09 novembro 2009

Jabá é como nós jornalistas chamamos agrados distribuídos aos colegas, em troca ou não de alguma compensação. As principais vítimas são produtores e repórteres (porque estão na linha de frente). O jabaculê (nome completo) é antigo, dos tempos em que as gravadoras pagavam para determinada música tocar no rádio. Há quem diga que ainda hoje a radiodifusão - principalmente nos rincões - só sobreviva graças a ele. Parece que alguns programas de auditório na televisão também utilizam o mesmo expediente, para promover determinados artistas. Algumas emissoras foram além e descobriram um bom filão de mercado e 'profissionalizaram' o jabaculê. Dão a ele o pomposo nome de 'merchandising', que no fundo, no fundo é a mesma coisa, só que - pelo menos - ficou explícito. É o sabonete da atriz da novela, a margarina do café da manhã, etc... Mas o jabá a que me refiro é de outro tipo. Chega na forma de press kits (aquelas pastinhas distribuídas a repórteres, comuns em entrevistas coletivas). Podem conter um bloco com capa de couro e caneta importada, um álbum de fotos, uma gravura, uma aquarela... Às vezes vêm na forma de presentinhos distribuídos nas grandes redações em datas comemorativas. Na páscoa, chocolates, nas noites frias de plantão, pizzas, nas tardes frias de inverno cestas de pães... No Natal então, dá até vergonha. Sempre achei este tipo de abordagem constrangedora mas, infelizmente, se tornou praxe na estratégia de ação das assessorias de imprensa. O resultado é a criação de um vínculo, mesmo que indireto, entre o profissional e a fonte. Quando trabalhava naquela que já deteve o monopólio da comunicação no país, e ainda hoje captura 3 de cada 5 brasileiros sintonizados no horário nobre, era comum aparecer com certa frequência duas 'floristas' e suas orquídeas. Era impossível ficar indiferente a tantos vasos de flores. Uma mais bonita do que a outra. Era apenas um 'mimo', uma 'gentileza', que certarmente custava... e alguém pagava. Talvez todos nós, para desespero da plebe. Seria uma medida saneadora importante se um dia um desses gestores, cultivados na selva do mundo corporativo, determinasse a proibição desse tipo de prática de claro efeito deletério. Mas, quem sabe, fazer vistas grossas também não custa?

11 doladodecá:

Pedro Migão disse...

Na verdade, esta não é uma prática restrita à imprensa. Mas concordo que é mais grave quando envolve uma concessão pública.

Anônimo disse...

Durante um almoço, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, falou mal da China.
Disse: a relação entre Brasil e China, hoje, não é saudável. É ruim e de baixa
qualidade… O Brasil vende basicamente matérias-primas, principalmente minério de ferro e
soja, e a China vende produtos manufaturados que prejudicam nossa produção nacional… Nosso déficit comercial com a China é hoje de US$ 6 bilhões, com tendência a crescer ainda mais …A China usa de banditismo na exportação e práticas desleais de comércio… A Fiesp tem 11 processos de antidumping e 30 setores em preparação …A Fiesp vai se ocuopar permanentemente desse caso chinês….

Ao final do almoço, Skaf presenteou os jornalistas presentes com belos “pen drivers”, made in China. A ainda se pergunta: será que comprou com Nota Fiscal????

Anônimo disse...

E comprar carro com desconto? talvez voce não saiba - porque nunca fez uso desse "privilégio" - mas jornalista tem desconto nas montadoras, para comprar seu carro zerinho com desconto de fábrica. Por que será?

Edivania disse...

Mas agarrar-se à ética, costuma dar bons resultados. Uma banda de rock, descobriu que a gravadora a qual pertencia iria ser comprada por um grupo empresarial que entre outras coisas, fabricava bebida alcoolica. E ai eles decidiram romper o contrato, alegando queseria desconexo eles falarem para seu público não se envolver com drogas, trabalhando para um grupo empresarial que a fabrica. Eles conseguiram um contrato bem melhor e subiu o crédito junto ao público. Acho que foi a banda U2. Não é todo mundo que diz não para o jabá. Mas depois, quem pode criticar uma prostituta que vendeu seu corpo. Isto também não é vender sua consciência ou sua credibilidade. Depois alguns estranham que a mídia está cada vez mais desacreditada, segundo pesquisas pelo mundo afora.

Giovani disse...

Cara, tô viciadão nesse breguesso.
A coisa vai meio latejando, esquenta, esfria... Quando as vísceras vão começar a sair pra fora? Todo mundo quer ver sangue...
Agora falando sério: O empresariado que produz e paga a estrutura, como no caso do vinho, vai levar na boa, ou quando começar a unir os pontinhos como tu acha que vai à essas traições da jornal de cedo da manhã? Vai dar o troco?

R/T disse...

Acho que estou informado, hein Marco (em referncia ao meu post de ontem, que não foi publicado) espero que tenha lido e gostaria de saber alguma resposta pra aquela pergunta (local broadcasting reporter turned anchor)

Abraço

DoLaDoDeLá disse...

Anônimo, carro com desconto está no forno. Giovani, honestamente, acho que eles não estão nem aí. R/T não conheço bem o bastante para opinar a respeito. Tive pouco contato com a turma a que se referia no post 'impublicável'. Vamos em frente.

Anônimo disse...

E cirugia plástica? Muita gente das Organizações - aquela que não detém 100% da audiência- marcava sempre entrevista com um médico porque ele sempre fazia cirurgia plástica de graça. Ia da pauta até...uéwers.

Concordo ser constrangedor receber jabá. Já recebi vários. Nunca agradeço. Passo por sem-educação e nunca mais receberei.

A coisa tá tão descarada que já ofereceram viagem, amostra grátis de um produto e kit material escolar. Quando perguntam, dou uma aula dizendo que não posso receber presente. Quando chega o jabá, recebo, passo sem-graça pela redação e às vezes presenteio os amigos com o que ganhei. Queria entender o que é isso, afinal?

reatores disse...

Só uma informação Marco. O Jabá nas rádios não acontece apenas nos rincões, como também, há muito tempo, foi institucionalizado pelas grandes redes de rádio.

Lima disse...

Os indianos tem uma estratégia boa para presentes. Recebem, agradecem e repassam. A roda da prosperidade funciona assim. Nunca parando. Já pensou se fica parado em suas mãos algo que é dado apenas com uma intenção de enganar ao público, ao outro? Será que uma parte daquela "culpa" não recai sobre mim, que "inocentemente" aceitei? Bem, basta ver a quantas anda a credibilidade inclusive dos retradados pelo post: os mídias.

DoLaDoDeLá disse...

Os comentários que fazem provocações ou alegações sem provas contra qualquer emissora são vetados, ok?

 
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