 novembro 2009

Nossa Língua Portuguesa

Sobre cometer erros de escrita, lembrei-me de uma ótima. Quando, depois de apresentar meu curriculum, consegui a vaga de editor de economia do principal telejornal da emissora, fiz uma correspondência para me despedir dos colegas do telejornal tarde da noite e agradecer aos editores e chefes da ocasião. O diretor de jornalismo me chamou na sala dele e me 'passou um sabão', porque tinha encontrado um erro de concordância (daqueles clássicos, quando você faz um aposto enorme no meio da frase e na hora de flexionar o verbo, esquece de concordar com o plural). Bom, tinha acabado de ser promovido e já cheguei de auto-estima baixa. Acho que o fato de, na carta, não ter feito menção a ele, o responsável pela promoção, deixou-o muito enciumado. Confesso que sempre tive dificuldades em bajular e 'puxar saco'. Tenho colegas que estão na corporação até hoje que são mestres neste tipo de comportamento. Anos depois, voltei da ilha de edição e lá estava o diretor (como coçava a cabeça!) sentado no terminal em que eu trabalhava. Estava redigindo uma nota de vinte e cinco segundos para o jornal. Esperei. Quando ele se levantou, voltou-se para mim e disse: - Veja se não tem nenhum erro e duplique essa nota para o Rio, por favor. Como ele sempre teve uma postura irônica e um jeito fanfarão, achei que fosse uma brincadeira. Ainda assim, dei uma lida rápida, para ver se não tinha nenhum erro de ortografia e concordância, e dupliquei a nota para o Rio. No dia seguinte, ainda estava na estrada a caminho do trabalho, quando o celular tocou. Era a secretária do diretor. Ele queria falar comigo. Estava furioso. Disse que a Rainha da Inglaterra tinha 'comido o rabo' dele porque naquela nota ele grafou Tribunal de Contas do Estado e, como sabíamos, não existe esta instância. Quem fiscaliza as contas estaduais é o TCU, ou seja, o Tribunal de Contas da União. E, em São Paulo, é o TCM, Tribunal de Contas do Município. Disse a ele que lamentava o fato, mas não me ative às informações, apenas ao português. Para quem pensou que eu possa ter agido de má fé, até poderia, não fosse minha rígida educação fundada na moral Cristã. O fato é que, quando cheguei à redação, ele me chamou de novo e foi duro comigo. Disse que não toleraria aquele tipo de erro. Será que foi por erros assim que ele fora afastado anos antes do principal telejornal da emissora? E, depois, como já estava com as mãos sujas, foi sendo tolerado e promovido até chegar onde chegou? Acho que vou morrer com essa dúvida...

28 novembro 2009

Caminhada para Caraíva

- Você tem que caminhar até Caraíva. E sozinho! A frase foi dita no verão de 1994 pela Cris, uma carioca filha de comerciantes do bairro de Santa Tereza, que estava radicada em Arraial D'Ajuda havia algum tempo. A rota de Caraíva, como é conhecida internacionalmente, tem o ponto de partida em Trancoso, no litoral sul da Bahia. O percurso é de 45 km. Como vencê-la andando? Passei a me perguntar. Cris fazia o trajeto com frequência. Admirava a valentia daquela mulher bonita, solitária e enigmática que, de tempos em tempos, aparecia vendendo sua granola, pães e bolos integrais. Vivia numa casinha muito aconchegante próxima ao campo de pouso do Arraial. Ficamos tão amigos que, quando seus país vieram visitá-la, ela preparou um banquete libanês autêntico para todos nós. Comemos, um seleto grupo de convivas e eu, um kibe assado na brasa, típico da aldeia onde sua mãe cresceu. Nunca experimentara algo igual. Bom, passei quatro meses estudando e colecionando todas as informações disponíveis sobre a "rota" e lancei-me ao desafio. Na mochila levava três trocas de cuecas, bermudas e camisetas. Uma lanterna, uma garrafa de água mineral e um pacote de biscoitos de água e sal. Nenhuma droga ou álcool. Eram incompatíveis com a jornada. Passei a noite numa pousada de estilo indiano nO Quadrado e parti na manhã seguinte, por volta das 9h. O sol era de outono com uma brisa bem suave. Descalço, tinha apenas que me concentrar para andar no ponto em o mar encontra a areia, segredo para deixar a pegada mais leve e a caminhada mais confortável. Foi certamente a experiência mais profunda de toda a minha vida. Da metade do caminho em diante é como se estivesse em estado de graça, integrado à natureza que, exuberante, explodia nos meus olhos. A famosa praia do espelho, a praia do vale dos búfalos, os tantos rios que desaguam no mar. Acho que alí toquei Deus, ou fui tocado por ele. Para ser mais preciso, foi as duas coisas. Quando, às cinco da tarde, exausto, cheguei às margens do Rio Caraíva já não dava mais para atravessar pelo delta, porque a maré estava cheia. Tive que me embrenhar pelo mangue, entre dezenas de carangueijos azuis, que não estavam nem aí para mim. Foi o tempo de alugar a casinha pequeninha no Canto da Duca, quase à beira mar (foto). Depois, tomar um banho, ver a lua cheia saltar na minha cara, agradecer e rezar: obrigado Senhor!

27 novembro 2009

Libertação pela Língua

Um internauta anônimo me mandou um comentário corrigindo um erro de ortografia que cometi num dos posts anteriores. Terminava dizendo que eu não pecisava publicá-lo, se não quisesse. Aí, pensei: por que não quereria? Só o faria se tivesse a ilusão de que não erro. Ilusão que nunca tive. Depois disso, fiquei pensando muito sobre a questão da língua, principalmente da língua escrita. Eu tive uma educação rígida, típica de classe média à moda antiga, com padrões morais, ensino religioso, etc... E sempre a família toda foi 'perseguida' por essa idéia de que não podíamos errar. Lembro que, logo depois que fui alfabetizado, sempre que as provas de português traziam palavras incompletas e os alunos tinham que preencher as lacunas, eu me atrapalhava. Para mim era difícil, principalmente quando a opção era 's', 'ss', 'ç', 'c' e 'sc'. Não porque eu fosse burro, mas porque na minha cabeça de criança perguntava: por que tantas letras se na hora de falar o som que sai da boca é o mesmo? Outra coisa que sempre achei esquisita foi o hífem. Aí me pergunto? Para que tanta regra? E mais uma vez me deparo com 'a estrutura de poder'. A língua tem uma dinânica que nem sempre os livros contemplam em suas regras. E por quê? Porque quem decide o que vale o que não vale são os 'catedrátricos', 'especialistas', 'semi-deuses' do conhecimento dos anglicismos, galicismos e neologismos. Só que, claro, eles raramente consideram o que as pessoas praticam no seu cotidiano. A língua culta é insuportável para o povo e a língua chula é intolerável para o douto. A língua sempre foi para mim uma ferramenta de libertação, não de aprisionamento. As maiores conquistas que obtive foram pela escrita. Ainda hoje, mantenho minha família com o que escrevo. E continuo cometendo erros. Claro que cada vez menos. Prefiro errar às vezes na gramática, mas ter compromisso com a tolerância, a diversidade e o caráter do indivíduo. Aqui no blog pode ter erro sim, e as pessoas não só podem, como devem corrigí-los. A dinâmica é exatamente esta.

Viagem dos Sonhos

Quando virou moda todo mundo ir passar uma temporada em Dubai, nos Emirados Árabes, principalmente jornalistas, patrocinados pelo governo daquele país, com a complacência de seus veículos de comunicação, fiz uma publicação sobre o assunto. Depois que a miragem foi se desfazendo em meio à paisagem parasidíaca, voltei ao assunto. Mas, agora, parece que a coisa ficou séria demais. O governo de Dubai pediu uma espécie de concordata (seis meses para ajustar o cronograma de pagamento das suas dívidas). A estatal Dubai World, que levantou aquele império imobiliário, tem quase 60 bilhões de dólares em dívidas. A notícia não podia ter vindo numa hora pior para as bolsas asiáticas e européias. Vejam só o que escrevi no dia 30 de novembro do ano passado: De tempos em tempos somos bombardeados com informações que não sabemos bem porque estão ali. É tanta notícia, que acabamos achando que pode ter uma certa importância para nós. Pronto, a estratégia de comunicação foi bem sucedida! Dubai, nos Emirados Árabes Unidos nunca foi além de um ponto de areia no oceano. Até que o milionário governo local resolveu transformá-la num potentoso destino turístico. Isso em menos de vinte anos. Hotel com 'sete estrelas', prédio mais alto do mundo, ilhas falsas...O que os cadernos de turismo não contam é que o governo investe 'pesado' na mídia. Isso mesmo! Jornalistas viajam de graça, os jornais interessados em conhecer o local vão com tudo pago. É o que chamamos de 'jabá'. Uma festa para criar 'fato positivo', notícia e consequentemente atrair turismo e dinheiro. Chegando lá, o turista vai encontrar a combinação clássica: calor, praia, luxo e consumo. Uma espécie de ilha da fantasia. Um cenário para 'sair do ar'. E durante uma semana a pessoa vai viver a ilusão de ter uma vida que ninguém tem. Vai encher as malas de compras e o cartão de memória de fotos digitais que ninguém quer ver, a não ser o dono da câmera. Mas o que é isso senão a ilusão de viver? Portanto, boa viagem!

