29 março 2009

Esta semana uma foto me chamou a atenção. Os bebês estão colocados em baldes. Fiz até um post logo abaixo. Isso mesmo, em baldes. Coisa de periferia? Imagina, o tummy tub foi inventado por holandeses e é o maior sucesso. A banheira é ideal para bebês de até seis meses porque se assemelha ao útero materno, o que dá uma sensação de conforto e segurança para o filhote e para a mamãe. Também alivia cólicas e facilita a eliminação de gases, bem comuns nessa fase da vida. Fiquei sabendo da Arlete Soffiatti, minha colega de faculdade, que desde que foi para a Alemanha, três anos atrás, já tinha reparado o "brinquedo". Arlete deixou o jornalismo de lado, mas só formalmente porque o http://tudodebonn.blogspot.com é um bom jornal local para brasileiros que acham a cultura alemã significativamente diferente, e como!

26 março 2009

Eu sempre tive uma má impressão de juizes. Não porque não concorde com a existência deles, ao contrário, são essenciais em uma República Democrática. O que sempre me inquietou é como começam cedo a carreira, quase sempre sem viver na pele as questões humanas essenciais. O que não quer dizer que nesse universo não caibam exceções. Mas tentemos imaginar alguém que tenha o poder de decidir o destino das pessoas, quanta responsabilidade não deve ter? O que dizer então de um desembargador ou ministro da alta corte? Abaixo, a nota da AJUFE discordando das afirmações de Gilmar Mendes, contra as decisões do juiz Fausto De Sanctis.
"A Associação dos Juízes Federais do Brasil - AJUFE, entidade de âmbito nacional da magistratura federal, vem a público manifestar sua veemente discordância em relação à afirmação feita pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que, ao participar de sabatina promovida pelo jornal “Folha de S. Paulo”, disse que, ao ser decretada, pela segunda vez, a prisão do banqueiro Daniel Dantas, houve uma tentativa de desmoralizar-se o Supremo Tribunal Federal e que (sic) “houve uma reunião de juízes que intimidaram os desembargadores a não conceder habeas corpus”.
Conquanto se reconheça ao ministro o direito de expressar livremente sua opinião, essas afirmações são desrespeitosas aos juízes de primeiro grau de São Paulo, aos desembargadores do Tribunal Regional Federal da Terceira Região e também a um ministro do Supremo Tribunal Federal.
Com efeito, é imperioso lembrar que, ao julgar o habeas corpus impetrado no Supremo Tribunal Federal em favor do banqueiro Daniel Dantas, um dos membros dessa Corte, o ministro Marco Aurélio, negou a ordem, reconhecendo a existência de fundamento para a decretação da prisão. Não se pode dizer que, ao assim decidir, esse ministro, um dos mais antigos da Corte, o tenha feito para desmoralizá-la. Portanto, rejeita-se com veemência essa lamentável afirmação.
No que toca à afirmação de que juízes se reuniram e intimidaram desembargadores a não conceder habeas corpus, a afirmação não só é desrespeitosa, mas também ofensiva. Em primeiro lugar porque atribui a juízes um poder que não possuem, o de intimidar membros de tribunal. Em segundo lugar porque diminui a capacidade de discernimento dos membros do tribunal, que estariam sujeitos a (sic) “intimidação” por parte de juízes.
Não se sabe como o ministro teria tido conhecimento de qualquer reunião, mas sem dúvida alguma está ele novamente sendo veículo de maledicências. Não é esta a hora para tratar do tema da reunião, mas em nenhum momento, repita-se, em nenhum momento, qualquer juiz tentou intimidar qualquer desembargador. É leviano afirmar o contrário.
Se o ministro reconhece, como o fez ao ser sabatinado, que suas manifestações servem de orientação em razão de seu papel político e institucional de presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, deve reconhecer também que suas afirmações devem ser feitas com a máxima responsabilidade.

