25/06/2009

É impossível ficar indiferente:
"Tem razão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar, embora pela lógica do absurdo, que José Sarney não pode ser julgado como um homem comum. É verdade. O homem comum, esse que acorda cedo para trabalhar, que parte da perspectiva diária da labuta incerta pelo alimento e pelo sucesso, esse homem, que perde horas no transporte coletivo e nas muitas filas da vida para, no fim do mês, decidir-se pelo descanso ou pelas contas, esse comum é, basicamente, honesto e solidário. Sarney é o homem incomum. No futuro, Lula não será julgado pela História somente por essa declaração infeliz e injusta, mas por ter se submetido tão confortavelmente às chantagens políticas de José Sarney, a ponto de achá-lo intocável e especial. Em nome da governabilidade, esse conceito em forma de gosma fisiológica e imoral da qual se alimenta a escória da política brasileira, Lula, como seus antecessores, achou a justificativa prática para se aliar a gente como os Sarney, os Magalhães e os Jucá." Quem sabe a estupidez do nosso presidente, neste caso, nos sirva de remédio contra o mal que essa elite arcaica, patrimonialista, truculenta e autoritária não seja o degrau que a sociedade precisa vencer para alcançar um país menos injusto lá na frente. Queira Deus que sim... Para ler mais:
http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4381

23/06/2009

Desde que o Pedro nasceu, toda vez que encontro pai ou mãe frescos faço a mesma pergunta: - Você gosta dele (a)? A pergunta de tão óbvia parece estúpida. O curioso é que ao longo desses quase treze anos, é raro receber uma resposta igual a outra. Silêncios foram vários, do tipo irritado, indignado, surpreso, receoso, cauteloso, sorridente, emocionado... Respostas então, nem se fale. O fato é que, por mais estúpido que possa parecer, é uma pergunta essencial. Não dá para ficar indiferente. E revela muito do pai e da mãe naquele momento. Porque a relação com o bebê recém nascido não é amor o tempo todo e é esse o ponto que quero insinuar com a pergunta. Por isso, a pergunta pode ser provocativa, acusadora, inconveniente. Mas é a pergunta que a gente vai se fazer uma vida inteira.
E você, gosta dele (a)?

Rebento, por Gilberto Gil
Rebento: subtantivo abstrato
O ato, a criação, o seu momento
Como uma estrela nova e o seu barato
que só Deus sabe, lá no firmamento
Rebento: Tudo o que nasce é Rebento
Tudo que brota, que vinga, que medra
Rebento raro como flor na terra,
rebento farto como trigo ao vento
Outras vezes rebento simplesmente
no presente do indicativo
Como as correntes de um cão furioso,
ou as mãos de um lavrador ativo
às vezes mesmo perigosamente
como acidente em forno radioativo
às vezes, só porque fico nervoso, rebento
às vezes, somente porque estou vivo!
Rebento, a reação imediata
a cada sensação de abatimento
Rebento, o coração dizendo: Bata!
a cada bofetão do sofrimento
Rebento, esse trovão dentro da mata
e a imensidão do som nesse momento...

Já falei anteriormente como (com o apoio de nós jornalistas e de viagens pagas pelo governo daquele país) ajudamos a criar a Disney dos adultos. O jornal inglês The Independent traz uma reportagem enorme contando como a crise econômica mundial atingiu em cheio aquela que ficou conhecida como a Shangrilá do século XXI. Destaquei apenas um trecho. O texto inteiro está no atalho, em seguida: "É abril de 2009 e alguma coisa está mudando no sorriso do xeque Mohammed. Entre os guindastes espalhados por toda parte, muitos estão paralisados, como que perdidos no tempo, e há inúmeros canteiros de obras inacabados, num abandono completo. Nas construções mais arrojadas - como o hotel Atlantis (da foto), o pantagruélico castelo cor-de-rosa erguido numa ilha artificial em mil dias, ao custo de 1,5 bilhão de dólares - o teto está caindo aos pedaços. Nessa Terra do Nunca edificada num extremo do mundo, as rachaduras começam a aparecer. Dubai é uma metáfora viva do mundo globalizado neoliberal que pode estar desmoronando."
http://www.independent.co.uk/opinion/commentators/johann-hari/the-dark-side-of-dubai-1664368.html