25 novembro 2009

O Navio Pirata

Chamou muito a minha atenção algumas reações de internautas em relação à pirataria. Gostaria de dizer que o assunto causa uma confusão danada. O termo pirataria foi cunhado há mais de 40 anos pelas empresas que detém direitos de reprodução das obras ou, como preferem os americanos, copyright. Portanto, direito do autor é uma coisa, direito de reprodução da obra é outra, bem diferente. Querem um exemplo? Sou autor e disponibilizo minha obra gratuitamente a todos vocês, em troca apenas de relevância. Simples assim. Se os visitantes do blog quiserem conhecer um pouco mais sobre este fenômeno de declínio do direito de reprodução, recomendo fazer uma pesquisa na internet sobre como a banda Calypso explodiu. Hoje, o jornal Folha de S. Paulo divulga o trabalho de um músico recifense chamado João do Morro, que faz vinte shows por mês, em média, graças às 'carrocinhas' de cd's piratas, muito comuns no Norte e Nordeste do país e, cada vez mais também, nas metrópoles brasileiras. O Brasil é um dos maiores consumidores do mundo de games piratas do playstation 2, da Sony. Estima-se que haja no país algo em torno de dois milhões de consoles. E só agora, em 2009, foi feito o lançamento oficial da linha no Brasil. Alguém acha que a Sony desconhecesse a pirataria durante esses anos todos? Para os aficcionados por tendências da pirataria na net, basta acessar o You Tube, o My Space, O The Pirate Bay... São tantos... Todos fenômenos consagrados da maneira não-convencional dos artistas divulgarem seus trabalhos, sem depender de "arreio e cela" dos grandes conglomerados do entretenimento. Acesso à informação e à cultura, também é uma forma de exercer poder, oras bolas. Vejam a Suécia. É o primeiro país do mundo a ter um partido político legalizado, que defende o fim do copyright. Portanto, calma lá pessoal. Muitos que têm "essa opinião formada sobre tudo", se prestarem um pouco de atenção, podem ter tido a opinião formada pelos "formadores de opinião convencionais", que ficaram os últimos 20 anos martelando em nossas cabeças que pirataria é crime. De fato, desde 2003 é crime mesmo, graças a uma lei aprovada com todo o incentivo deles. Para aprofundar um pouco mais o conhecimento sobre como o conteúdo intelectual tende a ser gratuíto, recomendo a leitura do livro Grátis, do editor da conceituada revista Wired, Chris Anderson. Ele é o autor do best seller A Cauda Longa. Há versões de ambos, em inglês, para download free. É claro que, enquanto for tratada como crime, a pirataria vai estar direta ou indiretamente associada ao crime. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, bem diferente. Só espero que esta reflexão nos ajude a formar uma opinião diferente, livre de preconceitos e dogmas.

24 novembro 2009

Os 100 dias de Pitta

- Em 100 dias eu vou acabar com os buracos na cidade. A promessa, impossível de ser cumprida, foi feita pelo então prefeito Celso Pitta, em 98, ao telejornal local da hora do almoço. Quando queremos dizer que o jornalista faz o trabalho menos nobre, em geral os iniciantes, dizemos: - Ele faz o buraco de rua. E não é que durante este período fui 'o editor do buraco'? Todos os dias, impreterivelmente, tínhamos que mostrar um novo buraco. Cabia a mim avaliar e comprar imagens de cinegrafistas amadores e catalogar as cenas feitas pelas nossas equipes. Toda vez que chovia, novos buracos apareciam. Em trinta segundos fazíamos os registros diários. Era o único vt do jornal que não podia cair de jeito nenhum. De vez em quando fazíamos também reportagens mostrando o trabalho das equipes tapa-buraco da prefeitura. Também demonstrávamos como era impossível vencer os buracos com ações paliativas. Contatamos engenheiros e discutimos ainda a qualidade do asfalto na cidade. A cobertura dos buracos de rua em São Paulo virou 'case' jornalístico. Lembro que um dos buracos não era um buraco, era uma cratera, de tão grande. Mandamos o repórter Márcio Canuto para lá. Ele reuniu todos os moradores da rua - num bairro da periferia - para dar uma bronca ao vivo no prefeito. Quando a pavimentação foi finalmente concluída, teve bolo, com direito a parabéns para você e tudo o mais. O prefeito era o convidado de honra. Ele não só apareceu, como foi carregado nos braços do povo. Deu entrevista ao vivo e ainda experimentou um pedaço do bolo. Apanhou durante cem dias, mas foi altivo na derrota. Para o telejornalismo comunitário, implantado pelo jovem diretor de jornalismo, (aquele que foi exilado, depois que o Guardião da Doutrina da Fé tomou de assalto o telejornalismo da emissora) foi um momento de muita irreverência. Estava demonstrado que era possível acrescentar uma boa dose de bom humor ao noticiário. A derrocada do prefeito só viria depois, quando a ex-primeira dama Nicéia decidiu contar o que sabia também para as câmeras da emissora. A morte do ex-prefeito no início da semana mereceu apenas breve registro. Um fim melancólico, para aquele que deveria ter sido o herdeiro do malufismo em São Paulo, mas que se rebelou contra o criador.

O filho do Brasil



- Alô.
- Oi, pode falar?
- Peraí, deixa eu sair da redação. Tá muito barulho aqui. Fala...
- Tá confirmado, viu? Estou com a cópia do mandado de busca e apreensão.
- É mesmo? Como é que a polícia descobriu?
- Foi o advogado de um preso que espera progressão para o semi-aberto que entregou o esquema.
- Imagino que é segredo de Estado?
- Pouquíssimas pessoas sabem, por enquanto.
- E como vai ser a operação?
- Eles vão esperar o navio aportar em Santos...
- E por que não faz a abordagem quando ele estiver em mar territorial brasileiro?
- Não dá para confiar na polícia marítima.
- Mas existe alguma chance de dar errado?
- Sim, se na noite em que o navio tiver atracado, antes de descarregar, os contrabandistas conseguirem retirar a carga em pequenos barcos e sumir pelos canais do porto. Aí, eles não teriam nenhuma chance de encontrar...
- Existe uma estimativa da quantidade?
- Parece que são dois milhões e meio de cópias piratas do filme.
- Dois milhões e meio!
- É, se o carregamento chegar até a rua 25 de março, antes do Natal, aí tchau mesmo. Vai vender mais que o Roberto Carlos, hehehe.
- E é isso que eles não querem, né? Será que eles compraram os direitos de exibir o filme na TV para engavetar?
- Ou para engavetar, ou para tentar um acordo mais pra frente, na base da chantagem. Eles sabem que se esse filme for exibido na TV em ano de eleição, não tem pra ninguém.
- É, realmente...
- Bom, é isso!
- Valeu, qualquer novidade você me avisa?
- Pode deixar.
- Abraço.
- Outro.

23 novembro 2009

Fim de Ano

- Você vai à festa de fim de ano?, perguntou a colega na redação. - Festa da firma?, respondi, prefiro ir para casa. - Mas é uma oportunidade de conversar melhor com os colegas, fora da pressão do trabalho e além do mais, tem entrega de brindes, show de banda famosa, sempre convidam uma celebridade... - Estou fora! Para os colegas eu devia ser um chato, não parece? Mas festa de firma é o roteiro mais manjado que existe. Nunca fui, mas nem é preciso. A cerveja é genérica e quente. A comida é strogonoff e frio. Um monte de gente fica bêbada e inconveniente. As encalhadas vão para o 'tudo ou nada'. No palco, o diretor faz discurso para agradecer. Dizer que foi um ano glorioso, que a equipe é o máximo. E que no ano seguinte serão exigidas mais garra, mais motivação... Depois entram as atrações. Atores sem graça, humoristas de gosto duvidos e, ahhhh, o pessoal do R.H. É o grande dia deles! Segue-se um suspense interminável, um sobe-e-desce de gente no palco, um barulho infernal e dezenas de brindes insignificantes são entregues, como: canetas, bonés e camisetas com a logomarca das organizações. Como se precisassem, nessa altura do campeonato, fixar a imagem... Pensando bem, acho que até que andam precisando mesmo. Só no final, quando meia duzia segue pulando, muitos seguem caídos e a maioria seguiu para casa é que eles sorteiam o carro, a moto e o tv de tela plana com dvd. Antes, só participava quem chegasse até o fim da 'gincana'. Depois de muitos reclamarem, os prêmios passaram a ser entregues à distância, o que comprova a irrelevância do evento. Para mim, depois de tudo o que passamos durante um ano, ainda ter que aturar esse tipo de coisa, definitivamente, não dá! Seria mais fácil dar R$ 100,00 a mais para cada um. Sairia mais barato para a 'firma' e mais divertido para todos, principalmente para os que mais precisam, e têm que se submeter a esta 'lavagem cerebral'.