25 março 2009

Hora do banho de balde na Holanda.
E eu que pensei que bebê no balde fosse coisa de país 'em desenvolvimento' hehehe.
(Da Reuters)

24 março 2009

Meu vizinho está construindo com um mestre de obras que é um sujeito alemão, de apelido Fritz.
Conversando com ele hoje fiquei sabendo que o Fritz há mais de dez anos inventou uma engenhoca capaz de produzir energia no mar.
Fritz é um sujeito desconfiado e não dá detalhes do projeto. Procura alguém que tenha conhecimento científico e confiabilidade para conhecer a experiência dele. Pensei numa agência de fomento (não sei se existe) ou a Universidade. Mas Fritz é um sujeito que provavelmente estudou até o segundo grau, apenas. É um prático. O amigos e a família acham ele meio amalucado e debocham das idéias do alemão.
Visionário ou não (também não sei avaliar), acho que Fritz precisaria de uma oportunidade. Quem sabe o que ele está falando faça algum sentido para quem conhece e estuda o assunto. Será que vocês podem me ajudar? Nem que seja um ponto de partida. Um cientista confiável. Alguém que tivesse a paciência e a honestidade de ouvir o que o alemão tem para contar, sem que ele corra o risco de perder a patente depois.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, um dos três poderes da República, disse ao jornal Folha (ditabranda) de S. Paulo que a Justiça Federal de São Paulo, na pessoa do juiz Fausto De Sanctis, quis desmoralizar o Supremo, ao decretar a prisão do banqueiro Daniel Dantas pela segunda vez, após Dantas ter conseguido um habeas corpus no STF, durante as investigações da Operação Satiagraha.
Gilmar Mendes também disse que não vê incompatibilidade entre a sua função e a participação como sócio majoritário do Instituto Brasiliense de Direito Público. O IDP dá cursos de graduação e pós-graduação e organiza palestras e seminários. Infelizmente essa confusão entre o que é público e o que é privado não é no STF. Vejam o escândalo dos cargos do Senado. Vejam a crise política, desencadeada por sucessivas denúncias de corrupção.... Estamos nos depurando? Quem sabe...

20 março 2009

Trabalhei muitos anos numa empresa que recebia representantes do Sindicato dos Jornalistas na entrada do estacionamento, do lado de fora, em dias de sol forte, em plena Campanha Salarial. A reunião era acompanhada de homens de preto e alguns falavam pelo rádio entre si. Eventualmente aparecia um gerente de R.H. só para dar uma "sapeada". Estou falando dos primeiros anos do século XXI, acreditem. Na nova empresa, o Sindicato faz reunião no meio da redação. Os colegas param por um instante para ouvir e, se quiserem, falar. Não há seguranças, não há RH. E o ar condicionado continua ligado, no máximo! Depois dizem que não existe vida inteligente fora daquele lugar. Ouso dizer que a maioria está tão inebriada que releva esses "detalhes".

Conforme reportagem da Revista Carta Capital desta semana, esta é uma das vítimas de tortura da maior autoridade da Polícia Federal do Brasil, o delegado Luiz Fernando Corrêa:
"Em um bairro poeirento de Alvorada, onde vive há oito anos, entrevada em um quarto, sob efeito de calmantes, Ivone da Cruz se mantém alheia às contradições das autoridades. Sobrevive com um salário mínimo da aposentadoria do INSS. Segundo ela, depois de ser torturada, nunca mais conseguiu trabalhar, por causa das dores de cabeça, da depressão e, finalmente, da perda de visão. Para tentar uma indenização, o advogado Volnei Oliveira teria de provar a relação entre a perda da visão e a tortura, tese prejudicada pelo arquivamento do processo. "A injustiça é pior do que a cegueira", reclama Ivone, baixinho, com os punhos fechados sobre os olhos, numa tentativa inútil de esconder as lágrimas e a dor."

Na Carta Aberta aos Jornalistas do Brasil, Leandro Fortes faz um apelo contra a censura. Endosso. Também fui vítima de censura e todos nós brasileiros de manipulação na cobertura jornalística na eleição de 2006. Precisamos ficar atentos e repudiar a censura. Nunca vou me esquecer da frase que meu pai escreveu, quando da minha demissão sem justa causa, mas por uma causa mais do que justa. Lembrando Voltaire, o velho escreveu: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Leia a carta do Leandro:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=3640

17 março 2009

O jornalista Luis Nassif faz a genealogia da crise política brasileira e de como ela se aprofundou, a partir de uma mudança de enfoque sobre "as razões de Estado".