22/06/2009

Atenção, gente, essa história do Irã nós já vimos antes, no Iraque. Se os protestos aumentarem, o que deve acontecer, o governo vai perder legitimidade e poderá ser deposto. Se resistir, o país ficará divido. Uma batalha sangrenta começará. Caso o conflito não se resolva internamente, o país será invadido por "forças de paz". Centenas de milhares de iranianos inocentes morrerão, como foi na guerra de oito anos contra o Iraque. O novo governo terá que assumir compromissos claros com o ocidente, como por exemplo abandonar fonte alternativa de energia, que coincidentemente é também de poderio bélico: a tecnologia nuclear, que todas as grandes potências têm. E, mais uma vez, o "bem" vencerá o "mal". E nós ocidentais vamos dormir tranquilos, acreditando em "Ação de Graças", "Papai Noel", "Coelhinho da Páscoa". Quanto mais pregamos a paz, mais nos distanciamos dela, infelizmente.

21/06/2009

Os anos passam e nós jornalistas (agora sem diploma) não aprendemos.
A situação no Irã é delicada demais para a gente aqui tão longe tomar posição.
A imprensa ocidental informa a realidade sob a ótica e os interesses do ocidente.
É óbvio que não endosso nenhum governo autoritário e repressor.
E tenho dificuldades em entender certas religiões, como a islâmica xiita, que é praticada pela grande maioria do povo daquele país de 80 milhões de habitantes.
Mas, se há uma ação extremada de uma lado, a consequência é uma reação extremada de outro.
Oras, porque então nós noticiamos os encândalos sem contextualizar?
Não passou pela cabeça de ninguém que os tiros podem ter partido de extremistas da própria oposição?
Numa guerra (e esta é uma guerra de informação, ousaria dizer a primeira com o recurso do tempo real via internet), numa guerra, a primeira vítima é a verdade.
Se às vezes não conseguimos contar com isenção um fato passado conosco, como ousamos julgar vendo a realidade pela lente dos outros, a quilômetros e quilômetros de distância?
É por isso que somos tão impotentes diante da miséria e da fome no mundo (mais de 1 bilhão de pessoas!) E aceitamos calados que se mate um semelhante por uma causa qualquer? Pobres de nós....

19/06/2009

O sujeito demonstrou ter o domínio da capacidade de convencimento de seu povo. Não precisamos, nem queremos, que todos concordem com o que ele disse. Mas o que o Aiatolá Khamenei deixou muito claro, claríssimo, é que conhece bem o sentido da Revolução Islâmica, que derrubou o regime corrupto dos xás (imposto pelo Ocidente, diga-se de passagem) e sabe que a divisão interessa mais ao inimigos do Irã do que a seu povo. Se ele está certo ou errado, só a história dirá. Enquanto isso, vale a pena se deliciar com o luxuoso artigo de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa no blog do Noblat, aqui: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/

18/06/2009

Ainda estamos todos embaraçados com a decisão do STF de derrubar a exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Começei a fazer jornal antes ainda de entrar na faculdade. Claro que precariamente, num mimeógrafo (mime... o que?). No primeiro ano do curso, na Metodista, não sei se os colegas vão se lembrar, um professor entrou na sala e disse: - Quem é a favor do diploma de jornalista levante a mão! (A grande maioria). - Agora, quem é contra? (Alguns gatos pingados, entre eles, eu, já com 21 anos, um veterano, numa classe de 50 em que alguns tinham apenas 17! Pois é, argumentei naquela ocasião que um jornalista não precisava de diploma. Aliás, como bem aconselhou meu pai naquela época, deveria fazer Direito e poderia ser qualquer coisa na área de humanas. Havia entrado em Filosofia, na PUC, em segundo lugar, mas não tive coragem de fazer a matrícula. Afinal, o que faz um filósofo, num momento histórico em que a humanidade está mais preocupada em ter, do que ser? Mas isso é papo para outra hora... Voltando ao meu ponto anterior, qualquer pessoa que tenha um razoável conhecimento da língua, seja curioso e bem informado (no sentido humano da palavra) pode exercer a profissão. E já é assim, na prática. Para quem quiser se aprofundar um pouco mais no tema, aconselho a leitura do artigo da Ivana.
Boa leitura!