22 novembro 2009

Pedalada

Da série ficção, a preferida dos internautas. Digamos que eu soubesse que o mais importante vassalo da Corte do Cosme Velho, à época, fosse um sujeito muito ciumento e apegado. Apesar de se encontrar às escondidas com uma mulher casada, mas que não experimentava mais safistação na vida conjugal, ele passou a achar que o coração da bela deputada pertencesse somente a ele. Mas bonita, charmosa e inteligente a deputada vivia o apogeu da fama e da glória, situação que dava a ela uma vantagem competitiva enorme, em relação a todas as outras mulheres do Planalto Central. Nesta ocasião, ela teria conhecido um político paranaense talentoso e bonitão, que tinha sido convidado pelo presidente que tinha 'aquilo roxo' a ocupar uma das pastas de seu ministério. Digamos que a combinação bonitão, talentoso e - agora - poderoso tivesse transformado o homem numa espécie de troféu, iguaria desejada entre as mais belas mulheres do Planalto. Todos os ingredientes para uma relação explosiva estavam no cardápio. Só que o ciumento vassado começou a desconfiar da química, que a lógica transformara em atração fatal. A partir daí, ele não teve dúvidas: passou a usar uma concessão de serviço público para bombardear o ministro. O hoje deputado, inocentado e agora reabilitado num espaçoso gabinete em Brasília, tinha uma aliança com Leonel Brizola, o que por si só já o colocava em situação de altíssimo risco. No final de janeiro de 1992 ele foi despachado para casa, depois de um escândalo conhecido pelo nome de um veículo de transporte muito popular em todo o país. A estratégia do vassalo da Corte do Cosme Velho foi usar a concessão para dar uma 'pedalada' no adversário. Só não se sabe, ainda, se com, ou sem, a anuência da Corte. Quanto a este detalhe, a verdade é apenas uma questão de tempo. Agora, se alguém me perguntar se uma disputa amorosa pode mesmo expor um país continental aos caprichos de um funcionário, a serviço de uma empresa de comunicação, que até outro dia era hegemônica, eu nego.

20 novembro 2009

Olhar Brasileiro


"Concessão dos meios de comunicação é o Estado que dá. E o Estado somos nós". A declaração da atriz Jussara Freire era parte integrante do progama de estréia. O programa? 'Olhar Brasileiro', a primeira iniciativa na televisão brasileira voltada aos trabalhadores e financiada por quinze sindicatos. O convite para fazer parte da equipe veio da diretora do programa, Sônia Bongiovani, ao lado da produtora executiva Fernanda Machado. Almoçávamos na Avenida Paulista, quando ela perguntou: - Quer fazer um programa de televisão? E eu respondi: - Como assim? - A TVT, produtora ligada ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e outros, me convidou para fazer um programa semanal de televisão, você topa? - Claro que sim! Começamos do zero. Da contratação da equipe à edição final. Cuidávamos de tudo. Começei como pauteiro, mas quem trabalhou em pequena produtora sabe que o cargo não quer dizer muita coisa. Em pouco tempo, virei uma espécie de despachante político entre os interesses jornalísticos e os sindicais. E até roteirista de ficção! Na direção da produtora estava Dulce Pereira, um ícone do movimento negro e suplente do senador Suplicy. O programa de estréia foi ao ar em maio de 93, na TV Record. Foi a única rede que aceitou tamanha ousada. Foi um programa revolucionário: na proposta, na estética, no enfoque e na linguagem. Pena ter durado tão pouco. Foi da produtora, na Vila Mariana, que partiu, naquele mesmo ano, a Caravana da Cidadania, um dos fatos mais relevantes da nossa história política, que serviu de ponto de partida para que o presidente Lula viesse a conhecer, como poucos, os reais problemas brasileiros. Foi naquele ano ainda que o programa recebeu a Menção Honrosa, pelo conjunto da obra, do Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e Cidadania. Mas, em novembro, os financiadores do programa, que custava US$ 100 mil/mês, incluíndo a compra do horário, se desentenderam, por causa da eleição na Central Única dos Trabalhadores, a CUT, e o projeto foi por água abaixo. Assim morreu o sonho visionário e utópico de 'mudar o mundo' em uma hora de programa semanal, numa rede de televisão.

Consciência Negra

Uma reflexão pelo Dia da Consciência Negra. Havia um tempo em que "preto não entrava no Bahiano nem pela porta da cozinha", lembra Gilberto Gil. Na letra de Tradição, o cantor fala da infância, quando "quem governava a Bahia era Antonio Balbino (1955-59)". A música me veio à mente ao me lembrar de um fato que ilustra bem a pretensão e arrogância de 'intelectuais' que insistem em achar que nós não somos racistas. Trabalhava como editor de economia naquele que já foi o maior e mais importante telejornal do país. De uma hora para outra, partiu uma ordem que nos obrigava a procurar 'fontes negras'. Ordens assim deixam a chefia excitadíssima. A redação entra em frisson. É obrig - abreviação de obrigatório. Para outros, é rec - abreviação de 'recomendado'. Bom, foi um Deus nos acuda. Os produtores se descabelavam atrás de pessoas que pudessem representar a 'novíssima política de cotas' adotada pelo telejornal. Como abastecíamos diariamente a rede com matérias de economia, o nó foi maior ainda. A única fonte negra nas agendas nem era economista, era o consagrado geógrafo Milton Santos, que não era assim tão bem-vindo, afinal de contas, sua visão de mundo era bem diferente do que consagramos como 'senso comum': "A velha tendência intelectual é considerar o mundo a partir da Europa, e agora dos Estados Unidos. Assim, se exclui a perspectiva da maior parte da humanidade. A cultura oficial brasileira nutriu-se com frequência de uma visão vesga do mundo." Havia um produtor negro entre nós, o Edvaldo,(atalho para o blog dele ao lado)bque não dizia, mas se sentia ultrajado. Mas, voltando ao assunto, tínhamos porque tínhamos que encontrar negros para entrevistar. Eis que surge uma consultoria, dessas que opinam sobre todos os assuntos, de telecomunicações à taxa de juros - e nos apresenta um economista negro. Ufa! Lá fomos nós para a entrevista. Quando a repórter chegou ao local, lá estava nosso economista negro. O homem tremia mais do que vara verde e não conseguia terminar uma frase, sequer. Digamos que a repórter também não era das mais calmas. Resultado, sobrou para o editor cortar um pedaço em que ele dissesse, sem gaguejar, o de sempre: Que tá tudo bem, mas tem que fazer as reformas. Pouco depois, o noticiário ganhou um apresentador negro, mas que só aparece no fim de semana, para dar 'uma cor diferente' ao jornal de branco, que ainda hoje mostra do "alto a fila de soldados, quase todos pretos, dando porrada na nuca de malandros pretos, de ladrões mulatos e outros quase brancos, tratados como pretos, só pra mostrar aos outros quase pretos (e são quase todos pretos). E aos quase brancos, pobres como pretos, como é que pretos, pobres e mulatos, e quase brancos, quase pretos, de tão pobres, são tratados...", para ficar em Caetano, agora amparado por Gil. Quando é que esses 'intelectuais' vão entender que o Brasil não é o Jardim Botânico? Ainda bem que o brasileiro está começando a perceber isso!
Este 'post' foi publicado originalmente em 23 de agosto deste ano.

19 novembro 2009

Curriculum

Estou aqui para deixar meu curriculum com você, disse ao diretor de jornalismo, em maio de 2003 (o diretor era aquele que havia sido afastado...). Não sei quais critérios irá adotar para escolher o novo editor do jornal da hora do jantar mas, se o critério for baseado na carreira profissional, acho que atendo aos requisitos, justifiquei. A estratégia havia sido decidida na noite anterior, depois de uma conversa com a minha mulher. Ela achava que seria muito arriscada. Da minha parte, considerava que seria a melhor maneira de me credenciar e 'deixar o bode na sala' do chefe. Não tinha QI (quem me indicasse), ao contrário dos outros três candidatos. Contava portanto com a sorte e um pouco de ousadia. O chefe argumentou que seria difícil encontrar quem me substituísse no jornal tarde da noite. Afinal, não são todos que gostam de política e estão preparados para esta função. A decisão só sairia na semana seguinte. Aproveitei o tempo para fazer as 'costuras'. As editoras chefe e executiva do jornal tarde da noite estavam em pé de guerra. A direção teria que por fim à crise. O plano era levar a editora-chefe para um cargo provisório, no programa semanal de reportagens. Quem ocuparia o posto de editor-chefe seria o coordenador do telejornal do jantar, em São Paulo, com delegação plena de poderes, para enfrentar a editora-executiva, que seria mantida no cargo. Procurei o colega cotado e apresentei o plano: ele me indicaria para a vaga do jornal do jantar e resgataríamos nosso colega Luis Cosme, aprisionado no calabouço, do telejornal cedo da manhã, depois de se desentender com o diretor. Só um parênteses: hoje, Cosme é editor-chefe do Jornal da Record, em que trabalho. O plano deu certo. Dias depois, a editora que seria promovida à coordenação do jornal do jantar me chamou para um café. Disse que assumiria a nova função e gostaria de saber se eu aceitaria a indicação para a vaga de editor de economia, no lugar dela. Respondi que estava pronto. No dia seguinte à minha nova designação, fui para o café da manhã com o CEO, a Rainha da Inglaterra. (A rainha é quele gestor que se encontra com funcionários do chão de fábrica uma vez por mês para, em nome da empresa, conhecer melhor os 'colaboradores', sentir o pulso da redação, passar a mão nas cabeças e tirar fotografias). Cumpri rigorosamente meu script. Falei para um grupo de doze pessoas que não tinha padrinhos e que, minha nova designação, era um atestado de que as organizações tinham disposição para premiar funcionários por mérito. Mas que foi preciso 'deixar o bode na sala', isso foi!

