24/06/2007

AS PORTAS DA PERCEPÇÃO
Com a ajuda da Xan fiz esta deliciosa descoberta que em breve estará pregada em uma das paredes lá de casa.
Seis horas depois que nasci os The Doors faziam um show antológico em Nova Iorque.
Fui bem representado naquelas primeiras horas do "Ano da Psicodelia".
Esta "atitude" está impregnada na minha personalidade.
Sou o psicodélico e outsider mais careta que conheço.
Curioso só ter me "reencontrado" com os The Doors no primeiro ano da faculdade, em 1987, vinte e um anos depois! Graças ao Cláudio, filho de metalúrgico do ABC e maior fã da banda que já conheci. Paraquedista, adorava lançar-se ao vazio e sempre flertava com a morte. Era um bravo. Ironia, morreu embriagado no asfalto, atropelado na Rodovia Anchieta. Não tive coragem de ir ao enterro. Covarde que fui!
Depois vieram outros fãs, os primos Marcelo, Michel e Dudu...
E hoje tem o Pedrão, meu filho. Se bem que ele prefere o U2. Mas não tem problema U Dois é mais adequado ao ouvido dele.

(*)DESAPEGO
Vivemos uma época de celebridades, apelos fáceis à riqueza, ao consumismo, às paixões avassaladoras. Transitamos aturdidos por um mundo em que o destaque vai para aquele que mais tem.
E a todo instante os comerciais de televisão, os anúncios nas revistas e jornais, os outdoors clamam: “Compre mais. Ostente mais. Tenha mais e melhores coisas”.
É um mundo em que luxo, beleza física, ostentação e vaidade ganharam tal espaço que dominam os julgamentos.
Mede-se a importância das pessoas pela qualidade de seus sapatos, roupas e bolsas.
Dá-se mais atenção ao que possui a casa mais requintada ou situada nos bairros mais famosos e ricos.
Carros bons somente os que têm mais acessórios e impressionam por serem belos, caros e novos. Sempre muito novos.
Adolescentes não desejam repetir roupas e desprezam produtos que não sejam de grife.
Mulheres compram todas as novidades em cosméticos. Homens se regozijam com os ternos caríssimos das vitrines.
Tornamo-nos, enfim, escravos dos objetos. Objetos do desejo que dominam nosso imaginário, que impregnam nossa vida, que consomem nossos recursos monetários.
E como reagimos? Será que estamos fazendo algo _ na prática _ para combater esse estado de coisas?
No entanto, está nos desejos a grande fonte da nossa tragédia humana. Se superarmos a vontade de ter coisas, já caminhamos muitos passos na estrada do progresso moral.
Experimente olhar as vitrines de um shopping. Olhe bem para os sapatos, roupas, jóias, chocolates, bolsas, enfeites, perfumes.
Por um momento apenas, não se deixe seduzir. Tente ver tudo isso apenas como são: objetos. E diga para si mesmo: “Não tenho isso, mas ainda assim eu sou feliz. Não dependo de nada disso para estar contente”.
Lembre-se: é por desejar tais coisas, sem poder tê-las, que muitos optam pelo crime. Apossam-se de coisas que não são suas, seduzidos pelo brilho passageiro das coisas materiais.
Deixam atrás de si frustração, infelicidade. Revolta.
Mas, há também os que se fixam em pessoas. Vêem os outros como algo a ser possuído, guardado, trancado, não compartilhado.
Esses se escravizam aos parceiros, filhos, amigos e parentes. Exigem exclusividade, geral crises e conflitos.
Manifestam, a toda hora, possessividade e insegurança. Extravasam egoísmo e não permitem ao outro se expressar ou ser amado por outras pessoas.
É, mais uma vez, o desejo norteando a vida, reduzindo as pessoas a tiranos, enfeando as almas.
Há, por fim, os que se deixam apegar doentiamente às situações.
Um cargo, um status, uma profissão, um relacionamento, um talento que traz destaque. É o suficiente para se deixarem arrastar pelo transitório.
Esses amam o brilho, o aplauso ou o que consideram fama, poder, glória.
Para eles, é difícil despedir-se desse momento em que deixam de ser pessoas comuns e passam a ser notados, comentados, invejados.
Qual o segredo de libertar-se de tudo isso. A palavra é desapego. Mas...
Como alcançá-lo nesse mundo?
Pela lembrança constante de que todas as coisas são passageiras nessa vida.
Ou seja: para evitar o sofrimento, a receita é a superação dos desejos.
Na prática, funciona assim: pense que as situações passam, os objetos quebram, as roupas e sapatos se gastam.
Até mesmo as pessoas passam, pois elas viajam, se separam de nós, morrem...
E devemos estar preparados para essas eventualidades. É a dinâmica da vida.
Pensando dessa forma, aos poucos a criatura promove uma auto-educação que a ensina a buscar sempre o melhor, mas sem gerar qualquer apelo egoísta.
Ou seja, amar sem exigir nada em troca.

(*) O autor é tão desapegado que não quis deixar o nome

14/06/2007


TENSÃO PAULO
(por Nivaldo Cesare, O poeta, 1984)

MEGAMANÍACA
MEGALOPANTE
SUICIDADE
DE
TER
GENTE
TANTA
LEPTOSPIRANDO
CABEÇAS, RIOS, AVENIDAS
MONOFÓBICA INVARIAVELMENTE CRIATIVA
SEDUZ TODOS A SI MESMA
DOENTE SÃO PAULO
SÍNDROME DE PNEUMOTÓRAX
POLUÍDA AGUDA
DIAGNOSTICADA SUICIDA
SURGE, SUJA, MAL VESTIDA
METRÔPEÇANDO EM GALERIAS SUBTERRÂNEAS
ERRANDO PASSOS NO LIMÍTROFE
LIMBO, LENTO, APRODRECENDO
MEIO À FOBIA
CARNAVALHA MULTIDÕES DE INTENSA ALERGIA
VIDEO HELÊNICA VIOLENTA ESQUIZOFRÊNICA
MEGAMETROPOFÁGICA TRÁGICA
ARDENTE E FOGOSA
SUICIDAIDS ENDOVENENOSA NAS ESQUINAS
RUMO AO SÉCULO DAS AERONAVES DE RAPINAS
TEM SÃO PAULO FAVELAMACENTOS LUGARBREJOS
ESGÓTICOS SUJOS INACABADOS
EXÓTICOS MITOS ESFARRAPADOS
CRESCENDO ENQUANTO DURMO
MEGAMETAMORFOSEANDO NOITE E DIA
META DILUÍDA DIVIDIDA EM MASSA
CLARA MISANTROPICAL
SE ELEVA... ESTICA... PUXA...
ACELERA...
PASSA
SÃO PAULO TEU NOME TEM CURA
VÉRTICE HISTÓRICO DE BRAVURA
A CORDA
SAI DA BAMBA
ANTES QUE ESSES VERSOS VIREM ROCK OU SAMBA.

(Reprodução autorizada desde que citada a fonte)

Projeto Lajeado
14/06/2007

Os participantes do Projeto Lajeado se reuniram na manhã de hoje no ILGA – Instituto Leopoldina Geovana de Araújo, em Santa Maria. Participaram representantes das prefeituras municipais de Conquista e Sacramento, além de entidades como COPASA, Sindicato Rural e EMATER. Na pauta a complementação da documentação a ser enviada ao Ministério do Meio Ambiente. Em seguida participantes de Conquista visitaram parte da Pousada Novo Alvorecer.

 
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