http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4322

17/06/2009

Quem me garante que a mosca do Obama não foi adestrada pela CIA? No papel de jornalistas, agora sem diploma, nunca podemos nos esquecer de que um dia seremos fonte de informação de historiadores. Como já se sabe que a história é sempre contada pela ótica do vencedor, é preciso cuidado. Precisamos perseguir obstinadamente fontes alternativas e versões diferentes sobre os mesmos fatos. Precisamos deixar a preguiça de lado e procurar informações complementares a determinados temas. E lembrar sempre que não existe apenas uma opinião ou consenso. A internet tem permitido esta diversificação de fontes de informação como jamais imaginamos. O segredo está em filtrar essas informações, confrontar fatos e hipóteses e checar, checar, checar. E jamais ter vergonha de admitir que se precipitou e errou.

Curtas do Irã:
Você sabia que menos de um terço dos jovens de 18 a 24 anos têm acesso à Internet no Irã?
Você sabia que o perfil desses jovens é de classe média-alta, estudantes universitários e profissionais liberais?
Você sabia que uma pesquisa de intenção de voto patrocinada pelo Rockefeller Brothers Fund e feita nas 30 províncias dava a vitória de Amadinejad no primeiro turno, com mais de 60% dos votos?
Você sabia que a CIA é acusada por botar 400 milhões de dólares ilegalmente no Irã para patrocinar a campanha da opisição nas eleições e fazer eclodir essa "onda de liberdade", a exemplo do que já fez na Geórgia e Ucrânia?
Você sabia que a revolução islâmica, que completa 30 trinta anos, derrubou o regime dos xás, imposto pelos americanos?
Você sabia que o Irã tem a quinta maior reserva de petróleo do mundo?
Você sabia que os ideais ocidentais são: fama e dinheiro?
Você sabia que o Império Persa remonta uma das civilizações mais antigas do planeta, 2000 a.C.?

Ainda sobre o tal Jornalismo Justiceiro, destaco uma frase do atual presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, em homenagem ao querido amigo, Newton, do http://expatriatedinlondon.blogspot.com/: "A concentração e confusão de poderes reproduzem dois fenômenos gêmeos, funestos para a ordem democrática: a apatia popular e a busca de heróis vingadores, capazes de limpar a cidade (ou o País), ainda que isto custe a devastação das garantias individuais. Nesta cruzada antidemocrática, militam os agentes da lei, que fazem gravações clandestinas ou inventam provas, e os jornalistas que, em nome de uma "boa causa", tentam manipular e ludibriar a opinião pública."

16/06/2009

Um novo formato de reportagem acaba de nascer. Fruto da crise econômica mundial, que atingiu em cheio a maneira de pensar e fazer imprensa, principalmente nos Estados Unidos. É a reportagem investigativa terceirizada. Funciona assim: o sujeito chega, oferece a investigação e você compra, ou não. A agência de notícias Associated Press, que distribui conteúdo para o mundo todo, informou que vai levar aos seus mil e quinhentos clientes, a partir de agora, reportagens investigativas feitas por quatro grupos que já produzem este tipo de material sem fins lucrativos. Espera assim preencher uma lacuna criada nas redações, que desistiram que manter um profissional geralmente caro, porque passa um tempo muito grande dedicado a um único tema. Estes novos parceiros terceirizados são mantidos por fundações, normalmente financiadas por homens ricos e entendiados com tanto dinheiro (o famoso terceiro setor). Aqui, o que está em jogo, na minha opinião, é a independência. Digamos que uma fundação de amparo a ex-dependentes químicos "patrocine" uma reportagem investigativa sobre narcotráfico. É bem razoável, podemos supor. Minha dúvida é se a reportagem investigativa privilegiará algumas informações que ajudem a contextualizar a questão do narcotráfico, como por exemplo, a pobreza dos paises produtores e a riqueza dos países consumidores. Sem contar os interesses de quem, por um lado, financia e, por outro, combate. É uma discussão e tanto... Se considerarmos que hoje já não é assim, pode ser que pior não fique. Até melhore. Jornalismo Investigativo sempre me causou desconforto. Acho que é uma maneira de fazer justiça precipitadamente e, quase sempre, para atender a interesses que a fonte raramente confessa, por ser parte interessada. É o que apelidei de Jornalismo Justiceiro, quando estava na TV Globo.