18 novembro 2009

A Ex do Ex



Ex-empregada afirma ter um filho com FHC:
Leonardo, 20 anos

A afirmação é do ex-porta-voz de Fernando Collor de Mello, o jornalista Cláudio Humberto Rosa e Silva. Veja "com os próprios olhos", o que ele escreveu no seu blog hoje, o atalho é este: http://www.claudiohumberto.com.br/principal/index.php

Uma ex-empregada afirma ter um filho com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília. O rapaz, hoje com vinte anos de idade, é Leonardo dos Santos Pereira, que trabalha como carregador (auxiliar de serviços gerais) em um órgão público, na Esplanada dos Ministérios. Ele nasceu da relação do então senador FHC com sua empregada Maria Helena Pereira, uma negra que o impressionava pela formosura. Leonardo é considerado muito parecido com o pai.


Comentário: É o nosso Fernando Lugo Cardoso? Será que Leonardo também está no testamento? Para Míriam Dutra o reino dos céus. Para a ex-empregada, um cala a boca. É, realmente não somos um país racista mesmo!

Comentário do Eduardo Guimarães no Cidadania: "Se for verdade, se houver segurança absoluta de que o ex-presidente engravidou uma funcionária, talvez usando seu poder de pressão de patrão e político poderoso para seduzi-la, acho que o assunto seria, sim, de interesse público. Contudo, alardear isso por meio de boato, sem maiores provas, acho imoral".(...) "Quero deixar uma coisa bem clara: se eu tiver que me transformar naqueles que combato para combatê-los, prefiro entregar os pontos. Até porque, acho desnecessário usar esses métodos quando há outros tão mais eficientes como, por exemplo, usar a verdade, que considero uma força da natureza".

Para ver tudo: http://edu.guim.blog.uol.com.br/

Se a gente falasse menos...

Você fala demais. O recado veio do diretor de jornalismo de São Paulo (aquele talentoso, exilado, depois que o Guardião da Doutrina da Fé tomou de assalto o jornalismo da emissora). O portador da mensagem era o então apresentador do matinal, José Roberto Burnier. Era início dos anos 2000. Conhecia o Zé Roberto desde noventa e dois, quando frequentamos juntos a primeira turma do curso de formação de governantes da Escola de Governo. Quatro anos depois, nos reencontramos na redação da afiliada de Ribeirão Preto e só passamos a trabalhar juntos, depois que voltei a São Paulo, no fim dos anos 90. Ele e o diretor tinham ficado contrariados, porque eu havia pedido que Carlos Nascimento, com quem trabalhei antes, conseguisse com o chefe uma vaga para mim, no jornal da hora do almoço, onde ele estreara. Consideravam que meu papel no jornal cedo da manhã era importante e de difícil substituição. Só não queria morrer naquele horário, tendo que acordar às 3h30 da madruga para trabalhar. O pessoal até brincava que eu deixava a cama quentinha para o 'Ricardão', hehehe. Nascimento se ofereceu para pedir a vaga, caso eu quisesse. Disse que sim. Mas o diretor recusou. Informou que tinha outros planos para mim. E, de fato, tinha mesmo. Em agosto de 2000, sem que eu fosse sequer consultado, estava escalado para ser o novo editor de política do jornal tarde da noite. Pouco mais de um ano depois, protagonizaríamos uma das mais extensas e bem-sucedidas coberturas jornalísticas de todos os tempos: O 11 de Setembro de 2001. Estava dormindo, quando minha mulher me chamou, pouco depois das 9h da manhã. A programação tinha sido interrompida, assim que houve o primeiro ataque. Nascimento, na bancada, narrava os acontecimentos, enquanto as emissoras americanas transmitiam ao vivo, para todo mundo, o trágico espetáculo. Pouco depois, Ana Paula Padrão chegaria para dividir com ele a bancada. Fiquei o dia todo colado à TV e na Internet. Quando cheguei à redação, por volta das cinco da tarde, o diretor olhou para mim, olhou para o relógio e disse? Isso é hora de chegar? Você sabe o que está acontecendo? E eu respondi: - Alguém precisa ser o último a sair, não acha? E ele respondeu: - Ainda bem que você já sabe que está de plantão de madrugada. Para quem entrava às 3h30, sair nesse horário, é happy hour! brinquei. Às vezes, falar demais é bom, não acham?

17 novembro 2009

O quê heim presidente...

O ex-porta-voz do então presidente, hoje senador, Fernando Collor de Mello, Claudio Humberto Rosa e Silva, reclama que há mais de dez anos noticia, “quase que solitariamente” a existência do filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nascido em setembro de 1991. Ele afirma em sua coluna, hoje, que quem forçou o exílio da repórter Míriam Dutra, foi o próprio Fernando Henrique. (Se isso é mesmo verdade, precisamos saber como a Rede Globo recebeu essa pressão). Sabe-se (à boca pequena) que um importante vassalo da Corte do Cosme Velho, à epoca ligado ao presidente Collor, tinha acesso ao apartamento da repórter Miriam Dutra, para que pudesse manter encontros secretos com uma deputada casada, mas que não estava feliz com sua vida conjugal. Como foi que esse vassalo convenceu os donos da emissora a despachar sua repórter para a Espanha? Que interesses jornalísticos a emissora tinha naquele país, naquela época? Na condição de correspondente, quantos trabalhos importantes Míriam fez por lá? Quem a mantinha? E por qual salário? Em noventa e um, o senador ainda não tinha a importância que viria a ter, o que é preciso ressaltar, do ponto de vista do 'contexto histórico'. Claudio Humberto também afirma que o ex-presidente FHC admitiu reconhecer o filho, em 'testamento fechado', apenas quando ele tinha 8 anos de idade, portanto, é bem provável que, antes, não mandasse pensões ao menino. Ao assumí-lo, dona Ruth Cardoso teria exigido “clandestinidade”, também segundo Claudio Humberto. À mãe, Miriam, coube a discrição dos últimos dezoito anos, com a crença de, assim, fazer uma blindagem ao garoto. Mas hoje, sozinha e sem perspectiva profissional, revê o sacrifício feito à luz do acordo político que permitiu aos dois (FHC e às Organizações) mudarem o rumo da história política do país (mais uma vez!). Depois que dona Ruth morreu, Fernando Henrique decidiu se aproximar mais do filho caçula. Mas quem não vê em FH um pai de verdade, agora, é o próprio filho. Muitos vão dizer que são 'os sortilégios da vida'.

16 novembro 2009

Exclusivo 2




EXCLUSIVO!

Aqui está a única foto disponível de Tomas, no Facebook (este é o famoso filho caçula do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso). Outras fotos e informações ele não compartilha com todos, só com os amigos. O que quer dizer que é preciso enviar a ele um convite e, se ele aceitar adicioná-lo, aí sim você terá acesso às informações do perfil e aos amigos em comum. Dizem que é a 'cara' do pai.
Boa sorte!

15 novembro 2009

Exclusivo




EXCLUSIVO!






Os jornais informam errado. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não decidiu oficializar o reconhecimento do filho que teve com a jornalista Miriam Dutra, da TV Globo. Ele já o fez, num cartório em Madrid, na Espanha, onde vive a 'correspondente' da emissora. O nome do jovem já foi, inclusive, incluído no testamento do ex-presidente, que não quer que os filhos fiquem brigando por herança, depois que ele partir desse para o outro mundo. Tomas Dutra Schmidt, de 18 anos, vive em Washington e ligou assustado para mãe hoje, depois de receber mais de quinhentos convites pelo Facebook (uma rede de relacionamentos pela internet, que é mania no Brasil, depois do Orkut). Os convites vieram, depois que 'coincidentemente' o jornal Folha de S. Paulo trouxe a notícia no primeiro caderno, pela jornalista e colunista da Ilustrada, Mônica Bergamo. Oficialmente, Fernando Henrique nega, porque não quer dar publicidade ao caso, considerado uma questão íntima, de família. Até seria, não fosse o caso dele ter se transformado em presidente da República e a Miriam passar todo este tempo 'exilada' sozinha, recebendo salários da família Marinho, detentora de uma concessão de serviço público. Hoje, Tomas tem 18 anos e sente na pele como é viver segregado e escondido. Quanto ao ex-presidente, na idade em que está, faz mais do que bem pacificar o seu passado. Quem sabe sua nova namorada, uma jornalista (mais uma?) não esteja ajudando-o neste doloroso processo. Sinto por eles, pelos filhos, mas sinto imensamente pelo país, que exige explicações sobre a relação promíscua de silêncio que se deu entre a grande imprensa e o ex-senador, ex-ministro de Estado e ex-presidente da República.

