22 maio 2013

Tenho medo deste tipo de notícia


Sabe por quê? Cheira a adulação e puxa-saquice. Todos sabemos que o poder corrompe. E todos sabemos também que a presidenta tem temperamento forte. Portanto, este tipo de notícia pode ser muito ruim para todos. Para ela, que pode ser envenada pela soberba, para seus opositores e adversários que, ao considerarem que tem força de mais tendem a carregar nas tintas e a todos os brasileiros que experimentam um momento histórico peculiar, mas que vê o futuro com muita insegurança.



Eis a notícia: Dilma Rousseff é a segunda mulher mais poderosa do mundo. Em primeiro lugar vem a chanceler alemã Angela Merkel. O  ranking anual da revista Forbes que, convenhamos, não está a serviço do povão. Dilma vinha em terceiro nos dois anos anteriores e alcançou o segundo posto depois que Hillary Clinton deixou o gargo de secretária de Estado americano. Outra brasileira aparece entre as 20 primeiras da lista da revista americana: a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, no 18º lugar.

A lista anual  traz mulheres influentes no mundo da política, dos negócios, das comunicações, do entretenimento, da tecnologia e de organizações sem fins lucrativos. Os critérios de classificação segundo a revista, são: "fortuna, presença na mídia e impacto".

A Nova Ordem é a Seguinte:

1. Angela Merkel
2. Dilma Rousseff
3. Melinda Gates (Bill and Melinda Gates Foundation)
4. Michelle Obama
5. Hillary Clinton

Repare que à exceção das duas primeiras, as demais são americanas. Ou seja, Tio San, ainda que em crise, influencia demais a humanida ainda.

Por que será que Globo teme a Comissão da Verdade?

por Altamiro Borges

Em editorial publicado nesta terça-feira (21), o jornal O Globo confessa que está com medo do desenrolar das investigações da Comissão da Verdade. A famiglia Marinho, que apoiou o golpe militar de 1964 e que foi recompensada pela ditadura na construção do seu império midiático, faz um apelo para que as apurações sejam limitadas: “A anistia foi concedida no Brasil de forma recíproca, mediante ampla negociação entre o regime e a oposição, como parte do processo de redemocratização, realizado sem traumas, e que, por isso mesmo, resultou numa democracia estável... Não cabe à Comissão encaminhar qualquer nome ao Ministério Público e à Justiça para ser processado por supostos crimes cometidos na repressão política, nem propor qualquer inciativa neste sentido. Seria, no mínimo, ilegal”.



Na prática, o editorial tenta enquadrar os membros da Comissão. Um dia antes, alguns deles propuseram explicitamente a revisão da lei da anistia e a punição dos carrascos da ditadura. A notícia foi publicada por Roldão Arruda, no jornal Estadão. “Ganha corpo entre seus integrantes a ideia de que o relatório final da comissão, a ser divulgado no segundo semestre de 2014, deve recomendar a revisão da interpretação legal em vigor e a responsabilização penal de agentes de Estado que cometeram graves violações de direitos humanos no período da ditadura militar. Atualmente, eles não podem ser responsabilizados pelos crimes que estão sendo apurados pela comissão. Integrantes que defendem a recomendação da mudança argumentam que a lei que criou o grupo, em 2011, incluiu entre as suas tarefas sugerir ao Estado brasileiro medidas eficazes para que as violações não se repitam. Uma dessas medidas seria o julgamento de militares e policiais envolvidos em casos de sequestro, tortura, ocultação de cadáveres e outros crimes na ditadura”. 

Entre os proponentes desta mudança está o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, que não pode ser acusado de revanchista. “Indagado se a comissão vai recomendar que os responsáveis pelos crimes sejam julgados, ele diz que o assunto ainda está em análise. Pessoalmente, diz ser favorável a recomendar que o Brasil acate a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre o tema. Em novembro de 2010, o tribunal condenou o Brasil numa ação movida por familiares dos guerrilheiros mortos no Araguaia e impôs ao Estado a obrigação de esclarecer as mortes e localizar os corpos. Ainda considerou inaceitável a concessão de anistia aos perpetradores de crimes contra a humanidade. Naquele mesmo ano, porém, o Supremo Tribunal Federal decidiu manter a Lei de Anistia”, relata o jornalista do Estadão.

