Vocês pediram, então aí vai mais uma da série faz de conta. Era uma reportagem de fôlego. O ponto de partida: uma pesquisa, obtida com exclusividade, em 2004. Estabelecia uma relação direta entre abuso de álcool, sobretudo de cerveja, e índices de violência, criminalidade e saúde pública. Produtores foram a campo e coletaram flagrantes de ameaças, brigas e confusões, principalmente em bares que funcionam à noite nas regiões mais violentas de São Paulo, à época: Jardim Ângela, Capão Redondo, Parque Santo Antônio e alguns bairros da Zona Leste. Depois de editada, era o tipo de matéria que serviria para abrir o telejornal antes da novela, com o apresentador dizendo, de voz cheia: - Exclusivo! Nossos repórteres mostram como o abuso de álcool se transformou na maior doença do país. Mas o vídeo tape foi vetado para a exibição, foi para o freezer, no jargão. No diálogo que um dos produtores travou com o Guardião da Doutrina da Fé, ouviu o seguinte argumento: - Não podemos exibir uma reportagem assim, sabendo que a indústria de bebidas é a maior anunciante da casa e dona de cotas de patrocínio dos principais eventos esportivos que transmitimos. É um tiro no pé! E vai que algum deputado 'maluco' resolva propor uma lei que proíba a propaganda de bebida na TV? Já não basta o que eles fizeram com a indústria de cigarros... Um exemplo cristalino de como um interesse público pode dar lugar a interese comerciais de certas organizações, e pior, de como a imprensa pode deixar de atender às exigências de uma sociedade que clama por paz. Agora, mesmo que fosse ficção, que falta faz um deputado 'maluco', desses que legislam de olho nos interesses da nação, e não nos de um grupo econômico qualquer? O álcool é hoje a principal causa de violência doméstica (disse, ouviu rainha? violência do-més-ti-ca), pedofilia e outros crimes violentos, como assassinatos. Mas acho que nossa sociedade ainda não está preparada para 'Apreciar com Moderação' a concessão de serviço público. Que pena...
Há 17 minutos

16 doladodecá:
Brilhante! Ainda quero estar viva pra assistir o momento "queda da Bastilha" dessa corporação nociva à sociedade brasileira.
Obrigada, Marco!
Estarrecedor...
Ao invés de cumprir a função de bem informar, escondem revelações importantíssimas... prá faturar dinheiro.
E faz isso usando um bem que nos pertence.
É muita safadeza.
A Confecom vem aí...
"A importância da Confecom"
http://proconferencia.org.br/multimidia/211/
Programete sobre a Conferência Nacional de Comunicação, produzido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP)
A gigante Luiza Erundina falando o óbvio...
"Os meios de comunicação transmitem valores, cultura, ideologia, interesses, e portanto precisam passar pelo crivo da sociedade civil."
http://rioproconferencia.blogspot.com/2009/09/luiza-erundina-critica-desativacao-do.html
Marco,
o deputado Miguel Martini tem um projeto sobre isso. Deve haver outros, mas o lobby,né, vc sabe.
Parabéms pelo trabalho.
Luís A Bassoli
Hipocrisia, essa é a marca registrada das "organizações". Um tema importante como o abuso no consumo de álcool merece uma campanha nacional, é um tema sério que envolve saúde pública e criminalidade.
Em vez de cumprirem com o objetivo da informação, fazem campanhas "pela paz" totalmente vazias e publicitárias.
E que papel ordinário esse feito pelo "guardião da fé", de tanta "fé" ele vai acabar mesmo é no inFErno.
Abraço.
Caso clássico de conflito de interesses. Onde está a ética ?
Mello
hahahaha
com Q de qualidade esse post.
Yahel
São questões da mais alta importância social, não acham?
sem nenhuma ironia... mas os gênios são aqueles que conseguem mostrar o óbvio.
agora, será que a "sociedade" (os gentis-homens) quer acabar com esse jogo de hipocrisia? talvez o pessoal do capão redondo sim. taí, talvez um dia o tal do "deputado maluco" surja daí...
O professor David Nutt, do Imperial College London é taxativo: "álcool e cigarro são drogas mais perigosas para a saúde do que muitas substâncias ilícitas, como a maconha, o LSD e o ecstasy". Nutt é presidente do comitê que assessora o governo britânico em questões relacionadas ao abuso de drogas. Ele defende um novo sistema de classificação das drogas. Para ele, o álcool deve figurar como quinta droga mais perigosa depois da heroína, cocaína, barbitúricos e a metadona. O ranking que o professor defende leva em conta danos físicos, sociais e o grau de dependência causado por cada droga.
Marco, concordo com você, com o Azenha e com o Rodrigo em tudo que se refere à emissora dominante. Só não dá para dizer que na "Casa do Senhor" as diretrizes são outras. Ou dá?
Abraço e parabéns pelo blog,
Alfredo
Quer dizer que uma reportagem de cunho social é irrelevante para as organizações, em detrimento dos ganhos com publicidade? E depois vestem seus ternos armanis e terninhos chanel e vão a público, mostrar sua "ética", suas cara chocadas diante das tragédias. Vocês, Marco, PHA, Azenha, Vianna, são um sopro de brisa fresca no mar de podridão em que estão encalacrados esse PIG.
O mais duro é saber que a essa turma foi outorgado o poder de determinar o que é ou não relevante, socialmente. Agora fechem os olhos e se imaginem " orientados" por aqueles que não elegeríamos nem para síndico do prédio. É pra viver fazendo respiração cachorrinho pra não morrer de raiva.
P.S. parece que Lula, resolveu dar uma mãozinha pra gente, vamos ver...
Tem uma boa sugestão de um comentarista no Conversa Afiada. Ele sugere que os jornalistas da web façam uma entrevista com o Lula. Ia ser tudo de bom.
Conhecem aquela música que diz:"Na casa do Senhor não existe Satanás..."?
Estou em um período de limpeza, longe do álcool, fumo e jornalismo de esgoto, e o tratamento recomendado foi ler e ver outros jornais e blogs, como é bom ver o Azenha, Heloisa Vilella, Rodrigo, ler e ter uma conversa afiada doladodelá... O controle remoto e o mouse estão me ajudando na prevenção e cura. Widmark Recifee
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