
Exmo.
Sr. Presidente do Senado da República Federativa do Brasil
José Sarney de Araújo Costa
Vimos por meio desta, o povo brasileiro e eu, aconselhá-lo a deixar o poder. Lemos hoje seu artigo na Folha de S. Paulo e entendemos que a disputa política é cruel. Mas entendemos também que vossa excelência, hoje no papel de vítima, já teve seu momento de algoz.
O que talvez os políticos, em geral, e vossa excelência, em particular, ainda não tenham percebido é que o país está mudando. Já não há mais espaço para a política feita à base do compadrio, do tráfico de influências, da contratação de cabos eleitorais e da compra de votos.
Os eleitores hoje têm mais acesso à informação, de fontes diversificadas, e escolheram mudar. Ainda vai levar um tempo, todos sabemos, mas exigimos de vossa excelência o exemplo.
Renuncie ao cargo, se desfaça de todo patrimônio que acumulou, apropriando-se da coisa pública como se fosse privada. Nós sabemos que a culpa não é só de vossa excelência, é uma questão cultural, sempre foi assim. Mas não queremos que seja mais. Estamos decididos.
Devolva ao estado o prédio da Fundação Sarney. Renomeie as ruas, avenidas e viadutos do seu querido Maranhão com nomes de figuras importantes, outros imortais da Academia, como vossa excelência ou, até mesmo, políticos importantes da história do nosso país.
E, de quebra, doe seu monumental acervo de arte sacra para as igrejas e os museus de Minas Gerais, que assim poderão recontar parte importante da história que está se perdendo, por falta de obras que vossa excelência guarda apenas para os apreciadores mais íntimos.
Estamos certos de que a sociedade saberá pagar um tributo à altura de sua grandeza. E, no futuro, os verdadeiros amigos (que são muito poucos) e principalmente sua família, entenderão que tudo o que vossa excelência fez foi se colocar acima dos interesses pessoais e patrimonialistas, em benefício do seu povo.
Caso vossa excelência não saiba, o Amapá, estado que lhe concedeu os votos para ocupar a cadeira no Senado, é o estado menos povoado do país. Lá ainda há recusos naturais abundantes e certamente o acolherá, como um filho, para que possa se dedicar integralmente à arte da escrita, que convenhamos, vossa excelência exerce como poucos.
Com a sinceridade de seus,
Brasileiros e Brasileiras
por Marco Aurélio Mello.
















