28 setembro 2008

Um anônimo publicou um comentário lacônico em uma das fotos que publiquei aqui no blog, dia desses. Ele falava em 'Gestalt'. Cheguei em casa e perguntei à minha sócia o que ela conhecia sobre o tema. Disse que nem se lembrava mais, coisa que viu na faculdade. Como sou curioso, deixei lá na caixola a sugestão, para investigar qualquer dia. O dia chegou. Aquela capa acima, do LP do James Brown (I feel good, entre outras) é o ponto de partida para uma viagem proposta pelo Luli Radfahrer, professor da ECA-USP, de quem copiei o texto para encurtar o caminho. Vale a pena a leitura e se houver curiosidade, vale mais a pena ainda dar um pulo no sítio dele: http://www.luli.com.br/

"GESTALT é muito legal, pena que tão mal ensinada por aí. Muitos a aprendem na faculdade, normalmente na forma de diagraminhas (...), aí não é à toa que não se lembre mais tarde, quando precisa usar para fazer um layout.
É aquela velha história: teoria é bom, e não tem tutorial na Internet que se sustente sem uma boa base. E quando bem aplicada, a teoria gera resultados impressionantes.

EMERGÊNCIA: O rosto aparece por inteiro, depois identificamos suas partes. Ao contrário de um texto escrito, não se vê pedaços de uma imagem que, aos poucos, compôem um todo.

REIFICAÇÃO: O rosto é construído pelos traços que se formam nos espaços entre as linhas e letras (repare a franja). Eis um excelente exemplo da importância dos espaços em branco (vazios) no desenho de uma página. Eles dão suporte para os outros elementos.

PERCEPÇÃO MULTI-ESTÁVEL: Em uma composição bem-feita, a visão não "pára" em um lugar. Perceba como você olha para o rosto, o nome, o fundo. ISSO é interatividade, muito mais interessante que um pop-up ou qualquer outra chatice publicitária.

INVARIÂNCIA: As letras são reconhecidas e podem ser lidas, pouco importa seu tamanho, distorção ou escala.

FECHAMENTO: Tendemos a "completar" a figura, ligando as áreas similares para fechar espaços próximos. É fácil ver as bochechas, a língua (escrita "soul", genial) etc. É o mesmo princípio que nos permite compreender formas feitas de linhas pontilhadas.

SIMILARIDADE: Agrupamos elementos parecidos, instintivamente. Perceba que, por mais que você tente evitar, o rosto se destaca do fundo, mesmo sendo da mesma cor.

PROXIMIDADE: Elementos próximos são considerados partes de um mesmo grupo.

SIMETRIA: Imagens simétricas são vistas como parte de um mesmo grupo, pouco importa sua distância. É o que forma o fundo - e o separa do rosto.

CONTINUIDADE: Compreendemos qualquer padrão como contínuo, mesmo que ele se interrompa. É o que nos faz ver a "pele" do sr. Brown como algo contínuo, mesmo com todos os "buracos" das letras.

DESTINO COMUM: Elementos em uma mesma direção são vistos como se estivessem em movimento e formam uma unidade, como se percebe na "explosão" que acontece no fundo do cartaz."

26 setembro 2008

A arrecadação federal subiu de novo. Isso é boa ou má notícia? Depende. Para o país é boa, porque ajuda o Governo a fazer superávit e permite aumentar o gasto público, ainda que haja controvérsias se isso é bom ou não. Para os beneficiados por programas sociais é bom, porque permite manter a despesa e até ampliar a cobertura. É o que o Estado chama de combate às desiguadades sociais. Para o cidadão comum é bom, porque gastos públicos também movimentam a economia, gerando emprego e renda, mesmo que indiretamente. Para os empresários e parte da impresa é péssima, porque empresário não gosta de pagar imposto e como são eles que mantém os jornais com anúncios, logo, nós jornalistas também não podemos gostar. Mas eu gosto. E pago meus impostos com orgulho.

25 setembro 2008


A gente é aquilo que a gente é, não aquilo que a gente tem. Por mais que a sociedade de consumo tente nos convencer do contrário. Foi o que disse ao meu filho mais velho, tempos atrás. E nunca esta frase pareceu tão apropriada para os últimos tempos.

23 setembro 2008

"Wall Street se tornou um parasita da economia real e contagiou o mundo todo. A lição é que os mercados financeiros precisam encolher. A tarefa agora é administrar o enxugamento de Wall Street e do cassino financeiro global, redesenhando sistemas regulatórios e mercados para que possam restaurar seu papel útil, embora limitado. E para facilitar a produção de bens e serviços ambientalmente benéficos nas economias crescentemente verdes da Era Solar. A verdade foi escancarada: não existe mão invisível.

* Hazel Henderson é autora de Ethical Markets: Growing the Green Economy e outros livros. Ela é co-criadora do Calvert-Henderson Quality of Life Indicators, juntamente com o Calvert Group, e está no Comitê Organizador da conferência Beyond GDP no Parlamento Europeu (www.beyond-gdp.eu).

19 setembro 2008

E quando é apenas um detalhe quase imperceptível?

18 setembro 2008



E quando não é o que parece ser!

17 setembro 2008



Quando uma imagem é tudo.

16 setembro 2008

O dinheiro do especulador está sempre procurando o caminho mais curto para o lucro. Até pouco tempo atrás era refinanciar imóveis nos Estados Unidos (sub prime). Assim que o sistema descobriu que o setor imobiliário não aguentaria pagar tudo o que consumiu, todo mundo correu. Foram procurar refúgio no mercado futuro. Tudo ficou mais caro, do aço ao trigo, porque os contratos embutiam a expectativa de que os paises emergentes continuariam crescendo sem parar e consumindo cada vez mais. Só que o maior consumidor mundial ainda é os Estados Unidos. E lá a recessão chegou. Com a expectativa de desquecimento da economia mundial, os preços no mercado futuro caíram. E os investidores, sem ter mais para onde correr, começaram a perder dinheiro. E pediram para sair. Mas foi tanto pedido, que os bancos de investimento não são capazes de atender a todos de uma vez. Nunca há dinheiro suficiente. Resultado: o banco quebra. Aí vem o governo e socorre. A desconfiança se generaliza. É o tal 'risco sistêmico'. Ninguém sabe ainda aonde vai dar tudo isso. Aqui no Brasil, se a prudência continuar, arrisco um palpite: passamos por essa numa boa. É só ter calma e esperar.

12 setembro 2008

"É bom ver que você está de volta à velha forma."
Foi a frase que ouvi de um colega de trabalho hoje, depois de quatro semanas duríssimas.
Às vezes, os maiores presentes estão em gestos delicados, como este. Obrigado.
Estou sim!

07 setembro 2008

Minha experiência como editor de política me fez perceber que há duas classes de repórteres neste tipo de cobertura. A dos que cultivam suas fontes à base de muita dedicação e competência e os outros, que o fazem à custa de favores, em geral usando o próprio veículo em que trabalham para isso. O primeiro caminho é mais longo e, não raro, cria um jornalista influente. O segundo caminho é curto, cheio de atalhos, mas muito perigoso. Enche o jornalista de poder, prestígio e alimenta sua enorme vaidade. Mas é uma cortina de fumaça, que com o tempo se dissipa relevando o enorme vazio.

 
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