A pedido 3

A PEDIDOS 3 (tem que ler de baixo para cima):
Extra! Extra! Mais ficção. Aquela repórter que estava exilada deixou o esporte bretão. Agora joga como meia-ofensiva no canal a cabo da emissora, a partir da ibéria. O filho (aquele) está em Washington, estudando (pasmem) a soldo do pai! Finalmente... Informações que partem do Jardim Botânico dão conta de que a rainha da inglaterra lavou as mãos e entregou seus amigos mais próximos às feras. Parece que há em curso uma operação salve-se quem puder. E para livrar o próprio pescoço da forca, avisou: - Não contem comigo (uma espécie de esqueçam o que escrevi). O problema é que muita gente pode ficar ressentida com esse tipo de atitude individual e egoísta. Está certo que parte dos esqueletos é problema da Corte do Cosme Velho, não dos seus vassalos, exclusivamente. Mas quando o vendaval chega, costuma ser implacável e arrastar tudo. Mas se alguém perguntar se é verdade, eu nego.

A pedidos 2

A PEDIDOS 2:Parece que os leitores gostam mais de ficção do que de realidade.
Então, vamos voltar à série faz de conta. Digamos que eu contasse que, logo depois que foi exilada na península Ibérica, a soldo das organizações, nossa repórter, já com o rebento ao colo, atendia com alguma frequência aos telefonemas daquele que já ocupou importante posto da República e que, desiludida e desamparada, insistisse em afirmar: - Você arruinou a minha vida! Estou aqui, sozinha, sem poder viver a minha história, à sombra de um erro que você não quer admitir que cometeu. Isso não é justo! Isso não é justo! E se eu também contasse que o apartamento dela, na Capital Federal, foi usado antes dela ser despachada, portanto com sua generosa complacência, pelo mais importante vassalo da Corte do Cosme Velho, à época, para encontros amorosos com uma das mais belas Deputadas Federais, que era casada. E se lembrasse, ainda, que certa vez um jornalista, cujo pai - quando vivo - foi um dos principais 'formuladores' das teses do principal partido da oposição, convidou uma colega das organizações para jantar e a colega disse: - Posso levar uma amiga? Ele consentiu. E ela, por sua feita, resolveu levar mais um amigo, que por sua vez, era o tal em questão, que viria a assumir importante posto na República? Qual não foi o constrangimento do repórter, filho do figurão, ao dar de 'cara' com aquele que seria... Calma, tem mais! A exilada, hoje dá expediente no escritório internacional da 'firma', na Comunidade Européia. Certo dia, ela chegou para o chefe - uma espécie de embaixador da 'rainha' naquele país - só para lembrar, a rainha é aquela que toma café da manhã e passa a mão na cabeça dos súditos. Ela chegou para o chefe e pediu um dia de folga, porque teria um encontro com o pai do filho dela. O chefe não autorizou, salvo se ele fosse junto com a família dele (alegou interesse jornalístico, o cara era importante e coisa e tal). Ela argumentou que era uma reunião íntima, que não cabia visitas. Então, o chefe condicionou a folga à ida dele ao encontro e a - agora - produtora consentiu. O encontro se deu em clima amistoso, de confraternização. Mas o chefe resolveu rasgar o protocolo e, num gesto de pretensa intimidade com o convidado de honra, disparou: - O que está faltando para você assumir a paternidade desse menino? (continua)

A pedidos

A PEDIDOS:
Quando meu filho mais velho era pequeno adorava brincar de faz de conta com ele. Brincar de faz de conta ajuda muito os adultos, quando não podem falar a verdade. Os jornalistas usam este tipo de expediente quando querem contar a verdade, mas sabem que, ao contá-la, podem desencadear reações proporcionais à 'octanagem da mistura'. Por isso, apelam para pseudônimos ou recusam-se a dizer os nomes dos personagens. No mundo dos adultos, alegar e não provar, é o mesmo que não alegar. E o ônus da prova cabe a quem acusa, salvo quando o juiz acata o direito de preservar o anonimato da fonte, o que nem sempre acontece, nos crimes de imprensa, ainda mais nos dias de hoje. Portanto, vou contar uma históra que todo mundo vai achar que é de mentirinha e não vai dar a menor 'bola'. E os personagens que se identificarem com ela não precisam nem confirmá-la, nem negá-la, já que é de mentirinha. Que tal? Vamos lá? Se você acredita em escutas ambientais, em espionagem e orelhudos, prepare-se. A talentosíssima repórter, uma das mais brilhantes que conheci, está no estacionamento de um prédio em Brasília. Um edifício funcional, desses cuja a garagem fica no térreo (foto). Quem conhece a arquitetura característica da Capital Federal sabe do que estou falando. Pois bem, um homem importante desce ao andar terreo onde se dá o encontro. Ele abraça a repórter e diz: - Está tudo acabado! Depois, chora copiosamente e é consolado pela interlocutora, que custa a acreditar que aquilo está acontecendo com ela. A mulher que o consola é amiga de outra, pela qual o homem chora. Conforme combinado, antes dele assumir o mais importante posto da República, a mulher por quem chora será exilada na península Ibérica. (Só quem passou por isso sabe como é rigoroso o inverno no exílio). No caso dela, ainda pior. Seguirá levando um filho dele na barriga. (Só quem já passou por uma gravidez solitária sabe como é difícil carregar tamanho peso). Dias depois, este importante homem embarcará para Paris, a cidade luz, onde terá a difícil tarefa de revelar tudo à mulher, com quem já não tem mais aquele fervor, no relacionamento conjugal. (Onde foi que nos perdemos? indagou a si próprio durante um período, até concluir que o crepúsculo conjugal era assim mesmo). Ao receber a notícia, a mulher surtou. Passado o transbordamento, num acesso de racionalidade e pragmatismo, típicos das mulheres, disse: - Eu o perdoo. Os destinos da pátria são mais importantes do que a sua canalhice. Mas quero deixar uma coisa bem clara. De agora em diante, não vou tolerar um mísero gesto de infidelidade sua. Pobre destino... Um grande homem aprisionado por uma tentação mundana e avassaladora. No dia seguinte ao acontecido, a mulher é fotografada ao lado dele com o braço enfaixado. O que teria se seguido? Oficialmente, um acidente doméstico. Extra-oficialmente, consequência de um porre, digno de uma mulher desiludida. Uma dor tão intensa, que seguiu com eles por toda a vida. Historias assim podem nos ajudar a entender melhor a dimensão da existência humana e os interesses que suplantam os ideais de uma nação. E pelos quais muitas organizações são capazes de vender caro o seu silêncio. Este amargo veneno é o que podemos chamar de 'poder paralelo'. E não funciona no Morro dos Macacos.

Palestra Motivacional

A palestra motivacional foi num domingo ensolarado. O dia todo! Que tal? Já começamos bem motivados, não acham? Você espera a folga, a família se planeja e, de repente: workshop. Imaginem só a motivação dessa turma às nove da manhã. O primeiro convidado é um engenheiro, que explica como serão as mudanças, depois da construção da nova torre, com vista para a ponte estaiada, o novo cartão postal da cidade que, 'coincidentemente', fica ao lado do Shopping Center de Notícias. Durante a explanação, uma novidade: os funcionários perderão parte das vagas do estacionamento. Seguem-se os protestos. Inclusive o meu. Argumentei que virou direito adquirido. Aliás, para fazer a mudança do centro da cidade para a zona sul, um dos atrativos da empresa tinha sido esse: estacionamento grátis. Detalhe, naquela região é praticamente impossível encontrar local pra parar. Portanto, quem tem vagas disponíveis cobra o que quer. Em seguida, várias outras explanações, 'power points' que demoram a funcionar, microfones com volumes diferentes, aquelas coisas de sempre... Ah, intervalos para o café, com suco de laranja, mini croissants, petit four, os clássicos de sempre. Mas a cereja veio no final, com o palestrante convidado: Bernardinho. Ninguém tem dúvidas da competência do técnico supercampeão, certo? Mas, convenhamos, seu método não é muito bacana para ser transposto do esporte para o trabalho. Só para dar um exemplo: a equipe de volei chega no hotel do outro lado do mundo, depois de horas e horas de viagem, várias escalas, etc. Qual é a primeira coisa que Bernardinho pede? Treino. Mas o hotel não tem quadra? Não tem problema, treina no estacionamento. Mas está chovendo? Não tem problema, treina na chuva. E assim ele vai encantando os 'gestores' da corporação, que tiraram um dinheirão do orçamento para pagar o cachê. Isso, se não fizeram algum acordo do tipo 'permuta', 'merchandising', ou outra regalia qualquer. Três frases sintetizam a palestra do craque: "ele (o chefe) foi duro, ele exigiu muito, mas ele quer o seu melhor. Ser eficiente e ocupar espaços é o caminho do sucesso. Foi bom, foi muito bom, mas pode ser melhor." No fim de um ano duríssimo, em que a equipe estava arrasada, que tal uma palestra motivacional dessas?