O editorial de O Globo evidencia que os trabalhos da Comissão da Verdade ainda poderão resultar em avanços significativos, ajudando o superar o atraso do Brasil na condenação dos crimes da ditadura. A famiglia Marinho está preocupada, o que é um bom sinal. Ela teme, inclusive, por uma necessária convocação dos barões da mídia para explicar as suas ligações com a ditadura e seus carrascos assassinos.

O Jornalista que Apostou a Carreira com o Dono do Jornal


Ruy Mesquita morreu antes do Estadão. Vai-se embora um dos mais dignos representantes de um tipo de jornalismo que vive seus estertores.


Era um conservador assumido, um membro da elite, sim. Mas trazia do conservadorismo paulista as características mais legítimas, a generosoidade dos grandes homens, expressa na maneira como a família acolhia exilados políticos de todas as nacionalidades. Nos tempos bicudos da repressão, acompanhava ao DOPS todos os jornalistas da casa denunciados como subversivos. Bem diferentemente do que fazia, por exemplo, Roberto Civita.
Na greve dos jornalistas, em 1979, o Jornal da Tarde - que ele dirigia na época - foi o único veículo a não punir nenhum de seus jornalistas, apesar da adesão quase total à greve. A retribuição dos jornalistas foi o de tornar o JT, nos anos seguintes, o mais brilhante jornal da imprensa brasileira.
Dia desses, o Mino Carta recordou um episódio meu com ele, do qual nem me lembrava dos detalhes. Houve um evento no Teatro Ruth Escobar, de resistência à ditadura. Nele, Ruy, Mino, Severo Gomes, Raimundo Pereira. Houve censura. Repetiu-se o evento algumas semanas depois.
Na época, eu trabalhava na Veja. Moleque ainda, senti o Dr. Ruy (como era chamado) muito ríspido com Mino. Na hora das perguntas, reagi contra uma afirmação sua, de que todas as ditaduras eram perniciosas, mas as de esquerda mais ainda, por serem mais duradouras. Referia-se à ditadura implantada por Pinochet no Chile.
Petulante, pedi a palavra e fiz uma aposta com ele:
- O senhor quer apostar como a ditadura do Pinochet vai levar muitos anos?
Perguntou qual a aposta. Na cara de pau, respondi:
- Um emprego no seu jornal.
Anos depois, o Klebinho me convidou para ser chefe de reportagem da Economia. O diretor de redação Fernando Mitre levou o nome a Ruy Mesquita. De início, ficou com um pé atrás:
- Outro turco?
De um lado, preconceito em uns tempos de Atalla, Maluf, Lutfalla. De outro, ironia com Mitre, que é "brimo".
Mitre provocou:
- É aquele jornalista que fez uma aposta com o senhor no Teatro Ruth Escobar.
Fui contratado.
Sua morte marca o fim simbólico de uma era.

21 maio 2013

Quantas outras mães não vivem assim?


De tempos em tempos sou atraído pela imagem de uma mulher que no fim da tarde monta sua barraca num paredão próximo à estação da Barra Funda do Metrô. De primeiro ela trazia um cartaz no qual descrevia resumidamente suas necessidades e pedia ajuda a um desses programas de televisão que realizam sonhos. 

