
- Não podemos ir a campo em 2010 com essa metodologia!
- Como assim?
- Ela contém desvios. As projeções demonstram que há cinco percentuais, além dos dois da margem de erro.
- Não se preocupe, com o passar do ano, conforme for aumentando a frequência de divulgação, nos vamos calibrando. Em 45 dias a curva volta para o centro.
- Acho que dessa vez não vai funcionar. O fator de convergência do eleitorado não é mais tão seguro. Os agentes formadores de opinião mudaram. A relevância das sondagens diminuiu. Nosso poder de influenciar os indecisos é menor. É muito arriscado.
- Você não está entendendo, não podemos mudar a metodologia agora. O custo operacional seria altíssimo. Em 2006 deu certo.
- Deu certo porque você disse a eles que a diferença entre os dois primeiros era grande demais e não adiantaria movimentar o eixo fora da margem, e eles engoliram.
- Eu sei. Eu sei, mas desta vez eles não vão aceitar. Estamos no meio de uma guerra e eles vão precisar de todas as armas que tiverem.
- Eu não concordo. E digo mais, estou fora.
- Como assim, estou fora?
- Não vou jogar 20 anos de reputação no lixo. E quer um conselho? Se der errado, você pode ir parar na cadeia.
- Eles são nossos parceiros. Mais da metade da nossa receita vem deles e da promoção indireta que fazem da gente. Não posso 'roer a corda' agora...
- Acho que deveria pensar bem, qualquer estatístico que confrontar a tabulação com a metodologia vai encontrar os desvios. Desculpe, mas não conte comigo desta vez. Pode ficar tranquilo que ninguém lá fora vai ficar sabendo disso, mas em janeiro estou fora.
O diálogo acima é tão factível, mas tão factível que muitos internautas vão achar que:
a. tenho uma fonte lá dentro
b. sou estatístico nas horas vagas
c. pratico escuta ambiental
d. faço ficção
e. Nenhuma das respostas anteriores
Eu fico com a alternativa 'd', de dado.
E se alguém perguntar se é verdade, eu nego.


































