Os fins não justificam os meios, ao contrário do que Nicolau Maquiavel tentou nos convencer. Quando trabalhei no Sindicato dos Radialistas de São Paulo, no início dos anos 90, ficava incomodado com o dinheiro que vinha do "Fundo de Greve". Era uma espécie de caixa dois dos sindicatos - que em colegiado - deliberavam sobre o uso ou não dos recursos, conforme a necessidade. Quando fui trabalhar numa produtora de TV recebia a cada 15 dias, parte no oficial, parte no paralelo, em dólares. Quando quisemos saber a causa, nos disseram: - É que parte do dinheiro vem do "Fundo de Greve", contabilidade paralela dos sindicatos. Estou usando exemplos "da esquerda" só para não parecer perseguição aos "trambiqueiros de causas menos nobres". Talvez os sindicatos tivessem encontrado nesse caminho uma forma eficaz de fazer política, inclusive partidária. Mas está errado! Contabilidade paralela não deve existir. É crime! A prática levou a Marcos Valério, que levou ao PSDB, que levou ao mensalão. Porque se um lado faz, vai ser obrigado a suportar que o outro faça também. A crise no Senado, por exemplo, o argumento é arrebatador: - Todos fazem. Oras, se todos fazem, está certo? Não, está errado. Não podemos justificar o erro de um, pelo erro de todos! E não podemos tolerar desvios que, quase sempre, levam ao enriquecimento ilícito e à corrupção.
Há 2 horas

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