"Dá tempo de tirar meu nome deste abaixo-assinado", perguntei ao chefe de redação. - Claro, ninguém é obrigado a assiná-lo. Alguém mais lá quer tirar também? Perguntou-me, apontando para a redação. - Espera aí, respondi. E voltei à redação. - Ele está perguntando se alguém mais quer tirar o nome..., disse às minhas colegas editoras de texto (éramos seis, ao todo, no principal telejornal da emissora, mas uma delas não estava entre nós). As colegas também pediram que seus nomes fossem suprimidos. De fato, nossas assinaturas não fariam muita falta. Ele passou o dia circulando pela redação 'incentivando' os colegas a fazê-lo. Colegas nas redações do Balneário, do Planalto Central e de Belo Horizonte, também foram a campo. O plano, desmascarado depois, era salvar o Guardião, que foi lançado ao mar, depois de tantas trapalhadas na cobertura eleitoral. A estratégia funcionava assim: ele encostava ao lado da mesa do colega, soltava a folha de papel e dizia: - Vê se você concorda com isso e assina. O desconforto era geral. O clima era péssimo. Quando voltei da sala dele, certo de que nossos nomes haviam sido suprimidos, formamos uma roda quase no meio da redação. Rodrigo Vianna argumentava que quem tinha que defender a cobertura - que no texto do abaixo-assinado levianamente misturava a queda do avião e as eleições - era a emissora, não os funcionários. Rodrigo comparou: - É o mesmo que uma montadora fazer um carro com defeito e pedir para os metalúrgicos fazerem um abaixo-assinado para defender a indústria. Havia, entre nós, outras duas editoras dos dois telejornais matinais (o local e o etílico). Também havia dois produtores, que acompanhavam tudo fingindo-se estar ao telefone, marcando alguma entrevista. E tínhamos entre nós mais dois repórteres, além do Rodrigo. Estou poupando os nomes porque alguns permaneceram lá e não seria justo expô-los a constrangimento. Bom, no meio do debate sobre queda de avião, cobertura das eleições e a postura das organizações, o chefe de redação, desconfortável com aquela situação, deixou sua sala e dirigindo-se a nós, disse: - E tem mais, quem não tiver satisfeito que vá para Record. Naquele momento, 2006, a emissora concorrente já era uma ameaça. Não demorou muito para que eles dessem início à Inquisição. (volto ao tema)
Há 4 horas

9 doladodecá:
Vixe,a coisa é bem do jeito que eu imaginava;não sei se sou normal,mas as vezes fico(ficava)olhando pra cara do apresentador e imaginando também a dos redatores e demais funcionários vivendo aquela coisa que a gente(eu pelo menos percebia)via que era tudo manipulação.
Cara! Que delícia de lugar para trabalhar, heim?! É impressão minha ou lá dentro todo mundo anda com o rabo colado na parede, rezando pra não levar um bafo quente no pescoço???
Metalúrgicos , teriam ,por certo, mais dignidade. Piquete,greve,paralisação da produção,até sabotagem industrial.
Em plena ditadura conseguiram ,tanto ,que Lula foi convidado para negociar diretamente com a matriz da Volks na Alemanha. Jornalistas,"formadores de opinião",dificilmente serão "metalurgicos",na hora do pau. A característica com honrosas exceções, é da pusilaminidade.
Querido Marco,
Eu classificaria sua obra como "FRICCIONAL". Ela está fazendo sair faíscas cerebrais de quem se auto-identifica com suas narrações. É a velha expressão "vestir a carapuça". Veste quem quer. Qualquer processo dará nome aos bois a quem você mantêm anônimo em suas narrativas. Será que é isso que querem?
Já pensou se todos os filmes ou novelas que, no fim de seus créditos, informam que "esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança será mera coincidência" fossem processados? A lista de processos na Justiça estaria mais quilométrica do que já está. O meu receio é que os métodos de vingança sejam outros. Raposa perde o pelo mas não perde o hábito.
Beijos e saudade.
Também temo por VC, meu caro jornalista.
Só espero que os crápulas não sejam tão delinquentes, qto. imagino que sejam.
Um carinho da maria santos.
Bom dia.
Eu não sei o que me espanta mais: a cara de pau do Bento XVI ou a compulsão de certos colegas de visar apenas o sucesso pessoal.
Segundo estudos históricos, os fatores mais presentes nas quedas de impérios, civilizações, organizações são:
- concentração de riqueza/poder nas mãos de poucos
- endividamento
- perda de confiança
Tem empresas que tem dívidas que já são impagáveis e na área de comunicação, o valor principal da marca, que é a credibilidade, a confiança isto faz a "divida" interna crescer mais e mais, minando o ânimo interior e a capacidade criativa. Muitos vestem o uniforme, mas quantos se sentem bem em "vestir" a sua camisa?
O problema se dá, pois o gerenciamento deste ambiente é insalubre e tenso, já que é movido pelo medo. Pobre destas pessoas que ainda tem de sustentar suas necessidades e de seus filhos com o suor advindo do medo e da negação de seus próprios valores. Só temos de torcer MAM, para que possas continuar a tocar a eles com seus textos e sua coragem, pois creio que o seu maior público leitor sejam seus ex-colegas. Eles devem enxergá-lo como um amigo por não deixar a sujeira em baixo do tapete. O que escreves tem a ver com o país, mas tem muito mais a ver com as vidas e o código de conduta deles e isto, não tem preço.
Sucesso no bom combate.
A Corte do Cosme Velho iniciou a Inquisição e se deu mal.
Parece que nesse ambiente o enxofre é predominante. É por isto que o Zé Pedágio frequenta tão bem este espaço!
Já ouviram falar em tiro de misericórdia. Acho que foi melhor assim...
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