Com um tempinho vale ler.

"Quando FHC saiu do governo, escrevi um artigo "Uma obra de arte política", descrevendo a habilidade da estratégia de governabilidade de FHC - e o desperdício de não ter sido utilizada para um plano de desenvolvimento amplo.
A estratégia consistia em cooptar chefes regionais com migalhas do poder, mantendo incólumes os pilares centrais do governo.
Essa era apenas a perna conhecida do modelo criado por FHC.
O ponto central era o controle estrito sobre o Ministério da Fazenda e toda a estrutura debaixo dele - Banco Central, CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Secretaria da Receita Federal (SRF).
Não se tratava apenas de manter o controle técnico sobre a economia. Era nesses ambientes que se fortalecia a perna oculta do sistema de poder montado: a criação de um modelo sistêmico de aliança com o crime organizado (de colarinho branco), que se expandia na indústria de offshores, de bancos de investimentos, de gestores de recursos.
A maneira como Gustavo Franco autorizou as operações do Banco Araucária, as operações com leilões da dívida pública (sempre com dúvidas sobre sua transparência), o caso emblemático do Banco Santos - desde 1994, um banco quebrado que, mesmo assim, enviava centenas de milhões de dólares para o exterior, com autorização do Banco Central - e, especialmente, o caso Opportunity, demonstravam uma ampla cumplicidade entre autoridades e transgressores. A estrutura de fiscalização do Estado ficou totalmente amarrada pelas ordens que emanavam do centro do comando financeiro do governo.
O controle do Estado
Em entrevista que concedeu ao Terra Magazine, FHC definiu a Satiagraha como uma luta pelo controle do Estado. Nada mais claro.
Quando o PT assumiu o poder, seguiu ao pé da letra a receita de FHC - tanto nos acordos fisiológicos inevitáveis, quanto na tentativa de cooptação desses grupos barras-pesadas.
Esse trabalho se dá através dos dois estrategistas políticos de Lula, José Dirceu e Antonio Palocci. Palocci atuava especialmente através do Conselhinho (o Conselho que julga os recursos dos agentes financeiros) e da CVM - nas gestões Marcelo Trindade e Cantidiano. Livra-se o Banco Pactual de autuações severas por crimes fiscais, livra-se Dantas por crimes de lavagem de dinheiro e de desobediência às regras cambiais brasileiras, permite-se que o Banco Santos se torne o maior repassador de recursos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) em uma leniência sistemática.
O Opportunity passa a financiar Delúbio Soares, através da Telemig Celular e Amazonia Celular. Palocci torna-se próximo de André Esteves, do Banco Pactual. E o BC mantinha olhos fechados para os crimes de lavagem de dinheiro.
O Sistema Brasileiro de Inteligência
Esse esquema começa a esborar não apenas com o chamado escândalo do "mensalão", mas pela iniciativa histórica do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de montar o Sistema Brasileiro de Inteligência.
Essa iniciativa se dá de forma paralela com o que ocorre em outros países, quando os Estados nacionais se organizam para enfrentar a internacionalização do crime organizado.
Nesse momento, começa a ruir o modelo de governabilidade baseado na aliança com o crime organizado. No combate ao crime organizado, o funcionário do BC não responde mais à sua diretoria mas a uma estrutura superior e interdepartamental. O mesmo ocorreu com outros funcionários da área econômica. O controle acaba.
Sentindo que o processo era inevitável, e escaldado pelo "mensalão", Lula dá ampla liberdade para o aparato do Estado se organizar.
Pela primeira vez, o Estado começa a cumprir suas funções e os funcionários públicos a se libertar das amarras impostas por esse pacto espúrio. Aumenta a colaboração com as forças internacionais anti-crime, surgem as grandes operações combinadas de combate ao crime organizado. Fiscais da Receita passam a conversar com a Polícia Federal, a Coaf troca informações com o Ministério Público, a ABIN é acionada. E dessa integração começa a nascer a esperança de uma mudança estrutural não apenas no combate ao crime organizado, como na redemocratização do Estado e no aprimoramento do jogo político.
Era inevitável o choque com a estrutura de poder montada. O ovo da serpente já estava incubado, eram muito profundas as ligações entre o crime organizado, estruturas de mídia, instâncias do Judiciário, Congresso Nacional, Executivo. O país havia se criminalizado.
Pior, criminalizou-se com status. Chefes de quadrilha são tratados como brilhantes executivos, aproximaram-se de grupos de mídia, ajudaram na capitalização de alguns deles.
Um dos fatores que leva à inibição do crime é a condenação social do criminoso, a não aceitação de sua presença nos círculos sociais. Por aqui, Daniel Dantas continuou a ser aceito por praticamente todas as lideranças políticas. O ato comprovado de tentar subornar um delegado não mereceu a condenação explícita de ninguém. Pelo contrário, é elogiado pelo mentor máximo da oposição, FHC, e defendido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.
É essa lógica vergonhosa, para nós brasileiros, que explica toda a ofensiva para desmontar o Sistema Brasileiro de Inteligência.
Mudanças irreversíveis
A questão é que o mundo mudou. O crime organizado de colarinho branco tornou-se ameaça mundial, combatido por todos os países civilizados. A Internet rompeu com a barreira da informação. Pode custar mais ou menos, mas será impossível ao país não se curvar à grande onda anti-crime que se seguirá à queda da economia global.
Algumas vezes critiquei a superficialidade de FHC, sua incapacidade de perceber os ventos, os grandes fatores de transformação que permitissem lançar o país rumo ao desenvolvimento. Bobagem minha! Seu foco era outro.
É por isso quem para ele, Protógenes é amalucado e Dantas é brilhante.
A história ainda cobrará caro de FHC por ter institucionalizado o crime organizado no centro do jogo político brasileiro."