14 novembro 2009

Era para ser mais uma daquelas entrevistas sonolentas do telejornal cedo da manhã, no início dos anos 2000. Não fosse o convidado, cujo nome sugeri e sobre o qual não houve vetos, na reunião do dia anterior. O convidado era, e ainda é, um dos mais brilhantes intelectuais do país: Fábio Konder Comparato. Doutor pela Universidade de Paris, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra e professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Fundador e diretor da Escola de Governo, que tive a honra de cursar como bolsista, no início dos anos 90 (do século passado!). Ele chegou à redação nova (que os colegas apelidaram de Shopping Center da Notícia) com meia hora de antecedência. Cumprimentei-o e dei a ele um exemplar do Estadão, enquanto esperava. Estavamos no corre-corre do fechamento, eu e a Mônica Waldvogel. E, infelizmente, não pudemos dar ao professor toda a atenção que merecia. Mas os telespectadores deram. E quanta! Quando, já no estúdio, Comparato começou a falar e defender suas teses, o telejornal quase veio abaixo. O apresentador e apreciador de vinhos franceses, californianos, australianos e chilenos arregalou os olhos. A comentarista de economia ficou perdida em meio a seus argumentos privatistas, enquanto o professor discursava, quase sem interrupções. Defendeu a legitimidade do MST, a sindicalização, os movimentos populares organizados. Deu voz à democracia e aos Direitos Humanos, num telejornal pouco habituado ao contraditório. Não é preciso dizer que, depois que a entrevista foi ao ar, levamos aquele 'pito' dos chefes. Depois disso, o professor foi parar no index da emissora, ao lado de outros que não falam aquilo que a Corte gosta de ouvir (é o pluralismo deles). Para quem não conhece, Comparato teve um papel político importante, num dos momentos históricos singulares do país: ele foi um dos advogados de acusação no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Em fevereiro deste ano, o professor me encheu de orgulho, mais uma vez. Desafiou a decadente Folha de S. Paulo, depois de mandar uma carta de repúdio à redação, pela utilização do termo "ditabranda", num editorial. Tenho saudades das aulas do mestre Comparato, tão cheio de lucidez e autonomia intelectual.

13 novembro 2009

Da série ficção. A recente demissão da jornalista foi sem justa causa, como a minha. Uma dispensa sumária, depois de 12 anos de bons serviços prestados à emissora. A colega chegou à redação - nos tempos em que funcionava na região central da cidade - nos anos noventa. Fez a carreira clássica na produção, galgando um a um todos os degraus da hierarquia. Chegou ao principal telejornal da emissora, em São Paulo. Lá trabalhou ao lado dos grandes, compartilhou prêmios e fez até uma importante viagem internacional, financiada pela iniciativa privada, já que a empresa, em crise, não dispunha dos recursos para patrociná-la. Viagem estratégica, que serviu inclusive, de ponto de partida para a Corte decidir, anos depois, pela criação de mais um escritório de correspondente, fechado recentemente. Aparentemente, o erro que ela cometeu não foi jornalístico. Foi estar casada com um jornalista que trabalha na emissora concorrente. Assim que ele foi promovido, para ocupar cargo executivo de caráter institucional, a colega foi comunicada que passaria a dar expediente no jornal rural dos organizações. Há pouco mais de quinze dias foi dispensada, sem mais nem menos. Uma carreira de mais de 10 anos de dedicação não pode acabar assim! Principalmente se o profissional é ético, e sabe guardar informações que interessem única e exclusivamente à firma. Estou certo de que ela encontrará acolhida no mercado, caso queira. Mas estou certo também que perseguir pessoas está mais ligado ao tempo das trevas, marca registrada do Guardião da Doutrina da Fé, e de seus seguidores subservientes, do que à luz, tão necessária para quem gosta e sabe fazer televisão de verdade. Mas se me perguntarem se esse tipo de coisa ainda acontece no Brasil em pleno século XXI serei obrigado a negar.

12 novembro 2009

Desde ontem, no início da tarde, todas as empresas jornalísticas do país sabem que o que desencadeou o apagão na noite da última terça-feira foi algum problema na linha de transmissão entre Foz do Iguaçu e São Paulo, mais precisamente no trecho que liga Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e Itaberá a Tijuco Preto (SP). Há rumores de que a situação naquele trecho é tão crítica - por falta de manutenção desde 1997 - que qualquer brisa pode causar um estrago enorme por lá. Portanto, o que está faltando para uma dessas empresas alugarem um helicóptero e mandar uma equipe para o local, de preferência com um engenheiro eletricista especializado em redes de transmissão a bordo? O que falta é que aquela é uma das regiões mais pobres do estado, esquecida pelo poder público. Lá não existe empreendimentos, patrocinadores, consumidores, nem imprensa. É uma espécie de 'apagão geográfico regional'. Chegar lá é difícil e custa caro. Esta é a grande reportagem que está a espera para ser feita. Quem sabe com um pouco de sorte não tenhamos notícias mais precisas sobre o estado de conservação daquele trecho e mais, o que exatamente aconteceu na noite da última terça-feira. Faz quase quarenta e oito horas que os jornalistas especulam, testam hipóteses, ouvem especialistas (por telefone) e não fazem reportagem. Esse é o jornalismo que fazemos hoje no Brasil, minha gente, e pior, com a minha cumplicidade.

Vivi recentemente uma situação que ilustra bem a dificuldade, também dos leigos, em exercer a função de jornalista. No residencial onde moro há cerca de cem famílias. Numa das reuniões foi decidida a criação de um boletim informativo mensal, batizado de O Pasquim. Não participei da reunião e só vi a primeira edição depois de impressa. Louvei a iniciativa e soube de outros moradores que o boletim é um sucesso. A vizinha, responsável por dar forma final ao jornal, ficou surpresa quando soube que eu era jornalista. Perguntou se eu podia colaborar. Disse que sim, claro! Um dos assuntos do primeiro exemplar do periódico estava relacionado aos limites que precisamos impor às crianças, nas áreas de uso comum no residencial. Como a Alexandra, minha mulher, entende um pouco do tema, ficou curiosa em saber como contribuir com o debate. Conversou com a 'editora' e ficou contente ao saber que poderia enviar sua contribuição no mês seguinte, desde que cumpridas exigências de espaço e prazo de entrega. Quando o artigo saiu publicado, continha pequenas modificações. A Alexandra me consultou para saber como funciona em jornalismo este trabalho de edição. Informei que alterações podem ser feitas para adequar o texto ao espaço, mas é praxe consultar o autor. Quando mandei meu artigo, fiz essa ressalva, no sentido de prestar esclarecimentos sobre como é o nosso trabalho de edição. Mas parece que, pela reação, a editora não gostou muito da 'crítica' que fiz à arbitrariedade da edição. Informar é também uma forma de exercer poder. Por isso, precisamos estar muito vigilantes em relação aos aspectos éticos, para que os colaboradores não se transformem em meros leitores indiferentes. Temos certeza de que este não é o objetivo dO Pasquim.

11 novembro 2009

Esta cobertura sobre o 'novo apagão' será uma boa maneira do público comparar o noticiário, produzido a partir dos jornais da mídia convencional e as informações e análises produzidas pela mídia alternativa. A primeira virá cheia de vícios e conclusões apressadas, típicas dos que já têm um juízo de valor à priori. A segunda, salvo raras exceções, se limitará a apontar os erros da cobertura convencional, sem no entanto acenar para a cobertura que todos estamos querendo. Talvez um caminho alternativo seja consultar o R7, o novo portal de notícias da Rede Record. Hoje cedo, antes das 9h da manhã já tínhamos um resumo factual na home e um vídeo do telejornal São Paulo no Ar, em que o apresentador entrevista ao vivo, por telefone, o presidente da Itaipu. Ali ficamos sabendo que o 'novo apagão' aparentemente guarda pouca relação causal com o anterior. Ficamos sabendo também que a importância relativa da energia produzida pela usina dimunuiu bastante de lá para cá, o que fez diminuir também a nossa dependência. Outra informação relevante é que desta vez não há consumo maior do que oferta, o que é um dado importante para análises sobre o futuro do sistema. E se não houve pane, nem queda de torre, nem algum problema diagnosticável pelo sistema de seguraça, é possível supor até na hipótese de sabotagem. Mas ainda não temos isenção suficiente para procurar causas longe das paixões político-ideológicas, infelizmente.

