Meu filho mais velho me perguntou o quê, afinal de contas, era pré-sal. Respondi que era uma camada do oceano muito profunda e que a Petrobras era a única empresa com tecnologia para explorar sozinha o petróleo lá. Em seguida ele afirmou: - Pai, sabia que a Petrobras é uma das maiores empresas do mundo? Respondi: - Do mundo não, das Américas. - Ah, é, das Américas, lembou ele, que emendou: - E qual é a maior? Das Américas ou do mundo, perguntei? Das Américas, ele reforçou. - Não sei, respondi. E ele foi ao google. - Pai, me disse, é outra de petróleo. E do mundo também. É uma tal de Royal Dutch Shell. E depois disparou. Pai, sabia que entre as dez maiores do mundo, sete são de petróleo? Aí eu disse a ele: - Entendeu porque tá todo mundo querendo o pré-sal? A oposição quer que os estrangeiros sejam nossos sócios. Em jogo está muito dinheiro. E nesse mundo, quem tem dinheiro, tem poder. - Entendi, ele respondeu, saindo da cozinha. Pedro tem apenas 13 anos, mas já percebeu a importância da contextualização. Tem adulto que não aprendeu isso até hoje. A propósito da curiosidade dele, que deve ser a mesma de muitas crianças da mesma idade, e até dos adultos, a primeira é a Shell (holandesa); a segunda, a Exxon Mobil (americana); a quarta, a BP (inglesa); a quinta, a Chevron (também americana); a sexta, a Total (francesa); a sétima, a ConocoPhillips (também americana) e finalmente a a nona, a Sinopec (chinesa). Só a rede Wal Mart (cadeia de lojas americana), o ING (banco holandes) e a Toyota (montadora japonesa) fazem parte da lista dos dez mais. Dá para imaginar o lobby que esses caras estão fazendo para tentar entrar aqui??? O mundo vive uma corrida por novas fontes de energia, renováveis ou não. E com o avanço do Islamismo, o Oriente Médio está deixando de ser um parceiro servil e confiável. Simples assim! Mas a política é mesquinha demais para pensar um projeto de longo prazo para o país. Vão ficar só nas 'picuinhas'. Enquanto isso... nos bastidores nossos hermanos gringos vão se articulando.
Em tempo: Olhem só o argumento da britânica The Economist para sustentar que a criação da PetroSal pode não ser um bom negócio para um Estado 'inchado': "Qualquer um que esteja acompanhando os recentes escândalos de corrupção no Congresso brasileiro sabe que os legisladores do país são capazes deste tipo de desastre".
Há 3 horas

4 doladodecá:
Pois é... Às vezes me pergunto se alguns políticos/empresários (em especial da mídia) realmente querem o desenvolvimento do país.
A propósito, meus parabéns pelo blog. Sempre passo aqui para um cafezinho.
Abraços,
Yahel
Muito obrigado Yahel!
Caro Marco Aurélio, cheguei aqui via o Azenha e fui ficando. Parabéns pelo blog!
Um comentário, só: 90% do petróleo mundial é controlado por companhias estatais. São as NOCs, no jargão. Das 20 maiores companhias de petróleo mundial, 16 são do governo de seu país. E não venham me dizer que todas pertencem a ditaduras. E a Noruega, hein, não conta?
Obrigado pelo 'adendo', Saladino. Afinal de contas, esse é um argumento e tanto. Abração!
Postar um comentário