15/06/2009

Digamos que não soubéssemos de quem partiu a frase abaixo.

"O Brasil vai fazer todas as incursões que precisarem ser feitas para estabelecer as melhores relações com todos os países do mundo, e o Irã é um deles."
Poderíamos concluir que:

A. O Brasil está se tornando um grande "player" internacional.
B. A tolerância é o passo mais importante para o diálogo.
C. O que o Irã precisa é de bomba.
D. Um país com aquele presidente não merece respeito.
E. O islamismo não tem espaço no mundo moderno.

Como sabemos que quem disse a frase acima foi o presidente do Brasil, vai virar Fla-Flu. Uns vão achar o máximo, outros um absurdo. Definitivamente, não dá para construir um país sério com uma opinião pública bipolar desse jeito!

10/06/2009

Já disse aqui que o jornal espanhol El País é considerado um dos melhores do mundo. Abaixo, a cobertura do caso do blog da Petrobras por quem não se dá ao luxo de escolher um lado antes de apurar. Acho que esta é a melhor maneira de ficar do lado certo, o lado do leitor:
"Sirviéndose de las nuevas posibilidades que brinda Internet, la multinacional brasileña Petrobras, una de las seis mayores empresas petroleras del mundo, acaba de lanzar un polémico blog titulado Hechos y datos. Mientras ellos lo califican de "novedad democrática", los medios de comunicación lo denominan "chantaje informativo". Para unos, el blog es genial; para otros, es diabólico.
Carlos Alberto di Franco, director del Instituto Internacional de Ciencias Sociales, consultado por el diario O Globo, juzga que el blog 'no es ilegal, pero desde el punto de vista ético y de colaboración con los medios de comunicación, atropella el proceso informativo de forma inédita'. Más duro fue este martes el editorial del mismo diario titulado Ataque a la prensa, que afirma que Petrobras, con su blog, "ha herido a la Constitución".
La petrolera estatal decidió abrir el blog tras la creación, en el Congreso brasileño, de una comisión parlamentaria sobre la empresa, para investigar denuncias de presuntas irregularidades en la administración de Petrobras y de un presunto uso indebido de ayudas a ONG por parte del Gobierno. En el blog se publican todas las preguntas que les formulan los periodistas y las respuestas a las mismas antes de que hayan sido utilizadas y publicadas por los medios.
De ese modo, primero, los periodistas de otros medios pueden saber las preguntas que está formulando la competencia; segundo, pueden ser conocidas, antes de su publicación, noticias de las que sólo tenía constancia el periodista al formular la pregunta. El vicepresidente de la Asociación Nacional de Periódicos (ANJ), Julio César Mesquita, ha recordado que los correos electrónicos de respuesta a los periodistas por parte de la empresa incluyen la amenaza de ser procesados en caso de que sus informaciones "no reciban un tratamiento adecuado". Para Mesquita, "tal advertencia intimidatoria, más que una falta de respeto a los profesionales de la información, configura una violación del derecho de la sociedad a ser libremente informada".
Por el contrario, para José Sérgio Gabrielli, presidente de Petrobras, se trata de un ejercicio de "transparencia de información" de la empresa. Más aún, está convencido de que, con esta iniciativa, la petrolera "va a revolucionar el periodismo en Brasil" y piensa que pronto otras grandes empresas seguirán el camino de Petrobras. Gabrielli asegura que la empresa no comete ninguna ilegalidad publicando, antes de ser usadas por los medios, sus respuestas a los periodistas, ya que Petrobras "es la propietaria de sus informaciones" y puede usarlas como desee.
El presidente de la petrolera no esconde que la nueva fórmula que ha adoptado está motivada por "las fuertes presiones a las que está sometida Petrobras", en referencia al trabajo de los tres grandes diarios del país, Folha de São Paulo, O Globo y O Estado de São Paulo, que han comenzado a adelantarse a la comisión parlamentaria, investigando con sus medios posibles irregularidades de la empresa.
Consultada la Secretaría de Información del presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, sus responsables han sido prudentes. No se han declarado ni a favor ni en contra del blog de Petrobras, pero han afirmado que ellos prefieren publicar las informaciones dadas a los periodistas después de haber salido publicados los respectivos reportajes.
Diversos analistas se preguntaban este martes si ese blog de Petrobras no podrá resultar un bumerán para la empresa. ¿Se va a atrever a publicar todas las preguntas y acusaciones que les formulen los periodistas? Se da el caso de que la petrolera no ha querido responder algunas cuestiones como, por ejemplo, la ya planteada acerca del presupuesto para costear el ejército de 1.150 funcionarios de la información contratados por Petrobras sin concurso público.
La empresa, que es la joya de la corona de Brasil, insiste en que lo que ellos quieren es que todo sea transparente, a la luz del sol, y que los medios de comunicación relaten fielmente las respuestas por ellos dadas a sus preguntas."