10 novembro 2009

Da série ficção. É de manhã. Início dos anos dois mil. O colega senta-se na mesa ao lado da minha, pega o telefone e disca para a assessoria de imprensa de uma grande montadora de veículos. Procura o assessor e explica que está querendo comprar um carro daquela marca e pergunta o que o sujeito pode fazer por ele. Não ouço o que diz quem está do outro lado da linha, mas depreendo que a proposta é a seguinte: com o dinheiro na mão o repórter deve procurar a concessionária mais próxima e fazer a encomenda (o modelo que ele quer é especial e não existe pronta-entrega). O desconto combinado será de 30%. Não parece nada ilegal. Tudo é feito às claras, por telefone. Fazer negócios, pedir descontos, o mundo é assim, não é mesmo? Além do que, outras montadoras também oferecem desconto para jornalistas. Pode não ser ilegal, mas é imoral. Por quê? Porque, na melhor das hipóteses, o jornalista terá uma dívida de gratidão com o assessor, que não terá dúvida em acioná-lo se, por acaso, seu patrão tiver algum interesse a zelar no noticiário da hora do jantar. Aqui cabe uma pausa para contextualização. As montadoras de veículos, ao lado dos bancos e da indústria de bebidas, são os maiores patrocinadores de uma emissora de televisão. Tudo bem, esse tipo de privilégio faz parte do mundo atual, todo mundo faz, o assunto divide opiniões... ok. O que dizer então da montadora -- não necessariamente a mesma -- fazer um lançamento mundial da marca destinado ao público 'A' e 'escalar' um repórter badalado, que tem livre trânsito com fotógrafos das revistas de celebridades, para rodar gratuitamente com um veículo desses 'zerinho', pelas noitadas da cidade. E mais, se gostar, depois do período de 'ambientação', pode ficar com o modelo, pela metade do preço. Ele empresta sua imagem ao principal telejornal da emissora, cobra por isso -- está certo que bem pouco, é verdade -- e tira uma vantagem por fora. O que está em jogo, mais uma vez, é uma profissão cuja finalidade é servir ao interesse público, por meio de uma concessão. Que responsabilidade o sujeito tem, ou deveria ter? Se queremos discutir um país melhor, uma sociedade mais justa, devemos ou não nos debruçar sobre estes tipos de 'desvio'? Mas se, ainda assim, alguém perguntar se isso acontece mesmo nos dias de hoje, com repórteres e apresentadores, eu nego.

09 novembro 2009

Jabá é como nós jornalistas chamamos agrados distribuídos aos colegas, em troca ou não de alguma compensação. As principais vítimas são produtores e repórteres (porque estão na linha de frente). O jabaculê (nome completo) é antigo, dos tempos em que as gravadoras pagavam para determinada música tocar no rádio. Há quem diga que ainda hoje a radiodifusão - principalmente nos rincões - só sobreviva graças a ele. Parece que alguns programas de auditório na televisão também utilizam o mesmo expediente, para promover determinados artistas. Algumas emissoras foram além e descobriram um bom filão de mercado e 'profissionalizaram' o jabaculê. Dão a ele o pomposo nome de 'merchandising', que no fundo, no fundo é a mesma coisa, só que - pelo menos - ficou explícito. É o sabonete da atriz da novela, a margarina do café da manhã, etc... Mas o jabá a que me refiro é de outro tipo. Chega na forma de press kits (aquelas pastinhas distribuídas a repórteres, comuns em entrevistas coletivas). Podem conter um bloco com capa de couro e caneta importada, um álbum de fotos, uma gravura, uma aquarela... Às vezes vêm na forma de presentinhos distribuídos nas grandes redações em datas comemorativas. Na páscoa, chocolates, nas noites frias de plantão, pizzas, nas tardes frias de inverno cestas de pães... No Natal então, dá até vergonha. Sempre achei este tipo de abordagem constrangedora mas, infelizmente, se tornou praxe na estratégia de ação das assessorias de imprensa. O resultado é a criação de um vínculo, mesmo que indireto, entre o profissional e a fonte. Quando trabalhava naquela que já deteve o monopólio da comunicação no país, e ainda hoje captura 3 de cada 5 brasileiros sintonizados no horário nobre, era comum aparecer com certa frequência duas 'floristas' e suas orquídeas. Era impossível ficar indiferente a tantos vasos de flores. Uma mais bonita do que a outra. Era apenas um 'mimo', uma 'gentileza', que certarmente custava... e alguém pagava. Talvez todos nós, para desespero da plebe. Seria uma medida saneadora importante se um dia um desses gestores, cultivados na selva do mundo corporativo, determinasse a proibição desse tipo de prática de claro efeito deletério. Mas, quem sabe, fazer vistas grossas também não custa?

08 novembro 2009

Da série ficção. Vamos imaginar que um jornalista que é repórter, com o tempo vire apresentador de televisão. Digamos que esse profissional tenha conhecido e se encantado por vinhos. Suponhamos que desse hobby tenha surgido uma oportunidade de se transformar em comentarista e até em meio de se fazer reportagens especiais sobre adegas e casas vinícolas em todo o mundo, caso quisesse. Digamos que um grupo de apreciadores, sommeliers e enólogos, tenha se reunido em torno de uma confraria, para ao lado do jornalista, degustar vinhos raros, de safras especiais, etc... Com o tempo o grupo descobriu que era possível classificar um paladar adaptado ao país e fazer 'harmonizações' com a culinária típica brasileira, ou mesmo com a culinaria internacional, de excelência. A paixão virou negócio. As pequenas compras viraram importações em boa escala. A especialização permitiu até conquistar representações exclusivas no Brasil de vinhos californianos e australianos, por exemplo, bem adaptados ao calor dos trópicos. Aí eu pergunto: seria possível ao jornalista - a essa altura - exercer sua profissão, sem que houvesse conflito de interesses? Senão, vejamos: O repórter sugere ao apresentador uma reportagem especial sobre a qualidade dos vinhos gauchos, que passaram a ter relevância internacional, com melhoria no plantio, fabricação e envelhecimento. A pauta é vetada. Numa outra ocasião, outro repórter sugere uma reportagem especial sobre o desafio de se plantar uvas e produzir vinhos no sertão pernambucano. A resposta mais uma vez é negativa. Curioso é que esse mesmo telejornal se dá ao luxo de enviar um jornalista para o Chile, para contar a história de uma tradicional casa vinícola daquele país. Tempos depois, mais curiosamente ainda, os experts passam a oferecer no mercado vinhos de origem chilena, sempre elogiados pelo comentarista. Há ou não um tráfico de influência e, consequentemente, um conflito de interesses? O público, sedento por informação sobre vinhos de qualidade ganha ou perde com isso? Discutir uma concessão pública, sobretudo quando o que está em jogo é o acesso à informação, na medida do possível, imparcial e isenta, passa ou não por isso? Quem emprega, quem faz vistas grossas, quem bajula e quem aceita, é ou não, conivente na melhor das hipótes, e cúmplice, na pior delas? Portanto, um jornal que é feito atendendo aos interesses particulares - de um pequeno grupo - deve ou não ter nosso respeito e credibilidade? Se alguém me perguntar se isso acontece no nosso país nos dias de hoje, eu nego.

07 novembro 2009

A Inquisição começou depois das eleições de 2006. O abaixo-assinado foi o instrumento utilizado pelo Guardião da Doutrina da Fé para identificar os 'hereges'. Nem todos tiveram rito sumário. Uns, por exemplo, foram trancados no calabouço. Foram os casos de Carlos Dorneles, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, eu e outros, que não convém apontar, por razões óbvias: eles continuam amordaçados lá dentro. Mas a pena imposta não foi o bastante para isolar 'os rebeldes', que ainda assim resistiram, mesmo atuando em telejornais menores, com reportagens insignificantes. O mal estar era geral. Conforme os contratos de 'pessoa jurídica' (qualquer hora explico melhor este instrumento de trabalho) iam expirando, as organizações informavam que não tinham interesse em renová-lo, como fizeram com o Rodrigo. No caso do Azenha, o espinho estava entalado na garganta. O portal das organizações hospedava o blog do colega, que confrontava o departamento de jornalismo sem dó (espécie de Giordano Bruno, na imagem retratado por André Durand). Foi a partir do blog que ele conseguiu costurar um acordo. Na mesma ocasião, tentaram minha remoção definitiva para o jornal cedo da manhã, aquele a partir do Rio. Informei que não aceitaria, porque não tinha mais interesse em acordar às 3h, em Vinhedo (75 km de São Paulo), mesmo que um carro da emissora fosse colocado à disposição. Dorneles foi acolhido no jornal rural, que ainda hoje mantém viva uma espécie de 'reserva de valor' do telejornalismo brasileiro. Outros foram se acomodando como puderam e desistindo aos poucos da luta. Só para contextualizar, a Inquisição data de pouco mais de mil e cem anos a partir da morte de Jesus de Nazaré. Como ele prevera, muitos morreriam em seu santo nome. O Tribunal da Inquisição foi usado, em nome do Cristo, pela Igreja Católica, para averiguar denúncias de heresia, feitiçaria, bigamia, sodomia e apostasia (ato de desviar-se ou afastar-se do relacionamento com Deus). As penas variavam do confisco de bens à perda da liberdade, até a morte, não só na fogueira, apesar desta ter-se consagrado. Aqueles que apontavam os 'hereges' adquiriam status e privilégios na comunidade (corporação). Com o passar do tempo, a Inquisição se transformou numa instituição complexa, com objetivos ideológicos, econômicos e sociais, consciente e inconscientemente manifestos. Até o rigor e coerência também tornaram-se variáveis, conforme a ocasião. Por isso, qualquer semelhança histórica por aproximação é bastante cabível.