Para ir direto À fonte: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/

16 março 2009

Do Huffington Post: "O segundo imperativo para Obama dar aos brasileiros um tapete vermelho é a bem-vinda econômica. Em meio a incerteza global de repartição de instituições financeiras, em que os governos encontram-se no papel de aprender a ser banqueiros, ironicamente o Brasil está à frente da curva. Como foi assinalado por um recente artigo no The Economist, analistas como a Goldman Sachs têm elogiado do Brasil, a participação estatal no setor bancário: que é a combinação entre a menor dívida pública e uma política fiscal responsável, preparou o país para uma melhor sobrevida do que a maioria. Mohamed El-Erian, diretor executivo da Pimco, tem sido citado pela agência de notícias Reuters, por dizer que a China eo Brasil oferecem melhor estoque investimentos para o futuro do que os Estados Unidos: "O caso de otimismo vem do fato de que esses países entraram hoje a crise mundial com melhores condições iniciais ".

Quer ler na íntegra, sem intermediários, mas em inglês?
http://www.huffingtonpost.com/robert-amsterdam/why-obama-should-bet-on-b_b_174693.html

Para quem não acompanha de perto as novidades do mundo da mídia, Huffington é o sobrenome de Arianna, a fundadora do blog que hoje é considerado uma marca em política e teve um papel importantíssimo nas eleições americanas.

Aqui em baixo temos um exemplo da notícia que aparentemente não nos interessa. Aparentemente....
Brasil passa a 5º maior detentor de títulos dos EUA (US$ 133,5 bilhões de dólares)
O primeiro lugar é da China, com US$ 739,6 bilhões.
O Japão vem em segundo, com US$ 634,8 bilhões.
O terceiro lugar é dos paises exportadores de petróleo, com US$ 186,3 bilhões.
Em quarto lugar vem os Centros Bancários do Caribe, leia-se dinheiro de crime organizado, com US$ 176,6 bilhões.
O Reino Unido, que era o quinto, passou para o sexto lugar, com US$ 124,2 bilhões.
O que isso quer dizer?
Que quem detém os títulos do tesouro americano são fiadores da economia daquele país.
Espécie de sócios do negócio. Parceiros....
Num mundo em que a moeda não tem mais lastro, o que garante o negócio? Fidúcia ou confiança.
Trust, como a foto aí de cima.
Podemos traduzir melhor da seguinte forma: Quem confia na américa são os chineses, os japoneses, os países dependentes de petróleo, o crime organizado e o narcotráfico e nós. Simples assim!