Sempre pensei em me aproximar e conversar com ela, para conhecer melhor como foi parar ali, mas confesso que - quase sempre - ou estou atrasado, ou já é tarde o bastante para achar que ela suas duas menininhas, uma de provavelmente 6 anos e outra de uns 4 ou 5, estariam dispostas a dar alguma atenção para mim.
Domingo à tarde criei coragem e me aproximei. Disse que tenho o hábito de vê-la com seus meninos sempre ali. A garota no colo da mãe, que recebia um delicioso cafuné, intercedeu: meninos, não, meninas! Ah, disse eu, não há um menino entre vocês? Não, respondeu secamente a mãe, são só as duas mesmo.
Trazia comigo um pacote de biscoitos e algum dinheiro. Sabia que era pouco o que podia oferecer a ela, mas a mãe agradecida disse que a ajuda chegava em boa hora, porque elas têm um fogareiro e o mini botijão tinha acabado. Ajudá-las fez bem mais para mim do que para elas. Na verdade, ao estender a mão, quem pedia ajuda era eu, ironicamente.
Hoje deparo-me com estudo do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, que traça um perfil das pessoas em situação de rua, naquela metrópole. E pasmem, lá apenas 13% dos moradores de rua são analfabetos, e dois em cada três não bebem, nem usam drogas. Ver com números o que senti quando percorri habitações precárias e conversei com pessoa dos movimentos de luta por moradia no Centro de São Paulo é confortante.
Se nossa sociedade abrisse os olhos para conhecer os hábitos da nossa população de rua e abrisse o coração para os relatos dessas vidas abandonadas, quem sabe não viveríamos numa cidade mais solidária. Para quem não sabe, essas pessoas são "invisíveis" inclusive aos olhos dos recenseadores do IBGE, porque não têm endereço fixo.
Na rua, elas ficam vulneráveis à toda sorte de abusos. São insultadas, assaltadas, abusadas sexualmente e sofrem com a violência e intimidação policial. Ver uma mãe com as duas menininhas naquela situação me fez pensar tudo isso e perguntar: quantas outras mães não vivem assim?

20 maio 2013

Por que o Lulismo dá nó em pingo d'água?


Às vezes é preciso ser crítico, doa a quem doer.


Apoiou a gestão de Hugo Chávez na Venezuela, para possibilitar a entrada de empreiteiras e outras empresas brasileiras no país. Mas tratou de esvaziar propostas de integração estatal, como as da Telesur, Gasoduto do Sul, Banco do Sul etc.

Reclamou da imprensa, mas não tomou nenhuma iniciativa para formular uma nova regulação para o setor. Fala como homem de esquerda, mas abrigou figuras egressas da fina flor do conservadorismo nacional em seus governos.

Os exemplos são infindáveis e representam a materialização de uma habilíssima política conservadora de novo tipo.

Não se trata de uma modalidade heavy metal do neoliberalismo, como a dos governos do PSDB (1995-2003). É algo que dá concessões secundárias a um lado e mantém a essência do modelo estruturado pelo outro.

Para ler tudo, na Carta Maior


Mais Uma Notícia que Você não Vai Ver no PIG

Polícia Militar boicotou a Virada Cultural Paulistana por causa de grana, é o que diz Hélio Borba, no blog Aposentado Invocado

A reportagem conversou com policiais militares, que, sob condição de anonimato, admitiram ter cruzado os braços diante da violência na Virada Cultural. A decisão foi uma retaliação à prefeitura, que estaria atrasando os salários de quem participa da Operação Delegada pelo quarto mês seguido. "A prefeitura não paga em dia, e o Estado, para manter a boa convivência, não fiscaliza o pagamento."
Haddad também não teria cumprido, segundo eles, a promessa eleitoral de ampliar o programa, considerado o "bico oficial" dos soldados. O prefeito teria apenas realocado alguns homens para trabalhar no período noturno em áreas de preservação ambiental e em comunidades que organizam bailes funk. O prefeito respondeu à questão lembrando que esse tipo de serviço é voluntário e que sobram vagas para trabalhar em três regiões da zona sul: Capela do Socorro, M’Boi Mirim e Jardim Ângela.

A prefeitura também negou qualquer atraso de pagamento. O que está ocorrendo, afirmou Haddad, é uma mudança no repasse. Antes, pagava-se o policial adiantado com base em uma estimativa de trabalho. Agora, o dinheiro só deixa o cofre municipal depois da análise de uma planilha com as informações de quem efetivamente trabalhou.