Quando fui editor de política do Jornal da Globo, de agosto de dois mil a junho de 2003, o Franklin Martins era colunista. Hoje, é o secretário de comunicação do governo. O que sempre chamou a atenção no trabalho do colega, construído em em mais de anos, foi o equilíbrio. A cobertura política exige que nos distanciemos das paixões. O texto abaixo é uma aula de jornalismo técnico e fundamentado em fatos e números, não em "fantasmas", como ele mesmo diz: "Na última semana, alguns colunistas e políticos da oposição abriram baterias contra a regionalização da publicidade do governo federal. Não gostaram de saber que os anúncios da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), até 2003 concentrados em apenas 499 veículos e 182 municípios, em 2008 alcançaram 5.297 órgãos de comunicação em 1.149 municípios -um aumento da ordem de 961%.
Por incrível que pareça, conseguiram enxergar nesse saudável processo de desconcentração um ardiloso mecanismo de corrupção dos jornais e rádios do interior. Essa seria a explicação para as altas taxas de avaliação positiva do presidente Lula, registrada pelos institutos de opinião.
O raciocínio não tem pé nem cabeça. Vamos aos fatos.
As verbas publicitárias de todos os órgãos ligados ao governo federal permaneceram no mesmo patamar do governo anterior, em torno de R$ 1 bilhão ao ano. Desse total, 70% são investidos por empresas estatais, que não fazem publicidade do governo, mas de seus produtos e serviços, para competir com companhias privadas.
Além disso, os ministérios e autarquias, que respondem por 20% da verba publicitária federal, não podem fazer propaganda institucional, só campanhas de utilidade pública (vacinação, educação de trânsito, direitos humanos etc.). Apenas a Secom está autorizada a fazer publicidade institucional. Para esse fim, seu orçamento é igual ao do governo anterior (cerca de R$ 105 milhões).
Não houve aumento de verbas. O que mudou foi a política. Em vez de concentrar anúncios num punhado de jornais, rádios e televisões, a publicidade do governo federal alcança agora o maior número possível de veículos. Pelo mesmo custo, está falando melhor e mais diretamente com mais brasileiros. Acompanhando a diversificação que está ocorrendo nos meios de comunicação.
A circulação dos jornais tradicionais do eixo Rio-São Paulo-Brasília, por exemplo, está estagnada há mais de cinco anos, próxima dos 900 mil exemplares. No mesmo período, conforme o Instituto Verificador de Circulação, os jornais das outras capitais cresceram 41%, chegando a 1.630.883 exemplares em abril. As vendas dos jornais do interior subiram mais ainda: 61,7% (552.380). No caso dos jornais populares, a alta foi espetacular, de 121,4% (1.189.090 exemplares).
Por que deveríamos fechar os olhos para essas transformações? A dota hoje o princípio da mídia técnica: a participação dos órgãos de comunicação na publicidade é proporcional à sua circulação ou audiência. Houve época em que eram comuns distorções, às vezes bastante acentuadas, a favor dos grupos mais fortes. Isso acabou.
Esses critérios técnicos, amplamente discutidos com o TCU e entidades do setor, têm favorecido a democratização, a transparência e a eficiência nos investimentos de publicidade do governo federal. Não há privilégios nem perseguições. Tampouco zonas de sombra. Muito menos compra de consciências.
É importante ressaltar ainda que a comunicação do governo não se dá principalmente pela publicidade. Esta apenas presta conta das ações mais importantes e consolida algumas ideias-força. O governo comunica-se com a sociedade basicamente por meio da imprensa, respondendo a perguntas, críticas e inquietações.
Para ter uma ideia, em 2008 o presidente Lula deu 182 entrevistas à imprensa, respondendo, em média, a 4,8 perguntas por dia, incluindo fins de semana e feriados. É pouco provável que exista um chefe de governo no mundo que tenha conversado tanto com a imprensa quanto o nosso. Atendendo a todo tipo de imprensa, pois não existe no Brasil só a imprensa do eixo Rio-São Paulo-Brasília. São várias, com percepções e interesses diferentes. Cada uma fazendo o jornalismo que lhe parece mais apropriado e se dirigindo ao público que conseguiu conquistar.
Exemplo: quando Lula lançou em São Paulo o atendimento em 30 minutos aos pedidos de aposentadoria no INSS, os grandes jornais não destacaram o fato. Mas o tema foi manchete de quase todos os jornais populares e diários das demais capitais. O que para uns foi nota de pé de página, para outros foi a notícia do dia.
Por tudo isso, temos que ficar atentos às mudanças na forma como os brasileiros se informam. O crescimento da internet é um fenômeno que abre extraordinárias possibilidades e lança imensos desafios. Não podemos fechar os olhos para a realidade: os jovens, cada vez mais, buscam informações nos portais, nos blogs e nas redes sociais da internet.
Por último, não se sustenta o raciocínio de que as altas taxas de aprovação do governo Lula teriam a ver com um arrastão de compra de jornais e rádios no interior. Basta recorrer ao último Datafolha, que atribui 67% de ótimo e bom para o governo federal nas regiões metropolitanas e 71% no interior. A diferença está situada dentro da margem de erro da pesquisa. Os números são praticamente os mesmos. O resto é preconceito.
O mais provável é que as altas taxas de aprovação do governo tenham uma explicação bem mais simples: a maioria da população está satisfeita com seu trabalho. É legítimo que aqueles que não concordam com tal percepção recorram à luta política para mudá-la. O debate faz parte da democracia. E faz bem a ela. Mas é necessário criar fantasmas?"