14 março 2009

Os conceituados analistas políticos brasileiros estão presos na cortina de fumaça criada em torno de duas candidaturas. A de José Serra, pelo PSDB, e a de Dilma Roussef, pelo PT. O que não perceberam ainda é que o sonho do presidente da República é eleger Aécio Neves, preferencialmente pelo PMDB. Aécio, até recentemente achava que tinha uma chance com os tucanos, desde que demonstrasse ao rival governador de São Paulo que a fila andou e ele, Serra, ficou para traz. Mas Serra é cabeça dura e vai levar adiante seu projeto político, custe o que custar. O PMDB mineiro já aclamou Aécio. O PSDB do país inteiro, salvo poucas exceções, sabe que Serra não é páreo para uma terceira disputa contra Lula e seu candidato, a não ser que a candidatura de Serra seja construída a partir de um consenso interno e com o apoio do DEM. Mas o DEM também tem se inclinado para apoiar o governador de Minas. Já do lado do Palácio, temos um "quadro" que já demonstrou que pode ir à forca se for necessário para defender os interesses de Lula. É Dilma. Ela seria capaz até de guardar um segredo, e fazer todo mundo acreditar, até ela própria, que pode ser o plano "B" de Lula. Lula tem compromisso com o PMDB. Foi o partido que costurou a aliança que garantiu a governabilidade e a reeleição, depois do escândalo do mensalão. Mas não é a única dívida que o presidente tem com o partido. Quem abriu espaço para o movimento sindical e, consequemente, pavimentou o caminho para a construção do líder operário e do Partidos dos Trabalhadores foi o "histórico" PMDB, com toda sua fauna, suas idiossincrasias e coronelismos. E se há uma coisa que Lula já demonstrou ter é gratidão. E a noção de que o processo histórico independe da luta de um ou outro por interesses egoistas e mesquinhos, como os que comumente se revelam aos que chegam ao poder. Não é à toa que o PMDB, como maior partido do país tem hoje cargos de sobra, farto orçamento e, consequentemente muito, muito poder... Ainda é muito cedo, mas se há um político com todas as chances de se tornar o novo presidente da República, ele se chama Aécio Neves. Gostemos ou não.

"A imaginação é mais importante que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo." (Albert Einstein, que faria 130 anos hoje, 14 de março)

12 março 2009

Pensei que meu filho Pedro fosse diferente de outras crianças de treze anos. Ele gosta de livros, mas destesta jornal impresso e revista. E troca a TV facilmente por um computador. Pedro faz parte da geração que estará no poder dentro de 30 anos. O que quer dizer então que, o modo como vemos o mundo e, principalmente, nos informamos sobre ele vai mudar muito além do que vislumbramos. O que quer dizer também que a constatação abaixo já é passado para a geração dele.
Só peço a Deus, todos os dias, para que ele não escolha a profissão do pai.
"90% dos estudantes de jornalismo nao gostam de ler jornais, preferindo a TV e a internet como fontes de noticias. É o que diz uma pesquisa realizada na australiana Queensland University of Technology. Dizem que os jornais são pouco práticos, desmontam e é preciso pagar por eles. Reclamam também dos textos longos e da falta de ferramentas de busca. Acima de tudo, queixam-se da tinta nos dedos. Para os estudantes pesquisados, os jornais vão eventualmente acabar, mas isso levará tempo. Ainda de acordo com a pesquisa, a TV ainda é a fonte preferida, mas a internet está avançando rapidamente." (A nota é do Blue Bus)