06 novembro 2009

Tinha acabado de chegar de férias feliz e bronzeado. Uma das colegas editoras de texto me puxou num canto e disse: - Preciso te contar o que aconteceu na sua ausência, por uma questão de lealdade. O diretor de jornalismo (aquele que fora afastado anos antes, lembram-se?) distribuiu a todas nós um bom aumento de salário. A coordenadora teve seu salário aumentado substancialmente porque, por causa de um desvio qualquer, ganhava menos do que a editora de polícia (apelidada carinhosamente de delegada). Nós outras três editoras também tivemos salários equiparados em duas faixas. Agora, há apenas três faixas salariais na edição do principal telejornal da emissora. E não acho justo que você fique na base. Afinal, você é o editor de economia e já passou ileso por várias funções importantes e perigosas aqui dentro. Mal ela terminou de falar, estava tomado por um acesso de fúria. Esperei passar o calor e fui de encontro ao diretor, no aquário que fica no fundo da redação. Aliás, chamar essas salas de vidro de aquário, não é ótimo? Chegando lá o 'peixão' se levantou, me cumprimentou e perguntou como foram as férias, o que fiz, essas amenidades... Assim que deu a deixa perguntei por que todas as colegas haviam sido agraciadas com aumento de salário, menos eu. Ele coçou a cabeça.... puxou uma pasta preta de uma gaveta, consultou-a e disse: - Você tem um dos maiores salários da redação. O que estamos fazendo é regularizar a situação da 'praça', que ficou completamente desorganizada na outra gestão. Eu respondi: - Ainda assim, não acho justo. Há um ano e meio, desde que vim para este telejornal tenho pedido aumento de salário. Minha responsabilidade aumentou e a dedicação ao trabalho também. Acho que isso deveria ser reconhecido. Ele pediu para eu ter paciência, mas naquele momento a situação era irreversível. Quando voltei à mesa fui interpelado pela coordenadora do jornal: - E aí? Eu respondi: - E aí, que ele é um gestor inábil. Se ele tivesse me dado uma letrinha (3%) eu estaria feliz e quietinho. Como é incompetente, preferiu dividir o grupo e, ao dividir o grupo, mexeu com a motivação das pessoas. Mas não tem problema. Eu supero essa, como já superei tantas outras injustiças na carreira. Daquele momento em diante passei a cultivar meus cabelos longos. Ganhei diversos apelidos: Odair José, Beiçola, índia velha. E transformei a derrota em diversão. E pensar que meu silêncio obsequioso já custou tão pouco à Corte do Cosme Velho: R$ 240,00 de aumento salarial...

05 novembro 2009

Extra! Extra! Mais ficção. Aquela repórter que estava exilada deixou o esporte bretão. Agora joga como meia-ofensiva no canal a cabo da emissora, a partir da ibéria. O filho (aquele) está em Washington, estudando (pasmem) a soldo do pai! Finalmente... Informações que partem do Jardim Botânico dão conta de que a rainha da inglaterra lavou as mãos e entregou seus amigos mais próximos às feras. Parece que há em curso uma operação salve-se quem puder. E para livrar o próprio pescoço da forca, avisou: - Não contem comigo (uma espécie de esqueçam o que escrevi). O problema é que muita gente pode ficar ressentida com esse tipo de atitude individual e egoísta. Está certo que parte dos esqueletos é problema da Corte do Cosme Velho, não dos seus vassalos, exclusivamente. Mas quando o vendaval chega, costuma ser implacável e arrastar tudo. Mas se alguém perguntar se é verdade, eu nego.

04 novembro 2009

Da série ficção, a preferida dos internautas. Estamos às vésperas das eleições para o Governo do Estado de São Paulo, em 2006. O apresentador do principal telejornal local da 'praça', chega cedo para preparar a entrevista com o candidato da vez: José Serra. É uma fórmula consagrada pela emissora. Os postulantes que pontuam nas pesquisas de opinião têm direito a uma entrevista induvidual, desde que aceitem, num documento escrito e assinado, as regras discutidas pelas assessorias em comum acordo com a emissora. Todos têm o mesmo tempo e editores e apresentador formulam as perguntas. É uma espécie de pinga-fogo. Fim de tarde, o candidato tucano chega e é recebido pelo diretor de jornalismo (aquele que fora afastado anos antes, lembram-se dessa história, né?). Os dois passeiam pela redação. Serra é recebido com deferência por uns, e com indiferença pela maioria. Ainda assim cumprimenta colegas do telejornal tarde da noite, dá beijinhos nas moças, sorri (o que é surpreendente) e tira fotos com o pessoal 'da base da categoria'. Depois, caminha para a maquiagem, de onde seguirá para o estúdio. Pouco antes das sete da noite o telejornal está no ar. O apresentador dá algumas notícias, apresenta o convidado e chama a entrevista, em instantes. No intervalo, recebe um impresso na bancada e uma ordem da direção, no ponto eletrônico (aquele aparelho auditivo por onde o editor-chefe ou executivo 'canta' as páginas, nos intervalos). Naquele papel, nas mãos do apresentador, estão as perguntas que o jornalista deverá fazer ao candidato, preferencialmente naquela ordem. Ele fica sem ação, mas cumpre o script rigorosamente. Ao deixar o estúdio depois, contrariado, desabafa para um pequeno grupo de interlocutores: - Isso nunca aconteceu comigo, de receber as perguntas prontas. Com nenhum outro candidato foi assim! Eu vou além. Em tempo algum foi assim. Nunca antes na história deste país houve ação tão ostensiva por parte da direção, com vistas a que nada desse errado para os candidatos da casa naquela eleição. Digo candidatos da casa porque, apesar de nunca admitirem publicamente, as organizações têm sim compromisso com aquele projeto político. E as implicações vão além de meras preferências políticas, que para eles é coisa de intelectual utópico e idealista ingênuo. O que fala aqui é de dinheiro. E não é pouco... Se perguntarem se isso aconteceu mesmo, eu nego.

03 novembro 2009

Passei o último fim de semana no Rio de Janeiro, que costumo chamar de balneário, aqui no blog. Estive com amigos e colhi impressões sobre a cidade e sobre o trabalho que tenho feito pela internet. Um dos formadores da minha opinião (eu tenho meus formadores de opinião, é claro, ninguém é uma ilha), pois bem, ele me disse que balneário não é o melhor adjetivo para a cidade maravilhosa. Para uma parte dos moradores, me diz, balneário é pejorativo, significa: estância, local apenas de lazer e diversão, não lugar de trabalho. Ponderei que balneário pode ser todo o local destinado a banho: praias, represas, rios, estâncias termais e climáticas, mas também destino importante, turístico, glamuroso. Mas não o convenci. Sendo assim, acho que devo desculpas aos cariocas. Quando digo balneário no blog, pretendo - por exclusão - me referir apenas a uma 'casta', que acha que a zona sul do Rio é capaz de refletir a realidade de todo país. O que é um erro. Ao acreditar nisso, a televisão distorce e vende um modo de vida que não existe no restante do Brasil. A zona sul é um oásis, cercada de pobres e pretos, alguns até de 'alma branca', o que é muito triste. É uma região tão segregada do restante que, curiosamente, até o carioca do subúrbio não trata o carioca da zona sul, como um carioca autêntico. Muitos cariocas da zona sul são militares e funcionários públicos aposentados. Estes sim levam uma vida de balneário! Outros, são políticos, empresários e as celebridades - cercados de pessoas à sua volta, a serví-los. Estes outros também levam uma vida de balneário. Sobram os migrantes: nordestinos, mineiros, paulistas, gauchos... que dão duro para conseguir um cantinho na praia aos domingos. Adoro o Rio. Adoro o jeito carioca de ser: descontraído, bem-humorado, malandro, no bom sentido. Mas pessoas que olham as outras de cima para baixo, pessoas que avançam o sinal fechado e a faixa de pedestres, pessoas que estacionam no meio da rua, furam fila e esnobam as outras, só porque acham que são mais importantes... Essas não vivem na realidade, vivem sim num balneário (no sentido pejorativo da palavra).

02 novembro 2009

Carapuça é um capuz de forma cônica usado no período da Inquisição, como forma de ridicularizar condenados em praça pública, antes dos julgamentos. Vem daí a expressão "vestir a carapuça" com o sentido de "assumir a culpa". Na ficção não somos obrigados a guardar correspondência com a realidade, necessariamente. Ela pode apenas servir como pano de fundo, fio condutor, ou mesmo de sinal trocado, falseando ou ocultando parte da realidade. Quando o sujeito "veste a carapuça" é quando ele se vê retratado naquela história, mesmo que a correspondência não seja direta (só o é para ele). Neste caso, por mais que ele fique irritado, incomodado, desconfortável, não há muito o que fazer, porque qualquer reação pode ser reveladora. Portanto, quando o sujeito veste a carapuça, mas não pode admití-lo, em geral, reage assim: primeiro, tenta desqualificar em público aquele que o critica e, depois, tenta de alguma forma mostrar ao crítico que foi atingido. Só que, como não pode se revelar, tem duas opções: ou pede para alguém fazer o serviço para si, ou o faz sozinho, mas tentando manter o anonimato. Ambos os gestos demostram covardia, típica de quem não aceita a crítica, por mais justa e dolorida que ela possa ser. Os covardes adoram viver encastelados e bajulados. São inseguros, sem auto-estima e infelizes. Quando se sentem atingidos, geralmente perdem a cabeça. E ao perder a cabeça fazem bobagens, das quais se arrepende depois. Ou não... A forca, mesmo que tardia, costuma ser mais dolorosa para esse tipo de gente.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | JCpenney Printable Coupons