09/06/2009

Já não é de hoje que nós jornalistas estamos perdendo 'o direito ao monopólio de informar'. Assim como os médicos perderam o de dizer o remédio para seus pacientes. E os professores, de ensinar seus alunos. Acho tudo ótimo. A Internet é a causa dessa revolução que atinge em cheio a maneira como as pessoas procuram, absorvem e interpretam a realidade, a partir do que elas próprias escolheram como prioritário, no que se convencionou a chamar de direito à informação. Assim como os médicos tiveram que encontrar formas de manter seu "negócio", professores, de motivar e desafiar seus alunos, nós jornalistas teremos que servir aos novos interesses daqueles que procuram pela informação. Com ou sem qualidade, com ou sem análise, com ou sem opinião. O desafio está posto. Muitos não sobreviverão. É a dinâmica da evolução da nossa espécie, que muitos chamam mais apropriadamente de involução.

Conheci a Sandra Conti em 1992, por intermédio da Sônia Bongiovani. Ela já era uma conceituada produtora e diretora de programa. Para mim, um iniciante em telvisão, era mais uma celebridade da TV Cultura. Anos depois encontrei a mãe da Clarinha na TV Globo, quando dirigia o quadro da Denise Fraga no Fantástico. Saber que ela morreu aos 50 anos de idade é pavoroso!

