16/10/2008

Há algumas pessoas para as quais a gente sempre tem uma pergunta preparada, na ponta da língua. A senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do meio ambiente Marina Silva é uma delas. Personagem de uma história pessoal admirável, inteligente e dona de um texto brilhante, a ela faria a seguinte pergunta: Senadora, até que ponto é possível conciliar coerência política com fidelidade partidária? E emendaria uma segunda: A senhora acha que política é a convivência entre diferentes, como definiu Hannah Arendt, ou a arte de conquistar, manter e exercer o poder, como proferiu Nicolau Maquiavel? As duas perguntas têm sentido amplo, porque a decisão de apoiar o candidato Fernando Gabeira no segundo turno das eleições no Rio, contrariando a lei eleitoral e a orientação do partido, é mais do que simplesmente um gesto de desobediência, pode ser compreendido como uma crítica mais abrangente ao sistema político. Vale lembrar também a afinidade histórica de Fernando Gabeira e seu PV, com o Partido dos Trabalhadores, mesmo considerando que, mais recentemente, o partido se alinhou ao PSDB, principalmente em São Paulo. Quero crer que o personalismo, a falta de partidos com consistência programática e a incoerência da política brasileira estão na raiz deste raciocínio. Mas que fico sem entender direito algumas atitudes, isso fico! Por ter votado contra a reforma da previdência, um gesto aparentemente menor, a senadora pelo PT de Alagoas, Heloísa Helena foi banida da legenda, em 2003. Não estou defendendo a expulsão da senadora Marina do partido, quem sou eu para julgar, ainda mais não fazendo parte da direção, e muito menos sendo um 'quadro'? Procuro apenas compreender alguns gestos e encontrar algumas respostas...

0 doladodecá :

 
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