Moradora de um prédio no viaduto Santa Ifigênia, a publicitária Vivi Cristina Dias (29) tomou o primeiro susto ainda em casa, às 3h do sábado, ao avistar da janela um assalto a “poucos metros de dois policiais parados no meio da multidão”. Em outro momento, um grupo de crianças na Ladeira da Memória “armava um arrastão, mas lá não havia policiamento nenhum”. “A Virada é um evento que reúne pessoas de classes e gostos diferentes, além de mostrar a beleza do centro. Essas ocorrências são ruins porque reforçam o estigma de cidade perigosa.”

O artista multimídia Uala Vandeik (29) correu de “cinco arrastões”. “Os policias nas guaritas não faziam nada. Era uma terra de selvagens. Durante uma briga, precisei ficar 20 minutos dentro de um bar. Os donos fizeram um cordão humano para evitar que a confusão invadisse o lugar. Depois disso eu fui para casa e não voltei no outro dia. Essa virada foi uma furada.”

Já a fotógrafa Tatiana Abitante (25) passou por um sufoco por volta das 4h30 de sábado na Praça da República, onde “um grupo de moleques girava na direção dos outros um pedaço de madeira com pregos na ponta. Isso tudo a sete metros de uma base policial”, lembra. “No cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, seis PMs assistiam a um grupo de homens atirarem garrafas contra as pessoas na rua.”

A estudante Niami Correia (22) deixava um restaurante no Largo do Arouche quando entregou uma pizza inteira a um morador de rua. “Nesse momento, vi uns 40 meninos correndo, gritando e empurrando as pessoas. Dez deles seguravam um menino enquanto pegavam tudo que estava no bolso dele. Até a pizza que dei para o senhor eles levaram. Só deixaram um pedaço.”
Niami também assistiu à venda de drogas. “Vendiam como se fosse banana. Gritando ‘olha o lança, balinha, ácido aqui’. “Fico me questionando se vou ter coragem de ir na próxima Virada. Dessa vez eu tive sorte, mas e na próxima?”

Segundo dados divulgados pela Prefeitura, foram registrados 12 arrastões, duas mortes, quatro feridos por arma de fogo e outros seis por armas brancas.

Testemunho de Quem Gostou do Que Viu

E ela nem jornalista é! Por isso é que muitos hoje chamam a Mídia de Partido da Imprensa Golpista. Aposto que já já o Haddad abre o cofre para essa corja.




por Alexandra Mello

Correu tudo muito bem no show dos Racionais MC's nesta Virada Cultural em São Paulo. Eu estava lá com meu filho de 16 anos e o amigo de 15, no meio de um público de 100 mil pessoas, segundo estimativa da Secretaria Municipal de Cultura. Depois de 6 anos proibidos de participarem das últimas edições do evento, após confronto entre PM e público na Virada de 2007, ganharam espaço no palco principal. 

No entanto, acordo hoje e o que leio bem na capa da Folha é: "Virada Cultural tem arrastões, nove feridos e um morto." E logo abaixo, "Mais concentrada no centro de São Paulo do que as versões anteriores, a 9ª Virada Cultural foi marcada por morte, arrastões e roubos." E lá dentro, na Ilustrada: "Com crianças no palco, o líder do grupo de rap creditou a violência ocorrida no centro da cidade ao público presente no evento." De fato, Mano Brown disse mesmo que viu na noite anterior alguns manos fazendo treta. O que é um pouco diferente de CREDITAR a violência (Que violência? À que a manchete do jornal se refere?) ao público presente no evento. Será que o jornal não contribuiria mais para uma cidade solidária e menos desigual se destacasse na capa, não a violência de todo dia, mas a harmonia que houve durante um dos show mais esperados da Virada e mais representativos da periferia? Com certeza, a manchete da Folha desta segunda-feira poderia ter sido bem diferente.

 
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