08/06/2009

Há coisas que acontecem na vida da gente que têm uma importância singular, não pela grandiosidade, ao contrário, pela sutileza e pela significância do gesto. Fiz apenas uma ponte. Liguei uma pessoa a outra. Ambas não se conheciam, mas tiveram um momento de extrema alegria juntas. Às vezes precisamos de tão pouco para levar sentimentos a locais tão distantes... Fiquei orgulhoso de mim. Espero ter outras oportunidades assim. Só a gratidão das duas foi o bastante.

04/06/2009

Ele foi um dos meus heróis na infância. Início dos anos 70. David Carradine era Kung Fu. Havia até uma música que dizia: "Everbody's Kung Fu Figthnig...", de Carl Douglas, que virou hit de novela. Aos 72 anos foi encontrado morto num hotel em Bangkok, na Tailândia. A morte ainda é um mistério. Parece que foi enforcado. Considerando que a Tailandia é um paraíso de exploração sexual e que lá se pratica o ponpoarismo, não duvidaria de que possa ter sido assassinado. O jornal The Nation diz que a polícia encontrou o ator no closet do quarto nu, enforcado em uma corda da cortina. Me encantava ver Carradine se transformar no melhor dos guerreiros Shaolin, numa preparação que exigia paciência, dedicação, conselhos de um mestre e muita, muita coragem. Para se ter uma idéia, ele treinava vendado em uma das cenas, em outra andava sobre pó de arroz sem deixar pegadas e tinha dois dragões tatuados nos pulsos. Só que com um detalhe: A tatoo era feita abraçando um caldeirão de água fervendo. Ficava até tarde da noite para ver a série e tinha a inseparável companhia de um tio médico chamado Nathanael, que também a assistia. Este tio vinha de trem de Marília, no interior de São Paulo toda semana para fazer psicananálise na Capital. Grande sujeito. Diria que foi meu mestre. Mas não virei um Shaolin, infelizmente. Mas aprendi a pensar e ter autonomia, o que acho um legado e tanto.

02/06/2009

Recentemente fiz um comentário a respeito da possibilidade de reeleição do presidente da República. Na verdade foram dois. Disse que Lula estava se credenciando para perspectivas maiores, como pleitear a presidência de um organismo internacional. Por causa da popularidade e carisma que tem, não só aqui, mas no mundo todo. Para alguns pareceu um devaneio da minha parte. Pois vejam o que diz a edição de um dos mais importantes jornais impressos do mundo na atualidade, o El País: "O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está interessado em que o Banco Mundial (Bird), depois da crise financeira atual, tenha uma estrutura mais voltada às políticas sociais e mais preocupada com os países mais pobres do planeta. Para isso, Obama teria proposto o cargo ao presidente brasileiro, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, a quem define como 'o político mais popular do mundo' ('o cara', grifo meu). Os detalhes estão na revista exame - da editora Abril - que segue para as bancas. Depois, só não digam que nada sabiam.

01/06/2009

Reparem como de agora em diante todos os jornalistas só falaremos de um assunto: a queda do avião. Será um sem-número de hipóteses, teses, culpados, inocentes, infelizes e afortunados desfilando por nossa cobertura, que tentará "em vão" saciar a ânsia do nosso consumidor por informações relevantes. Nos próximos dias, todos seremos um pouco especialistas em aviação e meteorologia. Mas em poucas semanas isso passa. E restarão apenas a dor pelos que partiram, pelos que ficaram, e a batalha judicial em torno de prêmios de indenização. Eventualmente, uma denúncia de um ex-funcionário, ou descontente de uma das companhias acusando-a de negligência. Não vamos mais ouvir falar em crise americana, Coréia do Norte, Irã, Câmbio, CPI, juros, Lula, Congresso em crise, etc... Somos definitivamente uma sociedade doente! De qualquer forma, não deixa de ser uma pausa (edificante?) para a gente contemplar o milagre da vida. E ver que basta um chamado de Netuno (Posêidon) para que, de um momento para o outro sejamos reduzidos a nada.

 
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