Um anônimo publicou um comentário lacônico em uma das fotos que publiquei aqui no blog, dia desses. Ele falava em 'Gestalt'. Cheguei em casa e perguntei à minha sócia o que ela conhecia sobre o tema. Disse que nem se lembrava mais, coisa que viu na faculdade. Como sou curioso, deixei lá na caixola a sugestão, para investigar qualquer dia. O dia chegou. Aquela capa acima, do LP do James Brown (I feel good, entre outras) é o ponto de partida para uma viagem proposta pelo Luli Radfahrer, professor da ECA-USP, de quem copiei o texto para encurtar o caminho. Vale a pena a leitura e se houver curiosidade, vale mais a pena ainda dar um pulo no sítio dele: http://www.luli.com.br/"GESTALT é muito legal, pena que tão mal ensinada por aí. Muitos a aprendem na faculdade, normalmente na forma de diagraminhas (...), aí não é à toa que não se lembre mais tarde, quando precisa usar para fazer um layout.
É aquela velha história: teoria é bom, e não tem tutorial na Internet que se sustente sem uma boa base. E quando bem aplicada, a teoria gera resultados impressionantes.
EMERGÊNCIA: O rosto aparece por inteiro, depois identificamos suas partes. Ao contrário de um texto escrito, não se vê pedaços de uma imagem que, aos poucos, compôem um todo.
REIFICAÇÃO: O rosto é construído pelos traços que se formam nos espaços entre as linhas e letras (repare a franja). Eis um excelente exemplo da importância dos espaços em branco (vazios) no desenho de uma página. Eles dão suporte para os outros elementos.
PERCEPÇÃO MULTI-ESTÁVEL: Em uma composição bem-feita, a visão não "pára" em um lugar. Perceba como você olha para o rosto, o nome, o fundo. ISSO é interatividade, muito mais interessante que um pop-up ou qualquer outra chatice publicitária.
INVARIÂNCIA: As letras são reconhecidas e podem ser lidas, pouco importa seu tamanho, distorção ou escala.
FECHAMENTO: Tendemos a "completar" a figura, ligando as áreas similares para fechar espaços próximos. É fácil ver as bochechas, a língua (escrita "soul", genial) etc. É o mesmo princípio que nos permite compreender formas feitas de linhas pontilhadas.
SIMILARIDADE: Agrupamos elementos parecidos, instintivamente. Perceba que, por mais que você tente evitar, o rosto se destaca do fundo, mesmo sendo da mesma cor.
PROXIMIDADE: Elementos próximos são considerados partes de um mesmo grupo.
SIMETRIA: Imagens simétricas são vistas como parte de um mesmo grupo, pouco importa sua distância. É o que forma o fundo - e o separa do rosto.
CONTINUIDADE: Compreendemos qualquer padrão como contínuo, mesmo que ele se interrompa. É o que nos faz ver a "pele" do sr. Brown como algo contínuo, mesmo com todos os "buracos" das letras.
DESTINO COMUM: Elementos em uma mesma direção são vistos como se estivessem em movimento e formam uma unidade, como se percebe na "explosão" que acontece no fundo do cartaz."






O dinheiro do especulador está sempre procurando o caminho mais curto para o lucro. Até pouco tempo atrás era refinanciar imóveis nos Estados Unidos (sub prime). Assim que o sistema descobriu que o setor imobiliário não aguentaria pagar tudo o que consumiu, todo mundo correu. Foram procurar refúgio no mercado futuro. Tudo ficou mais caro, do aço ao trigo, porque os contratos embutiam a expectativa de que os paises emergentes continuariam crescendo sem parar e consumindo cada vez mais. Só que o maior consumidor mundial ainda é os Estados Unidos. E lá a recessão chegou. Com a expectativa de desquecimento da economia mundial, os preços no mercado futuro caíram. E os investidores, sem ter mais para onde correr, começaram a perder dinheiro. E pediram para sair. Mas foi tanto pedido, que os bancos de investimento não são capazes de atender a todos de uma vez. Nunca há dinheiro suficiente. Resultado: o banco quebra. Aí vem o governo e socorre. A desconfiança se generaliza. É o tal 'risco sistêmico'. Ninguém sabe ainda aonde vai dar tudo isso. Aqui no Brasil, se a prudência continuar, arrisco um palpite: passamos por essa numa boa. É só ter calma e esperar.

