Era para ser mais uma daquelas entrevistas sonolentas do telejornal cedo da manhã, no início dos anos 2000. Não fosse o convidado, cujo nome sugeri e sobre o qual não houve vetos, na reunião do dia anterior. O convidado era, e ainda é, um dos mais brilhantes intelectuais do país: Fábio Konder Comparato. Doutor pela Universidade de Paris, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra e professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Fundador e diretor da Escola de Governo, que tive a honra de cursar como bolsista, no início dos anos 90 (do século passado!). Ele chegou à redação nova (que os colegas apelidaram de Shopping Center da Notícia) com meia hora de antecedência. Cumprimentei-o e dei a ele um exemplar do Estadão, enquanto esperava. Estavamos no corre-corre do fechamento, eu e a Mônica Waldvogel. E, infelizmente, não pudemos dar ao professor toda a atenção que merecia. Mas os telespectadores deram. E quanta! Quando, já no estúdio, Comparato começou a falar e defender suas teses, o telejornal quase veio abaixo. O apresentador e apreciador de vinhos franceses, californianos, australianos e chilenos arregalou os olhos. A comentarista de economia ficou perdida em meio a seus argumentos privatistas, enquanto o professor discursava, quase sem interrupções. Defendeu a legitimidade do MST, a sindicalização, os movimentos populares organizados. Deu voz à democracia e aos Direitos Humanos, num telejornal pouco habituado ao contraditório. Não é preciso dizer que, depois que a entrevista foi ao ar, levamos aquele 'pito' dos chefes. Depois disso, o professor foi parar no index da emissora, ao lado de outros que não falam aquilo que a Corte gosta de ouvir (é o pluralismo deles). Para quem não conhece, Comparato teve um papel político importante, num dos momentos históricos singulares do país: ele foi um dos advogados de acusação no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Em fevereiro deste ano, o professor me encheu de orgulho, mais uma vez. Desafiou a decadente Folha de S. Paulo, depois de mandar uma carta de repúdio à redação, pela utilização do termo "ditabranda", num editorial. Tenho saudades das aulas do mestre Comparato, tão cheio de lucidez e autonomia intelectual.
Há uma hora

8 doladodecá:
mestre.
grande fábio konder comparato.
luminar.
inteligência furtada ao espectador.
que tá detestando o ponto que a coisa atingiu.
o ultraje à inteligência.
aabs.
Parabéns, Mello, por divulgar o nome do Prof. Comparato e um pouco de suas posições na internet. Tive a oportunidade de ler os textos de Comparato só agora, devido a um curso de pós-graduação em Direito. Gostaria de ter conhecido antes. Muito bom. Isso é importante, principalmente, no momento em que alunos de graduação se preocupam mais com o tamanho de vestidos do que com os rumos do país, dos menos favorecidos. Mas foi sua posição política, do Prof. Comparato, que me chamou atenção no mesmo episódio que encheu você de orgulho. Mesmo sem nunca ter tido contato profundo com sua obra, fiquei orgulhosa de sua colocação. Ali, principalmente após a resposta da Folha, vi a decadência desse jornal que a história há de enterrar e colocar definitivamente no livro negro dos que sujam as mãos com sangue inocente. Justamente o oposto do Prof. Comparato.
Você deveria se envergonhar, Marco!!!
Você está agindo como aquele traficante que dá um tequinho de graça pro inocente, depois o cara se vicia e come na mão do meliante.
Inúmeras pessoas agora esperam diariamente por essa dose de adrenalina diária do Doladodelá, Nós doladodecá decifrando aquele antro à conta-gotas. Deve estar feliz, pois agora somos dependentes!
É esse tipo de coisa que não me deixa desanimar de todo.
Hehehe, imagino o pito... Interessante que ninguém tenha se dignado a ler o que Comparato escreve, a TV só encherga o mundo da TV. Isso me lembra o Video show, isso ainda existe?
Olá Marco Aurélio,
Agora que o caso do filho do Fernando Henrique Cardoso com a Míriam Dutra foi publicado pela Folha de S.Paulo você já pode falar os nomes, OK?
Na parte da ficção, ainda sem nomes, quem sabe nos contar alguns efeitos colaterais danosos para nós...
Se essa entrevista estiver no youtube, alguém faça o favor de colocar aqui o endereço. Obrigado!
Marco, o Professor Comparato é conhecido no meio jurídico pela autenticidade de suas opiniões e pela firmeza de caratér, principalmente quando o momento exige remar contra a maré.
A notória intelectualidade é apenas um traço de sua personalidade que passa desapercebida, diante da coragem de manter posições autenticamente jurídicas e afinadas com o contexto social da Constituição brasileira.
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