11 março 2009

O Jornal Nacional perdeu audiência. Perdeu também muitas outras coisas que os números não têm como medir... Veja mais detalhes na reportagem do Estadão: "Na soma dos meses de janeiro e fevereiro deste ano, o Jornal Nacional teve a menor audiência de sua história. A considerar apenas o share, índice que mede a sintonia do programa só no universo de TVs ligadas, o JN caiu de 53,5% em 2000 para 47,3% na média dos dois primeiros meses do ano, segundo o Ibope da Grande São Paulo. Em índices absolutos, a queda foi de 11 pontos porcentuais (39,3 em jan/fev de 2000 para 28,3 em jan/fev de 2009) - a baixa nesta comparação é maior que no share, revelando que a Globo perdeu audiência, mas o número de televisores ligados também despencou em uma década. Seja para a concorrência ou para o botão ''liga-desliga'', o JN perdeu 28% de público de uma ponta a outra, sempre tendo a média de janeiro e fevereiro como base. No diagnóstico da Globo, sem menosprezar o surgimento de novas mídias, há inevitável interferência da novela das 7 no ibope do noticiário. A Central Globo de Comunicação (CGCom) argumenta que em 2006, quando o ibope do JN sofreu uma baixa (janeiro, isoladamente, obteve menos que janeiro de 2009), a novela das 7 também apresentava queda. A exceção é janeiro de 2003, quando, apesar de ter uma novela das 7 com desempenho baixo - tivemos a posse e o primeiro mês do governo Lula, saído de uma eleição emocionante e histórica, o que naturalmente canalizou todas as atenções para a cobertura das notícias do planalto. A emissora informa ainda que está habituada a enfrentar oscilações e vencer: jamais deixamos de ser líder. Ressalta ainda que no PNT (Painel Nacional de TV do Ibope) o share do Jornal Nacional nunca foi inferior a 53%. A meta de audiência dos programas da TV Globo é de sempre obter uma participação nos número de aparelhos ligados próxima dos 50%.

06 março 2009

Na foto, Torquato, Nana Caymmi e Gilberto Gil
A minha modesta contribuição ao debate sobre a "ditabranda" da Folha de São Paulo vem de reminiscências. No início dos anos setenta meu pai ficou deprimido. A sócia dele no escritório de advocacia desapareceu da noite para o dia. Era muito novo, uma criança, mas aquela conversa cifrada entre meu pai e minha mãe na cozinha despertou a minha curiosidade.
Havia a suspeita de que a então ex-sócia era uma subversiva, que tinha deixado o país e, consequentemente, o escritório. Preciso até perguntar para o velho, mas a impressão que tenho é que ele ficou preocupado com o nosso futuro. Eles tinham acabado de realizar o sonho da casa própria no auge do milagre brasileiro. Só que a prestação custava exatamente o que meu pai tinha de salário fixo, como orientador educacional do Sesi. Minha mãe não trabalhava, porque tinha a difícil tarefa de criar quatro filhos. Todas as demais despesas da família vinham do escritório de advocacia, mas a sócia havia desaparecido. Ninguém foi preso, torturado, mas sofremos com os reflexos indiretos da ditadura. Alguém tem dúvidas se deixou marcas na nossa família? A irmã mais velha do meu pai, por exemplo, era professora de história no interior. Uma pessoa com todas as credenciais e livros na estante para desaparecer a qualquer momento. E assim passamos aqueles anos de chumbo com o medo estampado no olhar das pessoas. Um regime de exceção é mais do que prisão e mortes é um estado de espírito, uma sombra, um fantasma... Acho que é isso que a turma da Folha de São Paulo não sentiu. Afinal, como a história demonstra, no papel de colaboradora não tinha porque sentir mesmo, não é?

05 março 2009

Chegaria o dia em que o homem poderia ser parte homem, parte máquina. E que num futuro muito próximo poderíamos vislumbrar nossos filhos com mais 'memória' e 'sistema operacional turbinado'. Parece papo de maluco, não e? A primeira vez que falei sobre isso com a minha mulher foi em 1994, na Bahia. Ela duvidou. Disse a ela que era apenas uma questão de tempo. Quando estamos conversando, costumo lembrá-la dessa 'profecia' e sempre nos divertimos muito. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir recentemente que isso já é realidade e está abrindo um debate ético no meio científico. Afinal, temos ou não esse direito? Veja o atalho para a notícia no site da UOL: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/03/05/ult581u3084.jhtm

 
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